The Better For You
20 Capítulo Dezenove.
Notas iniciais
Fim das férias. Fim da droga do amor de verão.
Suspirei e puxei meu copo de Coca Cola totalmente gelado. Bianca bocejou quando eu trouxe um cookie para minha boca, Thalia estava ouvindo músicas e Nico dormia no tapete.
Era um dia normal.
Minha mãe já chegara do seu passeio de domingo e, por incrível que pareça, eu a acompanhei. Quer dizer, não foi tão terrível quanto eu imaginava, eu vesti um jeans surrado, uma blusa de botões e uma touca de lã, passamos pela praça e ela falou com alguns idosos na frente da casa, outros murmuravam, algo como: “olha o pequeno Jackson cresceu” ou “Percy, vem me dá um abraço”. Eu sorria tímido e enfiava as mãos no bolso acompanhando minha mãe, depois ela falou com Liam que corria com uma bola nas mãos, chegamos à igreja e ela escolheu o último assento, ficamos no canto e assistimos tudo em silêncio.
Foi uma hora mais ou menos quando ela finalmente perguntou se eu queria ir com ela até o cemitério, pensei... Pensei muito mesmo e considerei a possibilidade, mas era algo que já estava acima do meu limite, sorri e disse que não, poderia vir depois – o que, de fato, era mentira.
Então, eu voltei para casa, passei por umas ruas que não conhecia –mesmo depois de ser seqüestrado e minha mãe ainda estar meio abalada com isso -, passei pela minha escola e duas quadras depois pela casa de Katie Gardner. Lembrei-me do cara que era avô dela e disse sobre isso, Oliver, se eu me lembrava bem.
Ele falou algo sobre surfista e final das férias. Pisquei os olhos, surpreso. Eu não conseguia acreditar que eu estava pensando na probabilidade de eu ter um empresário fora do Olimpo, de eu ser um surfista, sei lá, profissional. Chegava a ser surreal.
Pensei mais uma vez e comecei a andar em direção a casa humilde dos Gardner’s.
Tinha uma pintura amarela e sem nenhum defeito, uma porta branca com detalhes em flores, o jardim era bem colorido e vivo, diferente da casa dos Castellan’s, elegantemente descuidado, e muito diferente da minha, com um cuidado diferente, porém o jardim de Katie era algo mais carinhoso, como se o seu jardineiro tirasse cada flor e colocasse no lugar certo fazendo um degrade interessante com as cores.
Enfiei as mãos no bolso e me encaminhei para a porta, mas antes que eu tocasse a campainha, Katie apareceu.
Eu não me lembrava muito dela, sabia que tinha traços firmes e que era uma boa aluna. Agora, ela tinha o cabelo castanho claro grande e pesado preso em um alto rabo de cavalo, usava uma blusa xadrez aberta, por dentro, uma blusa branca com decote V mostrando seus fartos seios, por incrível que pareça, não dei importância, usava um jeans gasto e uma bota sem salto.
Ela olhou para os dois lados, como se estivesse desconfiada e deixou pender o enorme vaso das duas mãos. Um regador, percebi, e outro com adubo, pensei.
- Hey. – cumprimentei
- Oi. – ela disse sem muito interesse e se ajoelhou em frente às flores
E de novo, me lembrei de Annabeth.
- Bom trabalho. Quero dizer, com as flores. – elogiei
- Ah, sério? Muito obrigado, minha mãe está sem tempo para cuidar, então estou tentando fazer o melhor que posso aqui. – ela deu um sorriso deixando a franja cair sobre os olhos, massageou o adubo nas luvas azuis e os acomodou confortavelmente ao redor das flores
- Quer ajuda? – perguntei, não muito certo se seria agradável ou confortante sentar ali e conversar com ela
Katie me olhou de cima a baixo e mordeu o lábio inferior.
- Bom, com essas roupas, não. – deu de ombros – Mas, não se preocupe, faço um bom trabalho, sozinha.
- Tudo bem.
Dê as costas, vá embora, tsc tsc, o que estava pensando quando veio aí?, minha mente martelava
- Você tem mais algum jardim parecido com esse? – me ouvi falar
Ela ergueu o rosto novamente como se estivesse desconfiada com um misto de medo. Abaixou o rosto e cortou algumas ervas daninha.
- Sim, tem uma estufa nos fundos... Mas, minha mãe disse que não posso conversar com estranhos.
Suspirei e ri. Fazia tempo que não ria por nada, e achei que seria uma boa hora de praticar isso novamente.
- Bom, prazer, sou Percy Jackson.
- Estou estranhando você por aqui, Percy.
- Então, na verdade...
- Sabia! – ela exclamou, depois de se levantar e pegar o regador – Não veio dar uma de bom velho amigo da escola.
- É, não, você me pegou. – disse sorrindo
- Pode dizer. – encorajou-me
- Seu avô veio falar comigo no começo do verão.
- Tsc, tsc, velho avô. – murmurou – Pode continuar.
- Então, — nada de cigarro, Jackson, nada de cigarro, sussurrei em minha mente – ele estava conversando comigo, disse que eu sou um bom surfista... – comecei
Ela bateu as mãos e deu uns pulinhos.
- Yeah! – comemorou – Ele me disse algo sobre isso, disse que seu último surfista resolveu dar um tempo e essas férias era o tempo em que ele podia contratar um. Você quer falar com ele, não é? – assenti – Bom, a próxima rua à esquerda, é a casa da esquina. Você vai reconhecê-la, ele é um Gardner, duh. – indicou
- Bem, muito obrigada, Katie. – agradeci – Qualquer dia desses, eu volto para ver sua estufa.
- Sem problemas, Percy. – acenou – Boa sorte lá.
Acenei e comecei a andar em direção a casa de Oliver Gardner.
Virei à direita e esperei por um novo futuro, um novo lugar... Eu queria ser orgulho das pessoas que eu amava, e eu seria.
Por mim, por meus amigos, por minha mãe... Por Poseidon.
Lembro-me de ter chegado a casa e agora estar aqui, comendo com os meus primos e assistindo um filme qualquer.
- Eu estou com preguiça. – Bianca resmungou
- Wow, que novidade, Bia. – Thalia disse
- O quê? Onde? Vem cá. – Nico gritou
- Ahn? – perguntei
- Boa noite, crianças. – ouvi a voz de minha mãe
- Hey, mãe. – cumprimentei
- Como vai, querido? – ela deu um beijo em minha testa, bagunçou os cabelos de Nico e acenou para as meninas — Sabem que as aulas começam amanhã, não é? – lembrou-nos
Resmunguei um palavrão.
- Nem me lembre. – Bianca disse – O papai está um pouco melhor, mas, finalmente, peguei férias e não quero deixar Nico sozinho.
- Maria disse para mim que ele ainda estava tomando muito remédios. – minha mãe informou com a voz falhando
- É... – Nico murmurou – Fomos visitá-lo no tempo que o Percy desapareceu, ele meio que ainda está... Meio acabado, ou demais.
Manteve-se um silêncio de dez minutos, Thalia começou a falar.
- Você acha que ele ainda pode continuar vivo?
- Thalia. – minha mãe repreendeu
- O que é, tia? Estou tentando ser honesta. – defendeu
- Não sei. – Bianca deu um sorriso fraco
Minha mãe deu as costas e disse que prepararia uma macarronada como jantar, assenti e continuei assistindo o filme.
- Notícias de Annabeth? – Bianca perguntou
Enfiei mais um cookie na minha boca e fingi que não estava ouvindo a conversa, mesmo sabendo que ela somente começou por minha causa.
- Ela chegou bem em Nova York. – Thalia deu de ombros e bebeu mais um pouco de Coca
- Só isso? – Nico argumentou
- Por que vocês fazem isso? – Thalia disse – Por Percy? – falou com desdém, Bianca se encolheu e começou a beber mais Coca do que poderia beber por semanas – Se ele não tem coragem, ele que fique sem saber, se ele tem um orgulho maior que tudo, problema dele, e se ele é egoísta demais para admitir para nós que ama a Annabeth, continua sendo problema dele. Então...
- Minha vida pessoal continua sendo problema meu e não seu, Grace. – disse com raiva sabendo que ela poderia me dar um soco, simplesmente odiava quando alguém a chamava pelo sobrenome
- Grace? – ela começou a rir – Olha aqui, Jackson, aposto que você não sofreu nem meio milímetro do que eu sofri, você não sofreu o que Annabeth sofreu, então...
- Porque as duas são cabeças duras o suficiente para se esconderem do mundo.
- Do mundo, não, de você! – acusou
- De mim? O que eu tenho?
- Só o fato de ser egoísta e hipócrita a ponto de só pensar em você e seu tanquinho. Você magoa! Você praticamente destroçou a garota quando era menor!
- Mentira. – gritei sem me importar com os outros – Mentira! Eu me importo com você. Eu me importo.
- Se importa? Onde está Luke? Onde? Me diz, Percy? Onde está seu melhor amigo?
Eu não estava pronto, não agora. Eu não queria saber. Eu poderia, mas não queria. Luke estava fugindo de Ethan, ele sabia que Ethan poderia estar preso, porém tinha muita gente que ainda o queria.
- Eu... Não sei. – gaguejei
Não sabia se minha mãe tinha ouvido nada, mas mesmo assim, se tivesse, não resolveu se manifestar, somente podia ouvir a voz de Thalia quando segurou meus ombros como uma criança prestes a chorar.
- Hey, desculpa, sei que peguei pesado. Só estava estressada.
Olhei ao redor, nem Nico nem Bianca estavam mais lá. Boa idéia. Mais dois fugitivos. Nada melhor que fugir e deixar o resto para Jackson e Grace, palmas.
- Você acha isso de mim? – sussurrei
- Não, Percy, eu só...
Pensei. Tive que pensar, fui obrigado.
- Hoje faz quatro anos que você perdeu seu pai, não é? – murmurei
Estávamos sentados, Thalia ao meu lado com o braço sobre meus ombros enquanto eu me encostava ao seu buscando ajuda.
Ela deu um pequeno sorriso.
- Achei que ninguém iria se lembrar.
- Você conseguiu falar com sua mãe? – seu braço se tornou tenso, mas não pedi desculpa, eu realmente queria saber
Ela suspirou em meus cabelos.
- Me ligou hoje de manhã e disse algo sobre ainda estarmos conectadas, porém – ela fungou -, ela disse que não conseguia mais voltar. Disse que mesmo se desse o máximo, não conseguiria.
- Sinto muito.
- Sem problemas. – ela deu de ombros – Eu não queria ir ao cemitério.
- Não vá. – disse simplesmente
- Mas, é como um dever, sabe.
- Chame o Nico. – disse
- Nico?
Cupido Jackson em ação.
- Quero dizer, ele é um bom primo, ele te adora e gosta muito de você, então ele ia te ajudar em uma hora dessas.
- Acho melhor a Bianca.
- Não. – disse rápido demais – Eu vou sair com ela hoje, não vai dar, sinto muito.
- Ok.
- Mesmo assim, eu só quero dizer que sempre estarei com você, ta? – lhe assegurei
- Espero que sim. – deu um risinho
- Vamos comer, vem. – levantei-me e lhe dei minha mão
Ela a segurou e envolvi seus ombros, vi Nico sorrindo no topo da escada falando um silencioso “obrigado” e depois Bianca ajudando minha mãe na cozinha.
Não éramos uma família grande ou bem estruturada que viajava todo inverno ou verão para países diferentes e íamos para a praia toda tarde jogar conversa fora. Éramos uma família pequena com propósitos e objetivos diferentes, com muitos problemas e um casal que eram primos, uma garota modelo, uma mãe forte e firme. E um ex-usuário de drogas.
N/A: Surpriseeeeeeee. Mais um capítulo. Pode deixar um humilde review e passar pro próximo, haha.
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