The Better For You
4 Capítulo Três.
Notas iniciais
***
Espreguicei-me confortavelmente e inalei o cheiro de panquecas de chocolate. Deliciosas. Pulei da cama e coloquei uma regata branca sobre meu corpo e desci as escadas sentindo o moletom cinza cair um pouco abaixo da minha cintura, mas não me importei.
Às vezes, na verdade, raramente, eu conseguia acordar cedo e ainda pegar o café da manhã quentinho antes da minha mãe sair, na verdade, eu adorava quando acontecia isso, eu podia ficar mais tempo com a minha mãe, mas eu sempre tinha algo para fazer nos domingos a noite. E por isso, só acontecia raras vezes.
Entrei na cozinha com um sorriso vendo minha prima de costas e minha mãe colocando as panquecas em cima da mesa, o suco de laranja e de uva, torradas e rabanadas. Sorri e sentei-me à mesa.
- Bom dia. – falei enquanto puxava uma faca cheia de manteiga junto à torrada
Minha mãe sorriu junto.
- Ainda bem que está aqui hoje. – ela falou sorrindo
- Eu sempre estou aqui. – dei de ombros como se fosse normal
Ela encolheu os ombros e se sentou em frente a mim, Thalia deixou o que tivesse fazendo de lado e se juntou a nós com a cara emburrada.
Ela tinha olhos azuis, não tão claros quanto o de Luke, eles tinham uma aparência mais elétrica, na verdade. Ela usava uma blusa preta escrita BLACK IN BLACK em letras brancas chamativas, ela vinha um palmo acima do seu umbigo e ainda usava moletom preto, o cabelo cheio de mechas azuis e rochas estava bagunçado preso em um coque alto, ela estava com olheiras e a boca estava pressionada. Ela se sentou ao meu lado e praticamente jogou as rabanadas em seu prato enchendo o copo de suco de laranja.
- Está bem, querida? – minha mãe perguntou arqueando a sobrancelha
A olhei novamente, ela baixou o olhar e fungou.
- Aham, só estou um pouco gripada, tia. Nada demais.
- Tem um remédio, deixa eu pegar... – minha mãe se levantou e saiu pela porta estreita da cozinha
- O que houve? – perguntei tentando encarar seus olhos
- Nada demais, sério. – ela deu de ombros e forçou um sorriso – Então, hoje eu vou sair, irei encontrar uma amiga. – disse – Aliás, o que faz acordado uma hora dessa da manhã?
- Não fui à festa de ontem.
- Fiquei sabendo que iria ser a melhor.
- Tem mais por vir. – retruquei
Minha mãe chegou e deu o remédio para Thalia, ela agradeceu e colocou ao lado do seu prato.
- O que vai fazer hoje, Percy? – minha mãe perguntou
- Ah, não sei, férias de verão, não é, mãe? – dei de ombros como se respondesse
- Fiquei sabendo de um campeonato de surf, acho que você queria participar. – avisou
- Vou procurar saber. – menti, ou não
- E você, Thalia? – Sally perguntou com seu sorriso carinhoso
- Vou esperar a Silena chegar e acompanhar o Percy até a praia junto com o idiota do Luke, como sempre. – ela deu de ombros sem ligar e enfiou mais uma rabanada na boca
E como eu disse, as panquecas estavam uma delícia, perfeitas na verdade. Pareciam ser feitas apenas para mim, terminei de tomar café e a campainha tocou, fui até a porta bocejando e ouvindo Thalia falar algo como: hey, você não vai andar ou hey, pede para ela esperar. Um dos dois, na verdade, não me lembro qual.
- Bom dia, Percy. – Silena disse entrando, rolei os olhos.
Era a segunda opção.
Silena era uma gata, uma tremenda gata, na verdade. Ela era o tipo de garota que qualquer babaria para ter em casa, embora eu nunca tivesse feito nada com ela, eu nunca dei importância, sempre fomos amigos desde que eu me conheço por gente, assim como Luke, então, eu poderia até sentir bem lá no fundo, uma pequena atração, e se ela desse mole, eu iria com tudo, claro. Mas, na verdade, não me importava.
Ela tinha cachos dourados curtos e que voava a cada passo, devia ser o cabelo mais bem tratado do mundo, o rosto era em formato de coração e ela tinha uma pele bronzeada, olhos grandes bem azuis brilhantes, tipo um azul escuro, a boca era carnuda e hoje, estava delineada por um brilho sem cor. Ela estava com um chapéu fashion, como ela mesma dizia, um short curto de cintura alta e uma blusa branca folgada com um biquíni rosa, óculos escuros cobriam seus olhos azuis, ela se virou para mim e sorriu como se estivesse grata com o que visse.
- Que bom que ainda não está morto. – ela se escorou em meu ombro
O All Star rosa pisando em meu pé enquanto ela se esticava e dava um beijo em minha bochecha.
- Ainda? – me afastei dela com um sorriso
- Sim, vamos esperar até as cinco da tarde. – Silena deu de ombros e se sentou no sofá – Tia Sally. – ela acenou para minha mãe que vinha em direção a porta
- Olá, Silena. – ela sorriu de volta – Bom, eu já vou, querido. – ela esticou os pés e depositou um beijo em minha bochecha – Cuide-se.
E saiu.
Estiquei minhas mãos e fui me sentar ao lado da melhor amiga da minha prima.
- Então, como vai? Fiquei sabendo que está pegando o Beckendorf.
Ela corou e levou as mãos aos cachos curtos fazendo um pequeno rabo de cavalo com o elástico preto.
- Na verdade, só ficamos ontem. O Nico nos apresentou.
- Meu priminho está virando cupido? Sério? Uau. – arqueei as duas sobrancelhas, surpreso
Eu tinha o direito de estar, Nico era o tipo de garoto reservado, mas ao mesmo tempo bem legal, eu não sabia que ele tinha intimidade com Beckendorf. O cara durão da escola que não era nada demais, ele até surfava com a gente, por exemplo, hoje.
- Sabe que ele vai hoje, não é?
- Claro que eu sei. – ela rolou os olhos
Lembrei-me da prima irritante do Luke, seria legal vê-la quase torrando no sol de hoje, ou vê-la exibindo o corpo maravilhoso.
- Então, eu vou tomar um banho para irmos logo.
Subi as escadas com pressa e tive tempo de ver Thalia saindo do quarto com uma blusa preta, um colete jeans e um short curto e rasgado. Entrei no banho rápido, puxei minha prancha e desci vendo as meninas conversarem casualmente.
- Eu vou ver o Luke, encontro vocês na praia, okay? – falei com minha prancha embaixo do ombro
- O que você quer dizer com ver o Luke? – Thalia perguntou quando eu coloquei a mão na maçaneta
Dei de ombros ainda de costas, olhei por cima do ombro encarando seu olhar ameaçador quase mortal.
- Quero dizer com ver se ele está bem da festa de ontem. – respondi
- Percy...
- Ou arranjar cocaína, ervas medicinais e maços de cigarros suficientes para a tarde toda. – disse de uma vez
Pude a ouvir suspirar e sabia que Silena mordia os lábios e apertava as mãos em punho, eu as conhecia.
Abri a porta e comecei a caminhar sobre o sol quente que fazia em Los Angeles. Eu usava uma regata branca com uma bermuda azul e teria que me lembrar de pegar um moletom no quarto do Luke, ficaríamos até tarde, vi algumas meninas da minha escola passarem e sorrirem cochichando. Eu sou um charme.
Senti a brisa carregada de areia passar entre meus cabelos assim que cheguei à casa do Luke, estava bem, como sempre. Luxuosa e elegante por fora, cheia de problemas e detalhes inacabados por dentro, não literalmente, claro. Entrei na varanda batendo os pés no tapete e tentei abrir.
Aproximei-me da porta e ouvi alguns gritos, aqueles básicos de manhã, mas não eram da May, nem de Hermes, era agudo, adolescente demais... Gracioso demais. Sorri torto e caminhei entre as flores sentindo o cheiro de grama recém cortada dos vizinhos, fui até a lateral da casa e coloquei minha prancha lá na parede, voltei para frente e bati na janela. Estava aberta, seria fácil entrar.
Olhei para os lados e a praia em frente não estava tão movimentada ainda, empurrei a janela e puxei algo parecido com um gatilho que impedia que a janela se abrisse por completo e deixasse-me entrar. Respirei fundo e tentei manter meu peso nos dois braços, passei minha perna direita, abaixei a nuca e entrei com um pulo na cozinha. Mais um grito abafado.
- Você tem que parar de chegar assim e me assustar, seu loco! – Annabeth gritou
Ela estava com os cabelos soltos secos, os cachos caindo sobre o peito coberto por uma blusa laranja clara demais, eu podia até ver seu biquíni preto por baixo, um short claro rasgado e uma daquelas botas country, as bochechas estavam rosadas. E eu poderia me atrever a dizer que ela era bem mais bonita que Silena.
- Você terá que se acostumar, darling. – respondi passando por ela, com indiferença
Annabeth tinha um cheiro de morango misturado com flores recém tiradas do campo, ou girassóis. Ou como se ela trabalhasse em um daqueles campos de morango, aqueles campos enormes em que eles andam de cavalo com calças justas. Eu não me importaria se pudesse vê-la assim todo dia.
- O que está fazendo aqui? Desta vez? – ela estava atrás de mim, pude ouvir os passos da bota no piso de madeira em uma cor clara
Limitei-me a colocar as mãos na cintura e olhar a sala, curvei o nariz. Cheiro de vômito misturado com cigarro.
Não era o melhor para sentir assim que chegasse na casa do seu amigo.
- Ele já vomitou? Costuma fazer isso depois que eu chego. – argumentei subindo as escadas
- Seu idiota, volta aqui.
Continuei a caminhar ignorando seus gritos agudos protestantes. Ela segurou meu braço com força me fazendo parar, a olhei. Parecia tão pequena e frágil... Mas era uma chata, na verdade.
- Saia daqui, não é sua casa.
- Muito menos a sua. E pelo que eu me lembre, pode ser prima do Luke, mas não conviveu com ele por mais de dezesseis anos, não é? – arqueei a sobrancelha, desafiador
- Tenho mais direitos que você, e por isso mesmo, quero que você saia daqui.
- Eu vou ver o Luke Castellan, agora eu sou bem cavalheiro para não te jogar pela escada, não quero ser assassino. Agora, me larga.
- Só quando disser o que está fazendo aqui? – Annabeth jogou os cachos loiros para trás e manteve a expressão dura
A mesma de ontem. Os lábios estavam pressionados com tanta força que chegavam a fazer um beicinho fofo, os olhos cinza estavam tão tempestuosos quanto antes, porém pareciam mais claros. Agora, eu queria um espelho para ver como estariam os meus.
- Eu vim ver o Luke, só isso.
- Então, espera em baixo.
- Cara, ele já vomitou, aposto que não se deu muito bem com ele quando ele chegou de madruga.
- Ah, sei lá, sabe... – ela virou o rosto e disse mais irônica possível – Ele deve ter deixado o melhor amigo dele comigo para saber que quando chegasse cheio de drogas, todo louco e quase querendo me matar era porque algum homem de confiança estaria aqui para mantê-lo longe de mim. – ela vociferou e jogou meu braço contra minha barriga
Fiz uma careta.
- Hey, desculpa, mas ajudaria se você fosse mais carinhosa e receptiva ontem. – rebati ainda em um tom sarcástico
- Ficasse por ele, e não por mim, seu imbecil.
Annabeth rolou os olhos e passou por mim com raiva batendo nossos ombros. Mais uma vez o cheiro de morango. Travei o maxilar e bati minha mão em punho no corrimão, subi os degraus a passos fundos ao chegar a frente ao quarto de Luke. Annabeth batia e gritava coisas do tipo “abra agora, vai” ou “Luke, vamos, sou eu a Annie” e “eu te desculpo por ontem, eu te entendo”. E ele estava calado, rolei os olhos.
- Na boa, não escolha seguir carreira de psicóloga. Parece que você não é muito boa. – resmunguei – E nem dar uma, agora. — enfiei minha mão no bolso procurando minhas chaves
Eu tinha muitas chaves. Na verdade, eu adorava chaves. Eu tinha as chaves da escola, por pura diversão havia tirado cópias, eu tinha a chave do carro de Luke, tinha as chaves do carro da minha mãe, e da minha antiga BMW, claro, tinha chaves do carro da Thalia e da casa, do carro e do guarda roupa da Silena. E como um bom colecionador de chaves, tinha as chaves de todos os cômodos da casa de Luke, menos da porta de entrada porque minha mãe e minha tia – de consideração, claro – May Castellan, me proibira de fazer isso. Mas, enfim, foi um pequeno exemplo para demonstrar que eu gostava das chaves, então procurei a chave do quarto de Luke e o abri.
Pude ouvir o suspiro de Annabeth.
Luke estava de costas para a porta, estava no parapeito da varanda brincando com uma bola de beisebol e um cigarro entre os lábios, sem camisa e uma bermuda roxa. Ele fazia o estilo galã de cinema, sempre pronto para uma foto, não importa onde ele estivesse, não importa com quem estivesse, não importa como estivesse, ele sempre teria uma boa foto. Cabelos loiros, olhos azuis claros, corpo malhado – isso não quer dizer que eu não tenha, okay? – e não sei porquê, mas mesmo que as mulheres odiassem que os homens fumassem, elas achavam sexy.
Ele entornou o cigarro entre os dois dedos e virou-se para trás sorrindo.
- Annie? – ele chamou olhando por cima do ombro
- Seu idiota, será que pelo menos uma vez pode me escutar?
- Não, lálá... – cantarolei a impedindo de passar com meu braço esticado
Ela se afastou e iria me contornar, mas apenas segurei sua cintura de frente para mim e dei um daqueles sorrisos que faria qualquer uma cair. Mas os olhos ainda estavam duros e frios, sorri mais uma vez e a coloquei para fora fechando a porta na sua cara.
- Valeu, cara.
Luke estava de volta com dois copos cheios de uísque, percebi, e dois cubos de gelo dentro deles. Estendeu-me um cigarro e sorri o acendendo e pegando o pequeno copo, o acompanhei até a varanda e nos sentamos.
- Queria te dar um murro. – ele murmurou
- Eu sei, não pode fazer isso, mas te devo desculpas sabe.
- Eu sei.
- Isso não quer dizer que eu vá te dar desculpas. – retruquei
- Eu sei. – ele resmungou
- Ótimo, vamos surfar. Aposto que Nico já está lá procurando alguém para ser seu alvo do dia, e não vou deixar tudo para ele. – falei entornando o copo e colocando na pequena mesa
- Da próxima vez, vê se cumpre sua promessa, Jackson. – ele disse
- Claro. – forcei um sorriso – Mas não coloca a culpa só para mim, querido amigo... – estiquei minha mão e toquei seu ombro – Sua prima é a pior garota da face da Terra. – declarei
- Só porque ela não transou com você?
- Não. Aliás, eu nem queria. Ela só foi a pior companhia, na pior noite. – expliquei
- Bom, minha prancha já está lá embaixo. Só vou pegar o violão e a gente vai.
Traguei o vendo procurar por uma blusa, ele escolheu uma regata azul clara e me estendeu um moletom com capuz preto e pegou um branco para ele.
Luke abriu a porta pegando o violão, Annabeth não estava lá... Estava no corredor em frente à escada falando com alguém no telefone, um coque pendia do lado direito da sua cabeça, Luke me cutucou e sussurrou:
- Eu sei que ela é uma gata, mas tenha certeza, não é para você. – avisou
- Não é para mim? – perguntei
- Aham. — concordou
- Todas são para mim, Castellan.
- Ela não. E eu estarei de olho. – disse
- Me dê um exemplo de porquê ela não é para mim. – rebati
Ele a avaliou, de cima a baixo e colocou as mãos na cintura.
- Ela simplesmente não é o seu tipo. Ela é reservada, mas pode pegar qualquer um na hora que quiser, ela manda no jogo. – Luke virou-se para mim – É difícil chegar ao fundo dela.
- Oh, eu chego lá. – dei um sorriso brincalhão
Luke rolou os olhos, sorrindo. Passamos por ela, Luke lhe lançou um sorriso fraco e ela fez o mesmo, quando passei por ela pisquei o olho e fiz a mímica de uma arma apertando o gatilho, soprei a ponta do meu dedo e dei um grande sorriso, ela levantou o dedo médio e deu um sorriso grande virando as costas e andando pelo corredor.
Luke já estava na cozinha, abaixado atrás da mesa central com o armário aberto, fiquei ao seu lado enquanto ele abria a bolsa. Ele me deu três maços de cigarros, três pacotes de cocaína, algumas ervas medicinais bem presas em um pacote de papel e três garrafas pequenas do tamanho da minha mão, cheias de ecstasy.
- Dá?
- Claro. – assegurei
Levantamos-nos, ele fechou a porta do armário e trancou, colocou a mochila atrás das costas e apagou o cigarro jogando no lixo, fiz o mesmo. Andamos até a sala e Annabeth já estava lá.
- Tem certeza que sua prima não é um monstro? – perguntei alto
- Tem certeza que seu melhor amigo não é um idiota de cinco anos? – ela arqueou a sobrancelha, desafiadora.
Igual a mim na escada.
Luke riu.
- Tenho certeza que nenhum dos dois vão se falar na praia, não é?
Rolamos os olhos, juntos. Ela jogou a bolsa preta pelo o ombro e enfiou o Iphone na bolsa puxando o Ipod com os fones de ouvido, ela saiu primeiro e tive a visão de seus cabelos voando e depois de uma enxurrada de areia no meu olho.
- Cara, ela pode ser chata e um monstro... – murmurei para Luke enquanto mordia os lábios – Mas, ela é bem mais bonita do que a Silena, sério. – falei
Ele me encarou boquiaberto e fechou o punho batendo em meu braço.
Gemi.
- Que primo do monstro forte.
N/A: Oh, seis páginas. O que mais vocês querem de mim? ~risos~
Mylena Illt* nem começou ainda com as coisas malvadas, aliás, o Percy não é nenhum um pouco pervertido, okay?
Darlings, sinto falta dos seus reviews, venham me fazer feliz (:
*Mylena Illt, é tipo Mylena do Mal em islandês, não me perguntem o porquê, mas simplesmente me apaixonei.....Ok, vejo vocês no sábado, ou qualquer dia desses, babys.
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