The Better For You
16 Capítulo Quinze.
Notas iniciais
Baguncei o cabelo e bocejei, estiquei as pernas e pela primeira vez no dia, eu necessitei de um cigarro.
- Vai atender a porta. – Bianca resmungou
- Eu não vou. – Thalia se recusou, birrenta
- Percy... – Nico começou com uma voz manhosa
Estiquei meus braços e olhei para a distância entre o sofá e a porta. Estava tão longe.
Bom, ontem foi o dia mais feliz da minha vida, pelo menos eu acho. Assim que sai da casa dos Chase’s, praticamente pulando de felicidade, corri para casa.
Bianca e Thalia estavam fazendo as unhas comendo chocolate e esperando por Silena, então contei tudo para elas, desde que eu cheguei lá todo molhado até quando a mãe dela me ofereceu rabanadas, o que foi praticamente um milagre para mim.
Então, procurei o número de Annabeth na minha agenda telefônica, mas percebi que não tinha, então eu meio que entrei no quarto de Thalia e peguei. Liguei, chamou três vezes e ela atendeu. Perguntei se podíamos conversar em uma das lanchonetes perto da minha casa ou ir para a praia, mas ela disse que estava fazendo as malas, o que me fez ficar mais excitado para que pudéssemos sair. Porém, ela negou e disse: “eu não irei viajar hoje.” Foi o suficiente para me fazer parar de ligar para ela.
E hoje era sexta, todas as sextas deveriam ser o dia da preguiça. Minha mãe havia acabado de sair e havia um monte de toddy’s espalhados pelo o centro junto com um monte de besteiras, Thalia reclamava que começava a ter dores de barriga e eu já podia ouvir Nico roncando, Bianca apenas bocejava e revirava os olhos. Olhei novamente para a porta, bocejei e consegui me levantar, baguncei o cabelo e caminhei tão lentamente que pensei que nunca iria chegar.
Levei minha mão à maçaneta e abri. E percebi que minha preguiça passou em um piscar de olhos.
Annabeth estava com os cabelos soltos, como sempre. Tão pálidos e brilhosos sobre a luz do sol fervente, ela usava uma saia jeans curta, uma blusa branca com um moletom grande preto por cima. Olhei sobre seu ombro tentando imaginar como ela conseguira vir até aqui, não avistei nenhum carro nem mesmo um táxi, então pensei que ela viera a pé, mas mesmo assim parecia tão quente.
Pisquei os olhos, um pouco confuso e dei o meu melhor sorriso.
- Oi, o que está fazendo por aqui? Pensei que iria viajar ontem. – disse ainda feliz
Dei uma olhada para trás, Nico estava acordado e com a cabeça inclinada para o lado tentando nos ver, Bianca se pendurava na poltrona que antes estava sentada e Thalia estava caída no chão com a cabeça abaixo dos pés de Bianca, se Annabeth não estivesse na minha frente, e eu estivesse esperando uma resposta bem complicada e explicada, seria engraçado, afinal.
Annabeth olhou por cima do meu ombro antes de continuar.
- Então – ela olhou para as unhas grandes e roxas -, minha mãe teve uma reunião surpresa ontem e hoje, ou seja, ela tem que ficar mais tempo aqui... Você me chamou para ir ontem à lanchonete, então eu pensei se... Sei lá. – ela deu de ombros
- Claro que ele vai. – Bianca disse já ao meu lado
- A gente nem tinha planejado nada mesmo. – Thalia deu de ombros
- Mas, hey, hoje era o dia da... – Nico tentou falar qualquer coisa
- Cinco minutos? – perguntei, ela assentiu – Ótimo.
E saí correndo em direção a escada mesmo que o que eu mais quisesse fosse ficar deitado com Annabeth ao meu lado, só por ela ter passado pelo enorme orgulho dela e ter vindo falar comigo. Foi à melhor coisa que ela poderia fazer por mim, depois claro de dizer as três malditas palavras, mas isso já era outra coisa.
Coloquei uma bermuda, chinelo, um boné preto com a aba para trás e uma blusa branca. Desci as escadas correndo e me lembrei de enfiar um maço de cigarros no bolso – mesmo que não fosse fumar – e minha carteira.
Annabeth estava dando um daqueles sorrisos que me deixam felizes com Thalia e Bianca, podia ouvir Nico reclamando, mas o ignorei quando cheguei ao seu lado.
- Bom, vamos?
- Tudo bem, vamos. – ela se levantou e amaciou a blusa
Andamos lado a lado até a porta, a fechei e descemos os pequenos degraus que davam para o jardim.
Pensei se deveria juntar nossas mãos ou não, por fim, entrelacei sua mão na minha, porém ela não retirou nem insinuou que retiraria, como nas outras vezes que fiz isso.
- Eu estava pensando... Se talvez nós pudéssemos voltar àquela pista de skate. – Annabeth disse
- Hm, bom, aquela está muito longe. – resmunguei, preguiçoso – Mas, eu conheço uma aqui bem perto. – falei
Entrei na garagem e peguei os dois skates, ela disse que não era necessário dois, dei de ombros e caminhamos até a pista.
Não era tão maravilhosa quanto à outra, porém esta era menos movimentada. Tinha duas pistas grandes e três pequenas com alguns lugares planos entre elas e uma trilha que dava para uma lareira entre o bosque.
Sentamo-nos na entrada da trilha de pedras e começamos a ver o céu.
- Quer aprender a andar de skate? – perguntei
- Estou de saia. – ela disse
- Não é um problema.
Sabia que ela reviraria os olhos, mas não pude confirmar já estava com os meus fechados.
- Eu quero ver você andar. – ela murmurou – Vem. – chamou
Abri os olhos. Ela estava em pé diante de mim, alguns passos afastados como precação, e o céu maravilhosamente azul e quente como plano de fundo.
- Tudo bem.
Ergui minha mão enquanto ela me puxava com um pouco de dificuldade, ri e a ajudei. Peguei meu skate e deixei sob meus pés enquanto eu começava a andar com leveza.
- É fácil, se lembra. – gritei quando estava um pouco longe dela – Só precisa de equilíbrio.
Ela sorriu enquanto eu continuava a andar e fazer algumas manobras básicas. Os braços cruzados, como se estivesse na defensiva, os cabelos voando de qualquer jeito pelo o vento quente de verão, fazia-a parecer bem mais perfeita do que já era.
Voltei e Annabeth estava em pé atrás de uma árvore.
- Você faz parecer como se fosse a coisa mais fácil do mundo.
- Talvez, sim, seja. – disse
Beth pegou o skate da minha mão e se sentou na minha frente com as pernas devidamente cruzada – maldita educação. Fiquei de frente para ela e apoiei as mãos no joelho fazendo com que meu rosto ficasse acima do dela. Eu estava sorrindo bobo e os cantos dos seus lábios tremiam.
Até agora, eu não via necessidade nenhuma de beijá-la, o simples fato de estar ao seu lado já me fazia bem e eu não precisava de nada mais, sinceramente.
Coloquei meus pés ao lado dos seus, suas mãos pequenas estavam no skate tentando se equilibrar.
Juntei nossos lábios em um selinho que deveria ser rápido, mas meus lábios pareceram ganhar vida própria quando começamos a nos beijar com fervor, me ajoelhei colocando minhas mãos em sua nuca e a trazendo mais perto de mim. Tinha gosto de morango e achei que era pelo o brilho que usara, mas estava perfeita. Completamente e casualmente perfeita, como sempre.
- Eu te amo. – sussurrei entre um beijo e outro
- É, eu sei. – ela disse caçando as próprias mãos em meio à bagunça dos meus cabelos
E foi assim, nos deitamos na parte plana e ficamos nos agarrando por um longo tempo. Depois de meia hora, peguei a sua mão na minha e começamos a voltar para minha casa, foi mais rápido que imaginava, nos beijamos de novo e peguei sua mão novamente.
Ela apertou mais um pouco e andamos em direção a lanchonete que ficava bem perto de lá.
A brisa trazia um cheiro do mar, talvez salgado. Caminhamos calados, mas não era tão desconfortável quanto parecia ser.
- É aqui. – avisei parando
Ela analisou. Era aconchegante, um pouco pequeno. Não estava tão lotado como na maioria das vezes que eu vim, alguns grupos de amigos estavam espalhados pelas mesas centrais e as do canto. A fachada era de uma cor azul desbotada, tendo pingos de tintas brancos e a placa desgastada por causa do vento, da chuva e coisas do tipo, existia uma placa escrita: It’s Dobby’s, o que era meio estranho, as mesas eram brancas, também desgastadas com mesas quadradas, algumas sujas ainda, dois garçons andavam para lá e para cá, e uma mulher lia revista no balcão.
- Aqui? – ela curvou o nariz
Olhei novamente. A comida não era tão horrível como aparentava ser, tinha bons pratos de peixe e mesmo que continuasse sendo estranho, vendiam meu hambúrguer preferido.
- Bom, sim, a comida não é tão ruim como a aparência aparenta ser.
- A aparência é o ponto principal. – sorri
- Já sei por que me escolheu.
Annabeth me deu um tapa no ombro.
- Que mão pesada. – resmunguei
Ela começou a andar na minha frente e prestei a atenção no seu quadril. Ok, por que aquele-carinha-que-transou-com-Beth – assim que eu me referia a Solace – podia transar com ela e eu não?
Respirei fundo e adentrei ao It’s Dobby’s, como disse não estava tão movimentado. Annabeth estava sentada a uma mesa bem perto da entrada, talvez com medo de adentrar mais, era bem perto da praia já que conseguia ouvir o chocar das ondas na areia, Beth tinha o cardápio nas mãos folheando preguiçosamente, me sentei a sua frente e procurei o meu cardápio.
- O que quer? – ela me perguntou
Lambi os lábios.
- Um desses hambúrgueres bem gordurosos com muita carne e o maior copo de Coca Cola que tiverem. – sorri como uma criança
- Sabe que isso é um suicídio com seu corpo, não é?
Dei de ombros.
- Sei que me fará feliz, e você?
- Um desses hambúrgueres sem carne e com muita salada. E um copo de suco de laranja. – ela disse educadamente fechando o cardápio
Levantei a mão chamando o garçom.
- Tem certeza que quer isso? Não vai conseguir chegar nem a esquina.
- Estou muito bem, obrigada.
- Tudo bem, Beth.
Os hambúrgueres não demoraram a chegar, comemos ainda em silêncio. O meu hambúrguer estava tão gorduroso que eu poderia sentir minha língua oleosa, mas eu não ligava para isso porque estava realmente gostoso já Annabeth comia feliz, eu acho, seu hambúrguer era pequeno cheio de salada e vento, eu acho.
- Certeza que não quer experimentar um pouco do meu? – perguntei
- Não.
- Absoluta? Acho que posso deixar mais para você. – empurrei meu hambúrguer
- Não, Percy, eu não quero. – ela afirmou
- Tudo bem, então.
Dei mais duas mordidas e comecei a beber a Coca Cola.
- Então... Quando você volta para a cidade poluída?
- Quando minha mãe se der conta que não podemos morar aqui.
- Por que não? – perguntei quase surpreso demais
- Não sei. – ela deu de ombros – Sabe, aqui não é meu lugar. Muito menos Nova York, mas é o mais perto que eu posso chegar de meu lugar, então. Tenho que voltar para lá.
- Sabe que você pode escolher o lugar que quiser? – me debrucei sobre a mesa encarando os olhos cinzas – Não que eu esteja implorando para você ficar – porque sim eu estou, minha mente dizia -, mas você tem que se adaptar ao lugar onde estiver, não ao lugar que você quer estar.
- Se você estiver insinuando que eu fique aqui. Já falamos sobre isso.
- Não falamos. – disse calmo – Falamos sobre o futuro.
- E o futuro enquadra onde eu devo ficar, ou seja, Nova York.
- Não se você não quiser. – contradisse
Ela ficou calada. Não me dei como o vencido, ela só queria adiar a conversa ou encerrá-la, Annabeth chamou o garçom. Esperamos três minutos antes de sair da lanchonete.
Começamos a andar pelas ruas sem saber um destino certo, Annabeth andava pela calçada enquanto eu andava pela rua, não estava tão movimentada então pensei que todos estivessem fazendo a sexta feira da preguiça. Passamos por dois becos sem falar nada, faltava uma quadra para chegarmos na casa dela.
- Beth? – chamei, ela estava a dois passos na frente
Annabeth virou-se trazendo os cabelos louros para frente de seu rosto.
- Vamos ir pela outra quadra. – pedi, quase nervoso demais
Lembrava-me bem como era aquele lugar.
- Por quê? Falta apenas uma quadra e se formos voltar vão ser mais duas.
- É melhor irmos pela outra. – insisti
Ela revirou os olhos e continuou andando sem a noção do perigo, adiantei o passo e me pus ao seu lado, do lado da rua.
- O que foi? Parece nervoso. – ela disse
- Eu estou nervoso. – afirmei, como se fosse óbvio, aliás, era óbvio
Passei a mão pelos cabelos e rezei, eu não tinha uma religião especifica, mas apenas rezei para qualquer pessoa dos Céus que me pudesse ajudar e protegê-la. Ouvi um som de um carro se aproximando e depois, apenas um grito alto de Annabeth, uma dor horrível na nuca e eu perdendo a consciência.
N/A:
Baguncei o cabelo e bocejei, estiquei as pernas e pela primeira vez no dia, eu necessitei de um cigarro.
- Vai atender a porta. – Bianca resmungou
- Eu não vou. – Thalia se recusou, birrenta
- Percy... – Nico começou com uma voz manhosa
Estiquei meus braços e olhei para a distância entre o sofá e a porta. Estava tão longe.
Bom, ontem foi o dia mais feliz da minha vida, pelo menos eu acho. Assim que sai da casa dos Chase’s, praticamente pulando de felicidade, corri para casa.
Bianca e Thalia estavam fazendo as unhas comendo chocolate e esperando por Silena, então contei tudo para elas, desde que eu cheguei lá todo molhado até quando a mãe dela me ofereceu rabanadas, o que foi praticamente um milagre para mim.
Então, procurei o número de Annabeth na minha agenda telefônica, mas percebi que não tinha, então eu meio que entrei no quarto de Thalia e peguei. Liguei, chamou três vezes e ela atendeu. Perguntei se podíamos conversar em uma das lanchonetes perto da minha casa ou ir para a praia, mas ela disse que estava fazendo as malas, o que me fez ficar mais excitado para que pudéssemos sair. Porém, ela negou e disse: “eu não irei viajar hoje.” Foi o suficiente para me fazer parar de ligar para ela.
E hoje era sexta, todas as sextas deveriam ser o dia da preguiça. Minha mãe havia acabado de sair e havia um monte de toddy’s espalhados pelo o centro junto com um monte de besteiras, Thalia reclamava que começava a ter dores de barriga e eu já podia ouvir Nico roncando, Bianca apenas bocejava e revirava os olhos. Olhei novamente para a porta, bocejei e consegui me levantar, baguncei o cabelo e caminhei tão lentamente que pensei que nunca iria chegar.
Levei minha mão à maçaneta e abri. E percebi que minha preguiça passou em um piscar de olhos.
Annabeth estava com os cabelos soltos, como sempre. Tão pálidos e brilhosos sobre a luz do sol fervente, ela usava uma saia jeans curta, uma blusa branca com um moletom grande preto por cima. Olhei sobre seu ombro tentando imaginar como ela conseguira vir até aqui, não avistei nenhum carro nem mesmo um táxi, então pensei que ela viera a pé, mas mesmo assim parecia tão quente.
Pisquei os olhos, um pouco confuso e dei o meu melhor sorriso.
- Oi, o que está fazendo por aqui? Pensei que iria viajar ontem. – disse ainda feliz
Dei uma olhada para trás, Nico estava acordado e com a cabeça inclinada para o lado tentando nos ver, Bianca se pendurava na poltrona que antes estava sentada e Thalia estava caída no chão com a cabeça abaixo dos pés de Bianca, se Annabeth não estivesse na minha frente, e eu estivesse esperando uma resposta bem complicada e explicada, seria engraçado, afinal.
Annabeth olhou por cima do meu ombro antes de continuar.
- Então – ela olhou para as unhas grandes e roxas -, minha mãe teve uma reunião surpresa ontem e hoje, ou seja, ela tem que ficar mais tempo aqui... Você me chamou para ir ontem à lanchonete, então eu pensei se... Sei lá. – ela deu de ombros
- Claro que ele vai. – Bianca disse já ao meu lado
- A gente nem tinha planejado nada mesmo. – Thalia deu de ombros
- Mas, hey, hoje era o dia da... – Nico tentou falar qualquer coisa
- Cinco minutos? – perguntei, ela assentiu – Ótimo.
E saí correndo em direção a escada mesmo que o que eu mais quisesse fosse ficar deitado com Annabeth ao meu lado, só por ela ter passado pelo enorme orgulho dela e ter vindo falar comigo. Foi à melhor coisa que ela poderia fazer por mim, depois claro de dizer as três malditas palavras, mas isso já era outra coisa.
Coloquei uma bermuda, chinelo, um boné preto com a aba para trás e uma blusa branca. Desci as escadas correndo e me lembrei de enfiar um maço de cigarros no bolso – mesmo que não fosse fumar – e minha carteira.
Annabeth estava dando um daqueles sorrisos que me deixam felizes com Thalia e Bianca, podia ouvir Nico reclamando, mas o ignorei quando cheguei ao seu lado.
- Bom, vamos?
- Tudo bem, vamos. – ela se levantou e amaciou a blusa
Andamos lado a lado até a porta, a fechei e descemos os pequenos degraus que davam para o jardim.
Pensei se deveria juntar nossas mãos ou não, por fim, entrelacei sua mão na minha, porém ela não retirou nem insinuou que retiraria, como nas outras vezes que fiz isso.
- Eu estava pensando... Se talvez nós pudéssemos voltar àquela pista de skate. – Annabeth disse
- Hm, bom, aquela está muito longe. – resmunguei, preguiçoso – Mas, eu conheço uma aqui bem perto. – falei
Entrei na garagem e peguei os dois skates, ela disse que não era necessário dois, dei de ombros e caminhamos até a pista.
Não era tão maravilhosa quanto à outra, porém esta era menos movimentada. Tinha duas pistas grandes e três pequenas com alguns lugares planos entre elas e uma trilha que dava para uma lareira entre o bosque.
Sentamo-nos na entrada da trilha de pedras e começamos a ver o céu.
- Quer aprender a andar de skate? – perguntei
- Estou de saia. – ela disse
- Não é um problema.
Sabia que ela reviraria os olhos, mas não pude confirmar já estava com os meus fechados.
- Eu quero ver você andar. – ela murmurou – Vem. – chamou
Abri os olhos. Ela estava em pé diante de mim, alguns passos afastados como precação, e o céu maravilhosamente azul e quente como plano de fundo.
- Tudo bem.
Ergui minha mão enquanto ela me puxava com um pouco de dificuldade, ri e a ajudei. Peguei meu skate e deixei sob meus pés enquanto eu começava a andar com leveza.
- É fácil, se lembra. – gritei quando estava um pouco longe dela – Só precisa de equilíbrio.
Ela sorriu enquanto eu continuava a andar e fazer algumas manobras básicas. Os braços cruzados, como se estivesse na defensiva, os cabelos voando de qualquer jeito pelo o vento quente de verão, fazia-a parecer bem mais perfeita do que já era.
Voltei e Annabeth estava em pé atrás de uma árvore.
- Você faz parecer como se fosse a coisa mais fácil do mundo.
- Talvez, sim, seja. – disse
Beth pegou o skate da minha mão e se sentou na minha frente com as pernas devidamente cruzada – maldita educação. Fiquei de frente para ela e apoiei as mãos no joelho fazendo com que meu rosto ficasse acima do dela. Eu estava sorrindo bobo e os cantos dos seus lábios tremiam.
Até agora, eu não via necessidade nenhuma de beijá-la, o simples fato de estar ao seu lado já me fazia bem e eu não precisava de nada mais, sinceramente.
Coloquei meus pés ao lado dos seus, suas mãos pequenas estavam no skate tentando se equilibrar.
Juntei nossos lábios em um selinho que deveria ser rápido, mas meus lábios pareceram ganhar vida própria quando começamos a nos beijar com fervor, me ajoelhei colocando minhas mãos em sua nuca e a trazendo mais perto de mim. Tinha gosto de morango e achei que era pelo o brilho que usara, mas estava perfeita. Completamente e casualmente perfeita, como sempre.
- Eu te amo. – sussurrei entre um beijo e outro
- É, eu sei. – ela disse caçando as próprias mãos em meio à bagunça dos meus cabelos
E foi assim, nos deitamos na parte plana e ficamos nos agarrando por um longo tempo. Depois de meia hora, peguei a sua mão na minha e começamos a voltar para minha casa, foi mais rápido que imaginava, nos beijamos de novo e peguei sua mão novamente.
Ela apertou mais um pouco e andamos em direção a lanchonete que ficava bem perto de lá.
A brisa trazia um cheiro do mar, talvez salgado. Caminhamos calados, mas não era tão desconfortável quanto parecia ser.
- É aqui. – avisei parando
Ela analisou. Era aconchegante, um pouco pequeno. Não estava tão lotado como na maioria das vezes que eu vim, alguns grupos de amigos estavam espalhados pelas mesas centrais e as do canto. A fachada era de uma cor azul desbotada, tendo pingos de tintas brancos e a placa desgastada por causa do vento, da chuva e coisas do tipo, existia uma placa escrita: It’s Dobby’s, o que era meio estranho, as mesas eram brancas, também desgastadas com mesas quadradas, algumas sujas ainda, dois garçons andavam para lá e para cá, e uma mulher lia revista no balcão.
- Aqui? – ela curvou o nariz
Olhei novamente. A comida não era tão horrível como aparentava ser, tinha bons pratos de peixe e mesmo que continuasse sendo estranho, vendiam meu hambúrguer preferido.
- Bom, sim, a comida não é tão ruim como a aparência aparenta ser.
- A aparência é o ponto principal. – sorri
- Já sei por que me escolheu.
Annabeth me deu um tapa no ombro.
- Que mão pesada. – resmunguei
Ela começou a andar na minha frente e prestei a atenção no seu quadril. Ok, por que aquele-carinha-que-transou-com-Beth – assim que eu me referia a Solace – podia transar com ela e eu não?
Respirei fundo e adentrei ao It’s Dobby’s, como disse não estava tão movimentado. Annabeth estava sentada a uma mesa bem perto da entrada, talvez com medo de adentrar mais, era bem perto da praia já que conseguia ouvir o chocar das ondas na areia, Beth tinha o cardápio nas mãos folheando preguiçosamente, me sentei a sua frente e procurei o meu cardápio.
- O que quer? – ela me perguntou
Lambi os lábios.
- Um desses hambúrgueres bem gordurosos com muita carne e o maior copo de Coca Cola que tiverem. – sorri como uma criança
- Sabe que isso é um suicídio com seu corpo, não é?
Dei de ombros.
- Sei que me fará feliz, e você?
- Um desses hambúrgueres sem carne e com muita salada. E um copo de suco de laranja. – ela disse educadamente fechando o cardápio
Levantei a mão chamando o garçom.
- Tem certeza que quer isso? Não vai conseguir chegar nem a esquina.
- Estou muito bem, obrigada.
- Tudo bem, Beth.
Os hambúrgueres não demoraram a chegar, comemos ainda em silêncio. O meu hambúrguer estava tão gorduroso que eu poderia sentir minha língua oleosa, mas eu não ligava para isso porque estava realmente gostoso já Annabeth comia feliz, eu acho, seu hambúrguer era pequeno cheio de salada e vento, eu acho.
- Certeza que não quer experimentar um pouco do meu? – perguntei
- Não.
- Absoluta? Acho que posso deixar mais para você. – empurrei meu hambúrguer
- Não, Percy, eu não quero. – ela afirmou
- Tudo bem, então.
Dei mais duas mordidas e comecei a beber a Coca Cola.
- Então... Quando você volta para a cidade poluída?
- Quando minha mãe se der conta que não podemos morar aqui.
- Por que não? – perguntei quase surpreso demais
- Não sei. – ela deu de ombros – Sabe, aqui não é meu lugar. Muito menos Nova York, mas é o mais perto que eu posso chegar de meu lugar, então. Tenho que voltar para lá.
- Sabe que você pode escolher o lugar que quiser? – me debrucei sobre a mesa encarando os olhos cinzas – Não que eu esteja implorando para você ficar – porque sim eu estou, minha mente dizia -, mas você tem que se adaptar ao lugar onde estiver, não ao lugar que você quer estar.
- Se você estiver insinuando que eu fique aqui. Já falamos sobre isso.
- Não falamos. – disse calmo – Falamos sobre o futuro.
- E o futuro enquadra onde eu devo ficar, ou seja, Nova York.
- Não se você não quiser. – contradisse
Ela ficou calada. Não me dei como o vencido, ela só queria adiar a conversa ou encerrá-la, Annabeth chamou o garçom. Esperamos três minutos antes de sair da lanchonete.
Começamos a andar pelas ruas sem saber um destino certo, Annabeth andava pela calçada enquanto eu andava pela rua, não estava tão movimentada então pensei que todos estivessem fazendo a sexta feira da preguiça. Passamos por dois becos sem falar nada, faltava uma quadra para chegarmos na casa dela.
- Beth? – chamei, ela estava a dois passos na frente
Annabeth virou-se trazendo os cabelos louros para frente de seu rosto.
- Vamos ir pela outra quadra. – pedi, quase nervoso demais
Lembrava-me bem como era aquele lugar.
- Por quê? Falta apenas uma quadra e se formos voltar vão ser mais duas.
- É melhor irmos pela outra. – insisti
Ela revirou os olhos e continuou andando sem a noção do perigo, adiantei o passo e me pus ao seu lado, do lado da rua.
- O que foi? Parece nervoso. – ela disse
- Eu estou nervoso. – afirmei, como se fosse óbvio, aliás, era óbvio
Passei a mão pelos cabelos e rezei, eu não tinha uma religião especifica, mas apenas rezei para qualquer pessoa dos Céus que me pudesse ajudar e protegê-la. Ouvi um som de um carro se aproximando e depois, apenas um grito alto de Annabeth, uma dor horrível na nuca e eu perdendo a consciência.
N/A: Estou postando demais, não acham? Ok, sei que não, mas esse capitulo foi tããão longo, certo? Ok, não sei, espero que tenham gostado e me mandem reviews :3
P.S: A mãe da Demetria Delicious Devonne Gostosa Lovato, no caso, a dona Diana De La Garza me aceitou no facebook, eu estou mega feliz *o* Bom, é só isso, valeu vcs *-*
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