The Better For You
43 Capítulo Quarenta e Dois.
Notas iniciais
Quando eu cheguei a frente à casa pequena de Annabeth, eu me dei conta de que nunca havia entrado lá. O jardim estava bem cuidado, diferente do meu em Los Angeles, as flores pareciam animar por baixo das pequenas gotículas de água. Subi mais a gola alta do meu suéter de lã azul e baguncei os cabelos, tentando tirar a neve que começava a derreter por dentro e molhá-los. Adentrei o jardim, e bati a porta. As janelas, a porta estava toda fechada, eu não conseguia ouvir mais nada além do ruído da televisão. Bati na porta, esperando que ela abrisse.
- Quem é? – ouvi seu grito
Mas, não respondi. Poucos minutos depois, ela abriu a porta. Estava tão bela quanto ontem. Os cabelos estavam presos em um coque enorme no alto da cabeça, ela vestia um suéter que ela fazia como vestido, percebi, um enorme decote redondo mostrava o vale entre seus seios e que a corrente da âncora estava escondida entre eles. Seu rosto estava um pouco pálido, a boca rosada e meio rachada, como se estivesse passando frio. Tentei definir o que seus olhos transmitiam, mas eles pareciam distantes e enigmáticos.
- Vai me deixar no frio? – perguntei, apertando meus braços
- É o que você merecia depois de ter feito o que fez ontem! Quem te mandou lá? Ah, não, me deixe adivinhar.
- Isso não é uma brincadeira. – adverti – Como parece ser.
- Tudo que você faz é pura brincadeira. Um modo temporário para você se divertir e eu não pretendo viver nisso.
- Não. Não é. – tentei manter meu tom de voz calmo
Ela bufou e abriu espaço. Apenas fez isso porque também estava morrendo de frio. O aquecedor estava ligado, o que fez sua casa ser mais ainda aconchegante do que parecia ser por fora. A casa parecia pequena demais para uma arquiteta, mas em pouco espaço, ela conseguira fazer coisas incríveis.
A sala era minúscula, mas dois sofás beges se espalhavam por ele, no meio um home cor de tabaco se elevava com uma televisão enorme, um DVD com caixas de som grandes e potentes, decidi que ela nunca usara aquilo, o que podia ser verdade. Ao lado da sala, uma mesa de seis lugares estava instalada, ela também tinha cor de tabaco e combinava com a cor de marfim que cobria as paredes que tinha uma textura difícil de esperar, se você olhasse de primeira, acharia que círculos abstratos, no entanto, se prestasse atenção, acharia que era um daqueles desenhos de DNA que se vê por qualquer lugar. Um balcão de mármore dividia a pequena sala de estar da cozinha que estava em um extremo estado de limpeza, poderia estar brilhando, eu queria ver e tirar as dúvidas, mas me contive olhando apenas para o teto com espirais amarelas ao redor da luminária discreta.
Diferente da cozinha, a sala parecia ter sido bagunçada de um jeito apavorante. Livros se espalhavam por um dos sofás, como se não fosse ter fim. Nora Roberts, Meg Cabot, Nicholas Sparks, Hanna Howell, Cecily... Eram tantos nomes que eles começavam a se embaralhar na minha mente, pensei talvez que ela tivesse começado a arrumar alguma coisa. Annabeth jogou os livros no chão e apontou para o sofá, como se pedisse para que eu sentasse. Uma pequena mesinha – de uma cor mais clara de tabaco, que eu não consegui identificar – estava posicionada em frente aos dois sofás, em cima dela um pote enorme de soverte de creme existia, Annabeth deitou as pernas dele e puxou o pote para o seu colo.
- Então, o que me traz a honra de sua visita, Sr. Jackson? – perguntou com a voz totalmente irônica
- Eu queria propor algo para você.
Plano B indo pelo lado errado... Mas, quem se importa?
- Silena te disse algo? – perguntou, desconfiada
- Não, por que deveria saber?
Ela está comendo um pote de soverte! Está chovendo pra caramba! Esta garota enlouqueceu de vez?
- Não. – ela deu de ombros
Levantei-me e puxei o pote do soverte de suas mãos.
- Ei! – reclamou
- Está chovendo, não vê? Não é inverno, mas parece ser, você pode pegar uma gripe e...
- E? – perguntou, irritada – E isso não te importa. – ela agarrou o pote em minhas mãos novamente e se sentou no sofá lambendo a colher, e olhando para mim, provocante
Eu realmente iria pedir para... Para ficarmos juntos? Ela falaria não. Prossiga com a droga do plano B, Jackson, gritei em minha mente.
- Toma. – joguei a caixinha rosa na sua perna, sentando-me no outro sofá novamente
- Ahn, pra que isso? – ela pegou e acenou, como se estivesse enojada
- É um teste de gravidez. – disse o óbvio
- Eu sei disso, espertão. – ela rolou os olhos e enfiou mais uma colher de soverte na boca – Só estou curiosa de por que você está me dando isso.
- Hm... Por que você deve estar grávida? – perguntei, sarcástico
- Então, quando você vai se livrar de mim e me esquecer, Percy? – perguntou, com as bochechas coradas e irritada, percebi
Ela jogou o pote para o lado junto com a caixinha.
- E você disse que me amava. – murmurei, irritado
Suas bochechas adquiriram um tom de vermelho tão forte que eu pensei que ela pudesse me expulsar a qualquer momento. No entanto, apenas me encarou com os olhos se difundindo entre o azul e o cinza.
- Eu não estou grávida! Você não se protegeu apenas uma vez, e eu tomei a pílula. – rebateu
- Tomou? – semicerrei os olhos
- Tomei, caramba!
- Então, você não ficará com medo de saber o resultado.
- Eu não estou com medo. – ela repetiu, pausadamente
- Vamos, Annie – segurei seu braço enquanto a erguia e seguíamos para o banheiro – entre e faça logo esse maldito teste.
- Eu não posso estar grávida.
- Só se você for transexual e olha, eu tenho certeza que você não é. – abri a porta do banheiro e a coloquei lá dentro
Ouvi o click, avisando que a porta estava trancada. Suspirei e encostei-me à parede ao lado da porta, batendo o pé seguidamente esperando por uma resposta.
Vinte minutos haviam se passado. Eu batia fortemente na porta do banheiro e eu estava com medo dela cair.
- Annabeth! Saia logo! – gritei, pela milésima vez
- Você não é meu pai! E se ficar me enchendo, eu só saio daqui quando um terremoto passar.
- Ah, não seja por isso, tudo bem? Eu faço passar.
- Que delicadeza... – ela, finalmente, abriu a porta com as mãos tremendo e me entregou o resultado – Que delicadeza, — gaguejou novamente – para um papai.
Senti meu sangue sumir, ou subir para minha cabeça, ou o chão desaparecer, eu não sabia exatamente o que estava acontecendo comigo, apenas que tudo estava estranho e que meus braços pareciam pesados e que eu não conseguia pensar. Annabeth tocou meu braço, depois minha nuca, logo meu pescoço, e meu pulso, procurando algum sinal de que eu tivesse começando um infarto, mas eu só achava que eu não estava. Pensei que estaria vermelho como um tomate, mas isso não acontecia desde... Sei lá, desde um bom tempo. Os pensamentos, expressões, palavras ou sentimentos não vinham com facilidade e eu não sabia exatamente no que fazer. Então, eu devo ter ficado parado por um bom tempo até Annie passar as mãos pelos meus olhos e suspirar.
- Percy, você vai desmaiar, né?
E eu acho que foi isso que aconteceu.
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