The Better For You

3 Capítulo Dois.


Notas iniciais
heys

***

A casa de Luke era parcialmente grande, ficava de frente para praia, aliás, ficava na mesma rua que a minha, cinco ou seis casas a frente, ou seja, não fazia sentido ele vir de carro, sai dele e estiquei os braços acima da cabeça preguiçosamente, bocejei alto esperando ele falar algo, algum aviso, se ela tinha alergia a lacticínios, por exemplo.

– Então, eu já vou indo, pelo o amor de Deus, tenha cuidado com ela, já falei que você viria, mas não a assuste. – Luke coçou o olho esquerdo que já estava vermelho – Você sabe, meus pais só voltam próxima semana, ou no final das minhas férias, quem sabe. Eu só quero que fique de olho nela...

– Eu sei, okay, Luke? Eu já entendi o que tenho que fazer. – resmunguei travando o maxilar

Ele me jogou a chave e observei mais uma vez a fachada da sua casa, depois claro que ele queimou o pneu em um leve sinal de saída. A fachada era branca e discreta com uma pequena varanda arredondada por um jardim cheio de flores e bem cuidado, de primeira via-se três degraus firmes que davam passagens livres para a porta de entrada. Embaixo da porta grande e familiar, um pequeno tapete era posto a frente bordada manualmente Família Castellan com letras bonitas e formais, mirei a cadeira de balanço velha do pai do Luke e pensei em passar a noite de tormenta que teria com a garota bem longe dela fumando preguiçosamente e vendo as ondas baterem na areia clara e as espumas subirem elegantes, brancas e frias.

Mas eu estaria quebrando a promessa que fizera a Luke, e eu nunca quebrava uma promessa, rodei as chaves em meus dedos e enfiei ouvindo os clicks seguidos e em um baixo e rápido rugido a porta se abriu.

A sala estava vazia e silenciosa, o sofá bege estava parcialmente coberto por um edredom roxo caído no chão e alguns salgadinhos jogados marotamente pelo o centro de vidro, brinquei com meu zíper do casaco e abaixei meu gorro em uma tentativa estranha de sair dali.

Era como um sexto sentido gritando “você não precisa passar por isso, ainda há tempo, corre! Sai daí”. Mas, eu não consegui, então, dei mais um passo.

Farejei o ar e senti o cheiro inebriante de chocolate, lambi os lábios calmamente com um sorriso e neguei a vontade de puxar um cigarro e prender entre eles.

Era o que eu mais queria agora.

A casa estava tão silenciosa que poderia me provocar arrepios se o cheiro de chocolate – e minha boca salivando – não estivesse tão atrativo. Ri baixo ao pensar que a garota havia se matado e um caso misterioso iria seguir, caminhei com as mãos enfiadas nos bolsos dianteiros seguindo o cheiro que me levava para a cozinha, que ficava poucos passos da sala enorme, luxuosa e aconchegante.

Respirei fundo e me senti paralisar, na verdade, a noite não seria tão ruim assim.

Vamos dizer que a prima de Luke não era tão pequena assim, talvez uns trinta centímetros menos que eu, olhando-a a distância.

Os cabelos eram longos fios loiros com mechas mais claras à medida que desciam pelas costas que pareciam brilhar devido à pequena luz que entrava na metade de seus fios os cachos enormes começavam a se formar, pareciam pesados, graciosos, encantadores como dançarinos suaves, eles pareciam ir até a metade de suas costas ou um pouco mais abaixo, ela moveu as pernas e os longos fios loiros balançaram deliciosamente e graciosamente como uma leve e delicada dança de ballet ao vento. A linha da medula espinhal estava à mostra e curvada fazendo com que sua bunda fosse mais empinada do que deveria ser – e mais bela, aliás -, a blusa parecia enorme nela e decotada, ficava abaixo das nádegas com um corte central fazendo as pontas dos cabelos baterem nas costas.

O Iphone estava entre o ouvido e o ombro, ela se mexia rapidamente e murmurava coisas baixas e risonhas, pude ouvir seu riso baixo que parecia uma velha canção de ninar cantada por uma voz elegante, graciosa e melodiosa, ela enfiou o dedo na panela que parecia quente, abanou a mão e o derramou na boca, mordi os lábios e senti minhas mãos tremerem ao imaginar como seria sua boca fazendo outras coisas.

– ...sinto que esteja fazendo o que quer que seja. Deveria estar comigo... Eu sei. Ok, desculpa. Eu vou ficar todas as férias de verão. – ela desligou o celular e o jogou ao lado da bancada do fogão

– Com quem estava falando? – me ouvi perguntar dando um passo

Ela se virou em um sobressalto com as duas mãos na boca, a colher de pau foi jogada no chão. Os olhos eram médios e tinham um tom bem claro cinza, quase transparente, como um daqueles dias muito nublados que você não quer sair de casa e apenas ficar enrolado debaixo das cobertas, e às vezes você chegava a pensar que aquilo era apenas psicológico, uma ilusão pregada pela sua mente.

Era o que se passava pela minha cabeça, aliás, os cabelos estavam grudados no pescoço devido ao suor, ela respirou fundo e soltou o ar pela boca com as mãos trêmulas, fez isso cinco vezes repetidamente e as jogou ao lado do corpo.

– Você deve ser Percy Jackson? – ela arqueou a sobrancelha com uma voz dura e fria.

Cadê a voz terna e meiga? Os olhos assustados que precisavam de alguém? Os braços finos precisando de um abraço? Cadê a garota meiga de costas? Ah, já sei, ela está na minha frente em formato de bruxa... A bruxa mais sexy do mundo. Ela levou as mãos para a cintura com sua pose de eu mando aqui, ta?. Enfiei minhas mãos nos bolsos dianteiros e me balancei pelos calcanhares.

– E você deve ser a prima do Luke?

Ela estreitou os olhos e franziu o cenho curvando os lábios como se estivesse desconfiada, ou com raiva, os lábios foram pressionados fazendo um beicinho discreto, ela continuou a me encarar como se eu fosse um bicho de sete cabeças que eu não deveria estar ali.

– Você é igual a ele, não é?

Arqueei uma sobrancelha.

– Igual a ele?

– Não me venha com confusões. – ela rolou os olhos e se encostou contra a bancada – Drogas, festas até cair bêbado. – sua voz falhou ao terminar como se doesse só de pensar naquilo, o nariz era pequeno e arrebitado que nesta posição ficava de um ângulo mandão e elegante.

– Bom, deste igual, sim. Por que tem algum preconceito?

Ela arregalou os olhos como se eu tivesse xingado seus pais, ou qualquer coisa do tipo, vi que os nós dos seus dedos se apertaram mais contra a cintura antes dela responder.

Ela negou.

– Não tenho preconceito, apenas tenho um pouco de repulsa ou talvez nojo quando estão naquele estado. — ela suspirou e flexionou os joelhos para pegar a colher de pau – Mas quando estão normais, quero dizer, sem efeito de nenhuma droga, pelo menos com o meu primo, — ela deu de ombros e balançou a cabeça pensativa – o Luke é meu primo favorito.

– Ótimo, é bom saber. – ergui minha mão – Vamos começar isso de novo, sou o Percy Jackson, melhor amigo do Luke.

Ela esticou a mão e os cantos dos seus lábios tremeram em um sorriso recatado e discreto.

– Sou Annabeth Chase.


***


A mão dela era pequena e macia, se encaixando perfeitamente com a minha que parecia grotesca. Quando nossas mãos se tocaram, senti um arrepio percorrer meu corpo e subir pela minha espinha, como um aviso de: se ficar perto de mais, vai se fuder. Os dedos finos faziam um pequeno contraste com as unhas pintadas de cinza com um pouco de glitter nas pontas.

Ela hesitou ao retirar a mão e eu fiz o mesmo, enfiando minhas mãos no bolso e balançando os calcanhares tentando puxar algum assunto legal.

– Hm... o que quer fazer? Pensei em assistir a Disney ou qualquer coisa do tipo.

Boa coisa para se falar, Percy. Meu subconsciente reclamou, me senti um extremo idiota ao vê-la revirar os olhos. Ela não deu muita importância ao que eu tinha falado, eu acho, já que ela molhou a colher, a enxugou e a enfiou na panela lambuzando o chocolate cremoso em sua língua.

– Bom, eu estava pensando em me entulhar de chocolate enquanto assistia uma comédia romântica. – ela deu de ombros

– Acho que posso fazer isso... Hey, como é o seu apelido mesmo? Luke me falou. – mordisquei os lábios tentando me lembrar

– Annie. – ela disse séria – Mas, não me chame assim. Só as pessoas que eu autorizo podem fazer isso. – ela respondeu seca e passou por mim fazendo nossos ombros se tocaram

Mais um choque para a lista.

Sorri bobo com mais um desafio, fui atrás dela. Os cachos loiros se balançavam e um cheiro – talvez urbano – exalava dela misturado com o chocolate. Ela se jogou no sofá e cruzou as pernas passando os canais freneticamente.

– Por que veio para La La Land? – perguntei cantarolando tentando puxar assunto e tentando fazê-la rir

– Para ver se me esbarro com Taylor Lautner e me caso com ele em uma tentativa idiota e inútil de ficar rica em poucas horas viajando daqui para Las Vegas. – respondeu, irônica, colocando o prato em cima da mesa

– Te desejo sorte, mas o que te levou a passar suas lindas e preciosas férias atrás de Taylor Lautner com a companhia de seu primo drogado?

– Você não deve ser muito diferente dele para está-lo julgando. – sua expressão estava dura, não muito diferente de quando virou as costas para mim, mas ela pareceu afetada com isso

– Você mesma fez isso antes de saber meu nome direito, até mesmo antes de saber que sou uma linda perdição sexy com que todas as garotas queriam transar. – dei de ombros com um sorriso torto a olhando de esguelha

Mas, ela não estava fazendo o mesmo, ainda continuava comendo e passando os canais tediosamente sem se importar comigo. Comigo! Todos se importavam comigo. Ok, que isso não é de grande importância, mas...

– Seu egoísmo me comove. – meus lábios já necessitavam de mais um cigarro, do prazer inconfundível, me remexi desconfortável tentando esquecer

– Eu sei que você quer saber mais sobre mim e voar em cima dos meus deliciosos lábios. – ela se virou para mim e arqueou a sobrancelha desinteressada, quase rindo

– Sério que você acha isso? – sorriu mais uma vez – Acho que não sou igual às garotas daqui, vou pensar seriamente na minha hipótese de sair procurando o Taylor Lautner.

– Já que não quer me possuir, acho que devemos manter uma conversa legal... – comecei, ela tinha deixado o controle de lado e olhava para um filme que não fiz questão de procurar saber qual era – Por que veio para cá? Aposto que não tem apenas Luke como primo.

– Nada que te interessa, mas aposto que você está louco para sair daqui, não é? Os dois ficariam felizes.

Levantei-me, com um fora que eu tivesse levado e evitei não suspirar até abrir a porta e não dar aquele gostinho de vitória para a garota. Puxei mais a touca para baixo dos meus ouvidos e olhei para os lados na varando sentindo a brisa fria beijar suavemente meus braços e meu rosto, sentei na poltrona velha do Sr. Castellan e prestei atenção no som das ondas batendo na areia e as espumas subindo calmamente em uma elegância incrível, isso sempre me deixava mais calmo. Assim como mergulhar, ou surfar, ou apenas tomar banho.

Enfiei minha mão no bolso dianteiro e puxei o maço de cigarros pensando se deveria ou não fumar.

Na verdade, eu deveria conversar com ela e tentar uma amizade, o que eu, indiretamente, havia prometido para Luke, se ela fosse uma criança, claro, mas ela não era uma criança, então tecnicamente, eu não havia quebrado minha promessa.

Olhei pela janela e uma conversa baixa saia da teve, ela prestava atenção com os olhos nublados concentrados, ela enfiou mais um pouco de chocolate na boca e desviei o olhar.

Tateei meu casaco procurando um isqueiro e respirei fundo antes de entreabrir os lábios e acender o cigarro. Traguei uma, duas... Quatro vezes seguidas sentindo tudo aquilo me invadir, era prazeroso.

Pareceu rápido quando o cigarro apagou e eu o joguei no jardim perto de algumas flores que começavam a crescer, eram lindas, mas eu tinha certeza que isso não acabaria de um dia para o outro. Algum tempo, claro, mas o suficiente para ninguém perceber que foi meu cigarro.

Entrei de novo na casa e ela já tinha acabado com a panela de brigadeiro.

– Foi rápida com isso, hm? – apontei para a panela

– Estava gostoso, desculpa não ter te oferecido. – ela disse, ainda séria

Dei de ombros e sentei ao seu lado, ela não pareceu ligar e recolheu sua bagunça sumindo da minha visão. Agora eu via Amanda Seyfriend e mais uma atriz que eu não conhecia em um quarto, elas estavam conversando, mas eu não consegui prestar bem atenção no quê.

O clima pareceu se fechar e a vontade de subir as escadas e encarar o quarto bagunçado e fedorento de Luke só me fez ficar mais decepcionado em ter um amigo como ele, Annabeth voltou e virou-se para mim.

– Vai dormir na sala, Sr. Sou Lindo e Gostoso? – ela perguntou sarcástica

Sorri falso.

– Não, Srta. Odeio Drogados e Devoro Uma Panela Inteira de Chocolate.

Ela rolou os olhos mais uma vez, parecia enjoativo de tanto que ela fazia.

– Se eu for para minha casa, possivelmente ou por algum acaso, você irá morrer? Fazendo com que meu maior sonho se realize? – ela me encarou com um sorriso irônico

– Desculpa não ter dado atenção ao seu ego, ta? Mas, possivelmente, não. Uma boa idéia para você se afastar daqui, não acha?

Annabeth virou as costas fazendo os cachos longos se remexerem novamente, ela levantou as mãos enquanto subia as escadas fazendo um coque alto nos cachos, as costas nuas.

Ela é só mais uma metida de Nova York.

Seu Iphone ainda estava no centro, a vi subir e por fim, sumir da minha visão. Puxei seu celular para mim e vi o plano de fundo... Lá estava ela sozinha, com um sorriso fofo e pequeno nos lábios carnudos e avermelhados usando um moletom cinza e uma blusa azul, usava um óculos de grau formal e estava com as bochechas coradas, como se a foto fosse pega de inesperado. Coloquei seu telefone ao meu lado e cruzei os braços

Ainda estava frio e a televisão estava ligada com duas pessoas em um cappuccino e logo, uma mulher brigando com um homem. Pensei em minha mãe, e na festa de Luke. Deveria ser depois do píer, eu acho. Suspirei e levantei-me pronto para encarar a minha cama fofa, ela não iria morrer de um dia para o outro.


N/A: Finalmente, eu começo com as minhas notas. Então, como vocês estão?

Bom, estou um pouco feliz, acabei de chegar do shopping e assisti Jogos Vorazes, tipo perfeito. Aconselho que assistam, foi ligeiramente assustador e cheio de surpresas com um toque precioso de romantismo, assim como no livro, então eu acho que valeu a pena ter ido assistir.

É isso, até o próximo capítulo, darling