The Better For You
6 Capítulo Cinco.
Notas iniciais
Já era de noite. Eu havia fumado cinco cigarros e um pouco de ervas medicinais, Nico havia tomado três ecstasy e ido para a casa de Luke para dormir, mas logo voltara com todo o ânimo que a droga dava. Eu havia fumado e apenas deitara na canga que pegara de Silena, Annabeth me olhara com nojo e eu havia brincado com ela sobre o elogio. Todos fomos para o mar, tomar um banho. Sem querer eu confundi Silena com Annabeth, o que não foi bem confundir, porque Silena tem cabelos curtos e os de Annabeth parecem ser pesados e vão até o meio das costas, enfim, eu a peguei no braço e a rodei afundando junto comigo quando pude ver seus olhos... Foi hipnotizante.
O cabelo estava todo embaraçado para trás, como se alguém os pegasse rudemente e os jogasse sem jeito, as bochechas tão vermelhas e os olhos tão simplesmente perfeitos raivosos, tão cinzas. Minha mão estava na sua cintura e havia pouco para nos beijar, mas antes disso Luke apareceu e estragou tudo gritando e jogando água na gente o que não foi muito bom, a partir daí ela parou de falar comigo, mas ela não deixava de ser gostosa. Porque ela estava muito gostosa.
Em algum tempo, eu fiquei em outro planeta. Começava a olhá-la, o jeito de andar enquanto as ondas batiam em seu quadril, o jeito que se movia para o lado quando alguém queria derrubá-la, como ria quando Thalia jogava água nela, ou como levantava os braços acima da cabeça quando ia mergulhar. E, o mais hipnotizante de todos, quando Silena chamou todo mundo para uma competição de natação por um metro e meio, eu não fui, mas ela foi.
Juntou as mãos acima da cabeça, arqueou as costas, confiante. Isso merecia uma foto, era como uma obra de arte que esperava, escondida, para ser exposta ao mundo, na verdade, eu não sabia muito sobre arte... Mas, ela parecia mais perfeita, bonita e sensual que a Monalisa com seu olhar fixo. As braçadas eram fortes e firmes, e quando ela ficou em segundo lugar com um olhar para baixo, eu quase – só para enfatizar, quase – tive vontade de niná-la e competir com ela, só para deixá-la ganhar.
No fim, eu fiquei sozinho olhando para o céu fumando um cigarro no canto da boca e vendo as nuvens em formatos de animais passando entre meus olhos. Nico havia começado a fazer um churrasco, Silena e Beckendorf se agarrando na areia e Thalia e Annabeth conversando educadamente e rindo ocasionalmente, Luke provavelmente estaria cheio de cocaína e não sairia de lá até a meia noite, eu estava bem com as ervas medicinais e o cigarro.
Tossi uma vez e voltei a inspirar fundo junto com o cigarro.
Às dez horas, todos estavam começando a fazer a fogueira. O fogo veio logo alto dançando entre a madeira que Beckendorf conseguira arranjar, joguei meu cigarro em qualquer lugar e me sentei ao lado de Nico de frente para Thalia e Annabeth que curvou o nariz, rolei os olhos e estiquei minhas mãos tentando me aquecer.
- Beckendorf? – chamei, ele parou de se agarrar com Silena com os lábios rosados, tentei não gargalhar – Pode pegar um moletom preto na bolsa de Luke? – pedi
Pude ver que ele resmungou, mas Silena virou as costas e enfiou a mão dentro da mochila pegando um moletom, ela me olhou raivosa e jogou para mim.
- Valeu, Barbie. – mandei beijo e ela rolou os olhos
Nico pegou o violão e me deu.
- E ai, está com inspiração? – ele perguntou
- Só está passando Never Gonna Be Alone, dá para acreditar? – fiz beicinho
- Se você ficar drogadão... – começou
- Eu não vou conseguir tocar nada. Deixa dar meia noite e eu estar trancado em casa, quero dar orgulho para minha mãe e chegar são o suficiente para ela conseguir sorrir.
- Ai, que pena que a tia Sally não ouviu isso. – Thalia disse
Sorri começando a dedilhar o violão.
- Quer cantar? – perguntei para Annabeth
Ela rolou os olhos e não me respondeu.
- Okay. – dei de ombros – Vamos esperar o Luke?
Thalia fechou a cara e rolou os olhos.
- Manda seu melhor amigo tomar no raio que o parta. – ela disse
Dei de ombros mais uma vez repassando as notas e a música na minha cabeça.
Time, is going by
So much faster than I.
Comecei.
Esta música estava desde que eu acordei na minha cabeça e ela parecia estar martelando dizendo algo do tipo: canta, canta, canta.
Fechei os olhos e deixei meus dedos dedilharem as notas tão conhecidas, minha voz saia, talvez, rouca demais, mas eu não liguei, cantando do jeito que eu mais sabia fazer.
Eu deveria impressionar Annabeth para ouvir um elogio dela. Seria um dos maiores troféus para meu ego enorme.
You're never gonna be alone
From this moment on
If you ever feel like letting go
I won't let you fall
Era tão bom cantar, na sua voz você deixava ir tudo que você sentia, desde uma dor física ou emocional, tudo... Tudo que eu queria deixar escapar agora, mas na verdade, eu não queria deixar escapar nada, só queria impressionar uma garota, porém estava bem mais difícil do que eu pensava. E isso era estranho e novo para mim. Eu nunca queria impressionar uma garota, para quê? Perguntei-me, mas ao vê-la sorrindo tímida a algum comentário de Silena, percebi, que sim, poderia valer a pena dando um elogio para Percy Jackson.
I'm gonna be there all of the way
I won't be missing one more day
I'm gonna be there all of the way
I won't be missing one more Day
Terminei sorrindo e abri os olhos vendo Thalia me encarar com aquele sorriso de quando-acaba-de-ver-o-primo-lindo-cantar e Silena enxugou o canto do olho, Beckendorf e Nico estavam sorrindo e pude ver Annabeth abaixar a cabeça, limpar os olhos e jogar os cachos louros para trás do rosto.
- Você... – ela começou, mas parou – Não vou te elogiar. – foi como um mantra, como se ela insistisse que não iria
- Ah, você vai. – enfrentei
- Você foi bom, Percy. – Silena cortou – Como sempre.
- Claro que é, ele é meu primo. – Thalia deu de ombros e puxou um moletom branco sobre os ombros
- Acho que vou pra casa. Senhor Hades não vai gostar nada de me ver tarde com o sobrinho que ele não vai com a cara.
Ri.
- Eu sou a ovelha negra da família, esqueceu?
Thalia fungou e forçou um sorriso. Éramos as ovelhas negras.
- Ok, acho que ta na hora de eu ir também. – Thals avisou – Vamos, Percy?
Enfiei a mão no bolso e dei o violão para Nico.
- Aham, acho que não vou mais conseguir encontrar o Luke mesmo, vai agora, Si?
- Eu a levo, Percy, sem problemas.
- Uau, okay. Vai com a gente, Annabeth?
- Vem, Annie. Você pode dormir lá em casa. O Luke não deve chegar hoje.
- Não deve mesmo. – confirmei
- Bom, enquanto vocês resolvem se devem ou não levar a donzela indefesa para casa, eu estou indo. Tchau, galera. Até mais, bando de fuzileiros. – Nico brincou e saiu com o violão nas costas, a camisa surrada e a bermuda molhada.
- Hey, vamos, Annie...
- Não sei, Thalia, eu tenho que procurar meu primo...
- Querida – Silena começou a falar com aquele seu tom gentil de quem explica algo para uma criança -, você conhece seu primo pelas idas a sua casa, certamente, não é? Nós os conhecemos quem ele realmente é – Annabeth abriu a boca pronta para falar, mas Silena levantou a mão -, não quero dizer que não o conheça, mas aqui... Com isso que ele consume e sozinho, sem ninguém, ele deve chegar apenas...
- Amanhã a noite pronto para um banho e... Ah, mais drogas, yeah! – interrompi
- Idiota. – Thalia me deu uma cotovelada no peito
- Estou falando a verdade.
- Você pode conhecer a tia Sally, ela é a melhor... Vamos, Annie. – Thalia pediu de novo
- Não me importo se ela não quiser ir. – disse
- Okay, eu vou... Cabeça de Algas. – ela cantarolou
Rolei os olhos e cruzei os braços pegando a canga de Thalia e indo em direção a calçada, bati meus pés contra o chão frio para tirar o excesso de areia e comecei a andar em direção a minha casa.
***
Passei a toalha entre meus cabelos e vesti o moletom com os únicos dois botões abertos, estalei meus dedos e joguei a toalha pronto para descer e comer o precioso jantar da minha mãe. Pensei em algo como macarronada, rabanada, frutas, e muitas coisas gostosas e doces, como o melhor bolo que Sally Jackson poderia fazer.
Quando chegamos, minha mãe estava na sala com um daqueles potes grandes, uma colher de pau mexendo rapidamente a massa que estava ali dentro, ela estava com uma expressão preocupada, mas quando nos viu suspirou e veio nos dar um abraço. Ela conheceu Annabeth que se encantou com a cozinha e com a sala principal, pediu para ajudar e ficou lá enquanto eu subia sozinho, meu quarto ainda estava bagunçado quando cheguei, então joguei as roupas sujas dentro do enorme vaso onde estava muitas roupas, chutei alguns pequenos rolos de papéis embrulhados embaixo da cama e dois maços de cigarros atrás da porta na área do meu quarto e fui tomar um banho.
Eu vestia um short cinza e uma camisa de moletom branco, me lembrei de quando eu era pequeno e minha mãe me explicava que quando estávamos com visita, tínhamos que nos vestir bem para jantar e manter os bons modos para passar uma boa impressão e as pessoas acharem que nós éramos felizes, minha tia Afrodite falava: Mesmo que tudo não passe de uma máscara, nunca deixe as pessoas saberem que você está em conflito.
Era algo que eu costumava seguir.
Na maioria das vezes, claro.
Minha tia Afrodite – mãe de Silena, por acaso – era uma das mulheres da nossa família, a mais filosófica, a mais legal, e depois de Bianca, ou no mesmo patamar, era louca por moda. A louca pelo o amor e seus atributos era uma modelo aposentada, mas mesmo assim ainda mantinha um dos melhores corpos que eu já havia visto na face da Terra.
Enfim, puxei as mangas dobrando-as na minha mão e comecei a descer as escadas que dava direto para a cozinha.
- Mãe?
Nada.
Fui para a sala de jantar e me sentei feliz com um sorriso enorme no rosto sem perceber quem estava lá.
Ela estava com a cabeça abaixada mexendo cansativamente e entediadamente a salada, o arroz e a carne que estava lá, os cabelos louros estavam jogados de um lado do ombro, os olhos opacos e os braços pareciam bem mais finos e frágeis agora, os lábios estavam brancos, mas suas bochechas estavam coradas. Ela usava um moletom bege que caia ao lado dos ombros deixando à mostra a marca do biquíni, pude ver que ela usava um short jeans de cintura alta, e arqueei a sobrancelha.
- No que a Vossa Alteza dos sedosos cabelos louros deve estar pensando? – perguntei
Ela arqueou a cabeça e me analisou, rolou os olhos e continuou a brincar com a comida, peguei um pedaço do bolo de chocolate e comecei a comer.
- Por que está usando jeans de noite? Posso te emprestar uma calça tipo moletom, mas acho que vai ficar muito folgada. – tentei ser caridoso
Ela levantou a cabeça mais uma vez e arqueou a sobrancelha loira, era tão loira que parecia surreal assim como os grandes olhos cinza com pontos pequenos azuis. Era um dia nublado com poucas entradas para o céu azul.
Annabeth mexeu os cabelos de repente e se debruçou pela mesa.
- Por que? Só me diz o porquê desta obsessão comigo? Eu não quero sua ajuda, okay? Eu poderia ir atrás de Luke sozinha.
- Ui, perguntei primeiro. – ri e coloquei o arroz, a salada, a carne e qualquer coisa que eu encontrava na mesa
- Não te interessa no que eu estava pensando. Eu gosto de dormir de jeans. – respondeu
- O Luke é meu melhor amigo e eu prometi que iria cuidar de você. – mordi a carne – Aliás, não seria legal ver uma garota tão gostosa morrendo por causa dele.
- Tenha respeito, garoto.
- Ah, aprenda a ser educada, garota.
- Olha, na boa, eu não sei porque você é assim. – ela deixou cair o garfo e a faca ao lado do prato e se levantou
Levantei-me a seguindo até a sala principal e puxei seu braço a trazendo contra mim.
- Ah, não sabe? Aprenda que você não está em Nova York, você está em Los Angeles e tudo aqui é diferente. Assim como você, aqui.
- Você mesmo que me chamou. – Annabeth me enfrentou ficando nas pontas dos pés
- Olha, eu comecei a ser educado e falei com você tentando fazer uma coisa legal para ver se você deixava de ser tão monótona, mas já que você quer ser ruim, volta lá e fica lá. Tenta se enturmar.
- Enturmar? – ela riu falsa e puxou o braço, mas eu continuei segurando – Eu só queria saber por que você é... tão diferente do que sua prima disse. – ela puxou o braço com força e voltou para a sala de jantar
Diferente do que minha prima disse?
Passei a mão pelos cabelos e voltei para a mesa. Minha mãe estava na ponta com o cabelo em uma enorme trança de lado e um dos seus vestidos neutros e longos enquanto Thalia usava uma blusa roxa de alcinhas e um short curto de moletom, o cabelo estava preso em um rabo de cavalo alto deixando à mostra as mechas roxas e azuis em seu cabelo negro.
Annabeth sorriu para Sally que retribuiu e chutou minha perna por baixo da mesa.
- Querido, a Annabeth é uma garota muito simpática, não é? Uma ótima menina, ela é filha de Atena. – ela continuou a me cutucar – O seu pai já teve um caso com ela, sabia?
- Que nojo. – resmunguei
- Não é muito bom pensar nisso, Sra. Jackson.
- Só Sally, querida. – ela apertou a mão de Annabeth carinhosa
Travei o maxilar e continuei a comer calmamente.
- Eu já lhe disse que seu filho e Annabeth brigam demais? E olha que eles acabaram de se conhecer, tia.
- Sério? – minha mãe ficou boquiaberta e Annabeth corou desviando o olhar – Vocês são tão lindos juntos.
Tossi, me engasguei com o vento, com a comida, com tudo, com o ácido do meu estômago, acho que nunca fiquei tão envergonhado como agora.
- Desculpa, Sally, mas... Hm, não fazemos tipo um do outro. – Annabeth disse gaguejando – Desculpa novamente, mas seu filho é um...
- Jumento? Idiota? Retardado? – Thalia opinou
- Como? – arqueei a sobrancelha, indignado
- Um Cabeça de Algas. – ela disse
- E você é linda. – rebati
- Idiota. – resmungou
- Gata. – provoquei
- Pára de ser um saco.
- Gostosa. – quase soletrei rindo
- Percy! – minha mãe me repreendeu
- Mãe, temos que falar a verdade para as pessoas bonitas, não é?
- Percy, tenha modos, me sinto desconfortável, não foi assim que lhe ensinei. A Annabeth é uma garota educada e merece ser tratada bem.
- Obrigada, Sally. – Annabeth sorriu e me olhou
- Okay, mãe. – reclamei e continuei a comer
Thalia riu uma ou três vezes antes de sair da mesa com Annabeth, minha mãe fez o mesmo e eu fui o último a chegar à cozinha e colocar todos os pratos na lavadora, olhei pela janela e vi a rua parada apenas com o zunido do vento passando para lá e para cá, olhei para sala vendo Thalia me encarando e olhando para a escada, subi e abri a porta do seu quarto.
O quarto de Thalia era o tipo que podemos falar: punk ao extremo. Tinha as paredes azuis escuras com pôsteres de bandas cobrindo tudo, a cama era de casal, coberta por um edredom preto, o notebook estava na mesa misturado com muitos livros e papeis, me deitei na cama olhando para o teto.
- Devia ser bem mais educado com ela. – Thalia me disse – Ela tem uma vida difícil.
- Eu tenho uma vida difícil e nem por isso to reclamando.
- É sério.
- Thalia, nos conhecemos há dois dias porque vocês vêm isso como se fossem dois anos?
Ela deu de ombros e se sentou ao meu lado apoiando a mão em meu peito.
- Ela não é como as outras. – e depois sussurrou, algo como: porque vocês se conhecem mais de dois anos, o que no final, eu ignorei já que eu não tinha entendido mesmo
- Ela é uma garota, e toda garota tem o instinto de me querer. Garotas me querem. – ela fez uma careta
- Querem um garoto hipócrita, orgulhoso?
- Sim. – me sentei
- Elas são doidas. – confirmou
Dei um beijo em sua bochecha e me espreguicei.
- Grace... – Annabeth entrou no quarto
- Boa noite, Thalia. – disse indo em direção a porta quando cheguei perto de Annabeth me abaixei e sussurrei em seu ouvido – Boa noite, darling.
Pude ver ela se arrepiar e depois me empurrar para fora do quarto enquanto eu ria.
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Sério, quero saber quantas pessoas estão aqui e se vocês estão gostando, ta?
Bom, espero poder contar com isso, e boa noite *-*
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