Notas iniciais
*Furacão. HELLO BBS! Demorei, mas estou aqui com um capítulo enorme para compensá-los, estava com um bloqueio criativo quase que infernal. Eu não tô gostando do ritmo da fanfic, ela já era pra está no cap 30, eu ando muito procrastinada, mas juro que vou melhorar. Eu espero muito que vocês gostem, sério! Quero dar boas vindas as leitoras novas, e já temos 1000V em 6/7 capítulos, estou muito feliz! E TSNE eu demorei a conseguir esse marco, mas fico muito feliz que estejam lendo. Se tiverem sugestões, deixem nos reviews, vou adorar saber. Ps: Vou dar uma revisão nessa fanfic ra arrumar o espaçamento que está pessímo. Bom, vou deixá-las ler. Bom final de noite e boa leitura my lovers!

Angeles Saramego.

Estacionei meu carro perto do Studio, segurei o volante com um pouco mais de força do que gostaria ou costumaria fazer sentindo-me mal com os pensamentos desordenados desde ontem, na verdade estavam assim desde que soube que teria de voltar pra cá. Toda essa desordem de pensamentos deixavam-me com dor na cabeça, mas ignorei sabendo que era o estresse da mudança se juntando com minha insônia de ontem.

Balancei a cabeça tentando não pensar mais no que poderia ter sido e me concentrar no presente, desci do carro sentindo um agradável vento bater contra meu rosto me permitindo lembrar de anos atrás antes da minha vida virar uma total confusão. Sorri fraco, saí andando em direção ao Studio onde tinha alguns alunos espalhados conversando entre si, cumprimentei alguns e segui direto pra sala dos professores que se encontrava vazia. Meu telefone bipou na bolsa, o peguei vendo uma mensagem de Leo.

“Alice ficou com a babá, e estão arrumando seu quarto. Te amo!”

Sorri, e guardei o celular. Coloquei minha bolsa no aparador inalando o maravilhoso cheiro do café feito pré colocado ali, sem resistir caminhei até a cafeteira colocando um pouco na xícara branca. Sem que eu esperasse lembranças do jantar de ontem invadiram meu pensamento, meu estômago revirou inquieto com todas as sensações esquisitas que havia sentido ao pôr meus pés na mansão novamente, e pela milésima vez naquela semana desejei intensamente voltar pra Europa.

O reencontro com German, e aquele ridículo jantar estavam completamente fora dos meus planos… Quero dizer, eu ainda não me encontrava pronta para ver o homem de quem eu fui noiva, o homem que foi meu único e verdadeiro amor, o pai da minha filha. Nada disso se passou pela minha mente, e se tivesse passado eu provavelmente teria sido demitida mas não estaria por aqui. Eu sabia que está aqui novamente era um erro completamente imprudente, e Alice como ficaria? Me doía a alma só de pensar na possibilidade do German saber e querer a guarda dela.

— Angie?

Ouvi a voz de Pablo e me virei assustada por está tão distraída no meu mundinho.

— Ai, me desculpa… Eu não te ouvi… — Resmunguei toda atrapalhada colocando a xícara em cima da mesa.

Pablo sorriu singelo.

— Tudo bem, você está muito pensativa. Aconteceu alguma coisa?

Mordi meu lábio com vontade de falar tudo o que pensava, o que sentia, mas agora não era hora e nem lugar pra falar sobre esse assunto.

— Não aconteceu nada. — Menti forçando um sorriso.

— Certeza? Eu ainda te conheço o suficiente pra saber quando mente Saramego.

Ri segurando em sua mão. Ruborizei levemente ao ver seu olhar pairar no meu anel de compromisso que cercava meu anelar.

— Absoluta.

— Fico feliz que esteja de volta, Angie.

— Também estou feliz, Pablo.

Nos abraçamos, me permiti um sorriso fraco porém sincero. Como havia sentido falta de seu abraço acolhedor, da sua palavra amiga, seus conselhos maravilhosos. Continuamos abraçados, até ouvirmos a voz de Beto, Gregório e Antônio entrando conversando na sala, eu e Pablo nos separamos rapidamente.

— Angie, que surpresa!

Sorri para Antônio.

— Sim, na verdade eu vim só ver se estão precisando de alguma coisa.

— Essa é uma boa pergunta. Porque… — Beto respondeu comendo um biscoito, Antônio o mirou sério. – Nós precisamos de ajuda com as turmas novas.

— Eu acho que se você quer ajudar deveria ficar na parte administrativa.

Gregório desdenhou com seu jeito petulante, revirei os olhos.

— Se você quiser, tem algumas turmas que estão sem aula de canto… Violetta não pode pegar todos os horários.

Não sabia nem o que pensar, mas eu sabia que estava disposta a ajudar o Studio sob qualquer hipótese. Até mesmo acima das minhas confusões de pensamento.

— Se bem me lembro, você disse que estaria disposta a ajudar. — Gregório alfinetou-me.

Olhei para eles pensativa, eu precisava aceitar. Está ali não me afetava, o problema não era o Studio, nunca foi. E nesse momento de crise, minha vida pessoal precisa ser deixada de fora.

— Você tem razão Gregório, eu realmente quero ajudar. — Comentei animada, Beto veio me abraçar forte. Até disso eu havia sentido falta. – Mas… É temporário enquanto não tem outra professora de canto pra ocupar o cargo.

— É claro querida, como achar melhor. Fico orgulhoso que tenha decidido, sei que não é fácil.

Pisquei para ele concordando levemente com pequenos movimentos na cabeça, eu precisava me reencontrar e está aqui nesse momento era o certo. Gregório, Beto e Antônio foram saindo da sala entre conversas aleatórias.

— Bem-vinda de volta! — Pablo piscou pra mim. – Quer tomar um café depois? Me parece que temos muita coisa pra colocar em dia.

— Sim, marcamos algo.

— Bom, eu tenho que ir dá aula. Nos falamos depois?

Assenti tranquila, ele acenou com a cabeça e saiu da sala me deixando sozinha com os pensamentos a mil por segundo. Passei os olhos pelo lugar tentando matar toda saudade que senti nesses últimos anos, com uma melodia em mente saí da sala dos professores e fui em direção a minha antiga sala de canto a observando vazia. Entrei com passos lentos e respiração um tanto descompassada, nunca se passou pela minha cabeça que estaria por aqui de novo.

Estava tudo exatamente igual como da última vez que estive aqui, caminhei até o teclado e permiti meus dedos brincarem em algumas teclas com nostalgia. Logo fui para detrás do mesmo começando a dedilhar uma melodia muito conhecida por mim.

— Si te sientes perdido em ningún lado, viajando tu mundo del pasado. Se dices mi nombre yo te iré a buscar…

“Uma vez você me disse que daria tudo pra dormir observando as estrelas. Não é bem o que você queria, mas temos uma vista incrível do céu estrelado aqui”

…

“Angie eu nunca te trocaria por mulher nenhuma! Eu te amo demais Angeles Saramego, você é a única mulher que existe pra mim, a única que me interessa, você é única na minha vida.”

…

“– Por que você está me tratando assim?

— POR QUE VOCÊ MENTIU ANGELES! NÃO SEI COMO PUDE ME ENGANAR TANTO COM VOCÊ!”

…

“– Eu vou dar uma nova chance pra Esmeralda…

— Parabéns por ter seguido em frente tão rápido, aliás mais rápido do que eu esperava… Quero que saiba que eu também estou seguindo em frente, estou indo embora do país German…”

…

“– Se tem algo que você possa me falar, algo que você diga que me faça ficar de vez… Por favor diga!”

Sem que pudesse controlar um soluço involuntário escapou da minha boca ao lembrar contra minha vontade de alguns momentos que passei com German, dedilhei as últimas notas da música me repreendendo por ser tão fraca quando se tratava dessas lembranças. Senti algo molhado cair na palma da minha mão e só então me dei conta de que estava chorando e nem sequer tinha percebido, tratei de limpar as lágrimas teimosas rapidamente, eu sabia que voltar pra Buenos Aires seria um erro gigante. Logo agora que eu tinha o superado, que tinha um relacionamento estável com Leonardo… Eu sabia que vir pra cá só me traria mais problemas, entretanto não podia voltar atrás, Louis me demitiria e eu ainda seria conhecida como uma covarde que não consegue lidar os próprios sentimentos. Droga Angie, não é hora para se lamentar!

Passei a mão pelo meu rosto com certa rispidez, irritada comigo mesma porque tinha me prometido não derramar nenhuma lágrima pelo German e agora me encontrava nessa situação patética.Era impressionante o poder que tinha sobre mim mesmo depois de seis anos.

— Tia, você tá bem?

A voz da minha sobrinha tirou-me dos devaneios, a fitei surpresa, não esperava ela no Studio agora. Violetta me encarava encostada na porta esperando sua resposta, forcei um sorriso assentindo com a cabeça.

— Estou. É claro que estou, por que não estaria?

Gesticulei nervosa, soltando todo o ar que nem eu sabia que prendia.

— Não sei, tenho a impressão que de que estava chorando.

Mordi o lábio, era minha sobrinha ali. Ainda me conhecia muito bem pra saber o que se passava comigo.

— Vilu, não é nada… Não precisa se preocupar meu amor.

— Tudo bem Angie, se precisar de alguma coisa pode me chamar.

Continuou a me fitar como se me examinasse. Sorri mais relaxada.

— Na verdade, eu preciso sim de um abraço da minha sobrinha preferida.

Ela riu vindo até mim. Nos abraçamos forte, como eu havia sentido tanta falta dela.

— Eu tenho um tempinho antes de falar com Pablo, o que acha da gente ir tomar uma vitamina?

Fiz uma cara pensativa, mas era claro que não ia recusar. Precisávamos desse tempo juntas.

— Acho uma boa ideia, vou pegar minha bolsa e vamos.

Violetta Castillo.

Por algum motivo havia acordado de bom humor, sentia um presságio percorrer toda minha deusa interior. Saí do quarto encontrando meu pai na mesa com uma expressão séria enquanto mexia em seu tablet, acho que o jantar de ontem havia o alterado um pouco, dei meu melhor sorriso e sentei-me ao seu lado.

— Bom dia, pai.

Ele me olhou desviando sua atenção do que fazia e lançou-me um fraco sorriso.

— Bom dia, filha. Dormiu bem?

— Como um anjo. — Nós rimos.

Antes que falássemos algo, Olga veio com uma bandeja de croissant quentinhos enquanto conversava animadamente com Ramallo. Mas precisamente sobre minha priminha.

— Ela é muito linda mesmo, a cara da Angie. — Ramallo sentou-se ao meu lado. – Bom dia.

— Bom.

Meu pai cumprimentou-o sem olhá-lo. Suspirei cansada, deveria haver algo que pudesse fazer pra mudar aquela situação. Odiava vê-lo tão pra baixo.

— Minha menininha, eu fiz panquecas doces pra você! Me dê um minuto que…

Beberiquei o suco de laranja que estava uma delícia.

— Não precisa Olguinha, na verdade eu tô atrasada pro Studio. Tenho que pegar meus horários e saber quando posso começar.

— Já vai? Nem tomou café direito Violetta.

Tomei mais um gole de suco e peguei uma torrada me levantando.

— Eu como alguma coisa no caminho, tô realmente atrasada. Tchau pai.

Beijei sua testa.

— Tchau meu amor, se cuida.

Assenti, acenei pra Ramallo e Olga saindo de casa. Olhei o relógio em meu pulso indicando que eu andava em cima da hora, fui andando calmamente pela praça quando percebi uma figura sentada num banco muito conhecida por mim, Leon mexia em seu celular distraidamente nem notando que eu estava a poucos passos dele. Suspirei com pesar, por algum motivo lembrei-me de quando namorávamos e de tudo que aconteceu entre nós… Por que tudo no quesito amor era tão complicado?

Movi a cabeça afugentando qualquer pensamento que o envolvesse, tínhamos vidas diferentes agora, éramos adultos mudados com bagagens opostas e caminhos opostos, virei meu corpo a direção contrária com intuito de pegar outro caminho diferente.

— Violetta?

Ouvi sua voz grave me chamar quando ia andar, talvez pra longe daquela praça. Muita coisa havia acontecido ali, e nem todas foram boas tão boas assim. Meu coração palpitou no peito, poderíamos ter mudado mas as sensações que ele me causava iriam ser sempre as mesmas.

— Leon. — O cumprimentei com um sorriso.

— O que fazia por aqui?

Ele sorriu calorosamente de lado me fitando.

— Estou indo para o Studio, e você?

Pude ter certeza que ruborizei um pouco. Ridículo Violetta! — Me repreendi.

— Estou esperando minha assessora, na verdade. — Assenti claramente desengonçada. – Não pense que me esqueci, nosso encontro de amigos ainda está de pé?

Ri sem mostrar os dentes tentando disfarçar o quão atrapalhada eu fico a cada vez que ele menciona que somos apenas “amigos”. Leon não queria ter mais nada comigo, tinha que deixar isso claro pra minha deusa interior parar de me importunar com esse assunto. Ele não era mais uma opção pra mim, mas não por escolha minha parece…

— É claro, me ligue e marcamos. — Leon assentiu quieto, por um momento vi seus olhos brilharem quase igual há anos atrás. Mas tratei de ignorar isso, não devia ser nada. – Bom… Eu realmente gostaria de ficar e conversar, mas eu tô atrasada… Podemos conversar depois?

Era incrível como conversar alguns segundos com ele me fazia esquecer de todos meus compromissos. Eu tinha ficado visivelmente chateada por não poder conversar mais.

— Claro. Pode ir, foi bom te ver Vilu.

Assenti quieta, ansiosa enquanto esperava que dissesse mais alguma coisa. Porém isso não aconteceu.

— Digo o mesmo, até depois.

Dei um rápido beijo em sua bochecha e saí dali seguindo a direção que ia seguir antes de encontrá-lo, apressei meus passos ao máximo pra não perder a reunião. Assim que cheguei no Studio fui direto até a sala dos professores que para minha surpresa não tinha ninguém, quando ia sair meu corpo esbarra com o de outra pessoa.

— Vilu.

Pablo me cumprimenta com um sorriso amistoso.

— Pablo, cadê todo mundo?

Questionei com confusão. Era isso que dava pensar demais em coisas que não deveriam ser pensadas.

— Estão dando aulas. Podemos conversar depois? Estou no meio de uma aula, mas passe aqui mais tarde e darei os seus horários, pode ser?

Pablo disse afobado, assenti vendo-o sumir da minha vista. Respirei contrariada, andando até a sala de canto na tentativa de encontrar algo pra fazer, ao chegar na porta me deparei com minha tia tocando teclado ao mesmo tempo que cantava Algo Se Enciende. Me encostei na porta a observando, sua voz era calma e doce, no entanto sua expressão triste denunciava que ela pensava em alguma coisa distante da música. Por que Angie estava assim? Ela era outra pessoa que eu odiava ver triste, quando terminou de cantar pude ver que passou a palma da mão no rosto como se limpasse as lágrimas que insistiam em cair, meu coração se apertou.

Será que eu podia fazer algo pra deixá-la melhor?

— Tia, você tá bem? — Perguntei sem tirar os olhos dela.

Angie era minha família, precisava que estivesse bem.

— Estou. É claro que estou, por que não estaria?

Respondeu num murmúrio nervoso.

— Não sei, tenho a impressão que de que estava chorando.

— Vilu, não é nada… Não precisa se preocupar meu amor.

Angie forçou um sorriso, como se esperasse que eu acreditasse.

— Tudo bem Angie, se precisar de alguma coisa pode me chamar.

Comuniquei sem tirar os olhos dela.

— Na verdade, eu preciso sim de um abraço da minha sobrinha preferida.

Ri indo até minha tia, e a envolvendo num abraço apertado sentindo sua mão afagar meu cabelo. Eu tinha sentido muita falta dela, dos abraços, conselhos… De tudo.

— Eu tenho um tempinho antes de falar com Pablo, o que acha da gente ir tomar uma vitamina?

Angie assentiu um pouco mais animada.

— Acho uma boa ideia, vou pegar minha bolsa e vamos.

Esperei ela do lado de fora do Studio, assim que chegou fomos abraçadas até uma lanchonete que havia aberto onde era o RestoBand há alguns anos. Nos sentamos frente a frente pedindo vitaminas de laranja com morango, por algum motivo eu ainda a sentia aérea.

— Angie tem certeza que tá tudo bem? Você tá estranha tia…

Angie me olhou com as grandes orbes verdes, lançou-me um sorriso fraco acarinhando minhas mãos.

— Tenho sim, só amanheci com um pouco de dor na cabeça mas logo passa.

Cedi resolvendo acreditar que era só uma simples dor na cabeça, e não algum problema a importunando. Como disse, odiava vê-la triste.

— Olga e Ramallo não pararam de falar sobre Alice no café da manhã. — Puxei assunto, minha tia ficou risonha melhorando seu semblante. – Como ela está?

— Está bem Vilu, ficou em casa junto com a babá arrumando seu quarto novo. — Nós rimos. – E você? Aconteceu algo que queira me falar mocinha?

Atirou sem rodeios, ruborizei ao lembrar previamente do meu quase desastroso encontro com Leon.

— Encontrei o Leon…

Ela arregalou os olhos surpresa.

— E ai? Eu sabia que você escondia alguma coisa. — Brincou. – Como foi?

— Eu não sei tia, não esperava vê-lo agora. Isso muda completamente…

— Seus sentimentos? — Completou incerta. Concordei.

— Marcamos de sair também. — Angie se animou. – Só como amigos Angie.

— E vocês sabem disso? — Brincou. Agora foi minha vez de rir.

— É claro que sim. — Respondi risonha.

— Mas falando sério, será que vocês vão reatar o namoro?

Pus as mãos no rosto confusa, a fitei séria. Angie tinha um sorriso sugestivo perambulando seu rosto.

— Não! Não vamos reatar nada, eu com certeza queria mas… Nós mudamos, somos pessoas diferentes agora, acho até que nem o conheço mais. Então, não podemos ter mais nada.

Dei ombros fingindo que a situação não me afetava. Por um lado era desesperador, realmente não nos conhecíamos mais, a única coisa que sabíamos um do outro era o que a internet dizia.

Suspirei frustrada.

— Tem certeza Vilu?

— Sim, Angie.

Tentei me convencer das minhas próprias palavras. Não poderia me magoar novamente com a mesma pessoa ou criar expectativas demais pra coisas que nunca vão acontecer.

German Castillo.

Não conseguia me concentrar em nada desde que encontrei Angie ontem, meus pensamentos não saiam dela e de sua princesinha, eu me sentia bem por saber que estava feliz mesmo que essa felicidade não me envolvesse de nenhum modo. Tamborilei a caneta na mesa enfadonhamente observando o porta-retrato com a foto de Angie e Violetta abraçadas, acariciei o rosto dela quase como numa tentativa de a sentir mais perto no rito que fazia todos os dias, agora ela estava aqui em Buenos Aires e eu não atrapalharia sua felicidade de nenhuma maneira, mesmo que tivesse de passar por cima dos meus próprios sentimentos e esmagá-los pra conseguir isso.

Eu precisava tão intensamente dela que era quase como se fosse um furacão invadindo todo meu corpo, sentimentos perigosos demais. Eu precisava ao menos ter o seu perdão pra conseguir em frente como ela já fez, me ocorreu o pensamento de como eu pude ter sido tão baixo com a mulher que eu jurei amar e cuidar durante toda minha vida, eu merecia tudo o que acontecia, todo o desprezo possível vindo de sua parte. Infelizmente agora era tarde para lamentar, fui covarde demais e não podia voltar atrás.

Respirei fundo estressado com tantos pensamentos ao mesmo tempo, o escritório em absoluto silêncio desde que Ramallo tinha saído a quase uma hora, me levantei tenso. Pensar na Angeles era sempre um motivo de tensão, não importava o momento.

Segui até o meu quarto sem conseguir tirar os verdes olhos frios da minha ex noiva fitando-me tão intensamente como se fossem várias facas perfurando-me, estava tão diferente, esses anos longe de tudo tinham a feito muito bem. Abri a porta do roupeiro pegando atrás dos ternos uma caixa cinza, caminhei com ela e me sentei na cama a abrindo calmamente. Sorri fraco ao ver fotos da Angie, fotos nossas, fotos da Violetta com ela. Peguei uma das fotos que tiramos no Qatar em frente a fonte da pérola, Angie me abraçava com um sorriso caloroso e um olhar claramente apaixonado assim como o meu também se encontrava. Acarinhei seu rosto na foto, aflito ao perceber que não tínhamos consciência de nada que ia acontecer depois.

— Sinto tanta sua falta, meu amor. Será que algum dia você vai me perdoar?

Fechei os olhos tentando numa tentativa falha esquecer tudo o que houve entre nós, apesar de ser basicamente impossível, escolhi por hora reviver apenas as boas lembranças. Peguei um papel e uma caneta qualquer, começando a rascunhar tudo o que queria falá-la.

Querida Angeles, estou escrevendo-lhe pois quero que saiba o quanto estou feliz por você.

Por ver que de alguma maneira conseguiu seguir em frente, não pude te tirar da cabeça o dia inteiro desde que te vi no Studio ontem, não há nada que eu queira mais do que seu perdão. Eu fui idiota de não ter acreditado em suas palavras quando tudo o que me dizia era verdade, fui estúpido por ter me deixado levar por toda a situação, por ter te deixado ir pra Europa, não pude te proteger no momento em que mais precisou e me doí saber que foi embora por minha causa. Não vou estragar sua felicidade, mas quero que saiba o quanto te amo, nunca vou deixar de te amar.

Sei que você me odeia por não ter cumprido minha palavra, mas vou te pedir desculpas quantas vezes for preciso. Você significa demais pra mim te deixar escapar com água por entre minhas mãos novamente.

Espero que tudo possa se resolver, te amo com todo meu coração e isso nunca vai mudar.

Respirei fundo percebendo algumas lágrimas impiedosas caiam sobre meu rosto, infelizmente eu tinha só que aceitar que havia a perdido pra sempre por culpa das minhas ações. Guardei a carta junto com todas as outras que escrevi durante esses seis longos anos, pra aliviar a dor que eu sentira após sua partida. Nunca ia sentir por outra mulher nem a metade do que senti com Angie.

Geral.

Já era noite quando Angeles saia do quarto da filha que dormia profundamente, coçou os olhos com sua cabeça revirando por ter contado inúmeras histórias infantis, riu com o pensamento bobo se dirigindo até seu quarto.

Percebeu que Leonardo não estava no quarto, nem no banheiro. Deve está lá em baixo, Angie pensou cansada. Havia sido um longo, longo dia. Quando ia se deitar percebeu o telefone vibrar incessantemente, o pegou e sorriu involuntariamente ao ver o nome de Maya estampado no visor com uma foto das duas, não exitou em atender apesar do enfado que a consumia.

— Angie?

— Maya! — Cumprimentou-a animada.

Ouviu a risada contagiante da morena do outro lado da linha.

— Como está indo por aí? Estou com saudades da minha afilhada.

Angeles respirou fundo.

— Ah Maya, estão indo… — Angie brincou com seus dedos.

— Ah não… Esse tom não. O que aconteceu? Em quem eu preciso bater?

Maya pergunta preocupada com a amiga. Angie ri abafado.

— Vi minha sobrinha.

— Mas isso não é bom? Lembro que você sempre falou nela e no quanto tinha saudades.

— É, é sim. Mas também encontrei com o German, tem lembranças nossas por toda parte.

A loira tomou um grande ar tentando distrair seus pensamentos de qualquer coisa que não fosse ele, Maya podia imaginar como a amiga tava, era uma situação quase incontornável.

— Ele já sabe sobre a Alice?

Angeles negou com a cabeça como se sua melhor amiga pudesse ver.

— Ainda não, não pretendo contar. Nunca.

— Ai amiga, eu queria muito poder estar com você ai. Te apoiando…

Ela sorri fraco.

— Eu sei. Estou com saudades Maya!

Ouviu a risadinha dela.

— Eu também. Mas nos veremos logo, ok? Agora vai dormir, aí deve ser bem tarde.

— Você também. Tchau Maya.

— Até Angie.

Angeles desligou o telefone um pouco mais aliviada por ter conversado sobre a situação, foi como um sinal pra melhorar sua visível tensão. Respirou fundo, com certeza aquilo não lhe afetaria tanto quanto havia afetado hoje, por um triz Violetta não havia percebido o quão mal tinha ficado por conta das eminentes lembranças.

Deitou-se na cama aninhando-se por entre os lençóis, piscou sonolenta sendo quase vencida pelo sono. Leonardo entrou vestindo apenas uma calça de moletom com um sorriso leve em seu rosto másculo, motivo suficiente pra Angie despertasse um pouco.

— Achei que estivesse dormindo. — Deitou-se ao lado dela, puxando-a para seu peitoral e a aconchegando ali. Ele aproximou seu rosto do dela, a beijando suavemente por alguns segundos.

— Quase. Acabei de falar com Maya.

Angie o fitou acarinhando seu peito, enquanto ele afagava os cabelos claros da namorada.

— É? E como ela está?

Angie estranhou a pergunta, mas decidiu responder mesmo assim.

— Bom, é a Maya. Ela está bem, e está com saudades.

Leonardo balançou a cabeça.

— O que houve? Ficou pensativo de repente…

— Não é nada Angie. Vamos dormir sim? Está bem tarde, tenho de acordar cedo amanhã.

Angeles o olhou confusa, não havia entendido a reação do namorado.

— Tem certeza que não quer me contar? — Insistiu.

Ele respirou fundo a observando.

— Quero saber a verdade Angie. O German é o pai da Alice?

Ela o observou surpresa, não esperava pela pergunta. Abriu e fechou a boca numa tentativa falha de encontrar alguma resposta convincente, Leonardo sempre soube da história mas ela nunca havia mencionado nomes. Estava tão na cara assim? Foi só Leonardo encontrar com German que já soube da resposta, imagina o que o próprio German não faria se ousasse pensar nisso, com certeza era melhor mantê-lo afastado de sua filha.

— Angie?

Chamou vendo sua feição absorta. Aquela fora sua confirmação, mas precisava ouvir a resposta dela.

— E-eu… — Angie mirava Leo com uma feição culpada, enquanto ele a fitava duro esperando uma resposta. – É sim. Como soube?

— Ontem. Percebi o quanto eram parecidos até na forma de comer, mas achei que era coisa da minha cabeça.

Angie sentiu sua garganta doer, desfez do abraço sentando-se na cama e brincou com seus dedos evitando ao máximo encará-lo.

— Está tão na cara assim? — Sua voz saiu embolada. Ele assentiu.

Quanto tempo seria até German também perceber? Se é que já não tinha percebido e ia pedir a guarda a qualquer momento. Só de pensar, já sentia calafrios na espinha.

Não podia pensar nisso nem brincando, era perturbador.

— Por que mentiu? Pra mim Angie? Logo pra mim que estou sempre do seu lado, ontem eu perguntei sobre o German, você disse que nunca tiveram nada! Mas vocês tiveram uma filha! — Aumentou o tom de voz.

Ela encolheu os ombros desesperada com culpa a consumindo em cada poro, sem que pudesse evitar um soluço alto escapou de sua garganta.

— Desculpa… — Pediu num tom baixo. – Eu não queria ter mentido.

— Por seis anos?

Ela o observou com aparente tristeza.

— Eu não queria, German me acusou no dia que descobri a gravidez então eu me mudei pra França certa que nunca voltaria pra cá, encontrei você que ficou ao meu lado e me apaixonei… Não tinha necessidade de saber nomes… — Angie chorou com o coração apertado ao reviver tudo novamente. – Nada justifica, eu não deveria ter mentido. Me perdoa?

Leonardo a olhou angustiado, sabia que aquilo era dolorido. Lembrar de tudo que o “homem” como ela o chamava a fez passar era um processo terrível quase como um furacão desgovernado tomando tudo pra si, se antes já não tinha ido com a cara de German agora é que sentira mais raiva ainda. Ao vê-la ali tão frágil e angustiada, decidiu que apesar de magoado com a mentira não iria deixar isso atrapalhar seu relacionamento, desde que pôs os olhos nela percebeu que tinha encontrado a mulher pra toda a vida e não ia permitir que escapasse.

A amava mais do que poderia aguentar, amava profundamente ela e a filha que sempre tomou como sua.

Angie ainda chorava baixinho aflita por não ter ouvido nenhuma resposta, era preocupante toda essa espera. Terminariam ali? Era o fim de um relacionamento que durou quase seis anos? O que aconteceu foi diferente, Leonardo sentou-se na cama e a puxou para seu colo a tomando num abraço apertado sentindo seu cheiro doce e afagando seus cabelos macios. Ela o abraçou chorando tudo o que havia ficado engasgado desde que chegou, agora não teria mais porque mentir e pela primeira vez sentiu-se aliviada.

— Hey, tá tudo bem… Vai ficar tudo bem. — Sussurrou no ouvido da namorada, percebendo seu ombro molhado. – Eu te amo princesa, já passou ok? Isso não vai nos atrapalhar, te prometo…

E aquilo veio como um sinal, seu lugar era ao lado dele. Um homem maravilhoso que fazia de tudo para vê-la bem, até mesmo passar por cima de seu orgulho.

Notas finais
E ai? Desculpem pelos erros, acabei de terminar o capítulo mas com certeza ele será revisado! São 03 AM, preciso ir dormir... Espero que tenham gostado. @rayxcarvalho Até o próximo, que não vai demorar! Fiquem com Deus! ♥