Notas iniciais
Antes de mais nada, gostaria de informar que todos que acompanham a fic que ela sofreu drasticamente uma alteração, de enredo até personagens. Então eu lhe digo que se nãos gosta, podem julgar. Eu e a Stark esperamos que gostem do novo enredo da fic. Enjoy!

Elena

Aquela era a última vez que eu tentava dialogar como um ser humano normal com a minha irmã, Carmen. Não, nada de piadinhas com o nome dela que pode ser a pior coisa que você ira fazer. Sou Elena e Carmen é minha irmã mais velha. Nós duas tentamos nos virar ao máximo em nosso pequeno apartamento, mas quando não conseguíamos mais aguentar a pagar o aluguel e as contas, junto com a mensaldade da faculdade de Carmen, tivemos que pedir ajuda aos nossos tios.

Não quero ser mais um morto em meio a sociedade, quero fazer algo incrível e poder parecer importante como minha irmã ou nosso pai, estudar com dedicação e ser o que quase ninguém conseguiria e construir algo que revolucione, alguma maquina birabolante que possa ser de importância.

— Acorde Elena, temos muito o que fazer hoje e pelo que eu consigo lembrar... — A voz autoritária de Carmen preencheu o cômodo, aumentando a medida que aproximava da minha cama, ouvia o arrastar das cortinas e uma iluminação desgradável passar pelo cobertor — Certa garotinha de cabelos dourados aceitou guiar o aluno novo pela escola, e não, o karma não perdoa.

Só ao terminar de falar, senti a coberta ser arrastada para longe e o frio cobrir o meu corpo, ela sabe que eu odeio quando faz isso... Como ela ainda ousa fazer isso?

— Só cinco minutos, hoje ainda deve ser... — Ponderei, tentando lembrar que dia da semana era — Sexta? E ainda mais... — Sentei na cama e bocejei — Estou de férias.

— Ainda está — Alertou, e saiu do quarto deixando-me sozinha.

Ela levou o meu cobertor... Nossa tia vai ficar sabendo disso, e dessa vez não será ela a santa.

Levantei com um pouco de preguiça e ainda com a pouca boa disposição que restava, organizei a bagunça do quarto e dei uma arrumada na cama. Fiz questão de me arrumar e sair do quarto, não gostaria de receber os gritos da minha tia querida logo de manhã.

Pegando meu moletom verde, sai do quarto de desci correndo as escadas, surpreendendo tia Alana que estava em frente ao fogão.

— Que cheiro bom... É para mim? — Perguntei, espiando pelo ombro dela o que ela preparava com tamanha concentração.

— É bom, mas não para você — Deu um tapa em minha mão só de eu tentar arracar um pedaço da panqueca que estava na frigideira — Seu tio quer conversar com você antes de ir para a escola.

Concordei e segui para a geladeira, peando uma maçã e indo ao porão, o lugar onde as engenhocas malucas da minha irmã e do meu tio ficam.

Com pouca iluminação, acendi as luzes e observei mais a fundo o porão, meu tio James sempre tem as manias irritantes de se esconder e tentar dar um susto surpresa. Acho que isso é consequencia de não ter filhos e usar como meio de não preocupar os outros.

— Tio James?

Presentia que algo estava atrás de mim, sabia que era ele... Mas o velho sempre é bem maluco, então dessa vez foi tentar ser mais adulta que o mesmo.

— Bu!

Rolei os olhos e neguei com a cabeça, virando para o homem de cabelos grisalhos e olheiras terríveis.

— Sabe, dessa vez seu nome deveria ser Doc Brown... — Refleti, uma máquina do tempo em com um cosplay perfeito de um louco era uma ótima para conseguir ser famosa por cinco minutos na internet.

— Nunca vai acontecer — Falou com um sorriso maroto e andou em direção a uma máquina cheia de luzes e botões estranhos — A próposito, sua irmã deixou um recado que é "não ligue para mim, não vou poder lhe buscar hoje" — Afinou a voz, tentando imita-la.

— Você deixou ela pegar o carro? — Indaguei frustrada — O que é mais importante que ir me pegar na escola?

— A Providência... Essa tal organização — que por sinal era um completo desastre — chamou a sua irmã e pediu a ajuda dela... — Respondeu amargamente.

Eu sabia o quanto meu tio odiava a providência, aquela da qual já trabalhou como um dos cientistas mais privilegiados, mas quando o poder assumiu a cabeça de alguns e a corrupção se instalou, não teve outra alternativa a não ser sair enquanto ainda tinha tempo.

E.V.O.S eram o terror em vários lugares do mundo e pelo pouco que eu sei e o máximo que minha ignorancia deixa, um desastre a alguns anos deixou com que pessoas sofressem mutações bem perigosas e que em sua grande maioria, não tinham cura. Andavam como monstros e eram presos pela ex-famosa providência.

O bom é que Carmen e eu nunca sofremos nenhum ataque, mas era de total certeza que todos tinham um pouco dessa mutação em si, mas que não causava estrago algum.

Mas isso era passado, como saiu em milhares de jornais, fazia semanas que essa coisa, ou melhor, E.V.O.S não existiam mais por causa do herói que todos eram agradeciam por lhes ter salvo, um tal de Rex — nome que por sinal lembra de um cachorro.

— Ela ainda estuda bioquímica... Por que iriam querer ajuda dela? — Indaguei curiosa.

— Ela não estuda apenas isso, ela tem um curso perto daquele lugar estranho com uma lupa enorme... Como é nome mesmo? — Perguntou para si, tamporizando o enorme teclado a sua frente.

— O observatório?

— Esse mesmo. Ela faz um curso, conversa com um cara maluco de lá e ainda diz que ele é bem bonito — Fez uma careta e um sinal de que forçaria o vômito.

Acabei rindo com isso e me despedi dele, chamando-o de louco e ouvindo retrucar que já sabia.

Voltei para cozinha apenas para calçar o tênis e vestir meu moletom, jogando o resto da maçã fora e pegando uma das panquecas prontas e postas na mesa, recebendo uma bronca de tia Alana.

Despedi-me dela e sai de casa, vendo tempo e o céu escuro. Só esperava que não caisse um temporal quando eu volta-se.

Caminhando lentamente em direção a escola — não por preguiça, mas porque não queria chegar lá mesmo — notei que quando menos esperava, já podia ver a escola a poucas quadras dali.

Quando já me econtrava no portal, acenei brevemente para a inspetora e falei que o diretor gostaria de conversar comigo, apenas ligando para o mesmo ela pode se convencer de que eu não estava tramando nada de errado.

O que um aluno não gostaria de ver tão cedo eram os corredores e armários da escola, ou melhor, os alunos irritantes e superficiais que adoravam se amostrar.

A sala do diretor ficava no segundo prédio e o caminho para lá seria um pouco mais longo, mas chegando lá começava a ouvir e desconfiar que poderia haver uma briga na sala. Coisas do tipo "ele é um perigo para essa escola" ou "A ameaça que vinha junto a ele se extinguiu".

Meio nervosa, bati na porta e receosa, entrei quando pediram.

— Senhorita Elena... — O diretor olhou um pouco surpreso para mim — Vejo que aceitou o que lhe pedi...

— Posso parecer um pouco mal educada, mas onde esta o aluno novo que vou servir de "guia"? — Falei nervosa, não gostava do clima tenso ali, a discussão que tinha antes de eu entrar ainda pairava por ali.

Com uma tosse forçada, voltei a observar melhor a sala e na duas cadeiras que sempre ficavam disponíveis haviam duas pessoas e uma delas causou um tipo de choque.

Jaqueta laranja e uma blusa estranhamente familiar... Mas aquele rosto era a palavra familiar em si, pois... Quando um rosto aparece no jornal da noite falando de alguém que é procurado por todos os tipos de organização de segurança, dificilmente você vai esquecer o rosto da pessoa.

— Desculpe não ter lhe informado antes Elena, mas... Gostaria que conhece-se o novo aluno, Rex Salazar — Apresentando-o a mim, fiz um breve aceno para o mesmo e sem delongas voltei para a porta — Algo errado Elena?

— Não. Apenas o fato que eu levantei cedo da minha cama apenas para mostrar a escola para um perigo em potêncial... — Cruzei os braços — Agora, você vem ou não? Não tome o tempo em que eu gastaria dormindo, por favor...

Supreso, o homem que acompanhava o Rex quase levantou de sua cadeira se o mesmo não tivesse o impedido, sussurrando alguma coisa e vindo até onde eu estava.

— Vamos? — Era a primeira vez que eu ouvia sua voz e notei um leve sotaque, por acaso ele era estrangeiro?

— Vamos. Não se preocupem, não iremos explodir nada — Falei num tom devagar, como se eles não compreendesem.

Sai antes mesmo que algum deles falassem algo e tediosamente e com sono, apontava para cada sala do prédio dois e suas funções. Não sabia ao certo se ele estava prestando atenção, mas se não estivesse, teriamos uma bela conversa.

Quando já estavamos indo ao primeiro prédio, mostrei as sala de aulas extracurriculares e as normais e quando já tinha acabado por ali, virei e o parei no meio do corredor.

— Entendeu tudo ou vou ter que voltar a mostrar? Se ficar perdido durante a voltas as aulas é só pegar um mapa da escola com a Sue, a coordenadora ou ir direto para a sala da direção — Ditei e suspirei cansada.

— Tenho uma pergunta, por que essa cara do tipo "quero lhe matar?" — Arqueei bem o cenho e abri duas vezes a boca, mas não saiu nenhuma resposta — Espera, você acha mesmo que eu posso explodir a escola?

— Só não acho como também penso que vai bancar o playboy — Cruzei os braços, e era esse o modo de manter-me firme em relação a uma ideia — Olha, não vamos bancar o enredo clichê aqui querido, mas... — Rolei os olhos e dei uma risada — O que você fez e foi televisionado não é nada bonito — Aquilo pareceu um tom de mãe de novela repreendendo um filho, mas era para ficar daquele jeito mesmo.

— O que? Você é doida? — Perguntou confuso.

— Talvez, minha irmã fala isso sempre. Voltando, alguma pergunta a mais? — Enfatizei a última parte e o vi engolir em seco — Nenhuma? Que ótimo, são... — Olhei para o relógio de pulso — dez da matina e se passaram apenas quinze minutos, um novo recorde porque eu nunca tive tamanha honra em apresentar um lugar como a escola para alguém.

Acho que soou um pouco assustado, porque só de voltar o olhar sobre o "nome de cachorro" vi que o mesmo tentava manter-se afastado. Dei uma risada com isso.

Voltamos para o mesmo caminho e seguiamos sem falar um com o outro. Droga, acho que eu deixei uma má ideia sobre mim ao aluno novo e ex-procurado.

— Você tem irmãos? — Perguntei, quebrando o silêncio e sentindo o olhar dele sobre mim.

— César... Um desastre e por favor, o que sua irmã fala sobre você ser doida não chega aos pés do que meu irmão me considera as vezes — Comentou, fingindo lamentar e o que só atraiu minha atenção.

— Minha irmão mãe é tão ruim assim, só um pouco mais doida do que eu, mas é caracteristico de família. Carmen tenta o que pode — Dei de ombros — É assim desde que meus pais sumiram...

— Desculpe... Eu não... — Coemçou a falar, mas logo o interrompi para que não fala-se algo constrangedor.

— Tudo bem, tento me acostumar com a ideia... A escola não aceita a justificativa de falta por depressão pós-perda dos pais — Dei de ombros, era para soar ironico a ultima parte, mas aprece que não adiantou muito.

— Olhe... Para alguém meio doida, você é legal — Comentou, o que só fez com que eu volta-se a rir.

— E para alguém que é um perigo em potêncial, nada mal em começar um assunto com uma garota — O cutuquei com o cotovelo, vendo-o ficar sem graça — Mas parece que não precisa se esforçar em conversar com uma, porque pelo seu rosto você já tem uma garota consigo.

— Pois é... Você é meio doida mesmo... — Concluiu nervoso, dando uma risada e atraido o meu riso também.

Quando tinhamos atravessado o corredor e voltado ao segundo prédio, o deixei na sala do diretor e despedi-me rapidamente, voltando a sair e ir embora.

— Ei! — Como tinha apenas eu por ali, virei-me e vi que o tal Rex vinham em vinham em minha direção — Eu não perguntei antes, qual o seu nome mesmo?

— Sério? Você poderia perguntar meu nome para o diretor, mas resolveu perguntar diretamente a mim e perguntar o meu nome? — Indaguei — Meu nome é Elena.

— Não combina com você... — Falou, fitando-me de cima a baixo.

— Não julgue o meu nome por eu ser loira... — Suspirei, voltando a estaca zero...

Só quando eu ia argumentar o fato de eu ser loira e ter um nome que nem combina com a minha cara, o meu celular tocou e quando eu o peguei e vi o número, comecei a ficar preocupada. Pedindo licença, afastei-me um pouco do Rex e o atendi.

— Onde você está Elena? — Minha irmã, porque estou surpresa com o tom de voz dela e do fato dela ter ligado quando era para estar no meio da aula?

— Dãh, na escola... Deveria saber, foi você quem me acordou para vir até aqui e ser um exemplo — Argumentei.

— Sem gracinhas o.k? Quero você na estrada, estou indo lhe buscar — O som da chamada saiu abafado, mas quando notei havia um barulho irritante de buzina — E sem "mas", na entrada da escola Elena!

— Não sou surda! Caramba... — Afastei o celular e virei-me para Rex — Eu tenho que ir, é minha irmã...

— O.k... Até mais Elena.

— Tchau... — Voltei com o celular e só conseguia ouvir Carmen falar num ritmo desenfreado — 'Tá tudo bem contigo? — Perguntei preocupada.

— Tudo ótimo, não poderia melhorar — Novamente, o som da voz dela ficou abafado com o som de uma buzina.

— Acho melhor você desligar o seu celular e concentrar-se na estrada, apenas acho... — Voltei a argumentar.

— Boa ideia, tchau abelhinha!

Já esperava que ela não esperasse que eu responde-se, então desliguei o celular e andei até a entrada.

Fiquei ao lado da inspetora e só por volta de quinze minutos depois um carro velho estilo lataria estacionou bem um pouco longe de onde eu estava e de dentro dele minha irmã saiu, trajando fielmente o seu colete preto. Como eu não joguei aquilo no lixo?

— Vamos embora...! Entra no carro! — Gritou comigo.

— Vou 'te contar garota, mas nem parece que aquela é sua irmã, uma é loira e a outra — Apontou com o olhar para o carro, onde Carmen estava — É morena e com a pele mais bronzeada.

— Ela é morena — Justifiquei e olhei feio para a inspetora — E somos irmãs sim.

— Elena! — Carmen voltou a gritar e bufando, corri até o carro e entrei no mesmo — Pensei que tinha morrido parada ali.

— Desculpe, estava apenas tentando defende-la como de constume — Rolei os olhos, mas acabei chamando a atenção dela.

— Como assim defender? — Perguntou, parando de mexer no volante e desligando o carro.

— Não é nada, agora liga o carro que eu quero ir para casa e saber o motivo de você quase querer se matar na estrada — Exigi e como em modo automático, Carmen voltou a ligar o carro e seguiu o caminho oposto da casa de nossos tios — Espera, estamos indo para o lado errado...

— Eu sei, mas tio James pediu para voltarmos para o nosso antigo apartamento. Ele está bem e tia Alana está lá com nossas coisa, vamos passar um tempo por lá.

— O que? Por que?

— Melhor você saber depois maninha, tem coisas que são melhores de saber apenas dentro de casa — Argumentou, olhando-me e naquele momento eu pensei que nunca veria aquilo, mas o olhar de Carmen era de puro medo.