The Best Job
36 O resultado de não saber

Koala nunca pensou seriamente sobre ter filhos. Quando era bem pequena e morava com sua mãe, achava que seguiria a vida assim como todos os outros membros da vila: cresceria, se casaria com um homem bondoso e trabalhador e teria dois ou três filhos parecidos com ele e com ela. Teria uma casa boa, não muito grande, mas muito bem-feita. Limparia a casa com afinco, e se esforçaria muito para fazer um jantar delicioso que todos elogiassem. Trocaria fraldas sem reclamar e riria quando dissessem que está com olheiras por não dormir com o choro do bebê. Ela amaria tudo aquilo.
Mas a vida tivera outros planos para ela. A ideia de ter um marido, que sempre estivera fincada em sua mente, de repente parecia uma ideia distante e filhos, então, pior ainda. Mas ela estava bem. Conseguira uma família e uma causa para viver, e morreria por ambos sem hesitar. Não precisava de um marido e não precisava de filhos, seria completa sem isso.
Mas será que todos pensavam como ela?
Sabia que Rokka amava crianças. Ele tinha aquele jeito durão, mas era muito mole com os pequenos, até mimando demais em algumas ocasiões. Então... Será que ele já desejara ter sua própria criança?
“Precisamos conversar” foi a única coisa que ele dissera antes de pegar Padomi pelo pulso e tirá-la da enfermaria. Ele estava feliz? Estava triste? Estava zangado? A instrutora não sabia. Estava confusa e não conseguia nem imaginar como estaria a cabeça de Padomi. Ela era uma membro muito importante, recebia os trabalhos mais perigosos e estava sempre ocupada. Como seria dali em diante?
— Ai meu Deus… — um suspiro quebrou o silêncio tenso que se instalou após a saída do casal. Era a Mahara apoiando-se na mesa, massageando as têmporas, cansada. — eu imagino como está a cabeça dessa menina.
— Você tem certeza que se trata de uma gravidez, Ienni-san? — Sabo indagou, secando o suor da testa por ter praticamente corrido até ali.
— Eu sou médica, tenho absoluta certeza. — sentou-se na cadeira, e bebeu algo que estava na caneca em cima de sua mesa. — Além de tudo, já estive grávida, esqueceu?
— Eles estão namorando há tão pouco tempo… — sussurrou Koala meio que para si mesma, mas os dois a ouviram perfeitamente.
— Pouco tempo não evita gravidez. — e morena respondeu de imediato. — eu estou aqui e poderiam ter me consultado a qualquer momento, mas resolveram não fazê-lo. Não posso me sentir culpada. — deu ombros, tentando parecer indiferente. Mas Sabo há conhecia há anos, sabia que ela estava preocupada. — é isso o que acontece quando se faz sex-
— Iennifer-san! — Koala a interrompeu, e então pigarreou apontando para Marion esquecido no canto da sala. A doutora logo entendeu que não era prudente discutir aquele assunto na frente de uma criança. — Ah… Marion, venha cá. — a moça foi até o pequeno, e pegou-o pela mão. — vamos voltar para a festa, tá?
— Vamos, eu irei também. — Sabo se pôs ao lado dela. — você vem, Ienni-san?
— Não. — ela negou com a cabeça. — estou ocupada hoje.
Eles voltaram para a festa, o bolo foi cortado, presentes foram dados e o dia se seguiu como se fosse um dia qualquer.
(…)
Sabo estava concentrado assinando alguns documentos em sua escrivaninha até que ouviu batidas na porta. Imediatamente imaginou se tratar de Hack, já que ele ficara responsável em levar-lhe alguns documentos sobre a ilha Applefield, a ilha em que teve estado há pouco tempo. Portanto, respondeu um simples “pode entrar” sem desgrudar os olhos do papel.
— Atrapalho? — quando ouviu a voz de Koala ele se virou.
— Koala. — sorriu, largando a pena no tinteiro. — achei que tivesse dando aulas agora.
— Acabaram há uns dez minutos. — riu da falta de atenção dele, caminhando em sua direção. — não está prestando atenção nas horas?
— Não, esses dias têm sido muito estressantes, tanto trabalho pra fazer. — Sabo recostou-se na poltrona, alongando os braços. — essa desconfiança de Applefield tem me tomado bastante tempo. Fiquei essa noite inteiro acordado tentando ligar os pontos. — bocejou, claramente cansado.
— Isso não faz bem para a saúde. — ela alertou reparando nas olheiras do amigo.
— Eu sei. Fazer o que né. — ele deu ombros, até que reparou que ela levava consigo alguns papéis. — o que é isso aí?
— Ah, isto. — ela pareceu ter se esquecido deles. — trouxe no lugar de Hack, ele me pediu. — entregou-os ao conselheiro.
Na verdade, ela tinha insistido em levar no lugar de Hack, mas ele não precisava saber.
— Hack, é? — Sabo ironizou, encarando-a com um olhar brincalhão. — ele que pediu ou você que implorou para vir me ver?
— E por que eu faria isso? — cruzou os braços, retrucando no mesmo tom. Era irônico que ele tivesse acertado na mosca.
— Ah, não sei. — ele fingiu-se de bobo. — saudades, talvez? Já faz uma semana que não nos vemos direito.
— É mesmo? Eu nem percebi. — retrucou com indiferença, curvando-se para ficar mais perto dele. — falando dessa forma, me parece que você é quem está com saudades de mim, Sabo-kun.
— A senhorita sempre tentando virar o jogo, não é mesmo? — ele puxou-a, fazendo-a sentar-se no colo dele. — sabia que é boa nisso?
— Sabia. — ela riu, convencida.- sabia sim.
Sabo pensou como ela era linda sorrindo. Estava parecendo um bobo.
— Quais são seus planos pro resto do dia? — perguntou a ela, realmente interessado.
— Primeiro vou mandar os kimonos das crianças pra lavanderia, depois vou resolver alguns detalhes sobre as futuras missões com Hack-san, depois conversar com Liam-san sobre alguns investimentos… Enfim, só coisas de trabalho. Nada tão interessante. — ela deu ombros. — mas isso são assuntos para resolver mais tarde, por enquanto eu pensei em te fazer companhia.
— Procrastinando? — ironizou ele.
— Se quiser eu posso ir embora e fazer tudo isso.
— Não será necessário. — ele bocejou de novo. — quero você aqui.
A expressão divertida de Koala foi aos poucos se tornando preocupada.
— Sabo-kun, falo sério agora, acho que deveria dormir. — ela acariciou a bochecha dele, e ele fechou os olhos apreciando o toque dela. — sabe que toda a confusão envolvendo aquela droga que Padomi te dava começou com sua falta de sono. Não quero que tenhamos problemas envolvendo este assunto novamente.
— Falando nisso. — disse ainda de olhos fechados. — o que Padomi e Rokka resolveram? Já se passou uma semana desde que foi dada a notícia. Todos já estão comentando.
— Pois é. — concordou pesadamente. — conversei com Padomi ontem, e ela me disse que naquela mesma manhã ela tinha feito o teste no banheiro, e mentiu dizendo que estava naqueles dias ou algo do tipo. Rokka nem desconfiou, acredita?
— Acredito, Rokka não notaria algo desse tipo.
— Desde que ela começou a namorar com ele ficamos mais próximas, e temos tido conversas amigáveis. É uma coisa boa, afinal, não tenho mais Robin-san comigo. — riu desanimada. — mas voltando à sua pergunta… Bem, no início eles ficaram assustados, mas parece que vai ficar tudo bem. Padomi ficará aqui até ter bebê.
— Mas e depois?
— Rokka nunca sai em missões, é algo muito raro. Ele se comprometeu a cuidar da criança sozinho enquanto Padomi sai em missões. Eles não tem opção, não é mesmo? Não têm parentes, e não podem jogar uma criança meio-mink em um orfanato qualquer, é muito arriscado. — explicou ela.
Sabo pensou em comentar algo do tipo “e também é ultrajante ter um filho e abandoná-lo num orfanato” mas logo se conteve. Muitas famílias faziam isso e muitas vezes nem era por querer, mas por pensar no melhor para o bebê. E, além de tudo, caso ele tivesse um filho teria que fazer algo equivalente. Dar para outra pessoa criar e dar para a adoção eram praticamente a mesma coisa, com a única diferença sendo que é mais difícil saber do paradeiro da criança.
— Mas voltando ao assunto, você tem que dormir. Deite-se um pouco, pelo menos por uma hora. — ela saiu de cima dele e o puxou na cadeira, fazendo-o ficar em pé, Em seguida, retirou o paletó.
— E o trabalho? Falta ainda bastante coisa. — protestou, ainda dividido.
— Vou levar metade comigo e a outra metade vou mandar pro pessoal do excecutivo.
— Eles vão aceitar isso numa boa?
— O que eles vão reclamar? Meu trabalho também é cuidar de você. — ela tocou a ponta do nariz dele. — só estarei fazendo meu trabalho.
— Certo, eu vou dormir então. — deu-se por vencido, seduzido pela cama prontinha esperando por ele.
Koala ficou agradecida ao vê-lo despencar na cama. Achou que ele levaria alguns minutos para pegar no sono, mas na verdade demorou apenas alguns segundos. Sabo devia estar mesmo cansado.
— Seu bobo… — ela sussurrou sentada na cama ao lado dele, então tirou uma mecha de cabelo loiro dos olhos. — se ficar exagerando assim, vai me deixar preocupada.
Sentira falta daquela aproximação durante os dois anos em que estava tentando se afastar. Nunca dissera para ele em palavras claras, mas aqueles momentos de carinho e paz eram os mais estimados dela. Não que não gostasse de um bom beijo e amassos, mas sentia seu coração se aquecendo mais quando podia aproveitar da companhia dele com a devida calma.
— Qual será o destino que nos aguarda, Sabo-kun? — ela começou a massagear os cabelos dele. Amava aquelas madeixas. Já dissera isso a ele. — será que vamos morrer amanhã?
Não devia ter dito aquilo. Sentiu um bolo na garganta só de pensar em Sabo morto.
— Eu queria que ficássemos assim pra sempre… — sorriu em devaneio, brincando com duas mechas em especial. — está tudo tão perfeito. Eu não mudaria nada.
Depois de alguns minutos brincando com os fios de Sabo adormecido, resolveu que era hora de parar de fazer de conta que estava desocupada e voltar a trabalhar. O loiro estava fazendo uma pausa justa, motivada pelo cansaço, – e ela, não. — então logo tratou de se levantar e voltar aos afazeres.
Mal sabia ela que Sabo, naquele momento, não estava completamente adormecido.
(…)
— Você consegue consertar? — Leroy perguntou duvidoso, olhando com descrença para o menino de dez anos. — é só uma criança.
Rock era super inteligente na arte da tecnologia. Não era o melhor nas aulas que envolviam esforço físico, mas nas aulas junto de Inazuma-san conseguia se destacar com perfeição. Então, quando vira que o aparelho auditivo esquerdo de Leroy estava falhando, logo se ofereceu para consertar. Seria algo divertido.
— É claro que consigo. — ele analisava o aparelho, irritadiço pela falta de confiança do mais velho. — pelo que estou vendo aqui, ele deve estar zumbindo. — tocou em uma parte específica do objeto. — vai me deixar consertar ou não?
— Rock-kun é muito esperto, eu confiaria nele. — ouviu uma pessoa se aproximando no corredor, e quando se virou, viu Koala carregando uma pilha de roupas. Ao analisar bem, percebeu que se tratava dos kimonos das crianças.
— E eu não sou criança. — disparou o ruivinho. — eu já tenho dez anos, sabia?
— Perdoe-me a falta de educação então, Sr. Adulto. — ele respondeu com ironia, se divertindo às custas do menino. — permitirei que vossa senhoria cuide disso e me deixe surdo de um ouvido pelo resto do dia.
— Vou demorar uns dois dias. — declarou ele, pegando o aparelho. — talvez três.
— Três dias?! — o mais velho hesitou em deixar algo seu tão importante na mão do moleque. Olhou para Koala, que mantinha um sorriso confiante, como se dissesse “ele sabe o que fazer”. Bem, se Koala tinha fé na criança, quem seria ele para discordar? Engoliu o seco, e grunhiu: — cuide bem disso…
— Eba! Vou começa agora! — ele desatou a correr, seguindo para onde só podia ser seu quarto.
— Rock-kun um dia ainda contribuirá e muito para o exército revolucionário. — ela andou para mais perto de Leroy, ainda mirando o caminho por onde o garoto passara. — ele veio de uma família muito inteligente. Cruéis e desumanos, mas, ainda assim, muito inteligentes. Tivemos sorte de tê-lo conosco. Ele vai utilizar sua inteligência para o lado correto.
— Você gosta mesmo deles, não é, Koala-san?
— Claro que gosto, são meus alunos. — riu.
— Isso quer dizer que gostava de mim quando eu era seu aluno? — provocou.
— Gosto de todos os meus alunos, são todos boas pessoas.
Não conseguiu evitar fazer careta de desgosto. Ela estava basicamente colocando-o no saco junto com todos os outros.
— Isso parece pesado. — comentou, referindo-se às roupas que ela carregava. — deixe-me ajudá-la.
— Ah, não precisa! Não quer tomar seu tempo.
— Não vai tomar, não tenho nada de interessante para fazer agora. — na verdade, ele tinha sim, mas valia a pena atrasar para passar um tempo a sós com ela. — ande, passe isso para cá. — ele pegou a maior parte da pilha, orgulhoso por estar sendo cavalheiro.
Eles seguiram o caminho até a lavanderia conversando animadamente como não faziam há tempos. Estava com saudades daquilo, e estava disposto a fazer durar o maior tempo possível.
(…)
Sabo estava sentado na cama, mirando a parede há uns dez minutos.
Se sentia extremamente confuso.
Por um lado, havia gostado da declaração da amiga. Ela dissera que queriam que se mantivessem sempre daquela forma na melhor das intenções possíveis, porém, ao mesmo tempo, era similar a dizer que queria manter o relacionamento dos dois como algo indefinido. Oras, era pedir demais querer um status de namorado? Queria poder afugentar outros possíveis interessados nela, queria chamá-la de sua e dá-la o direito de chamá-lo dela, e para isso precisava que tivessem algo seguro.
Ela tinha medo de relacionamento sério? Só poderia ser isso. Mas por que?! Ela se mantivera emocionalmente longe dele por muito tempo, mas agora as coisas tinham mudado, não era? Agiam praticamente como namorados. Koala agora o deixava abracá-la, beijá-la e suas longas e apaixonantes conversas eram cheias de flertes em forma de provocação.
Até perdera o sono. Não sabia como isso era possível, mas perdera.
Será que estava pensando demais? Será que estava pressionando demais? Ou pelo contrário, será que estava sendo permissivo demais? De certa forma, se arrependia de não ter tido relacionamentos anteriores, já que era incapaz de ter alguma referência sobre como tomar as rédeas daquela situação.
O conselheiro se levantou e saiu do quarto, caminhando pelo corredor. Precisava de um conselho, e de alguém mais experiente.
Estava precisando de conselhos demais ultimamente. Sentia-se envergonhado do título de conselheiro.
— Ocupado? — perguntou depois de bater à porta do escritório de Liam e abrir. Se conheciam desde muito tempo, não havia motivo para cerimônias.
— Um pouco. — admitiu o azulado, virando um pouco a cadeira giratória. — mas venha, sente aqui. Sempre arranjo um tempo pra você. — apontou para a cadeira de frente para a mesa. Sabo sentou-se e o tesoureiro foi direto ao ponto: — precisa de um conselho?
— Estou ficando cada vez mais previsível. — riu amargamente. — mas sim… Preciso de um conselho.
— É sobre Koala?
— Voce é tesoureiro ou vidente?
— Quem dera eu fosse realmente vidente. — brincou. — a essa altura já teríamos derrubado o Governo Mundial.
— Enfim… — ignorou o último comentário. — eu quero namorar Koala, mas ela parece ter medo de namorar comigo. O que acha que eu deveria fazer? Você namora Iennifer desde os quatorze anos, imaginei que soubesse melhor do que como resolver isso.
— Bem… — ele olhou para o chão, pensando nas palavras certas para aconselhar o mais novo. — eu era moleque quando comecei a namorar com ela, mas se tivesse que dizer a forma como fiz isso, foi seguindo ela e provocando. — riu. — Ou seja, basicamente tentando seduzir ela, mas, é claro, de uma forma meio tosca. Agora vejo que não sabia o que estava fazendo.
— Então isso é o que eu deveria fazer? — perguntou.
— Não, claro que não! — prontificou-se de imediato. — eu era imaturo. Você já tem vinte e dois anos, e ela vinte e três. O certo seria lidar isso como adultos: sente com ela para discutir e seja sincero com seus sentimentos. Ninguém gosta de discutir relação, mas às vezes pôr as cartas na mesa e ser claro torna tudo mais simples.
— Ah. — Sabo pensou por um instante, surpreso com a simplicidade da solução de Liam. — isso me parece be-
— Sabo-san está aqui?! — uma voz interrompeu a conversa do dois, juntamente do barulho de uma porta sendo escancarada. Sabo, o dito cujo, virou-se, afinal, estava de costas para a entrada.
— Tora? — ele estranhou a presença da menina. Ela parecia ter corrido até ali.
— Tora-chan, o que já disse a você e aos outros sobre bater à porta do escritório? É falta de educação sair abrindo dessa forma. — Liam repreendeu em um tom calmo, porém, que conseguia fazer qualquer criança se sentir mal. A menina coelho de nove anos se encolheu, segurando a barra do vestido.
— Me desculpe! — ela se curvou rapidamente, alternando o olhar entre Liam e Sabo. — é que eu estava procurando por Sabo-san, e Tamura-san me disse que o viu vindo nesta direção, então deduzi que era aqui e então… — ela própria se interrompeu, balançando a cabeça em sinal negativo. Estava sendo confusa demais com as palavras, tinha que ir direto ao ponto. — é que Koala-san está com Leroy-san na lavanderia. Isso seria algo normal, mas eu senti que tinha algo de estranho porque…-
Ela não pôde terminar de falar, pois antes de completar a frase, Sabo já havia saído em disparada
(…)
— O que?
O arquejo de surpresa de Koala tinha sido mais fino do que ela desejara. Mas que culpa tinha ela? Estavam conversando normalmente, até que Iriel avançou mais que o adequado e a prensou entre seu corpo e uma máquina de lavar, dizendo “eu sempre gostei de você”
O que levara ele a se declarar daquela forma naquele momento? Nada! Ele tinha sido gentil em ajudá-la com as roupas, e inclusive fora buscar o sabão na dispensa para ela, mas quando voltou e colocaram as roupas na máquina para lavar, ele simplesmente foi para cima dela com tudo e parecia cheio de desejo.
— I-Iriel-kun… Eu… — ela pestanejou, sem palavras. O que se dizia para alguém que acabara de se declarar?
— Me dê uma chance! — Leroy juntou as mãos dela, olhando-a nos olhos com intensidade. — pode ser que não sinta nada por mim, mas se me der uma chance, vai ver que eu posso te fazer feliz. Vou me esforçar muito!
— Iriel-kun, eu aprecio os seus sentimentos, mas… — ela tentava se desvencilhar dele com delicadeza, em vão. — não é uma questão de esforço, entende?
— É claro que é! — ele soava cada vez mais desesperado. — como pode saber que eu não sou o certo para você se nem ao menos me deixa tentar? — argumentou, pousando as mãos na cintura fina dela. — eu nunca vou te fazer sofrer, Koala… — adquiriu um tom mais calmo e sereno, aproximando os rostos dele e dela. Koala comentado o fato dele ter esquecido o “Srta” que sempre usara desde que deixou de ser sua sensei.
Tinha que admitir, ele era bom na arte da sedução. Não se sentira balançada a ficar com ele, mas sabia que qualquer outra mulher no lugar dela acabaria cedendo – estando em um relacionamento, ou não. Ele era bonito, tinha um charme e era muito esforçado, o tipo que qualquer mulher se interessaria.
No entanto…
Koala não conseguia parar de pensar em Sabo.
— Não. — ela disse do nada, causando confusão no rapaz. Aproveitou o fato dele estar estático pela surpresa para empurrá-lo devagar para frente, afastando-o. — eu não quero, Iriel-kun. — explicou com o tom mais decidido que poderia fazer.
— M-Mas por que?! — ele soltou um grito angustiado. Estava com os membros rijos e tremendo de raiva. — eu lhe causo repulsa?! É por que sou surdo?! — ela continuava a negar com a cabeça, mirando-o com pena no olhar. Isso o causou ainda mais irritação. — ou é por que não sou poderoso como ele?!
— O que? — ela mal pode acreditar no que estava ouvindo. Leroy estava insinuando que ela estava interessada em Sabo por causa de sua posição? Contou até dez, se acalmando. Não podia perder as estribeiras assim. — Iriel-kun, eu sei que você está chateado, por isso não vou me irritar com você ou com esta ofensa…
— Você prefere ele. — o rapaz arrastou as palavras, carregadas de angústia e frustração. — mesmo que ele seja mais novo que você, mesmo que o conheça a menos tempo que me conhece, mesmo que ele lhe cause problemas… Você prefere ele.
— Sim. — ela deu um sorriso triste, incapaz de mentir para o outro. — eu prefiro ele. Me desculpe.
— Por que?
Ela ergueu o olhar.
— Por que? — ele repetiu. — por que prefere ele?
Se calou. Não sabia o que dizer, mas tinha que responder alguma coisa. Depois de rejeitá-lo, devia ao menos uma explicação.
— Eu… — desviou o olhar, olhando para algum ponto por cima do ombro dele. — Eu… Eu…
Estava parecendo uma idiota repetindo sempre a mesma coisa, mas Iriel não se incomodava. Continuava lá, parado, encarando-a.
— Você o ama, não é?
Foi a vez de Koala arregalar os olhos. Nunca imaginaria que Leroy fosse dizer algo assim.
— O ama… — sussurrou, relaxando o corpo e sorrindo triste. — e nunca vai me amar.
— Eu amo Sabo-kun… — admitiu ela, voltando a encará-lo. — e espero que alguém, um dia, também te ame, na mesma intensidade.
Koala não fazia ideia de que, quando Leroy fora buscar o sabão, encontrara Tora e deixara escapar que estava levando a caixa para a lavanderia, onde estaria sozinho com Koala. Também não sabia que, Tora, apesar de ser apenas uma criança, era bastante astuta e logo tratou de chamar Sabo para interromper qualquer coisa que Leroy estivesse planejando.
Logo, por conseguinte, não fazia a mínima ideia de que Sabo correra como um louco até a porta da lavanderia, parou no último instante e ouviu a conversa que tinha com o outro lá dentro.
E, menos ainda, sabia que ele havia escutado em alto em bom som ela afirmando que o ama.
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