The Best Day

1 O Melhor Dia


Notas iniciais
Olá, pessoas ♥

Essa é uma one especial do dia das mães, com foco na relação mãe e filha da Bella com Renesmee, inspirada na música de mesmo nome da Taylor Swift. (https://www.youtube.com/watch?v=l4_6eQm7RTQ)

Também é uma história que funciona como uma espécie de continuação de outra one https://fanfiction.com.br/historia/711575/Begin_Again/, com uma referência e outra para quem leu Begin Again.

Espero que curtam a one e um feliz dia das mães para quem já é mamãe, como também meu votos de um excelente dia para as mães de vocês, leitoras! ♥

Boa leitura e curtam um tempinho com Renesmee e sua mãe :D

Renesmee, filha de Isabella

Eu tinha crescido ouvindo mamãe discursar sobre os dois melhores dias de sua vida, aquele dia que eu nasci e aquele dia que meu irmão mais novo nasceu. Não entendia como ela apreciava aqueles dias mais do que os outros, afinal também sempre ouvia falar como ter bebês por parto normal doía muito, mas ainda assim eram os dias favoritos de Isabella Cullen.

Quanto a mim, eu tinha vários dias preferidos. Papai dizia que eu era a pessoa mais feliz do mundo, mais do que tia Alice, que nada no mundo era capaz de tirar meu sorriso por muito tempo, por isso estava sempre tendo um novo melhor dia.

O dia das abóboras

Um dia, eu tinha cinco anos de idade. Meu irmão mais novo, Anthony, pouco mais de um ano. Nós dois, junto com nossos pais, fizemos uma viagem de carro até uma fazenda de abóboras próxima à Seattle no fim de semana.

— O Halloween está chegando, nós precisamos de abóboras para a decoração — mamãe tinha anunciado aquela manhã, enquanto todos estávamos na cozinha para o café.

Ela tinha Anthony em seu colo, movendo-se com graciosidade pela cozinha com o pequeno em seus braços, ao som de James Taylor que tocava no sistema de som. Eu ajudava papai a preparar panquecas, dando gritos espalhafatosos toda vez que ele jogava uma para cima, com medo da massa ir parar no chão, mas papai era tão esperto, sempre conseguia as aparar.

— Papai! — exclamei admirada, ele apenas riu, deslizando mais uma panqueca para o prato.

— Você é incrível, amor! — mamãe exclamou encantada, parando junto da gente ao fogão, depois de colocar Tony em sua cadeirinha.

— Amo você. — Os olhos de papai brilharam ao falar com ela, lhe dando um beijo nos lábios.

— Eca! — reclamei, os fazendo rirem.

Mamãe se voltou para mim, com um grande sorriso no rosto.

— Você está animada para o Halloween, filha?

— Eu estou! — gritei empolgada.

— Deus, ela tem a entonação vocal da sua irmã, Bella — papai falou, levando as panquecas até a mesa. — E você, campeão? Vai querer panquecas hoje? — perguntou para Tony, que estava distraído com seus gizes de cera. — Não? Você ama comer giz de cera, não é? — Tirou rapidamente o giz da boca do meu irmão, que choramingou por conta daquilo. — Desculpe, filho, mesmo sendo médico não posso arriscar tê-lo correndo qualquer tipo de perigo.

Papai logo o distraiu com frutas, que seriam o café da manhã do bebê Tony.

— Ele gosta muito do amarelo, acho que é a cor favorita dele — mamãe falou para papai, ajudando-me a sair de cima do banquinho que me ajudava a alcançar o balcão do fogão. — A sua ainda é vermelho, não é mesmo minha ruivinha preferida?

— É sim, mamãe, eu amo vermelho — confirmei, sentando a mesa junto de mamãe.

— E você já pensou na sua fantasia de Halloween para esse ano, filha? — papai perguntou.

— Eu tenho uma ideia, na verdade — mamãe comentou, servindo leite para mim. — Pensei que todos nós poderíamos nos fantasiar de Família Addams.

Papai riu alto, mamãe sempre dizia que amava a risada dele, mesmo ela sento alta e escandalosa.

— Adorei sua ideia. — Ele tomou a mão de mamãe na sua, beijando-a, subindo os beijos por seu braço. — Viver sem você só se for na base da tortura.

—– Querido, você é um Gomez perfeito — mamãe gargalhou, beijando o rosto de papai. — Mas, será uma grande pena fazer você e Renesmee usarem perucas para cobrirem seus cabelos acobreados.

— Nós superamos. — Papai piscou para mim. — E você, mantenha-se longe de giz de cera, garoto. — Ele rapidamente tirou o giz da mão de Tony. — Não sei mais o que fazer, Bella. — Suspirou. — Sou um pediatra, você uma professora de educação infantil e nosso filho come mais giz de cera do que eu bebo café.

— Comer giz de cera é normal, ele está descobrindo o mundo, não tem nada demais em comer um pouquinho.

— Eu tenho um diploma que me permite contestar isso. — Papai tirou todos os gizes de cera do alcance de Tony. — Anthony, frutas. — Estendeu o pote com frutas para meu irmão.

— Mamá, giz — Tony implorou, fazendo com que mamãe e eu rissemos.

— Bella — papai choramingou.

— Ei, você é um excelente pai, não se estresse com isso, amor — mamãe disse, saindo de seu lugar para sentar no colo de papai. — Não estou falando a verdade, Ness? — ela perguntou para mim.

— Sim! — confirmei, obviamente alto demais, o que fez papai sorrir para mim.

— Sua mãe também é a melhor, não é, Renesmee? — ele perguntou para mim, eu vi o rosto da mamãe ficar bem vermelho naquele momento.

— É sim — eu falei. — Amo você, mamãe.

— Ah, eu amo você também, ruivinha! — mamãe saiu dos braços de papai para me abraçar, bem apertado. — Amo muito, minha linda.

***

Mais tarde naquela manhã, papai e mamãe me colocaram no carro junto com Tony para que pudéssemos ir até a fazenda onde iriamos comprar as abóboras para o Halloween. Eles disseram que tia Rose, tio Emm e minha prima Melanie iriam nos encontrar lá, então eu fiquei animada com isso.

Eu estava olhando pela janela do carro, vendo a estrada passar pela gente, enquanto ouvia meus pais cantando. Olhei para os dois, vendo papai dirigir com uma mão, a outra entrelaçada a de mamãe, que sorria largamente para ele.

Naquela época, só com cinco anos, não era capaz de entender o que senti vendo aquela cena. Algum tempo depois faria sentido ter ficado tão feliz vendo os dois tão unidos, era a confirmação visual de que eu tinha pais maravilhosos, que mesmo com os anos de relacionamento, os filhos e tudo mais, continuavam se amando.

E, eu estava muito feliz por ter os dois.

***

Papai estacionou seu Volvo ao lado do grande jeep do tio Emm, então antes que pudéssemos deixar o carro, vi tia Rose abrir a porta do meu lado. Ela sorriu para mim, seus cabelos loiros brilhavam sob a luz do Sol.

— Olá, ruivinha! — exclamou para mim, ajudando-me a sair da cadeirinha de segurança do carro.

— Onde estão Emm e Melanie? — papai perguntou, enquanto ele e mamãe tiravam Tony e nossas bolsas do carro.

— Foram comprar maças caramelizadas para todos nós. — Tia Rosalie me pegou em seus braços. — Por Deus, você é tão linda! — Beijou minha bochecha.

— Eu sei, né? Fizemos um bom trabalho! — papai falou.

— Não seja idiota, Edward — tia Rosalie ordenou, aproximando-se de mamãe que tinha Tony no colo. — Esse aqui também é lindo demais. — Beijou a cabeça do meu irmão. — Ai, cheirinho de bebê, eu amo isso.

— Você devia ter outro filho — mamãe falou. — Eles são maravilhosos. — Beijou Anthony, então a mim.

— E trocar mais fraldas? Não, nem pensar! — Tia Rose falou fazendo uma careta. — Melanie já tem uma independência que eu amo e, você e meu irmão tem filhos lindos que eu posso mimar, estou bem assim. Além do mais, não aguentaria passar por outro parto de mais de dez horas.

— Eu passei vinte no de Renesmee. — Mamãe sorriu carinhosamente para mim. — Eu passaria mais vinte, ruivinha.

— Vinte longas horas — tia Rose falou rindo. — Algum dia alguém te contará a história desse dia, Nessie.

***

Foi um dia divertido na fazenda, escolhemos abóboras, comemos maças caramelizadas e outras comidas deliciosas vendidas ali e até mesmo fizemos um passeio em uma carroça puxada por um trator. Eu tinha ficado com bastante medo daquilo, mas mamãe me convenceu a ir com ela e os outros.

— Mas, é tão alto mamãe — falei apavorada, vendo a carroça onde deveríamos subir. — Tô com medo.

Ela se ajoelhou a minha frente, seus joelhos tocando várias folhas que já tinham caído das árvores naquele outono. Eu não sabia porque as árvores estavam mudando, mas um dia perguntaria para mamãe e sabia que ela iria me responder.

— Você sabe o que é coragem, Renesmee?

Neguei com um aceno de cabeça.

— Coragem é quando enfrentamos nossos medos — ela disse, segurando minhas mãos nas suas. — Um dia, eu também estive com muito medo de recomeçar, mas eu me enchi de coragem e fui atrás do meu recomeço. — Vi seus olhos parando em papai, que estava um pouco longe conversando com tio Emmett.

— Eu não sei se tenho coragem, mamãe.

— Você tem sim, muita coragem, ruivinha. — Ela tocou em meu peito. — Aqui dentro do seu coração, ele está cheio de coragem para enfrentar todos os obstáculos da vida, acredite em mim.

Eu respirei fundo, olhando para a carroça. Se eu olhasse bem nem parecia tão alta assim, fora que tinha outras crianças ali.

— Nós vamos entrar na floresta?

— Vamos passar por ela — confirmou.

— E veremos a Branca de Neve? Ela mora em uma floresta com os anões.

— Não sei se a Branca de Neve mora por aqui, mas vai ser um passeio divertido.

— Vai ficar comigo, mamãe? — perguntei a ela.

— Sempre, filha. — Ela beijou minha testa. — Eu sempre estarei ao seu lado.

***

Depois do passeio do trator puxando a carroça, que foi super divertido. Tio Emm, Melanie, papai e eu fomos para o parquinho que tinha na fazenda. Minha prima e eu brincamos em vários brinquedos, mas logo ficou frio e tarde, o que fez papai e tio Emm nos chamarem.

— Você deve estar congelando — papai falou, ajudando-me a colocar o casaco.

— Eu quero mais uma maça caramelizada, papai.

Ele riu, apertando meu nariz.

— Eu também quero mais uma, elas são muito boas.

— Vocês estão tramando o que por aqui? — Ouvi a pergunta, então a risada de mamãe.

Olhei para cima, vendo-a se aproximar de papai e eu. Sorri de volta para ela, correndo até seus braços que prontamente me carregaram.

Na volta para casa, mamãe foi no banco de trás junto de Tony e eu. Eu abracei as pernas dela, enquanto a sentia fazendo um cafuné em mim, pela janela do carro podia ver o céu dourado no fim do dia.

— Mamãe, é lindo. — Apontei para o Sol se pondo.

— É mesmo, não é? — Ela suspirou, um suspiro que soava feliz, até mesmo para mim com cinco anos foi possível compreender. — Você se divertiu?

— Foi o melhor dia de todos.

O dia dos malvados

Com treze anos descobri como as pessoas podiam ser malvadas, até mesmo aquelas que um dia considerei amigos. Mas, sim, havia pessoas más em todos os lugares, de todas as idades, que não se importavam em machucar os outros.

Naquele dia eu desci do ônibus escolar quase aos prantos, magoada demais para conseguir reter o choro por muito tempo. Então, assim que entrei em casa, o choro surgiu.

Eu me sentia mal, pois pessoas más fizeram aquilo comigo.

Fechei a porta, encostando-me ali, chorando tudo que tinha guardado para mim desde a hora do almoço. Os xingamentos, as risadinhas e todo o resto povoando minha mente.

— Nessie? — Mamãe surgiu no hall de entrada da nossa casa, extremamente preocupada. — Filha, o que aconteceu?

— Nada — menti, limpando as lágrimas, mas quanto mais limpava, mais lágrimas surgiam.

— Renesmee! — Ela rapidamente me envolveu em seus braços em um abraço apertado. Eu consegui conter o choro muito menos ali, soluçando dos braços da minha mãe, deixando com que ela me consolasse. — Diga-me o que aconteceu, ruivinha — pediu, afastando-se para olhar em meu rosto, limpando-o.

— Não, não foi nada.

Eu não queria preocupar ela com aquilo, com minhas besteiras.

— Renesmee, você sabe que pode contar tudo para mim, filha. Alguém te machucou?

Neguei.

Naquela época eu não entendia agressão verbal como uma agressão de fato, achava que só porque ninguém tinha me batido, estava tudo bem.

— Vamos dar uma volta — mamãe proclamou, levantando-se e pegando as chaves do seu carro no aparador. — Seu pai foi levar Tony para o futebol, podemos passar algumas horas fora.

Apenas concordei com um aceno de cabeça, deixando com que ela me levasse para fora. Surpreendendo-me, mamãe não tinha pegado as chaves da sua minivan, mas sim de sua caminhonete. — Tem certeza? — perguntei hesitante, fazendo uma careta para o carro. — O papai diz que a caminhonete não é muito segura.

— É segura, pode entrar — ela insistiu.

— Mãe...

— Ei, Edward Junior, entre logo na caminhonete — ordenou, fazendo com que eu risse, mesmo entre a grande vontade de chorar.

Mamãe dirigiu por um bom tempo, nós ficamos em silêncio por todo o caminho, ou eu o quebrava com meu choro. Ela não voltou a perguntar o que estava acontecendo, o que eu gostei, precisava de um tempo.

— Bom, estamos bem longe de Seattle agora — mamãe falou, dirigindo pela cidadezinha que tínhamos chegado. — O que acha de um pouco de sorvete, ruivinha?

Neguei, apertando meus braços ao redor do meu corpo. Eu era gorda, gorda demais, não precisava engordar ainda mais me entupindo de sorvete.

— Certo. — Mamãe me olhou rapidamente. — Eu preciso de sorvete, você pode esperar lá dentro enquanto eu tomo um bem grande.

Concordei, deixando a caminhonete com ela. Sentei em uma mesa para dois, afastada do grupo de adolescentes que estavam na soverteria, enquanto mamãe ia comprar seu sorvete.

— Eu amo sorvete, é tão maravilhoso — mamãe disse.

Não deixei de notar que ela tinha escolhido sorvete de creme, meu preferido, mesmo que seu favorito fosse de chocolate. Também percebi a colher extra que tinha levado consigo, era uma armadilha para me fazer tomar sorvete também.

Porém, eu não podia ceder. Tinha de fechar a boca, deixar de ser a garota gorda da escola, aqueles que todos chamavam de baleia e vaca.

— Tem certeza de que não quer nem um pouquinho, ruivinha? — mamãe me perguntou, estendendo o sorvete para mim, neguei novamente. O sorvete parecia delicioso, mas eu não iria ceder de jeito nenhum.

— Eu posso começar a malhar? Talvez tio Emmett possa ser meu instrutor lá na academia dele — sussurrei, atraindo o olhar de mamãe.

Sério, era um olhar totalmente sério. Eu tinha visto ele muitas vezes em casa, mas também na escola, já que até meus dez anos frequentei o colégio que mamãe dava aulas e a tive como professora.

— Você é nova demais para academias, Renesmee — falou deixando o sorvete de lado.

— Não podemos falar sobre isso com o papai?

— Ele é médico, tenho certeza de que vai concordar comigo, seu corpo nem terminou de se formar, não pode ir malhar.

Engoli em seco, sem saber o que fazer. Eu tinha tentado alguns esportes, porém tinha me saído muito mal neles, até mesmo em atletismo. Talvez musculação desse certo, eu podia ficar com um corpão como aquelas modelos famosas, ninguém nunca mais riria de mim.

— Por favor, mamãe — pedi, encarando minhas mãos sobre a mesinha. — Eu preciso.

— Você só tem treze anos, não precisa não — ela teimou.

— Você não entende! — acusei, voltando a chorar.

— O quê, Renesmee? — mamãe indagou, seu olhar saindo da zona séria para a preocupada. — Por favor, conte-me o que não entendo, filha.

— Não entende o que é ser gorda — sussurrei. — Você é magra e bonita, ninguém ri de você, ninguém te chama de baleia assassina, nem de vaca ruiva.

— Deus, Renesmee. — Mamãe arfou, saindo de sua cadeira até parar ao meu lado, me dando um de seus abraços apertados. — Quem falou isso, ruivinha?

— As meninas da minha turma — contei por fim. — E alguns meninos também.

— Nós vamos resolver isso, eu prometo. — Ela se afastou, beijando meu rosto por inteiro, ajoelhando-se junto de mim, segurando em minhas mãos de forma protetora. — Eu irei à sua escola, amanhã mesmo, essas crianças malvadas irão ser castigadas por te tratarem dessa forma.

— Não, mamãe, não — implorei desesperada. — Não faz isso, por favor.

Eu sabia que se aquela história chegasse à diretora, todos só ficariam com mais raiva de mim.

— Renesmee, eu não estou perguntando se devo ou não fazer isso, estou afirmando que irei fazer — mamãe declarou. — Sei o que está pensando, que isso só vai piorar, não? Bom, eu irei aquela direção quantas vezes for necessário, mas essas meninas, esses meninos, todos eles vão ser devidamente penalizados por fazerem o que estão fazendo.

— Mamãe, não!

— Ei. — Ela ergueu meu queixo. — Não esqueça de que eu sempre vou estar com você, Renesmee Cullen. Nós enfrentaremos isso juntas, eu juro.

— É minha culpa — murmurei. — Eles estão certos, eu sou mesmo gorda e feia.

— Não, você não é. — Mamãe segurou meu rosto entre suas mãos. — É a garota mais linda de todo o mundo, Renesmee, não se esqueça disso, entendido? Nunca, nunca mesmo, deixe com que as palavras de ofensas dos outros te faça sentir para baixo. Você é uma menina brilhante, inteligente, esperta, divertida e linda. Seu pai e eu não poderíamos estar mais orgulhosos de termos uma filha tão magnifica quanto você é, estou falando sério.

— Não, vocês só falam isso porque são meus pais — insisti. — Eu sei a verdade, sou mesmo muito gorda, feia e horrorosa. As meninas nunca vão ser minhas amigas de verdade, os meninos nunca vão querer me namorar.

— Filha...

— Nahuel Cortez, o garoto mais bonito da escola, falou que eu pareço aquelas baleias que encalham na praia. Ele está certo, sou gorda e feia. Deixa eu ir malhar, mamãe, por favor. Vou emagrecer, ai todos vão querer estar comigo, Nahuel vai até querer ser meu namorado.

— Renesmee, chega! — mamãe ordenou, em um tom de voz alto, fazendo com que eu me calasse e todos na sorveteria olhassem para a gente.

Ela parecia desesperada, percorreu seus dedos pelos cabelos, antes de se erguer. Pegou seu sorvete, estendendo a mão para mim.

— Venha comigo, ruivinha.

Eu fui, pois mesmo no meio daquele caos, mamãe continuava sendo uma das melhores pessoas da minha vida.

Nós voltamos para sua caminhonete, o sorvete abandonado entre nós duas. Ela segurava no volante, os olhos fechados, mas eu podia ver uma lágrima ou outra escorrendo por seu rosto.

— Mamãe? — a chamei apreensiva.

Ela olhou para mim, ainda chorando silenciosamente.

— Eu acho que tenho de te contar uma história, Ness.

— Qual história?

— Uma que aconteceu bem antes de você nascer, mas que diz muito sobre mim.

Assenti, deixando com que ela falasse.

— Eu estava na faculdade — começou. — Quando conheci Jacob Black, ele e eu namoramos por uns dois anos. — Ela respirou fundo. — Jacob era um namorado terrível, Renesmee.

— Ele era chato? — perguntei inocentemente.

— Ele era maldoso — ela murmurou. — Muito maldoso, Nessie. E, eu pensava que devia suportar todas as maldades dele, pois ele me fazia pensar que ninguém mais no mundo seria capaz de me amar.

— Não entendo — murmurei de volta.

— Ele mandava em mim, eu não podia usar as roupas que queria, por exemplo, pois ele sempre achava um problema nelas. Ele me menosprezava, falava que eu o envergonhava, dizia que eu era sortuda por ele me amar, já que ninguém mais ia querer estar com alguém como eu.

Mamãe revirou os olhos, soltando o volante.

— Um dia, ele tentou me bater.

Arregalei os olhos ao ouvir aquilo, chocada demais.

— Mamãe!

Eu tinha ouvido boatos de garotos apanhando na escola, mas fora isso, sem ser na TV, nunca tinha visto ninguém apanhando. Principalmente em casa, papai e mamãe nunca levantaram uma mão para Tony e eu, eles nos castigavam, mas nunca nos machucaram.

— Ele não conseguiu. — Ela afagou meu rosto. — Mas, foi quando eu percebi que Jacob não me merecia, Renesmee. Ele era um cara bem idiota, eu uma garota incrível, aquele relacionamento era ruim para mim.

— Papai nunca quis te bater, não é?

— Não, nunca mesmo, filha — respondeu, voltando a sorrir. — Seu pai é um homem maravilhoso, ele nunca faria isso. É exatamente isso que preciso que entenda, ruivinha. Nahuel Cortez é um garoto mau, assim como Jacob foi comigo, entende? Talvez, ele consiga mudar isso, mas você não deve ficar esperando que ele mude. Nem deve pensar em mudar nada em si para agradar qualquer garoto, Renesmee. Eu não mudei nada em mim para agradar seu pai, assim como ele não mudou nada em si para me agradar, toda mudança que tivemos ao longo dos anos foi para beneficio próprio.

Ela sorriu mais ainda.

— Nahuel Cortez não te merece, Renesmee. Um dia, você vai encontrar um garoto que mereça cada pedacinho do seu coração, ruivinha. E, eu sei que assim como encontrei seu pai, você vai conhecer um cara maravilhoso que só te trate bem e faça você se sentir ainda mais incrível.

— Você tem certeza?

— Absoluta.

Suspirei, olhando para o sorvete derretendo.

— O que aconteceu com esse tal de Jacob, mãe?

— Não sei mais dele desde que foi atrás de mim uma vez, eu já estava com seu pai... — Mamãe me avaliou, se interrompendo. — Não sei se isso é para você, Ness.

— Papai bateu nele? — brinquei, ela riu, assentindo. — Uau! — Eu ri também, papai era muito tranquilo, não conseguia imaginar ele batendo em ninguém. — Rolou sangue?

— Bastante — mamãe confessou. — Uns dois dentes quebrados e o nariz.

— Papai fez tudo isso? — perguntei admirada.

— Por Deus, não ache que violência é algo certo, Renesmee. É muito, muito errado, mas no caso de seu pai nós podemos considerar que foi por uma boa causa.

— Tudo bem, mamãe — concordei, voltando a rir. — Nossa, um nariz quebrado!

— E dois dentes — ela completou, rindo novamente também.

— Papai é incrível mesmo.

— Ele é sim. — Mamãe suspirou, um de seus suspiros felizes. — E, Jacob e Nahuel são dois idiotas, filha. Garotas maravilhosas como você e eu merecemos caras incríveis como seu pai, não um desses babacas que ofendem mulheres, ou que pensam que podem mandar nelas, certo?

— Certo. — Peguei o sorvete de creme, já praticamente todo liquido. — Seu sorvete está ruim agora.

— Posso ir comprar mais — ela sugeriu. — Vai querer um agora?

— Eu sou mesmo gorda, mamãe, você sabe disso — sussurrei envergonhada.

— Apenas alguns quilos a mais, Renesmee.

— Sou gorda mesmo assim.

— Dança.

— O quê?

— O que acha de termos aulas de dança?

— Nós duas?

— Sim.

— Sério?

— Sim. — Ela sorriu. — Eu tive algumas aulas de dança para meu casamento, foi divertido, nós podemos ter aulas em um estúdio. Ou, podemos procurar uns vídeos bem legais no Youtube, afastar os moveis da sala e dançar toda noite. Seu pai é um bom dançarino, ele pode ser nosso cobaia quando não estiver de plantão. É um excelente exercício físico e ainda sairemos dessa prontas para dançar em qualquer festa.

— Isso parece bem legal — falei animada. — Nós podemos aprender a dançar valsa?

— Claro que sim.

— Nós podemos mesmo, mãe?

— Nós podemos tudo, Renesmee. — Ela piscou para mim, estendendo sua mão para mim, nós duas fazendo um aperto de mão firme. — Lembre-se, ruivinha, você é maravilhosa.

— Obrigada, mãe — agradeci, sentindo-me muito mais animada.

— Bom, o que acha de irmos dar uma volta por ai? Eu estou me sentindo meio Alice, quero olhar as lojas e quem sabe fazer compras.

— Nós podemos comprar roupas para dança. Será que por aqui vende esse tipo de coisa?

— Acho que sim. — Ela olhou para a rua de comércio que estávamos. — Mas, antes nós precisamos da vitamina S.

— Vitamina S?

— S de Sorvete. — Sorriu brilhantemente para mim. — Ela é capaz de deixar tudo muito mais legal e doce.

— Hum, eu acho que preciso de vitamina S de creme.

— E eu de chocolate.

— Sim, eu sei, esse é seu preferido.

— É tão bom! — ela exclamou empolgada, nós duas deixando a caminhonete, logo seguindo para o interior da sorveteria novamente.

Nós ficamos naquela cidadezinha até a noite, vendo as lojas, comprando besteiras que realmente não precisávamos, mas foi tudo muito divertido. Mamãe foi ótima, eu sequer lembrava-me dos nomes das pessoas malvadas da escola, não sabia como seria no dia seguinte, mas eu sabia que mamãe estaria comigo para enfrentar qualquer coisa.

No caminho para casa, nós estávamos cantando, também rindo por sermos desafinadas. Mas, não dávamos a mínima por não sermos cantoras profissionais, apenas continuamos cantando e nos divertindo.

— Cause the players gonna play, play, play¹. — Mamãe e eu cantavamos Shake It Off da Taylor Swfit a plenos pulmões.

— And the haters gonna hate, hate, hate².

— Baby I’m gonna shake, shake, shake. Shake it off³.

E, enquanto cantávamos percebi que mamãe tinha transformado um dia terrível no melhor dia.

O dia das memórias

Era muito estranho ter dezessete anos, quase dezoito e estar prestes a deixar a casa onde nasci e cresci. Claro, eu sabia que um dia aquilo aconteceria, que eu teria de sair da casa dos meus pais, mas não estava realmente preparada para aquilo.

Mesmo que eu fosse estar bem perto, ainda em Seattle na Universidade de Washington, sair daquela casa era um grande passo. Eu me sentia muito assustada, o futuro era chamativo, mas ainda assim um local estranho e eu teria de ir aos poucos reconhecendo-o.

Decidi que iria ter a experiência na faculdade de forma completa. Isso significava que eu iria deixar a casa dos meus pais, indo morar no campus, dividindo o dormitório com uma desconhecida que eu poderia acabar odiando.

Mas, meus pais estavam me apoiando naquela. Eles também achavam que era importante para mim sair um pouco do ninho, começar a desbravar o mundo ao meu redor sem estar vinte e quatro horas debaixo de suas asas.

Parecia cruel, mas eu sabia que eles só estavam querendo o melhor para mim. Era certo de que deixando aquela casa, indo ter mais independência, eu iria amadurecer muito.

Sem conseguir dormir, eu deixei meu quarto naquela madrugada. Pela manhã, meus pais e Tony me levariam para a Universidade, meu irmão vinha brincando que iria quebrar a parede que dividia nossos quartos e roubar o meu, mas no fundo sabia que ele também estava triste com a minha mudança.

Rumei para a sala de estar, mamãe nunca tinha me deixado ter televisão no quarto, então sempre tinha de ir para a sala assistir qualquer coisa. Porém, dez minutos depois de uma série qualquer, eu já estava novamente dispersa, ansiosa demais para qualquer coisa.

Mamãe tinha todos os álbuns de fotos guardados em uma estante ali na sala, então fui até eles. A nostalgia atingindo-me em cheio.

Fotos de todos da família ali, fosse dos Cullen ou Swan. Eu vi fotos de quando meus pais ainda eram apenas namorados, noivos, no dia de seu casamento. Então, eu comecei a aparecer nas fotos, logo mais Tony e a família estava completa.

Com quinze anos me apaixonei por fotografia, então muitas daquelas fotos ali tinham sido tiradas por mim. Eu amava cada uma delas, aqueles momentos paralisados ali significavam muito para mim.

Como a foto do aniversário de dez anos de Tony, que papai e mamãe o sujaram de bolo. Eu adorava fotografar Tony, ele tinha um sorriso espontâneo e grandioso, seus olhos castanhos assim como os meus e de mamãe sempre estavam cheios de brilho de felicidade, a câmera o amava.

Peguei uma foto minha e de papai, no dia da minha formatura no colegial. Tinha sido um daqueles grandes dias, eu fui a oradora da turma e papai fez questão de dar uma grande festa em nossa casa para comemorar minha graduação.

Lembro que naquele dia, enquanto todos iam embora e mamãe e Tony fugiam da arrumação da cozinha, papai e eu ficamos ali para ajeitar tudo. Ele tinha dito o quão orgulhoso estava de mim, por ter me visto superar todos meus medos, eu só pude agradecê-lo por sempre ser um apoio, uma força, como mamãe era.

Suspirei, olhando ao redor. Aquela era uma casa fantástica, espaçosa, aconchegante, entretanto eu sabia que não era a falta do conforto da casa dos meus pais que mais sentiria falta, sim de ter minha família todo dia ao meu lado, pelo menos não fisicamente, sabia que eles sempre estariam me mandando boas vibrações.

Devolvi o último álbum para a estante, ouvindo o som de algo batendo, remexi ali, encontrando uma caixinha de dvd. Não tinha nome, então deveria ser algum filme caseiro perdido, eu sabia que papai e mamãe tinham feito cópias e cópias de todos os vídeos e fotos para preservar as memórias que tínhamos em meio digital.

Curiosa sobre aquele dvd, eu me mexi até o antigo aparelho que ainda tínhamos em casa. O coloquei ali, sentando no chão diante a tv, igualzinho quando era criança e ficava vendo desenhado animado nos dias que não tinha aula.

— Diga olá para a câmera, senhorita Cullen — Ouvi a voz de mamãe, então a gravação começou. Ela segurava a câmera, pois eu podia ver apenas papai e eu do outro lado.

Pela minha aparência ali julguei que deveria ter apenas uns três anos de idade.

— Olá, câmera! — Papai acenou minha mão em direção ao aparelho, eu estava visivelmente constrangida, tanto que enfiei o rosto no pescoço do meu pai.

Sorri vendo aquilo, sentindo meu coração se aquecer diante a cena.

— Nós temos uma surpresa para você, ruivinha — mamãe falou atrás da câmera.

— Branca de Neve — a corrigi, meu rosto reaparecendo na gravação.

Eu ri, pois no vídeo usava uma fantasia da dita princesa. Lembrava de ter ouvido meus pais falarem inúmeras vezes que dos meus três aos cinco anos, mais ou menos, foi a minha fase de fissura por princesas. E, estranhamente por piratas também, tanto que meu pai usava um tapa olho no vídeo, algo que provavelmente eu tinha o forçado a usar.

— Claro, Branca de Neve — mamãe se corrigiu. — Preparada para a surpresa?

A eu de três anos confirmou, então papai e mamãe me levaram até a surpresa, cantando a música dos Sete Anões no caminho. Eu vi quando a câmera de mamãe gravou a entrada da nossa cozinha, uma faixa pendura ali dizia:

“Castelo da Princesa Branca de Neve.”

Também na faixa eu podia ver desenhos de um navio pirata e dos sete anões.

A surpresa ali na cozinha era um estúdio de pintura, eu devia querer muito aquilo na época, pois vi um grande sorriso surgir no meu rosto na gravação. Logo pedi para papai me colocar no chão, correndo até as telas em brancos, olhando os vários potes de tintas ali.

— Você gostou, ruivinha? — Mamãe tinha trocado com papai, ele era quem segurava a câmera ali.

— Adorei! — Pulei no chão, agarrada as tintas. — Posso desenhar um Sol?

— Claro, filha — mamãe concordou. — Edward, o que acha que devemos pintar também?

— Árvores? — ele sugeriu.

— Árvores, papai, sim! — gritei de empolgação.

Ele riu, colocando a câmera apoiada na bancada da cozinha, aproximando-se de mamãe e eu. O vídeo captou mais um tempo da nossa arte na cozinha, nós três pintávamos, nos sujávamos e riamos, principalmente.

A câmera também amava mamãe, ela era linda. E papai era bem esperto, ele era o que melhor pintava de nós três, provavelmente aprendido aquilo por ter como melhor amigo tio Jasper.

— Foi um bom dia.

Eu virei a cabeça para trás para ver mamãe na porta da sala de estar, mesmo no escuro parcial pude vê-la com os olhos marejados, como eu também estava.

— Acho que foi o melhor — murmurei, suspirando, voltando a ver a gravação.

— Não conseguiu dormir por conta da faculdade, não? — Mamãe sentou ao meu lado, afagando meu rosto.

— Estou bem ansiosa.

— Vai se sair bem — ela disse confiante, beijando minha bochecha.

— Você também não conseguiu dormir?

— Eu estou ansiosa também — mamãe confessou, me lançando um sorriso pequeno. — Vai ser muito estranho não te ter aqui amanhã.

— Nós ainda temos hoje — sussurrei.

— O que acha de começarmos o dia com chocolate quente? — ela sugeriu, levantando-se, ajudando-me a levantar também.

— Parece ótimo.

Como esperado um dia que começou com chocolate quente não podia ser nada além de maravilhoso, mais uma vez mamãe me deu um dia ótimo.

O dia do atropelamento

Atrasada, completamente atrasada. Eu tinha um trabalho da faculdade para finalizar aquela manhã de sábado, além de ir à galeria de tio Jasper para arrumar os últimos detalhes da minha primeira exposição solo que aconteceria naquela noite. Quem diria que uma garota de dezenove anos tinha tanto para fazer? Bom, eu tinha e quase sempre deixava tudo para última hora.

Sai da loja, onde comprei meu vestido para a exposição, às pressas, correndo para meu carro no estacionamento aparentemente vazio de seres humanos. Ia para a galeria encontrar meu tio, arrumar tudo ali e voar até a universidade para conseguir terminar meu trabalho e enviar para o professor.

E, era só o começo de outono, as coisas não deviam estar tão atribuladas aquela época. Pelo menos eu já sabia o motivo que fazia as árvores mudarem, menos uma preocupação para minha cabeça cheia.

Eu estava tão apressada em tirar o carro da vaga, que nem olhei pelo retrovisor, o que me causou uma batida. Provavelmente tinha acertado o carro de trás, ou um cone estúpido.

Bufando, eu sai da caminhonete. Sim, no final das contas eu tinha a herdado de mamãe, mas papai tinha a mandado para mil e um reparos para que a caminhonete não me causasse — muitos — problemas.

— Merda! — xinguei quando cheguei a traseira da caminhonete, vendo o que tinha de fato acontecido.

Não um carro, muito menos um cone, eu tinha atropelado um cara.

— Você não olha por onde dirige? — ele acusou.

Devia ter minha idade, ou um pouquinho mais. Os cabelos dele eram castanhos escuros, seus olhos tão azuis quanto o céu. Sua voz tinha um sotaque levemente italiano, pelo menos eu pensei que tinha ouvido. Ele parecia bem bonito, mas sua expressão de dor não estava o ajudando.

— Você que se meteu atrás do meu carro — acusei de volta.

Ele estava caído no chão, seu braço esquerdo não parecia muito bem e eu previ um osso quebrado ali. Talvez mais de um, estava ferrada.

Mas, mesmo para um cara que tinha acabado de ser atropelado, ele parecia bem esquentadinho.

— Meu Deus, você quase me matou e a culpa é minha? — ele indagou furioso.

— Acredite, se eu quisesse te matar eu teria conseguido isso de primeira — rebati.

Quer dizer, meu pai era médico, eu sabia algumas coisas sobre corpo humano por ter bisbilhotado os livros de medicina de Edward Cullen.

— Chama logo uma ambulância, garota! — ele implorou, choramingando.

— Renesmee, eu me chamo Renesmee — me apresentei, enquanto tirava o celular do bolso da calça e discava o número da emergência.

— Que nome estranho.

— É um nome único, é uma homenagem as minhas avós... Ei, oi — falei quando fui atendida. — Então, atropelei um cara, mas tenho certeza de que ele só tem um braço quebrado, pois ele não cala a boca...

— Ela tentou me matar!

— Eu não tentei te matar!

— Senhora, qual o endereço? — a atendente perguntou, respondi o endereço a ela, que garantiu que logo uma ambulância estaria ali para socorrer o cara atropelado.

— Qual seu nome? — perguntei a ele, que continuava choramingando por conta da dor.

— Alexander Volturi — ele resmungou o nome. — É bom gravar meu nome, você vai ver ele muito quando eu te processar por ter me atropelado.

— Nossa, que medo — fingi estar assustada, eu estava só um pouquinho. Afinal, mesmo que ele fosse irritante, a culpa do atropelamento obviamente era minha.

— Ai, que dor de merda — ele reclamou, continuando jogado no chão, senti até pena dele.

— O quanto dói? — perguntei curiosa, agachando-me junto dele no asfalto, ele me olhou com cara de poucos amigos. — Sabe, nunca quebrei nenhum osso, meu irmão quebrou o dedinho do pé, mas disse que nem doeu muito.

— Dói muito — ele continuou resmungando.

— Posso tocar? — Estiquei minha mão para seu braço machucado, o que fez o Volturi se retrair.

— Nem pensar, isso só vai fazer doer mais, Renesmee.

— Ai, você é muito chorão.

— Será que é por eu ter acabado de ser atropelado?

— Não foi por querer.

— Imagina se fosse.

— Olha, eu estou quase voltando a te atropelar — ameacei brincando, mas ele não pareceu captar minha ironia. — É uma brincadeira, Volturi.

— Você é assustadora.

— É o que dizem. — Afastei uma mecha de cabelo do seu rosto, por um momento meu olhar se perdendo no seu.

Logo a ambulância chegou, sem dar mais tempo para Alexander e eu dizermos mais nada. Os paramédicos o colocaram em uma maca, então o conduziram para o interior da ambulância.

— O que está fazendo aqui? — ele perguntou quando entrei junto a ele ali.

— Ué, eu não te atropelei? Vou me certificar de que você não morra, isso seria um saco para meu nome — falei, ele revirou os olhos, mas não falou mais comigo durante o caminho para o hospital, respondendo apenas os paramédicos.

A ambulância levou o Volturi para o hospital onde meu pai trabalhava, o que me apavorou um pouquinho. Ele e mamãe não iam ficar muito, nada, contentes em saber que eu tinha atropelado alguém.

Alexander foi encaminhado para todos os tipos de exames emergenciais quando chegamos ali, como eu não sabia nada dele além de primeiro nome e sobrenome, uma enfermeira teve de o acompanhar para cima e para baixo para poder preencher sua ficha. Enquanto eu esperava noticias da minha vitima, fiquei sentada na sala de espera da emergência, bebendo café e pensando em tudo que estava atrasado — mais ainda — por conta do acidente.

— Renesmee? — Eu congelei ao ouvir a voz do papai, girei minha cabeça em direção ao som da sua voz, vendo Edward Cullen ali na sala de espera, também segurando um copo de café e em suas roupas de médico.

— Oi, papai! — Forcei um sorriso para ele.

— O que você está fazendo aqui? — ele questionou confuso. — Você está doente? — Sua mão voou automaticamente para minha testa.

— Não, eu estou bem. — Coloquei-me de pé. — Mas, talvez eu tenha atropelado alguém.

— O quê? — ele gritou, sem se importar em estar no meio do hospital.

— Sem escândalos, pai.

— Você atropelou alguém?!

— Ainda não descartei a hipótese de o cara ter se jogado contra o carro, você sabe que tem gente louca o suficiente que faz tudo para conseguir seguro.

— Renesmee!

— Tá, tá, eu atropelei alguém — murmurei. — Mas, eu tenho certeza de que ele está bem, uma concussão de nada e um braço quebrado.

— Deus, eu não sei nem o que falar.

— Convenhamos, nunca fui uma boa motorista — brinquei, mas papai não riu. — Agora é a hora que você ri — expliquei.

Ele abriu a boca para falar, mas foi interrompido por uma chamada do sistema de som do hospital.

— Doutor Cullen comparecer a enfermaria 211.

Papai me olhou hesitante, certamente com medo de me deixar sozinha e correndo riscos de fazer mais alguém se acidentar.

— Vai lá salvar vidas, papai, eu ficarei bem e não vou mais atropelar ninguém — prometi.

Ele respirou fundo.

— Comporte-se.

— Pode deixar, volte para seu plantão agora.

— Vejo você mais tarde.

Papai se afastou, indo para sua chamada de emergência. Algum tempo depois, uma enfermeira avisou que minha vitima, ou seja, Alexander, já se encontrava em um quarto.

Eu fui até lá, praticamente saltitando por conta de toda a cafeína ingerida.

— Olá! — exclamei quando entrei no quarto.

Ele estava deitado na cama, com o braço esquerdo engessado e com alguns fios de remédios e máquinas ligados ao seu corpo.

— Qual o veredito, senhor Volturi?

Alexander não riu.

— Meu braço quebrou em dois lugares — ele reclamou.

— Bom, ao menos foi o esquerdo. — Dei de ombros.

— Eu sou canhoto.

— Merda.

Aproximei-me da cama dele, Alexander pareceu realmente assustado com aquilo.

— O que mais falaram?

— Eu vou ter que ficar aqui por mais umas horas, para certificarem que a batida na cabeça quando cai no chão não foi mesmo nada.

— Tenho certeza de que não foi.

— Qual seu sobrenome mesmo, garota? Eu preciso dele para quando for processá-la.

— Sério? Você não precisa mesmo me processar, foi só uma batida de nada.

Okay, estava cada vez mais desesperada. Eu não queria ir parar na justiça, fora que meus pais iam comer meu fígado por aquilo.

— Você me atropelou — ele lembrou de forma enfática. — Não olhou pelo retrovisor, né? Pois eu estava saindo do carro atrás do seu, quando aquele seu caminhão me atingiu.

— Caminhonete — o corrigi.

— Tanto faz, você me atropelou mesmo assim.

Batidas na porta chamaram nossas atenções, mas não foi uma enfermeira que apareceu, sim minha mãe.

— O que está fazendo aqui? — perguntei surpresa.

— O que acha? Vim salvar sua pele, garota — ela disse em um tom de voz rígido. — Seu pai me ligou e contou que você estava em apuros.

— Como achou o quarto?

— Eu perguntei para as pessoas certas, mas pare de me enrolar com perguntas — ordenou, voltando-se para Alexander. — Olá, sou Isabella Cullen, mãe de Renesmee.

— Alexander Volturi. — Ele estendeu seu braço bom para ela, deixando mamãe apertar a mão dele.

— Lamento muito pelo ocorrido, Alexander. — Logo mamãe mexia em sua bolsa. — Quero que saiba que qualquer consequência desse acidente nossa família irá se disponibilizar em pagar prontamente. — Ela passou dois cartões para ele. — Meu número e da minha irmã, Alice Whitlock, ela é nossa advogada. Você pode entrar em contato com Alice para resolvermos as questões financeiras sobre o acidente, se precisar que paguemos por seu atendimento de emergência agora mesmo nós iremos pagar.

— Não, não é preciso pagar por nada agora — ele negou, olhando rapidamente para mim. — Eu tenho um seguro saúde, nós podemos resolver as despesas depois.

— Certo. — Mamãe sorriu para ele. — Não hesite em nos cobrar por médicos, fisioterapia, psicólogos, você pode ter algum estresse pós traumático depois do atropelamento...

— Foi só uma batidinha — insisti, ganhando um olhar mortal de mamãe, que fez com que eu ficasse calada imediatamente.

— Obrigado pelo apoio, senhora Cullen — Alexander agradeceu.

— Precisa que chamemos por algum parente, ou amigo? Talvez sua mãe — ela se prontificou.

— Não, meus pais estão na Itália. Mas, eu pedi que uma enfermeira chamasse minha irmã, ela já deve estar chegando.

— Excelente, não se esqueça de ligar para minha advogada ou para mim quando quiser resolver tudo isso, Alexander. Renesmee, você não tem nada para dizer para ele?

— Não.

— Sim, você tem! — Mamãe parecia que ia arrancar meu fígado ali mesmo.

— Desculpe por ter te atropelado, Alexander — murmurei, ele apenas assentiu. — Acho melhor nós irmos agora, eu tenho muito o que fazer na galeria antes da exposição — falei para mamãe, sabendo que pelo menos meu trabalho da faculdade já tinha ido pro ralo.

— Certo, mais uma vez, lamento o ocorrido, Alexander — falou para ele, remexendo sua bolsa, tirando de lá o que imediatamente percebi ser dois convites para minha exposição.

— Mamãe...

— Caso esteja se sentindo melhor hoje à noite, pode levar sua irmã com você. — Mamãe entregou a Alexander, que estava claramente surpreso com aquilo. — Você, vamos! — ela ordenou para mim.

Eu acenei para Alexander, que não acenou de volta, logo seguindo minha mãe para fora do quarto dele.

— Você atropelou alguém, Renesmee Carlie Cullen! — explodiu comigo por fim.

— Eu sei, eu sei — foi minha vez de choramingar. — Mas estava super apressada para voltar para a universidade, nem me liguei se tinha alguém atrás da caminhonete.

— Esse garoto pode te processar, isso não vai ser nada legal.

— Eu sei — continuei choramingando. — Obrigada por ter vindo me socorrer, mamãe.

Ela parou de andar, ainda parecia brava, mas não muito mais.

— Isso é mais um daqueles momentos que nós duas encaramos juntas. — Ela afastou o cabelo dos meus ombros. — Reze para ele não te processar.

— E por que você deu os convites para ele?

— Você tinha atropelado o garoto, Renesmee, o mínimo que podíamos fazer era dar os convites como um pedido de desculpas.

— Nem sabemos se ele gosta de fotografias.

— Ele seria louco caso visse uma de suas fotos e não gostasse. — Mamãe voltou a andar e eu também. — Ah, eu já te disse a melhor parte?

— Qual?

— Estou tomando a caminhonete de volta, é mais seguro que você pegue um táxi, ou ande de transporte público.

— Mamãe, não!

Isabella me ignorou, parecia irredutível.

***

Mais tarde naquele dia, já na galeria de artes de tio Jasper, eu confraternizava com as pessoas minha primeira exposição. Já tinha exposto minhas fotografias antes, mas nunca antes em uma exposição inteiramente minha.

Amigos, meus tios, avós, primos, irmão e pais, estavam todos ali, fora outros convidados do meio que tio Jasper e eu tínhamos convidado. Estava sendo uma boa exposição, o tema era Seattle, talvez algo não tão criativo assim, mas eu amava minha cidade natal.

Enquanto todos estavam por lá vendo as fotos, bebendo e comendo, eu fiquei na parte superior da galeria. Tinha interagido com os convidados, mas era bom por um segundo sair da agitação e observar de longe.

— Ei, ruivinha? — Virei meu rosto na direção da voz de mamãe, vendo-a subir as escadas.

— Ei, mamãe. — Sorri para ela.

A professora parou perto de mim, seus olhos, exatamente como os meus, brilhavam.

— Tudo bem? — perguntei.

— Estou tão feliz por você, filha. — Ela suspirou, um suspiro feliz, afagando meu rosto em seguida. — Isso é um dos seus sonhos se realizando, é algo que me deixa muito feliz também. — Gesticulou para as pessoas lá embaixo. — Oh Deus, ele veio!

— O quê? Quem? — perguntei confusa, seguindo o olhar dela, vendo Alexander e uma garota loira, que parecia um pouco com ele, entrando na galeria, sendo recepcionados por tio Jasper.

— O que ele está fazendo aqui? — indaguei um pouco desesperada, com medo de que o cara resolvesse espalhar para todos que eu era uma atropeladora.

— Ele veio te ver. — Mamãe me puxou em direção as escadas.

— Mamãe, você enlouqueceu.

— Enlouqueci nada, vai lá falar com ele, Renesmee — ordenou, praticamente me fazendo cair nas escadas por estar me fazendo correr nos degraus, não sabia como ela não estava tropeçando em seus próprios pés.

Ela me soltou quando chegamos lá embaixo, mas não antes de me empurrar na direção de Alexander. Eu respirei fundo uma vez, andando até ele e a loira, que já não tinham mais meu tio por perto.

— Olá!

Dois pares de olhos azuis me encararam.

— Hey, você é a garota que atropelou meu irmão, não? — a loira questionou, assenti hesitante. — Que demais! — Ela gargalhou. — Ele é tão irritante que algumas vezes eu também queria poder atropelá-lo.

— Por que você não some? — Alexander reclamou.

Já sem a cara de dor de ter sido atropelado, ele era mais bonito ainda. Mesmo com o gesso, suas roupas sociais o deixavam bem bonito, bonito demais para minha sanidade.

— Arg, eu não disse, ele é muito irritante — a irmã dele se queixou. — Sou Jane Volturi, aliás — falou para mim. — É open bar, né?

— É sim — confirmei.

— Excelente! — Ela se afastou até o bar.

— Como você está? — perguntei a Alexander.

— Ainda dopado pelos remédios para dor — ele murmurou. — Mas, Jane viu que seria open bar e me arrastou até aqui.

— Ela parece legal.

— É, ela é, quando não está me azucrinando.

— Escuta, minha tia barra advogada está aqui, se quiser falar sobre ela a respeito do pro...

— Não vou processá-la, Renesmee.

— Não? — indaguei.

— É, não. — Ele deu de ombros, o que pareceu doer. — Nem quero que você ou sua família paguem nada sobre meu tratamento, eu ficarei bem — garantiu.

— Sério mesmo? Olha, nós podemos pagar. Eu te atropelei, isso foi tão errado.

Ele riu.

— O que foi?

— Remédios para dor, lembra? Eu estou um pouquinho chapado.

— Talvez você precise de um pouquinho de água.

— Não, estou bem — afirmou, olhando ao redor. — Você tirou mesmo todas essas fotos? São incríveis! Eu mal sei tirar fotos com meu celular, imagine essas fotos tão profissionais.

— Não é tão difícil, fora que Seattle foi uma modelo maravilhosa. Ah, você é americano? — Não me contive de perguntar.

— Dupla nacionalidade, meu pai é italiano, minha mãe americana. Eles estão passando uns meses na Itália, mas Jane e eu estamos em Seattle por conta da Universidade.

— Universidade de Washington? — perguntei empolgada.

— Sim, por quê?

— Eu também estudo lá! — praticamente gritei.

— Isso quer dizer que eu corro o risco de ser atropelado pelo campus também? — Não contive uma gargalhada ao ouvir aquilo, Alexander também riu.

Eu senti alguém me olhando e ao longe vi mamãe olhando para mim, quando viu que estava de olho nela, ela fez um sinal de positivo para mim.

— O que acha de um café? — perguntei para Alexander.

Eu não sabia se aquilo podia funcionar para mim, mas um dia no passado funcionou para meus pais. Foi com um encontro em um café que os dois se conheceram, que começaram a traçar suas histórias juntos.

— Um café? Isso parece legal, quando? — ele concordou para meu alivio.

— Mais tarde? Depois que a exposição acabar, vai ser tarde, mas pode ser bacana. Além do mais, eu atropelei um cara hoje, acho que preciso de distração — brinquei.

— Ele ficou muito ferido? — Ele entrou na brincadeira.

— Felizmente não.

— Bom, isso é bom. — Alexander sorriu, aproximando-se mais um pouquinho de mim. — Então, café?

— Café, Alexander.

— Alec.

— Desculpe?

— Você pode me chamar de Alec, é como toda minha família e amigos me chamam.

— E eu sou sua amiga?

— Contanto que você não me atropele de novo, sim. — Nós dois rimos, olhei mais uma vez para mamãe, fazendo de volta um sinal positivo para ela, o que não passou despercebido por Alec.

— Eu deveria agradecer sua mãe por ter me dado os convites, o dia está bem melhor agora.

— Eu sei, né? Ela tem essa incrível capacidade. — Eu afastei seus cabelos do rosto uma segunda vez aquele dia. Com certeza aquele foi o melhor dia.

Renesmee, mãe de Charlotte

Ela era bem pequena, ralos cabelos ruivos, olhos claros. E, a melhor parte de tudo, minha filha.

Minha doce Charlotte.

Eu já amava, desde o momento que descobri que estava grávida, porém o sentimento se multiplicou quando naquela tarde fria de fevereiro, ela veio ao mundo. Parecia surreal, todo o amor que sentia por aquela garotinha era imenso, transbordava. Com vinte e três anos eu descobri o amor da forma mais plena possível, ele era lindo.

— Você era tão pequena quanto ela — mamãe disse baixinho, para não acordar Charlotte que tinha acabado de dormir em meu colo.

Ela tinha nascido umas quatro horas antes, ainda estávamos nos conhecendo melhor. Minha família, a de Alec, todos estiveram acampados pelas quinze horas de trabalho de parto no hospital.

Algum tempo antes, meu pai, meu irmão e Luke, namorado de Tony, convenceram meu marido de ir comer algo, ou Alec não sairia do quarto, ou pararia de babar em sua filha. Então, eu fiquei ali com minha doce Charlotte e mamãe.

— Eu amo tanto ela, não sabia que era possível amar tanto assim alguém, mamãe — confessei, mamãe sorriu, deixando a poltrona para sentar ao meu lado.

— Sei exatamente como se sente, ruivinha.

— Você tinha minha idade quando nasci — lembrei.

— E o dia do seu nascimento, assim como o dia que seu irmão nasceu, foram os melhores de toda minha vida. — Mamãe olhou para mim, seus olhos marejados, mas brilhantes por conta da felicidade que eu sabia que ela estava sentindo também.

— Nunca entendi isso, como mesmo tendo dias maravilhosos, você sempre se referia a esses dois como os melhores — sussurrei, olhando para Charlotte adormecida em meu colo. — Eu entendo agora.

— É quando vemos nosso filho nos braços, quando o coração se enche de amor e mais amor, quando a função mãe é ligada, ou duplicada. É ai que o dia se torna o melhor de todos. — Mamãe afagou meu rosto, limpando as lágrimas de felicidade espalhadas por ali. — Você se tornou oficialmente uma mãe hoje, ruivinha, meus parabéns.

— Eu não podia estar mais feliz. — Com cuidado para não despertar Charlotte beijei a bochecha de mamãe. — Obrigada por estar aqui comigo, mamãe, é muito importante saber que você está fazendo parte do melhor dia da minha vida.

Notas finais
1. Porque os jogadores vão jogar, jogar, jogar;
2. E os "haters" vão odiar, odiar, odiar;
3. Querido eu só vou sacudir, sacudir, sadudir
E deixar pra lá.

Espero que tenham curtido a one, quem sabe revisitamos esses personagens em outra data comemorativa haha Me digam nos comentários o que acharam e qual foram seus momentos favoritos :)

Mais uma vez feliz dia das mães ♥ Beijos!

Lola Royal.

14.05.17
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!