The Beauty And The Brute
4 IV. Razão
Notas iniciais
Todo mundo vai saber qual o motivo de Vincent ter adotado Valerie, e espero q gostem do capítulo.
Boa leitura ;)
Beijocas, Anonymous girl writer s2.
Eu pude ir para a escola aquela manhã e isso fez com que me sentisse um pouco melhor.
Assim que contei tudo para Patrick e Misha, os dois não sabiam nem o que dizer, estavam estarrecidos.
— Esse cara é doido.
Misha encolheu os ombros, dando como a única explicação.
— Você não precisa ficar aguentando as pirraças desse coroa, Val. – Patrick disse, ao se aproximar e olhar fundo em meus olhos com suas órbitas azuis estimulantes. – Foge e vai ficar um tempo com a gente, você pode dormir uma semana na minha casa, outra na da Misha e...
— Não. – neguei, impedindo-o de continuar. Eu não era muito de recuar, ou de ter de seguir conselhos porque, eu era muito decidida e independente. Já havia tomado minha decisão. – Eu vou evitar ao máximo causar um caos entre mim e ele. Ele não morde, — tranquilizei-os. – Não tenho medo dele e vou decidir se saio de lá ou não esta semana. Se até o final da semana eu não conseguir ao menos entrar em um estado de paz, eu dou no pé. Não preciso sequer lhe dar satisfações.
Patrick bufou, sem gostar da ideia.
— Eu não sei não, Val. Esses foram apenas os primeiros sinais de que ele é maluco. Ele te adotou só para te torturar e te submeter às vontades dele, quem sabe o que pode vir depois?
Cogitou.
*****
E eu sabia bem o que vinha depois. Aquela semana foi mais ou menos, como posso definir...? Infernal.
Ele não fazia a menor questão de mudar nossa situação de antipatia e não queria iniciar sequer qualquer diálogo. Tudo que eu perguntava, ele respondia com palavras feitas, ou frases curtas, sem mais complementos. O que não permitia que eu me sentisse em casa.
Chorava todas as noites com saudades de papai e do seu senso de humor, e ele sabia que eu estava me sentindo assim e não oferecia o mínimo apoio, ou tentava me fazer sentir melhor. E se não era isso, realmente não existia qualquer outro motivo para que ele tenha desejado me adotar.
Foi na noite de quinta que eu esperei que ele entrasse no seu quarto e quando ficou bem tarde, peguei minhas malas e saí calmamente da casa. Ele devia estar dormindo, pois cheguei até o jardim e não tinha vindo ninguém me impedir.
Caminhei tranquilamente para chegar na saída quando de repente uma mão me deteve pelo braço.
P.O.V. Vincent
Estava sendo pior do que pensava. Não achei que precisaria de tanto para deixar aquela garota quieta no seu canto.
Pensei que era apenas adotá-la e pronto, ela teria um lar e já se sentiria à vontade para superar a morte do seu pai sozinha, como eu fiz.
Mas ela parecia querer exigir coisas brutais de mim. Conversas, explicações. E não apenas exigia, como debatia a minha palavra. Ela debatia a minha palavra. Ninguém fazia isso. Ficava sempre pensando que tinha algum direito sobre ela mesma ou sobre mim, que não fazia ideia do que era.
E naquela noite de quinta, olhei pela janela e tudo que consegui dizer num sibilo quase inaudível foi:
— Mas que...?
E saí correndo, já no meu limite, para alcançar aquela delinquente. Tinha conseguido de novo me tirar do meu sossego, e isso me tirava do sério.
P.O.V. Valerie
Me virei e lá estava ele, furioso.
— O que está fazendo?
Inquiriu. Estava meio escuro, mas seus olhos esmeralda refletiam a meia-luz e ficavam muito atraentes, foi só ali que notei o quanto eram bonitos. Balancei a cabeça, voltando a ficar firme.
— Eu estou indo embora.
Debati-me, tirando o meu braço das mãos dele, rígida.
— Por quê?
Questionou, achando um absurdo. Eu abri a boca, incrédula.
— Por quê? Por quê? Você fez de tudo para me fazer sentir-me péssima depois da morte do meu pai, e se você pensa que fez um favor me adotando, está muito enganado. Eu tenho padrinhos que iam me adotar se não tivesse se intrometido e que vão me tratar muito melhor do que você está fazendo!
Dei as costas, decidida. Demorou até que de novo ele me detivesse. E dessa vez, apertou com força e me machucou, com maldade.
— Ai! – protestei. – me solta!
Não disse nada, começou a me arrastar pelo braço para dentro de casa, rudemente.
Chegando lá, me soltou bruscamente, me fazendo cair sentada no sofá da sala de estar. Lancei-lhe meu olhar cortante.
— Você me irritou no primeiro dia falando essas besteiras.
Defendeu-se, ainda com má vontade como se odiasse ter de estar numa discussão. Geralmente o que as pessoas fazem é assentir à suas vontades e isso não estar acontecendo devia o irritar muito.
— Você não sabe de nada! – levantei, revoltada, encarando-o. – Você não se importa com ninguém! Não faz a mínima ideia de como me ajudar! Não sabe o que é perder uma pessoa...!
Foi nesse momento que caí em prantos, dolorosos e que me despertavam raiva. Detestei chorar na frente dele, pois não queria parecer vulnerável.
Fiquei soluçando, com lágrimas rolando. E Vincent apenas conseguia me observar com expressão dura. A reação mais solidária que teve foi em dizer calmamente pela primeira vez:
— Vá para o seu quarto se acalmar.
Àquela altura estava tão rebelada que obedeci o mais rápido que pude. Ele me chateava tanto, que não sabia o que fazer.
Enxuguei as lágrimas com raiva e gritei mais alto que pude.
Era tudo tão estranho e não sabia por que estava passando por isso. Ele estava diferente daquela vez, pensei que fosse me deixar partir, que eu era apenas um fardo, mas parecia chateado, ou magoado. Quando na verdade eu não conseguia entendê-lo, ele parecia estar completamente sem ideia do que fazer quanto a mim também, quando era tão simples.
E então o vi, entrando pela porta. Estava com o rosto inchado de chorar, sentada na cama e fuzilei-o com o olhar.
Ele não parecia convidativo, mas ao menos estava controlado. Não fazia ideia do que tinha ido fazer ali. Provavelmente me importunar mais.
— Você não sabe nada sobre mim.
Disse. Continuava sério e pouco amigável. Mas talvez fosse seu jeito mais sereno, não havia uma versão amigável de Vincent. Teria de chegar nessa conclusão. Ele não sabe simplesmente, ter uma relação amigável, de afeto, ou de respeito com alguém.
Tudo que ele sabe é ser autoritário e severo.
— Você também não sabe nada sobre mim. – defendi-me, fria. – Estamos quites.
Ele desviou o olhar, ficava olhando para o chão, como se tentasse ao máximo permanecer calmo durante aquela conversa, não parecia ter de fazer isso antes, estava com muita dificuldade. Geralmente devia apenas esbravejar com quem o incomoda, e a pessoa faria o que ele manda.
Soltou o ar preso, com nervosismo e continuou:
— Como pode dizer que eu não sei o que é perder uma pessoa?
Dessa vez ele conseguiu fitar-me nos olhos. Suas órbitas pela primeira vez, pareciam inofensivas o que me fez pairar por uns instantes.
Queria saber do que estava falando, pela primeira vez, sentia que podia ter alguma fagulha de emoção vinda dele:
— Do que está falando?
— Meu pai. – contou, rígido, não parecia emocionado, ou sensibilizado com o que contava. Mas ao menos aparentava sinceridade. – Ele era a única pessoa que eu tinha. Mal o via, mas... Ele se foi e deixou um império para mim. Estou sozinho desde então. Sei como é se recuperar e te adotei para tentar te ajudar. Não sei mais o que você quer de mim.
E se aborreceu novamente, deu alguns passos para mais perto, desfiando-me a me explicar desta vez.
O encarei um pouco mais relaxada. Não tinha notado qualquer diferença no seu modo hipócrita de ser, mas ao menos me sentia um pouco mais próxima dele, sabendo das nossas situações.
— Não é apenas me adotar. Isso não funciona assim. – relatei. Ele pareceu confuso. – Não ajuda quase nada fazendo isso. Se sentiu como eu, não devia me dizer o que fazer? Aconselhar? Ou ao menos ficar por perto?
— Não. – negou na mesma hora, secamente. – Isso é ridículo. Eu me recuperei sozinho, todos podem fazer isso.
— Não podem não. – comecei a me zangar. – Você não parece nem um pouco recuperado, se quer saber. Aposto que só ficou desse jeito depois que seu pai partiu.
Estava começando a ficar meio zonza por estar perto dele. Podia ver perfeitamente seus traços agora, seus olhos de perto se tornavam sedutores e a sua barba que crescia de leve, o deixava com um toque masculino muito atraente.
— Que jeito?
Alterou mais a voz, perdendo a paciência.
— Arrogante, mal educado. – comecei a minha lista. – hipócrita e egocêntrico. Tem muito mais, mas não vou gastar o resto do meu tempo com isso.
— Isso é bobagem. – desfez, com desprezo. – Cada um é como quer. Principalmente eu, que tenho dinheiro.
— Se você quer ser assim, pode ser, mas vai continuar sempre sozinho. – cruzei os braços. – Porque ninguém gosta do jeito que você é.
— Ninguém precisa gostar. Eles tem de me aturar, sou o chefe, sou rico, sou poderoso.
— Você não tem a menor importância estando sozinho. – demonstrei pena dele. – Parece que sempre esteve, não foi?
Ele chacoalhou a cabeça, ficando transtornado com as minhas palavras e ainda não conseguia decifrar por quê.
— Desde quando isso importa?
— Eu acho que você não faz a menor ideia sobre nada das pessoas, ou sobre você mesmo. Não sabe sequer lidar com suas emoções. E por isso não vai entender nada agora. Mas você tem um vazio dentro de você que vai acabar lhe esclarecendo tudo. Só me deixe em paz.
— Me esclareça exatamente, ao menos, o que você quer para me deixar em paz sem precisar ir embora.
Me surpreendeu com o pedido.
— Apenas ouça o que eu digo e converse. Não vai lhe fazer mal nenhum. Daqui para frente, vai ter que parar de gritar comigo, e ser sereno.
Exigi, sendo clara. Ele balançou a cabeça como se soubesse que ia se arrepender, mas acabou dando de ombros.
— Tanto faz.
Saiu do quarto.
Desta vez, eu balancei a cabeça. Tinha quase certeza de que iria me arrepender também, mas por ter concordado em ficar. Não acho que vai conseguir ter um relacionamento amigável comigo. Ele via tudo como uma perda de tempo quando se tratava de outras pessoas, só ligava para o trabalho e o dinheiro, sem nenhum propósito.
Notas finais
Vejo vcs no próximo?
Beijocas, Anonymous girl writer s2.
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