The Beauty And The Beast
3 02 - Fionna
As palavras entraram pelos ouvidos de Fionna e pareceram circular sua cabeça como se estivessem a ponto de explodir.
Queria pular de animação. Gritar de felicidade. Mas não podia. Devia manter a compostura no castelo, e, além do mais, nem sabia onde Marshall estava.
– Mesmo? Hm... Que bom. — Fingiu não ter muito interesse, embora seu coração gritasse o oposto. — Onde?
Chiclete voltava a ajeitar sua coroa nervosamente.
– Não temos certeza, mas... Os vampiros estão muito alvoraçados com o sumiço de seu rei. Recentemente, notamos uma grave diminuição no número deles. Cake encontrou um deles muito agitado, parecia estar com pressa...
– Eu o segui, Fionna! — Cake interrompeu. Era óbvio que estava com medo, por tremia muito e sua cauda estava extremamente arrepiada. — Ele foi para a casa de Marshall... Não pude ver muita coisa pela janela, mas fez alguns gestos estranhos e falou umas palavras que não pude identificar. Daí ele entrou em um portal... Parecido com o da Noistosfera. Entende?
Fionna paralisou. Seria possível que Marshall estivesse com sua mãe? Eles se odiavam. Viviam em conflitos. Ou, talvez...
– Mandei alguns soldados verificarem. — Chiclete interviu. — Eles disseram que viram vários outros vampiros fazerem a mesma coisa. E, de fato, o portal não era para a Noitosfera. Estou tentando identificá-lo, mas... Sinto muito, Fionna. É apenas uma hipótese.
A garota suspirou. Então... O vampiro que enchera sua cabeça todos esses dias estava... Em outra dimensão? Era isso que eles estavam tentando dizer para ela?
– T-Tem certeza... Que aquela não era a Noitosfera? Eu... Conheço o portal. Já estive lá, e...
– Sim, Fionna. Olhamos o interior do portal, e o modo como foi feito. Era muito diferente. — O Príncipe não parecia muito preocupado diretamente com Marshall. Fionna podia sentir. Ele estava mais preocupado com uma revolta vampírica.
As mesmas vozes palpitavam na cabeça dela — a de Marshall e a feminina. Pareciam querer lhe dizer algo, mas ela não conseguia entender as palavras com precisão.
– Eu... Irei atrás dele. — As palavras saíram de sua boca como impulso. Ao notar o que havia dito, tentou corregir-se, mas era tarde demais. Sabia que teria que fazer isso, ou talvez nunca mais veria o vampiro.
– F-F-Fionna?! É muito perigoso, você não... — Cake se desesperou.
– Já tomei minha decisão. Eu sinto que ele precisa de mim.
Chiclete olhou para o chão e assentiu com a cabeça. Não parecia triste nem feliz.
– Você deve entrar no portal às... — Ele puxou um relógio de bolso e fez um cálculo mental. — ... 8 da manhã. Parece o horário mais seguro à uma humana.
Cake tentava interferir, olhando para Fionna e ao Príncipe, mas não poderia fazer nada. Aquela era uma decisão somente de sua irmã humana, que estava ajeitando sua mochila nas costas.
– Tudo bem. Acho que só poderei ir amanhã mesmo. Cake, vamos. Precisamos arrumar as coisas.
– P-Precisamos? — A gata arregalou os olhos. — C-Como assim?
– Ora, você vai me acompanhar, não é mana?
A felina olhou para a janela do castelo, onde Lorde Monocromicórnio dava um voo tranquilo. Depois, voltou o olhar à Fionna.
– T-Tudo bem... Acho que posso fazer isso. — E subiu nas costas dela.
Se despediram de Chiclete e de Lorde Monocromicórnio. O céu havia escurecido mais, e realmente, o Príncipe tinha razão. Os vampiros estavam muito agitados e alvoraçados. Flutuavam por todos os lados e não pareciam notar o par de irmãs.
Chegaram de volta à casa na árvore pouco tempo depois. Cake ainda tinha energia de sobra, mas Fionna estava mais cansada do que o dia anterior.
– Mana... Pode arrumar minhas malas, se não se importa?
– Claro, minha aventureirinha. — O sorriso de Cake não era dos melhores. Estava claro que ela não queria ir para outra dimensão, ainda mais por Marshall, mas se dispôs a arrumar suas coisas e as de sua irmã, que já havia adormecido.
~*~
Fionna teve um sonho estranho.
Muito estranho.
A princípio, pensou estar em frente à casa de Marshall. Mas notou algumas diferenças no ambiente em volta. A caverna parecia mais conservada, e as madeiras da casa estavam pintadas de rosa. Havia um pequeno cais ao lado com uma cesta de basquete dependurada no telhado.
Olhou pela janela da casa e levou o maior susto de sua vida. Lá estava, Marshall, com os mesmos cabelos negros, a pele esverdeada, os caninos ameaçadores e a camisa xadrez padrão. Ao seu lado, estava sentada uma garota extremamente parecida com ele — provavelmente, uma vampira também. Então notou sua voz. Era a mesma que falava em sua mente mais cedo.
Eles conversaram e riam animadamente. As vezes, Marshall soltava alguns suspiros desanimados, mas voltava a conversar com a companheira.
– Então, Marceline... Tem certeza que não sabe de onde eu vim?
A garota, que pelo visto se chamava Marceline, gesticulou com as mãos nervosamente.
– Desculpe, Marshall. Mas eu nunca o havia visto pessoalmente antes. Simon... — Ela hesitou. — Digo, o Rei Gelado já me contara algumas histórias em que você, ou alguém parecido contigo estava envolvido com outras pessoas como contrapartes das que eu convivo. Mas nunca imaginei que isso fosse real. Acho que devemos procurá-lo amanhã.
Marshall baixou os olhos, triste.
– Obrigado, Marceline, de qualquer modo.
– Tudo bem. — Ela sorriu. — Você parece ter perdido a memória. Era o mínimo que poderia fazer.
O vampiro forçou um sorriso.
- Me sinto um inútil por não conseguir me lembrar de coisas tão recentes...
- Você comentou sobre uma garota loira, correto? Deve ser a tal Fionna, contraparte de meu... Amigo, Finn.
Então, a imagem tremeluziu. E Fionna acordou.
Notas finais
Marshall perdeu suas memórias mais recentes (como, por exemplo, sua grande amizade com Fionna, mas pode se lembrar de sua aparência e de seu nome vagamente).
Isso aconteceu porque ele queria visitar sua mãe (contraparte de Hunson Abadeer) na Noitosfera e cometeu alguns erros de distração ao fazer o portal, o que acabou levando-o a Ooo sem algumas lembranças.
Obrigada pela leitura, amanhã/depois de amanhã deve ter próximo capítulo~!
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