The Bathtube

1 Redemption


Depois da briga no café da manha, Otávio tomou um banho e foi até o quarto de Charlô. Chegando lá, percebeu que a porta estava só escorada. E que ela ainda estava tomando banho.

–Bem... Vou esperá-la para que possamos resolver isso. Viver neste pé-de-guerra de nada adiantará! — Ele pensou alto.


Otávio entrou e, caminhando pelo quarto, chegou à porta do banheiro. Não resistiu à curiosidade e olhou para dentro do perfumado cômodo. O vulto dela aparecia por trás do box. Ficou um tempo lá, contemplando-a por trás do vidro. Lembrando-se da briga. Da vontade que teve de segurá-la, de abraçá-la. Do desejo que sentia todas as vezes que a via.

Ele não resistiu.

Tirou o roupão e entrou no box.

Charlô não o percebeu entrar, porque estava lavando o cabelo e cantarolando. Por sinal, a música era "Só falta você", o que fez Otávio sorrir. Ele entra, fecha o box, e a abraça por trás, surpreendendo-a. Charlô se assusta, e ao virar cai direto nos braços de Otávio, que aproveita para puxá-la para mais perto pela cintura, trazendo sua boca também para perto da dele.

Ficam os dois cara a cara, nos braços um do outro. Charlô não sabe o que fazer, ou o que dizer. Apesar de imóvel, seu corpo a trai, se ajustando automaticamente ao de Otávio. Ela tenta se afastar, tenta falar, mas ele não deixa.

– Shhh, Charlô. Calma. — E mergulhando nos olhos castanho-esverdeados da loira, diz — Eu te amo. — E a beija. E ela cede ao beijo.

Um beijo quente, cheio do desejo guardado há tanto tempo, daqueles de tirar o fôlego de quem assiste. O típico beijo entre pessoas que se amam e se adoram, depois de uma briga.

Otávio aproveita que a banheira está cheia (pois todas as vezes que Charlô toma banho, costuma relaxar lá), abre o box e a leva pela mão. Ele se senta com Charlô no colo, de costas para ele. Ele a acaricia delicadamente, enquanto beija seu pescoço. Charlô não reage; ainda está atônita. Foi tudo rápido demais, e ela não está acostumada a não ter o controle de tudo. Apesar de que, se perder a posição de mando era aquilo, ela não se importaria.

Ela ainda pensa. Numa hora, estão brigando e atirando comida um no outro. Depois, estão tomando banho juntos. Inacreditável. Ainda refletindo, ela se vira, colocando as pernas em cima das dele.

– Pode me falar o que foi tudo isso, Bimbinho?

Ele a olha com o olhar de apaixonado, o que só acontece quando a olha, e fala:

– Cumbuqueta, eu te amo. Você não imagina, mas a cada vez que brigamos, eu te amo mais. A briga na hora do café foi o que eu precisava para reconhecer que continuava tão louco por você como antes. — Charlô movimentava as pernas sobre as dele, e se recostou na banheira, fechando os olhos para ouvi-lo. Ela era perfeita, ele pensou. — E posso te contar um segredo? — Ela acenou com a cabeça dizendo que sim — Eu amo quando você me chama de Bimbinho. Mas só você.

– Ah, Otávio Eu também te — Quando ia completar a frase, Charlô começou a acariciar o rosto dele, que obviamente delirou com isso. Depois, suavemente colocou os dedos dela sobre os lábios dele, impedindo que ele falasse. Charlô o admirou mais um pouco, e o beijou.

– Me ame, Otávio. Só me ame.

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