The Aurors

4 A visita da serpente marinha.


Após me levantar, subi as escadas assustada. Enquanto abria a portinha e sentia o sol bater em meu rosto, pude perceber que as batidas já haviam parado. Corri para o convés, e vi Klaus se debruçando na proa.

- Qual o problema? — Perguntei, me aproximando. Augustus veio logo atrás de mim, saindo da ponte de comando.

- Eu não sei. — Respondeu Klaus, colocando os fios de cabelo negro atrás da orelha. — Você ouviu os barulhos?

- É claro, eu estava lá em baixo.

Ele então se afastou da proa. Começou a andar de um lado para o outro.

- Calma. — Disse Augustus. — Já parou. Seja lá o que for, já deve ter ido embora.

- Quem nos garante? — Questionou Klaus.

Retirei uma fita de meu bolso e prendi meus cabelos para trás, deixando-o em um rabo-de-cavalo. O sol forte e a tensão fazia-me suar.

De repente, algo começou a se projetar na proa. Se arrastando lentamente e fazendo o navio vibrar.

- O que diabo é isso? — Disse Klaus, segurando na ponta da proa.

- Pelas barbas de Merlin! — Exclamei, boquiaberta, levando minhas mãos até a boca.

- Klaus! — Berrou Augustus. — Não se mexa!

Lentamente, Klaus se virou e deu de cara com a criatura. Num instante caiu para trás, berrando.

A criatura tinha uma cabeça de cavalo deformada e o resto do corpo era longo e parecia ter escamas. Começou a se arrastar para dentro do navio.

Retirei minha varinha do casaco e apontei-a para a serpente marinha que se aproximava de Klaus, que estava imóvel no chão do convés.

- Serpentes marinhas são inofensivas. — Disse Augustus, tentando manter a calma. Desviei o olhar para ele, e o fitei preocupada. Lancei-lhe um olhar de ''tem certeza?'' e ele apenas retirou a varinha lentamente.

- Klaus, levante-se com calma. — Disse para ele. — Não faça movimentos que possam chamar a atenção dela.

- Tudo bem. — Murmurou ele. Foi movendo-se para trás, enquanto a serpente se aproximava cada vez mais, analisando o sapato de Klaus.

Então, ele se levantou rapidamente e correu para perto de mim.

- Não! — Gritei. Mas já era tarde.

A serpente se esticou para cima e ficou com seu longo corpo com escamas esverdeadas expostos. Metade dele estava dentro do navio, enquanto o resto permanecia para fora.

- Você chamou a atenção dela, seu tolo! — Exclamou Augustus.

- Aposto que você faria o mesmo se estivesse no meu lugar! — Rebateu ele.

- Não é hora de discutir! — Berrei, entrando na frente de Klaus.

A serpente marinha me olhou, e se arrastou em alta velocidade em minha direção. A cabeça de cavalo estava inclinada para baixo, como se fosse me atingir do mesmo modo que um touro finca seus chifres numa vítima.

No último segundo, segurei no casaco de Klaus e me joguei para frente, caindo no centro do convés.

Assim como me movi rapidamente, o céu mudou. Nuvens acinzentadas se projetaram acima de nossas cabeças. Prontas para soltar sobre nós seus cobertores de água.

A criatura prosseguiu se arrastando com velocidade e teve impacto com a janela da ponte de comando, quebrando o vidro em pedacinhos. Furiosa, se virou para Augustus, que estava mais próximo.

Ele riscou a varinha no ar e apontou-a para a serpente. Um lampejo avermelhado foi na direção da mesma e estourou em faíscas, batendo abaixo da cabeça, onde havia apenas escamas. A criatura soltou um grunhido e balançou a cabeça de cavalo histericamente.

- Uau. — Foi a única coisa que consegui dizer, surpresa.

Então, senti gotas de chuva se chocarem em minhas mãos suadas. Lentamente, uma a uma, e logo aumentando, se transformando em uma verdadeira tempestade. Os pingos se chocavam na pele escamosa da serpente como se fosse fogo. Ela se encolhia, parecendo incomodada com a chuva. Ela se arrastou rapidamente pelo convés, passando ao meu lado e ao de Klaus, e mergulhou para fora do navio.

Encarei Augustus, que estava imóvel no mesmo lugar de onde havia acertado a criatura. Ele guardou a varinha no casaco e disse:

- Ufa.