The Assassin Tears
4 The Nightmare
Notas iniciais
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-O que está fazendo aqui? — ele perguntou, apoiado no portal branco.
-Não tenho pra onde ir.
-E você acha que aqui, na minha casa, é um lugar pra você ficar depois do que fez?
-Como você sabe?
-Só pode ter sido você, eu sei que eles te obrigaram mas você não acha que foi um pouco longe de mais? — os olhos de Hugo já estavam encharcados. Logo, os meus também.
-Por favor — pedi, de cabeça baixa.
-Eu não sei...
-Tudo bem. Eu encontro outro lugar.
A última coisa que eu queria naquele momento era comoção ou pena da parte de Hugo, mas me pareceu inevitável.
-Entra.
-Sério?
Hugo assentiu em silêncio.
-Valeu, cara — levantei os braços e nossas mãos se encontraram no ar com um estalo — Juro que é por pouco tempo.
2 meses depois.
-Pouco tempo, foi o que você disse a 2 meses atrás seu vagabundo desgraçado — Hugo disse, me acordando de um ótimo sono.
Me sentei no sofá ainda tonto. A luz da manhã raiava no lado de fora, e a cheirosa brisa que vinha da mata me alcançava.
-Que horas são? — perguntei.
-10:30.
-Tá louco? Liga a TV, ainda dá tempo de ver Ben 10.
-Tá bom, larga de ser infantil e arruma aqui que eu vou comprar alguma coisa pro almoço.
-Vai com Deus. Some não!
Enquanto Hugo saía, me levantei para arrumar a sala.
Após isso, pensei em tomar um banho. Peguei uma roupa limpa e fui ao banheiro.Entrei na água e começei a pensar enquanto me ensaboava. Mikael, a mamãe, Carla... Minha vida. Onde estava? O que eu estava fazendo ali? Passei tanto tempo trancado naquela casa só vendo televisão e conversando pelo computador, acabei esquecendo de tudo. O fato de sair já me assustava, eles estavam lá fora, e estavam por todo o lado.
Permaneci algum tempo de pé olhando para o teto manchado do boxe, pensando na escola, nos meus antigos amigos. Lucas, Hugo, Maria e Léo, era o quarteto perfeito, desde o 6º ano até nos farmarmos. Era legal ter uma vida normal.
Sem eu perceber já estava a quase meia hora no banho, então desliguei a água e saí do boxe. Me sequei, vesti minha roupa, fiz a barba outrora grande, escovei os dentes e penteei muito mal o cabelo.
Abri a porta do banheiro e senti o ar gelado que vinha de fora passar pelo meu corpo. Saí e fui em direção à cozinha, passando pela sala me deparei com algo que perturbou minha mente: a casa estava totalmente destruida.
A televisão no chão, todos os quadro quebrados jogados no chão, o sofá virado de cabeça para baixo com todo o tecido rasgado, na cozinha todas as louças de vidro quebradas no chão junto com os garfos e facas amassados, no quarto de Hugo sua cama estava com os pés quebrados espalhados em diferentes lugares do quarto.
Escutei vozes que ecoavam do lado de fora, corri para a porta da sala e as vozes ficavam mais claras: "Pouco tempo...", a frase ecoava toda a casa até eu abrir a porta.
-Pouco tempo, foi o que você disse a 2 meses atrás seu vagabundo desgraçado — Hugo disse, me acordando de um terrível sono.
Acordar me tonteava e eu me sentia ainda cansado.
Me sentei no sofá ainda tonto, a luz da manhã raiava do lado de fora e a brisa que vinha da mata me alcançava. Um sonho, pensei.
-Vou sair pra comprar alguma coisa pro almoço, arruma aqui — disse ele apanhando sua mochila vermelha no chão da sala e apoiando-a nas costas.
-Tá bom — eu disse, me levantando do sofá.
Hugo saiu e fechou a porta, eu me sentia em outro pesadelo.
O sonho era um sinal? Ri comigo mesmo. Obviamente não, não acredito nisso. Sonhos não foram criados para avisar nada, talvez para assustar. Era a unica conclusão e que eu chegara depois do susto que tive.
Depois disso achei melhor desistir do banho.
Notas finais
-Sqn
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