Notas iniciais
ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊH
FInalzinho. Finaaaal. É o final.
Aaaaaaaaaaah.
Ou não.
Amém.

Saímos da casa de Talita desesperados. O Lucas tinha realmente algum problema mental e tinha levado os tios e a prima para algum lugar e ia matá-los, provavelmente. Tínhamos de pensar rápido.

-Kariakaa? — perguntei.

-Não, ele não mataria alguém num apartamento. Tem seguranças para todos os lados.

-Já sei.

-Aonde?


Léo estacionou o carro bem longe para não dar alertas. Fomos em silêncio para a frente da casa do falecido Hugo. Como a rua estava totalmente vazia, podia-se ouvir tudo, tudo mesmo.

De dentro da casa saiam gritos e estalos muito altos.

Eu ouvi uns "Não, para!" e uns "Calem a Boca!". E nada disso me tranquilizava. Até que ouvi o grito de Talita. Um grito agudo que faria qualquer um num raio de 2 metros ficar surdo.

Com muita precaução misturada com medo e desespero, entramos na casa. Léo sacou uma arma.

-É, eu tenho uma arma confessou ele.

-Eu sei.

-Sabe?

-Deixa pra lá. Não é hora disso.

-Tá bom.

Chegamos na sala. De dentro da casa os gritos eram mais altos ainda.

Liguei para a polícia. O delegado Marcos atendeu. Contei tudo a ele e pedi que ele viesse nos ajudar. Ele me disse para ficar parado e não avançar. Desliguei o telefone.

Ouvimos passos subindo as escadas do porão. Nos escondemos na cozinha. Com os olhos escondidos pela parede eu vi. Era uma garota. Cabelos castanhos bem claros, misturados com fios loiros, eram cacheados e curtos. Passou como um vulto para fora da casa. Fiquei numa curiosidade enorme para saber quem era, será que estava fugindo? Não era hora pra pensar.

Sem querer encostei numa vassoura e ela caiu.

De repente, todos os barulhos sumiram. O silêncio era total. Depois de alguns segundos escutamos passos subindo as escadas novamente.

Fomos mais para o fundo da cozinha.

Lucas saiu do porão.

-Olá, Mikael e Leonardo. Meus amigos. Podem aparecer. Sei que estão aí.

Na maior cara de pau, apareci na frente dele. E Léo, por trás de mim com a arma apontada para ele.

-Ui, que meda. O Léozinho tem uma arma.

Lucas puxou uma arma da calça e atirou no meu pé esquerdo e na mão direita de Léo.

Me joguei no chão gemendo de dor com as mãos no pé enquanto o sangue jorrava para a fora dele. Para Léo a situação estava pior. A bala atravessou sua mão completamente, o que causou a queda de sua arma e o sangue estava saindo absurdamente em excesso.

Lucas riu e atirou outra vez, desta vez, no ombro direito dos dois. O segundo tiro no ombro de Léo. Gritamos de dor.

-Seu viado! gritei.

-Olha! Mesmo machucado, ainda tem tempo para preconceito — Lucas riu outra vez — Está na hora de se juntar aos outros.


Lucas nos empurrou até a parte de baixo do porão. Mariana, Talita e seus pais e aquela recepcionista do Kariakaa, todos estavam lá. Presos em cadeiras e com fitas na boca.

Me joguei no chão por causa da dor absurda do meu pé e do meu ombro. Léo fez o mesmo.

-Todos unidos aqui. Agora me digam: eu continuo com a lista ou eu acrescento mais alguns para morrer? Meu Huguinho ia adorar isso.

-Ficamos em silêncio.

-Respondam!! — gritou ele.

Olhei para Mariana. Ela chorava desesperadamente, tentando se desamarrar da cadeira. Ela era a próxima.

-Explica Lucas — falei — explica pra gente. Por que tá fazendo isso?

-Vocês já estão cansados de saber o porquê. Eu estou matando todos porquê Hugo me pediu.

-Mas nem todos que estão aqui Hugo queria que morresse. Além disso, ele se arrependeu de tudo depois que você matou a Carla.

-Tá bom. Querem saber mesmo? Vou contar tudo. Desde o início — Lucas suspirou — Eu tinha 9 anos, minha mãe conseguiu um emprego em outra cidade, e eu não queria sair de lá. Então eu fui para casa dos meus titios Lucas olhou para os tios, presos nas cadeiras também com fitas na boca só que uma coisa que eu nunca contei pra ninguém é que eles sempre me batiam. Por qualquer coisa. No primeiro dia que cheguei, eles me bateram porquê deixei minha mochila no sofá.

E você ai matar eles por causa disso? — perguntei, me contorcendo no chão.

Não. Não era só isso. Eles me trancavam dentro daquele quarto. Antes de decorarem para ser meu, aquele quarto era sombrio. As paredes eram cheias de mofo, e a porta estava podre. Como eu sabia disso? Se lembra, titio? Quando você me trancava dentro daquele quarto? Era escuro, eu não via nada, eu só gritava desesperadamente batendo na porta. Eu ouvia risadas do lado de fora. Eu chorava e chorava o tempo todo. Toda noite, quando me tiravam do quarto, sombra apareciam na minha frente e toda a noite eu sonhava com aquela porta. A porta daquele quarto era um pesadelo para mim. Sonhava que monstros saiam de dentro daquele quarto querendo me atacar. E sabia que, de manhã, eu ia ter que voltar para aquele quarto até escurecer uma lágrima escorreu o rosto de Lucas E quando Talita nasceu, tudo só piorou. Eu não podia chegar perto dela. Se Talita, quando bebê, chorasse por causa da frauda, a culpa era minha. Daí eu tinha que apanhar, limpar, e ser preso no quarto de novo. Eu fui crescendo e crescendo. Fiquei sabendo que minha mãe havia morrido 2 anos depois. Quando eu fiz 15, meu quarto estava pronto. Eu não poderia ficar preso lá nunca mais. Mas infelizmente, Talita cresceu também. A peste mentia, dizendo que eu batia nela. Eu nunca ganhei presente de natal e no meu aniversário, meu único presente era poder comer gelatina depois do almoço. E o da Talita era sempre uma boneca e casinhas de brinquedo. Uma noite eu entrei no quarto dela e peguei um lápis para poder desenhar. Talita contou pros meus tios. E, claro. Apanhei. Só que meu tio fez pior quando soube, me levou até o banheiro, enfiou minha cabeça dentro do vaso e puxou a descarga. Depois me expulsou de casa só com as roupas do meu corpo. Sem pensar em mais nada, corri para a casa do meu melhor amigo, o Hugo. A mãe dele era a melhor mãe do mundo. Sempre me recebia com um sorriso e um sanduíche de queijo. Expliquei tudo a ela e ela me deixou ficar lá, quer dizer, aqui, até poder voltar para casa. Fiquei por uns meses. Hugo me levava para ver o estúdio de fotos do pai dele sempre. Me apaixonei por ele depois de um tempo, com 16 anos. Afinal, todas as garotas da escola me desprezavam. Então descobri que gostava mais de garotos. Quando a mãe de Hugo descobriu isso, me expulsou da casa dela. Não é, dona Cida? — Lucas olhou para a recepcionista, que chorava desesperadamente — Com isso, votei para casa. Pelo menos tentei. Quando cheguei meu tio disse: Pensei que tinha me livrado de você. Pegou todas as minhas coisas e jogou na rua. Depois disso entrei em depressão. Ficava dentro daquele orfanato com a esperança de que alguém me adotasse. Só que ninguém gostaria de adotar um doente como eu. Então só saí de lá com 18. Fui pro exército, me tornei policial e comecei a fazer faculdade. Encontrando Hugo por lá. Ele me pediu desculpas por tudo e me disse que a mãe saiu de casa, e olha que legal! Saiu de casa porquê descobriu que o filho era bissexual. Depois de um tempo, Hugo começou a namorar com a Carla e comigo ao mesmo tempo. Daí descobri que Carla estava o traindo com o Leonardo, contei para ele, e no mesmo dia ele rompeu com a Carla. Daí agente podia namorar tranquilamente até o fim da nossa vida. Só que voltei para minha casa antiga e meus tios me receberam muito bem. Claro! Fui pro meu antigo quarto. E para a minha antiga vida com a Talita. A vaquinha descobriu que eu estava namorando com o Hugo e começou a me ameaçar. Fui obrigado a terminar com ele. Depois de uns dias agente se viu de novo e ele criou a lista. Roubei a arma do delegado Marcos e naquela noite de Natal, peguei meu celta prata e fui à rua onde eu sabia que Carla passaria. A puxei para aquele beco. Quando eu ia atirar, alguma coisa me puxou para trás. Era Hugo. Eu me lembro de cada palavra dele: Você vai mesmo fazer isso? Pensei que fosse uma brincadeira. Foge Carla! Foge!. Quando Lucas apareceu, entendeu tudo errado. Pensou que Hugo estava tentando me matar, pegou a arma da minha mão e apontou para ele. Carla explicou tudo a ele. Eu me livrei de Hugo, peguei a arma da mão do Leonardo, que não tinha potencial para assassino, mesmo, e tentei atirar nele. Mas a Carla entrou na frente. E eu atirei nela. Leonardo se desesperou. Eu puxei ele para trás do beco enquanto ele chorava e gritava o nome dela. E Hugo vinha atrás da gente. Mandei Leonardo desaparecer da face da Terra. E todo o tempo depois até anteontem, Hugo me seguia tentando me convencer a não matar a Mariana. Mas era a minha missão. Então eu simplesmente resolvi que ele devia morrer. Quando percebi que Hugo tava tentando salvar vocês, o matei aquele dia na frente do Leonardo Lucas secou suas lágrimas e se recuperou as emoções fortes então todos agora sabem porquê têm que morrer.

-Você não contou tudo — acusei-o.

-Contei sim.

-Não contou. Tem mais alguma coisa. Você está escondendo alguma coisa.

-Não estou.

-Deixa Mikael — gemeu Léo — agente já vai morrer mesmo.

-Hum... Leonardo, você é esperto! Agora está na hora.

Lucas apontou a arma para Mariana e atirou.


Minha melhor amiga estava inconsciente na cadeira e todos nós iriamos morrer. Eu tinha que fazer alguma coisa.

Lucas apontou a arma para o tio.

Ouvi sirenes se aproximando da casa de Hugo, a polícia estava chegando.

-Quem chamou a polícia? Você Leonardo?

-Sim — respondeu Léo.

-Fui eu — confessei.

-Sempre você pra me atrapalhar.

Lucas apontou a arma para mim. Meu coração disparou. Percebi o movimento nos dedos de Lucas. Até que uma cadeira atingiu a cabeça dele. Lucas desabou no chão.


Talita libertou seus pais, a mãe do Hugo e foi ver como Mariana estava. Não foi nada grave, o tiro pegou seu braço de raspão. Mas, do mesmo jeito, Mariana estava inconsciente.

Talita a desamarrou e a deixou sentada na cadeira.

A polícia se aproximava cada vez mais.

Talita foi ver seu primo. Lucas estava caído no chão com sangue escorrendo na cabeça. Talita conferiu seu pulso. Ele ainda estava vivo. Léo e eu nos contorcíamos de dor no chão. Os pais de Talita choravam e se abraçavam, olhando para o sobrinho caído no chão. A mãe se levantou e se ajoelhou perto dele.

-Me desculpa por tudo — chorou ela — eu me arrependo de absolutamente tudo o que fiz no passado. Eu devia ter cuidado bem de você. Me desculpa Eu te amo, meu sobrinho — se abaixou e o beijou na bochecha.

Voltou para sua cadeira e a abraçar seu marido.

Talita foi me ajudar e ao Léo. Achou alguns panos velhos e enrolou a mão do Léo e meu pé.

-Vocês três têm que ir ao hospital.

-Vamos subir. Acho que a polícia chegou.


Fomos para a sala carregando os mais feridos, inclusive Lucas. Abrimos a porta para os policiais e ligamos para a ambulância. Contamos tudo o que houve para o delegado Marcos. Os outros policiais checaram Lucas. Retiraram o casaco preto que ele sempre usava.

Ele estava usando uma camisa vermelha do Slipknot por baixo. Não havia nenhum ferimento nem cicatriz. Somente em sua cabeça.

A policia o algemou.

-Acho que ele não deve ir preso — disse o pai de Talita.

-Como assim meu senhor? Ele tentou matar vocês.

-Ele não fez isso em sua consciência própria. Ele tem transtorno de bipolaridade, nem sempre ele é assim. Ele toma remédios desde que nasceu. Mas ele acha que não tem problema nenhum, por isso parou de tomar desde que... Que expulsamos ele de casa.

-Expulsaram.

-É, ele tinha quase 16, era um garoto ótimo. Mas nós bebíamos, então de vez em quando fazíamos essa coisas com ele. Eu sempre me arrependi disso. E eu acho que é por isso que o problema dele piora. A outra personalidade do Lucas, a que vocês não conhecem, é ótima, ele é a melhor pessoa do mundo. Só que quando o problema piora, ele sente sede de se vingar de todos os que o incomodaram de alguma maneira.

-Sabem quando esse transtorno acaba?

-Não. É difícil saber exatamente. As vezes ele fica assim um algumas horas, as vezes por vários dias. Não dá pra prever.

-Então vocês acham que ele deve ir para uma clínica psiquiátrica?

-É. Já tentamos mandá-lo, mas só poderia ser à força e nós não aguentaríamos vê-lo sofrer.

-Eu acho que já é a hora.

-Sim, é a hora.

As sirenes da ambulância soavam um pouco longe dali.


Fomos eu e Léo para a ambulância com ajuda do pai de Talita. Talita levou Mariana nos braços, eu não sabia o quanto ela era forte. Os policiais levaram Lucas.

Léo e Mariana foram em uma ambulância, Lucas e eu fomos em outra.


Acordei do outro dia. Era uma linda manhã. As balas já havia sido retiradas, meu pé e meu ombro estavam com curativos.

Acordei meio tonto. Minhas vistas estavam embaçadas tinha uma tremenda dor de cabeça. Sentei na maca, lá estava o Lucas, deitado na maca do lado, ainda inconsciente, cheio de curativos na cabeça.

Tentei me levantar mas alguém me puxou para trás.

-Cuidado, você vai cair — disse Talita.

Começamos a rir. Me sentei na maca e dei nela o melhor beijo da minha vida.

-Só de pensar que eu poderia perder você...

-Eu sei, é horrível. Passei a noite pensando o mesmo.

-Onde você dormiu?

Talita apontou para uma cadeira que estava ao lado de minha maca.

-Dormiu aqui?

-Na verdade não.

-Não dormiu aqui?

-Não dormi.

-Ah.

-Seus pais passaram a noite aqui no hospital também. Trouxeram roupas e um lanche. Ainda a pouco, quando o médico disse que você estava bem, eles foram para casa dormir. Sua mãe chorou a noite toda..

-Imagino. Você disse que eles trouxeram um lanhe...

Talita riu.

-É, tá aqui. Espero que não se incomode, eu comi um morango desses.

Talita pegou a bandeja. Tinha tudo comestível que existe. Fruta, sanduíche, café, suco e mais fruta.

-Não, tudo bem. Estou começando a gostar dessa coisa de ficar doente.

Talita riu de novo. Como eu adorava aquele jeito doce dela de rir de tudo o que eu dizia.

-Quer deitar aqui?

-Quero.

Me deitei na maca e cheguei para a beirada. Talita deitou do meu lado.

-Isso é tão lindo — falou uma voz familiar ao meu lado.

-Lucas? — Talita se levantou e se afastou.

-Que foi Talita?

-Como assim o que foi?

-Me lembrei de tudo o que aconteceu na noite anterior.

-Talita — chamei — Ele deve ter voltado ao normal.

-O que tá acontecendo aqui, e por quê eu estou no hospital?

Talita chegou perto do primo e explicou tudo.

-Não, eu não faria isso. Eu tomo os remédios.

-Não toma.

-Tomo sim.

-Você parou de tomar há muito tempo. Desde o que aconteceu quando você tinha 16 você está estranho. Você não tomava os remédios.

-Não eu... Eu sempre tomei. E como 16 anos? Eu tenho 16 Anos.

Talita ficou paralisada. Lucas havia pirado mais do que antes.

-É, tem razão — falei.

Olhei para Talita com olhar de "desiste, ele pirou". Ela era boa de entender olhares.

-Tudo bem Lucas. Tenho que falar com o Mikael ali fora.

-Tá bom. Prazer em te conhecer Mikael.

-Prazer, Lucas.

Peguei a muleta que o médico havia deixado pra mim ao lado e fui para fora com Talita.

-Ele pirou totalmente agora — falei.

-Não — disse o médico que havia cuidado dele, um psiquiatra — Ele não pirou. A pancada que ele levou na cabeça fez ele esquecer de algumas coisas. Com a força que a pancada teve ele poderia ter esquecido a vida toda. Mas sua mãe me contou a história. Ele não esqueceu tudo, ele só esqueceu tudo o que ele fazia quando não tomava os remédios.

-Espera, então se ele não toma remédios desde os 16, ele acha que ainda tem essa idade.

-Exatamente. Ele ainda pode se lembrar de tudo. Ele será internado numa clínica psiquiátrica para não haver mais problemas. Vamos realizar um tratamento para acabar com o transtorno bipolar que ele tem. Se fizer efeito ele vai voltar a ser o Lucas original, o que ele era a 10 anos atrás, em alguns meses.

-Ele vai ser preso depois disso? — perguntei.

-Não entendo muito disso mas acho que quando um criminoso é louco. E isso for provado, ele é tratado e fica livre.

-Entendi. Mas se você mostrar pra ele o quanto ele está diferente pode ajudar?

-Não, se ele se olhar no espelho, nesses casos, tudo pode piorar. Ele começa a achar que é outra pessoa. Então temos que deixar ele distante dos espelhos por um tempo.

-Ele vai voltar a ser o meu primo?

-Não posso prometer isso. Mas vamos tentar o possível.

-Tudo bem. Muito obrigado. — agradeci.

O médico entrou no quarto para falar com Lucas.

-Ele vai ficar bem — falei.

-Eu sei.

-Talita sorriu e me abraçou.

-Sabe como estão os outros?

-Vem — Talita pegou em minha mão e me levou para o quarto do lado.

Léo estava acordado conversando com Mariana, que também estava muito bem.

Abri um grande sorriso e fui abraçá-los.


4 meses depois.


Depois de tantos mistérios e assassinatos e descobertas, e assassinatos, me recuperei de tudo para viver minha vida normalmente.

Lucas estava sendo tratado na clínica psiquiátrica, perdendo a maluquice a cada dia. Então estávamos seguros e muito felizes. Eu continuava com Talita, o grande amor da minha vida. Léo e Mariana estavam sozinhos mas continuavam felizes. A mãe de Hugo foi presa por roubar dinheiro do Kariakaa. Era outra envolvida em crimes, sempre suspeitei dela. Os pais de Talita também estavam muito bem. Sempre indo visitar o sobrinho na clínica, tentando recuperar o amor e o afeto de Lucas.


Depois de muito ser pressionado pela Talita e pela minha mãe, resolvi topar uma festa pra mim. Eu ia fazer 17. Talita tinha feito 16 em abril.

A festa foi num salão. Convidei boa parte da escola e toda a minha família. Ah! E a Doutora Márcia, a íntima da minha família. Que eu não via desde o Natal na casa da minha tia.

No meio da festa nos unimos eu, Talita e Mariana para conversar.

-Tudo foi tão desastroso não é? — perguntou Mariana.

-É, foi muito bizarro — falei — Quer dizer, o passado pode ser tão questionante, as coisas que acontecem nunca ficam em branco. Tudo o que aconteceu no passado de Lucas fez ele se tornar aquilo.

-Verdade — disse Talita — O passado dele foi muito obscuro. Ele disse que eu mentia pros meus pais dizendo que ele me batia, mas eu nunca menti.

-Ele era louco lembra?

-É. Tem razão.

-Trocando de assunto — disse Mariana — Quem é aquele? — apontou para uma mesa que estava por trás de nós, onde estava um garoto de 16 anos, era moreno, olhos castanhos, era mais alto do que eu, mais atlético do que eu, porém, muito mais idiota.

-Meu primo? O Rafael? O que tem ele?

-Ele é bonitinho.

-Bonitinho? Ele é um estúpido. Falando sério. Ele é mais burro que uma porta.

-Hum... Eu gosto disso.

-Táááááááá bem.

-Qual é o problema? Só você que pode namorar essa vampira?

Ficamos em silêncio nos encarando.

-Brincadeira.

Começamos a rir.

-Adeus pra vocês.

Mariana se levantou e ao som de Karmin — Broken Hearted e foi andando pra cantar Rafael. E não era só ela. Léo estava no canto trocando bactérias bucais com uma garota da minha escola. Uma do 3º ano. Ela que tinha nos levado para a balada quando eu conheci Talita.

Talita e eu olhamos para os dois.

-Quer fazer a mesma coisa? — perguntei.

-Claro!

E assim encerramos aquela noite.

Só uma parte da noite.


Quando a festa acabou, fiquei no salão com Talita arrumando tudo e abrindo os presentes.

Ganhei roupas, um celular do meu irmão, roupas e roupas. Só um era diferente. Era uma caixa bem grande, tinha uns 30cm³. Não tinha identificação. Abri-a, estava cheia de papéis. Fui tirando tudo e jogando pra fora, era uma brincadeira, dentro de uma caixa tão grande, tinha uma outra bem pequena dentro.

Abri esta outra. A única coisa que tinha era um cartão. De um lado estava escrito Feliz Aniversário dentro de um símbolo, um símbolo vermelho que eu conhecia de algum lugar,. E do outro a seguinte mensagem:


O jogo não acabou.


Ass:HM



Saindo do salão com Talita. Vi alguém. Alguém que já havia visto antes. Uma menina. Um pouco baixa, loira e com cabelos cacheados foi tudo o que consegui ver.

Estava conversando com alguém. Alguém que eu também já havia visto. Era um pouco velho e alto. Estavam conversando como se fossem íntimos a bastante tempo.

Olhei diretamente para eles.

Parei Talita e ficamos observando. Tudo o que aconteceu foi que a menina entregou um objeto para o senhor. Era um objeto preto. Do tamanho de um celular (acho que era um celular). O senhor pegou o celular e olhou em volta. Quando me viu com Talita, ficou de olhos arregalados. Puxou a menina para dentro de um carro e foi embora por uma rua oposta à que nos estávamos.

Notas finais
Continuação da saga de duas fics (kkk'):
http://fanfiction.com.br/historia/290856/the_assassin_mirror/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!