Notas iniciais
Sabe, eu fique com raiva desse delegado filho de uma boa pu...pura mãe brasileira.
E to in love com a Talita. Ela é muito fod'zzz
aleluia senhor.

-Pediram 100 mil.

-Sério? E quando ela sumiu?

-A pegaram de madrugada, enquanto ela dormia.

-Nossa.

Lembrei-me do assunto que tive com o delegado, eu tinha que falar sobre isso com a Talita.

-Tatá, o delegado me contou que demitiu um policial, um tal de Lucas. Ele disse que era seu primo.

-É, ele acusou meu primo de ter roubado coisas dele, meu primo nunca faria isso. Ele é totalmente honesto e lutou por aquele emprego.

-Eu acredito. Mas o que você sabe sobre ele?

-Como assim?

-Nada, deixa. Eu tenho que ir. Vou desligar tudo bem?

-Tá bom. Até mais.

-Tchau mô.


Fui até a delegacia saber mais sobre o sequestro. Quando cheguei lá, vi o delegado Marcos em pé, andando de um lado para o outro na sua sala.

-Oi delegado. Aconteceu mais alguma coisa?

-Não. Os pais da menina estão desesperados e o sequestrador não dá mais nenhum sinal de vida.

-Eu tenho que saber. O que o senhor investigou sobre o Hugo?

-Em geral, isso — O delegado abriu uma das gavetas de sua mesa e me entregou um envelope. Eu o abri. Estava cheio de fotos de lugares variados. Paisagens, pessoas namorando na rua, praças, fotos do Hugo com a Carla e fotos da casa do Hugo — Ele é fotógrafo.

-Fotógrafo? Eu sempre quis saber o que ele faz da vida.

-É, ele tira foto de tudo e tem um estúdio em casa. Ele revela tudo lá. Faz álbuns e books sob encomenda ou coisa do tipo.

'As respostas estão nas imagens'. É isso. Ele é fotógrafo. Os números vieram de fotos, pensei.

Saí da sala do delegado sem me despedir. Fui correndo até a saída da delegacia. Eu tinha de ir a casa do Hugo.


Era terça-feira. Eu fui a tarde na casa dele quando ele saiu para o curso. Entrei pela mesma janela nos fundos. Na cozinha, acima do fogão, havia 3 panelas. E, na pia, havia um prato sujo. Dois pratos sujos, Hugo tinha companhia. Eu fui andando pela casa e não havia ninguém.

No envelope que o delegado me entregou havia fotos da casa. Todas as fotos do mesmo lugar. Um quadro enorme que ficava acima do sofá. Era um quadro cheio de flores. Flores? Hugo era homem, ele não teria um quadro com flores em casa.

Subi no sofá e puxei o quadro. E uma porta marrom foi revelada. Tinha o tamanho de uma janela, só que era alta. Eu a empurrei e ela se abriu. Tudo estava totalmente escuro. Puxei uma cordinha a esquerda e uma luz se acendeu.

Tinha uma escada enorme que dava para um porão. Eu entrei pela porta e desci as escadas.

Não era um porão. Tudo não passava de um estúdio de revelação de fotos.

Também tinha luz. Eu apertei um interruptor e o porão se acendeu. Estava lotado de fotos para todos os lados. Fotos coladas na parede, caídas no chão, jogadas em mesas, e uma fileira me chamou atenção. Havia 10 fotos penduradas num varal com pregadores de fotos.

Todas enumeradas: 1 era Mariana; 2 era um homem meio velho numa escola; 3 era Carla; 4 era uma senhora, devia ter quarenta anos, sabia que já tinha a visto em algum lugar; 5 era Léo, meu irmão; 6 era o policial Lucas; 7 era o delegado Marcos; 8 era uma mulher que eu não conheço, devia ter uns 30 anos; 9 era Talita; e 10 era eu.

Ali estavam as respostas. Agora eu sabia a ordem da lista.

3: Carla, 1: Mariana, 5:Léo, 9:Talita.

-Não devia estar aqui — disse uma voz chorosa atrás de mim, uma voz que eu conhecia, porém que eu não ouvia havia tempo.

Mari! Não acredito — gritei, correndo para abraçar minha amiga.


Notas finais
Se ligou que Mikael usou o termo "amiga" pra Mariana né?
Deu bom não.
Glória Jeová.