The Assassin Mirror
1 The New Start
Notas iniciais
Caso não tenham lido a primeira história, leiam lá The Assassin Shadow. O link está nos avisos.
Depois de ter feito 17, tudo mudou pra mim.
Na escola, passei a ser popular. Todas as garotas dão em cima de mim, mesmo eu tendo olhos só para uma. A cada dia que se passa, me apaixono mais pela Talita.
Em casa tenho mais participação e apoio da minha família. Converso mais com meu pai, com meu irmão e ganho muito mais amor da minha mãe.
Tenho os melhores amigos do mundo. Quer dizer, a melhor. Mesmo depois que Mariana resolveu se apaixonar pelo meu primo, o Rafael. Foi meio que a gota d'água. Deixe-me explicar: Ele unca me chama pelo meu nome certo. É sério, ele me chama de Mikel. Ele é tão idiota que uma vez, depois de muito pensar, chegou à conclusão de que nossos nomes rimam. Depois disso passou um bom tempo tentando, criar uma música com isso. Rafael Mikael ; Rafael Mikael ; Rafael Mikael. Aff...
Não questiono o gosto exótico da Mariana, até porquê ela já foi minha namorada. Mas gostar do Rafael já é um absurdo.
Meu irmão também. Depois de quase engolir a língua da Joice — a menina do 3º ano — na minha festa, passou a se encontrar muito com ela.
Joice tem 19. Repetiu o 9º ano e por isso é mais velha do que algumas pessoas da turma dela. É alta, magra, morena e tem um corpão considerando ser uma garota de 19 anos que não malha e come bastante besteira. Tem olhos castanhos e cabelos lisos até as costas que ela sempre deixa solto. Quase me apaixonei por ela também... Brincadeira.
E tem o Lucas. Ele ainda está na clínica. Depois de alguns meses ele começou a melhorar com o tratamento. Mas de repente começou a ter crises. Talita me disse que uma vez foi visitá-lo e ele confessou ver um fantasma dele mesmo entrando no quarto e tentando matá-lo. Talita contou para os enfermeiros. Depois de um tempo ele começou a piorar cada vez mais. Os enfermeiros acharam drogas em baixo do colchão dele e ele disse que não era dele e sim do espelho.
E até hoje, Lucas tá sempre falando isso: o espelho. Ele é louquinho de pedra.
Ah, e Claro! Tem a carta. O jogo não acabou. E quem será HM? Hugo? O sobrenome dele era Mattos , Hugo Mattos. Mais ele tá morto. A mãe do Hugo? Presa. Lucas? Internado. Tem mais alguém nisso e está tentando brincar comigo. Quer dizer, jogar. Mas quem?
Um mês se passou depois meu aniversário. Estávamos em setembro.
Parei de sair e ficava mais no computador. A maioria do tempo, conversando com Talita pelo Skype.
Por causa de tudo o que aconteceu, me desviei um pouco do estudo. Quando tudo acabou, passei a me dedicar mais. Minhas notas estavam aumentando desde junho.
Mariana, Léo, Talita e eu fomos visitar Lucas algumas vezes. Ele sempre nos recebe bem. Conversa com a gente numa boa como se nada tivesse acontecido. Não o visitamos depois que as crises começaram. Mas visitaremos juntos para sabermos como ele está.
Mariana, Rafael, Talita e eu ficamos de nos encontrar algum dia. Ir ao Mc Donalds e depois ao cinema.
Foi num sábado. Talita e eu chegamos no Mc Donalds primeiro. Pedi um Big Mac, um refrigerante e um Mc Flurry de Ovo Maltine o melhor sorvete do mundo. Talita pediu a mesma coisa, só que um CBO ao invés do Big Mac.
Fomos para a mesa e esperamos Mariana e Rafael que chegaram uns 5 minutos depois.
Depois do Rafael pronunciar o nome Sundae errado disse exatamente S-U-N-D-A-E ao invés da pronuncia que é Sandei — os dois foram para a mesa. Talita e eu não contemos o riso.
-Que foi gente? — perguntou Mariana ao se sentar na frente de Talita.
-Nada — respondi.
-Oi Mikel. Oi Talita — disse Rafael ao se sentar ao lado de Mariana.
-Oi — respondemos juntos.
-Não entendo porquê esses lugares colocam esses nomes compricados nas coisas.
-Porque é uma rede de alimentação internacional. E é complicado o corrigi.
-Tá, complicado. Mas o que é internacional?
-É uma coisa de outro país — explicou Mariana, depois que me cansei.
-Ah, entendi.
Talita abaixou a cabeça, mastigou seu CBO e riu, disfarçadamente. Acho que Mariana reparou.
-Então, como vai o Lucas, Talita? — perguntou ela.
-Está tendo crises de vez em quando. Mas acho que vai melhorar — respondeu, de boca cheia.
-É, tomara.
-Gente, quem vocês acham que me mandou aquele bilhete? Quem é HM? — perguntei.
-Não faço ideia Mika — respondeu Talita — Mas seja quem for, deve estar envolvido em tudo. Além disso, quem te mandou aquele bilhete estava na sua festa.
-Lita, eu convidei a metade da escola. Qualquer um pode ter posto lá.
-É, tem razão, mas de qualquer maneira, estava lá.
-Vocês já pensaram na possibilidade de Hugo estar vivo?
-Acho que não — opinou Mariana — Quer dizer, o Léo o viu morrer.
-É. Ele pode ter mentido, ou se enganado — falei.
-Pode ser.
Eu já estava começando a estranhar Rafael não perguntar do que estávamos falando.
-Mariana, você me falou do Hugo. Ele não era Hugo Mattos? HM — disse ele.
-Você contou tudo pra ele Mari?
-Qual é o problema, ele é seu primo.
-Já tem muita gente sabendo disso.
-Calma Mika — Talita tentou me acalmar — Ele é seu primo, e agora é namorado da Mariana, ele tem o direito.
Rafael abaixou a cabeça.
-Não precisa, Talita. Esse aí me exclui desde que nasceu.
Rafael largou todo o lanche. Levantou, pegou sua mochila e foi embora.
Mariana olhou para mim, fez uma expressão que me fez entender que eu era a pior pessoa do mundo naquele momento.
-Muito obrigado por ter estragado nosso encontro Mikael.
Se levantou, pegou suas coisas e correu atrás de Rafael.
Me arrependi totalmente do que disse. Como eu estava sendo egoísta. Elas tinham razão.
-Olha o que você fez Mika. Deixou o Rafael triste.
-É, eu sei. Me desculpa.
O que eu estou fazendo? Ele é só um estúpido. Chora por qualquer coisa. Eu só acho que ninguém mais pode saber disso , pensei. Sem demonstrar, nem dizer nada para Talita.
Depois de voltar do intitulado por Mariana encontro que o Mikael destruiu, fui pro face.
Fiquei lá durante horas.
Recebi uma chamada no Skype.
Ah, Merda!!, pensei. Era Rafael.
Atendi.
-O que você quer? — perguntei.
-Boa noite pra você também.
-Sério. O que foi? Não bastou eu te afastar hoje?
-Sabe que não. Depois de tantos anos de vivência aprendi a não me ofender de qualquer coisa que saia da sua boca.
-É convivência. Mas e se eu cuspir em você?
-Engraçadinho.
-Olha, não é que eu não gosto de você. É que aquele assunto. É muito importante, e não pode ficar rolando pra lá e pra cá.
-Está me chamando de fofoqueiro?
-Não. É que simplesmente não pode ficar se espalhando. É meio que segredo.
-Tudo bem. Mas eu só queria falar que pode contar comigo pra qualquer coisa. Estou junto com vocês se precisarem de juda.
-Ajuda?
-É, ajuda.
-Tudo bem. Mas só se você não contar pra ninguém. Ninguém mesmo.
-Tá bom. Pode deixar. Só um minuto.
Rafael saiu da frente da câmera.
Fiquei esperando por algum tempo.
Depois de 2 minutos, Rafael reapareceu. Desta vez acompanhado. Era uma menina. Pensei já tê-la visto em algum outro lugar. Era um pouco baixinha, branca, tinha l cacheados e loiros. Os olhos eram verdes.
-Mika, essa aqui é a filha de uma amiga da minha mãe. O nome dela é Julia. Ela estuda lá no IEBSO também.
-Oi Julia — disse eu, acenando.
-Oi — sorriu a garota — Rafa, tenho que ir. Minha mãe está indo.
-Tudo bem. Tchau.
-Tchau. Tchau, Mikael.
-Tchau, Julia.
A garota saiu do alcance da câmera e foi embora.
-Rafa? — debochei,
-Ah, nem vem. Ela é só uma amiga.
-Tá bom. Mas não entendo porquê falou de mim para ela.
-Não falei de você. Nunca.
-Como ela sabia meu nome?
-Eu falei o seu nome.
-Não, você falou Mika. Podia ser Michel, Michael ou até mesmo Mika.
-Verdade. Estranho isso.
-É. Muito estranho.
-Olha tenho que ir.
-Tudo bem, tchau.
-Obrigado por me aceitar. Pelo menos uma vez na vida.
Eu sorri. Rafael saiu do Skype.
Deitei na cama. E fiquei com os pensamentos no dia em que passei.
Passei alguns minutos tentando lembrar de onde tinha visto aquela garota. A Julia. Tinha absoluta certeza de que já tinha a visto em outro lugar. Acabei desistindo. Perdi meus pensamentos em coisas que ainda não estavam respondidas.
Tudo, tudo, tudo mesmo apontava para Lucas. Mas haviam outras coisas. Coisas que eu não entendo. Coisas de que não me lembrava. A minha sensação era de que o Lucas não estava sozinho em tudo. Não acho que ele mataria o Hugo. Ele amava o Hugo, mesmo sendo estranho ter que me acostumar com isso.
Sempre tive a sensação de que tem alguém que sabe mais do que a gente. Sabe de tudo o que houve com Lucas. Sabe de tudo sobre quem ou o que é HM. E sobre quem ou o que era 3159 de verdade.
E tem aquelas meninas. Tinha uma que estava saindo do porão do Hugo no dia em que descobrimos tudo e que Lucas tentou nos matar. E outra na rua. Perto do salão onde acontecera a minha festa. A que estava entregando um celular para um senhor de aparência familiar.
Talvez fossem as mesmas, pensei.
Sim.
Claro.
Como eu fui idiota.
Eram uma pessoa só. E essa pessoa era...
-Julia?
-É, ela tava na casa do Rafael.
Mariana não pareceu gostar disso.
-Owr, já odeio ela.
-Calma... O Rafael disse que era filha de uma amiga da mãe dele.
-Seja quem ela for, acho bom não se meter com meu Rafinha.
-Nossa, você é tão barraqueira — brinquei.
-Não sou barraqueira. Só cuido do que é meu.
-Ri.
-Então você tem a visto.
-É, é estranho. Ela estava lá no dia em que o Lucas tentou nos matar e no dia da minha festa. Conversando com um senhor. Um senhor eu conheço. De algum lugar.
Acho que não preciso falar que ela provavelmente está envolvida em tudo.
-Não, não precisa.
-Espera... Você disse que ela estava lá no dia em que o Lucas tentou nos matar?
-É, saindo do porão. Mas, como? Ela tava no porão. Vocês não a viram?
-Não. Isso é que é estranho. Ela não apareceu lá em baixo.
-Então ela estava lá para vigiá-los. Provavelmente fez isso pela escada.
-A questão é: Por quê?
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