The Assassin Mirror

3 The New SchoolGirl


Notas iniciais
Terceiro capítulo da fic.
Enjoy.

O que sabemos até agora é que tem alguém mais nisso. Temos alguma certeza de Julia estar envolvida. O que não sabemos é se ela está envolvida do lado bom ou para piorar tudo.

Também sabemos que alguém está querendo dar drogas para o Lucas. Fico imaginando o porquê. Ele já está internado com problemas mentais. Por que alguém iria querer encrencá-lo?

Sei que parece bem óbvio que pode ser a Julia que está mandando as cartas e as drogas pro Lucas. Mas as vezes sinto que tem mais alguma coisa por trás disso. Alguma coisa grande. Como quando eu senti quando vi o corpo de Carla no chão naquela noite de Natal.

Era segunda. Acordei as seis. Me arrumei e fui pra escola.
Peguei o ônibus que sempre pegava e encontrei Mariana e Talita lá. Rafael morava perto, então ia a pé.

Sentamos os três nos bancos de trás. Ficamos conversando. Tentando evitar falar sobre o que acontecera no sábado.
Falamos sobre música e sobre glee (como se fosse diferente).

Chegamos na frente da escola depois de alguns minutos. Acho que devo descrevê-la.

Ela é bem grande. Na entrada, há um portão grande marrom. Uma ameaça pros atrasados quando é fechado: não é aberto mais, por nada no mundo.

Atravessando o portão temos uma grande praça. Com algumas árvores aqui e ali, canteiros com flores e alguns bancos.
Mais adentro, há o prédio propriamente dito: é branco e enorme. Acima da porta principal há uma placa com o nome da escola: IEBSO (Instituto de Ensino Bernardo Silva Oliveira).

Por toda a parede da frente há janelas alaranjadas. Todas abertas, revelando os tetos amadeirados de todas as salas, se vistas de baixo.
Tem 3 andares. É retangular se vista de cima. Do lado direito há um grande pátio. Com 2 quadras. Uma de futsal e a outra de vôlei. Do lado oposto, do outro lado da escola, há uma cantina e um grande salão. Com várias mesas redondas e vermelhas espalhadas.

No primeira andar ha a diretoria, a biblioteca, a sala de informática, o auditório e outras salas que eu nunca me interessei em entrar. Além do único elevador que leva aos outros dois andares.
No segundo, as salas de aula do Ensino Fundamental.
No terceiro, as salas do Ensino Médio. O que eu sempre odiei porque eu sento perto da janela.

As janelas são meio baixas e, com isso, mesmo sentado consigo ver o lado de fora. O que me dá uma náusea enorme. Odeio meu medo de altura. Me faz parecer uma criancinha de 5 anos. Pouca gente sabe disso, até porquê eu não saio por aí dizendo Oi, eu sou Mikael e tenho medo de altura mas é um tanto grave. Chego perto de algum lugar alto e sinto minha barriga fazer assim: BRRRRRRUOOOOHHH. Sinto até uma pressão no coração.
Mas, mudando de assunto, tenho que falar dos professores. Tenho 3 que mais gosto: A de Matemática 1, Izabela (a melhor professora de matemática do mundo, por sinal); A de Geografia, Andréa e o de Física, Paulo. O resto simplesmente não interessa. Não gosto de mais ninguém. São só aulas entediantes que me dão sono.

-Não acho que uma garota possa fazer coisas assim. Dar drogas para alguém é muito grave. Uma menina de, sei lá, 14 anos? Acho que não faria alguma coisa do tipo.

-É, Lita. Eu também acho que é um absurdo. Mas depois de tudo, não duvido de mais nada.

-Hu-Hum -pigarreou uma voz atrás de mim — Senhor Andrade, tem alguma coisa que gostaria de compartilhar com a turma ao invés de cochichar com a Dona Talita ?

-Não senhor. E... Meu nome é Mikael e eu não tenho 60 anos para me chamar de senhor, nem a Talita. E agente não está no século XX para me chamar pelo sobrenome.

-Ah, tá bom. Senhor Lesado.

Rimos.

-Admiro seu senso de humor, Paulo.

-Tá bom... Faz o dever aí vai — disse o professor de física, batendo com um livro na parte de trás da minha cabeça.

Alguém bateu a porta. Era a diretora. Mas não estava sozinha. Tinha uma menina. Não!

-Com licença professor Paulo.

-Toda.

-Alunos essa aqui é Julia Freitas, ela irá começar a estudar aqui na turma de vocês amanhã. Então recebam-na bem e com muito carinho.

Rafael acenou pra ela. Ela acenou de volta.

-Você pode sentar ali amanha, tudo bem? — a diretora apontou para uma mesa que ficava atrás de Mariana, do lado direito do Rafael e do meu lado esquerdo. Talita se sentava na minha frente.

-Tudo bem — a ouvi responder.

-Bom... Acho que ela não tem 14 anos.

-É como no filme A órfã. Só parece a santinha bonitinha e indefesa. Mas não ficaria surpresa se o nome dela for Adailda Maria da Silva e ela ter 54 anos — disse Mariana.

Nós três rimos. Não me admirei do Rafael não rir. Ele viu A órfã umas três vezes e acho ainda não entendeu.

O sinal bateu. A diretora saiu com Julia e fomos logo atrás.
No corredor, perto do elevador, tentei ouvir o que diziam. Como estava tentando dar atenção à Mariana que falava sem parar de rir alguma coisa sobre o tombo que a mãe dela levou no meio da faixa de pedestres só entendi algo do tipo:

-Não fique triste...

-Não acredito que eles podiam ter me acusado de uma coisa tão...

-O que aconteceu com ela vai ser segredo, você vai mudar pra outra turma e ninguém mais vai fazer nada do tipo.

-É, eu sei. Muito obrigada Dona Cláudia.

Depois disso o elevador subiu. A duas entraram nele, e alguns outros professores (só professores, autorizados, ou acompanhados por algum funcionário da escola podiam usá-lo). Sim, uma puta injustiça.

Desci pelas escadas com as meninas e Rafael. No primeiro andar, na porta da diretoria, Julia estava parada, chorando por algum motivo, eu não fazia ideia de qual, mas me fez sentir pena da garota.

Ela olhou para mim e Rafael com um olhar triste. Sorrimos para ela. Senti um certo ciúme vindo das meninas. Mas continuei andando para a saída da escola.

No caminho, quando Rafael seguiu o seu caminho para ir pra casa, comecei a contar o que ouvi para as garotas.

-Elas estavam falando sobre alguma coisa sobre a Julia. Ela foi acusada de fazer alguma coisa, eu acho.

-Será que é bullying? Quer dizer, será que é por isso que ela mudou de turma? — perguntou Mariana.

-Não. Não acho que seja isso, não.

-Bem... Agente tem que descobrir rápido disse Talita Antes que meu primo piore. Vou até o visitar hoje.

-É, Lita. Faz isso. Pergunta a ele se ele conhece a Julia e tenta fazer ele confessar algumas coisas.


Talita me chamou no skype. Estava meio abalada. Eu sabia o motivo de alguma maneira.

-Tenho que te contar o que aconteceu lá na clínica.

Pov's Talita.

Quando cheguei, Lucas tava dormindo. Sentei na maca dele, o cutuquei e ele acordou. Ele ficou meio assustado quando me viu mas depois abriu o sorriso de sempre.

Ele sentou e começamos a conversar. Evitei o papo das drogas no começo mas numa hora foi inevitável.

-Lucas, você tem que me contar o que era aquilo falei.

-Você sabe o que era.

-É, eu sei. Mas quem te deu aquilo? Quem tá te mandando aquela droga?

-Eu não sei. Só manda as cartas com a assinatura de HM.

-Você já usou?

Lucas hesitou.

-Já.

Fiquei meio triste depois que ela confessou aquilo mas eu não podia parar.

-Você conhece essa garota? — mostrei pra ele uma foto da Julia pelo meu celular.

Ele olhou para a foto e se assustou. Mas depois que uma lágrima caiu no seu rosto ele disse:

-Não.

-Você conhece, sim. Eu sei que sim, senão não teria agido assim.

-Não, não conheço.

Resolvi parar de pressionar. Ele parecia estar a ponto de explodir. Tinha que peguntar outra coisa que estava me incomodando.

-Tá bom. Eu acredito. Mas você tem que me dizer. O que é o espelho?
Lucas ficou surpreso com aquela pergunta.

-Como você sabe...?

-Você me falou.

-Ah. Eu falei Lucas chegou pra perto de mim e começou a sussurrar Ele aparece de vez em quando. Ele se parece comigo e...

-Com licença, o horário de visita acabou disse um médico que apareceu por trás de mim.

-O senhor pode esperar só um momento.

-Não, me desculpe. Você tem que sair.

-Tudo bem.

Lucas pareceu assustado com a presença do médico.

Me despedi dele.

-Você termina de me contar na próxima vez que eu vier aqui, tudo bem?

-Tá bem.

Lucas voltou a se deitar e eu saí junto com o médico.

Antes que a porta se fechasse pude ver a expressão apavorada de Lucas se enrolando na coberta. Fiquei com pena dele. Tentei entender como deve ser difícil para ele ficar sozinho naquela clínica

Olhei para o relógio. Ainda era 16:30. Só não questionei porque o médico me parou no corredor e começou a conversar comigo. Tinha uma forte impressão de tê-lo visto antes.

-Ele falou pra você do espelho?

-Não.

-Tentei esconder isso de você mas acho que é hora de falar.

-O quê?

-Lembra que eu falei com vocês que ele não ia poder se ver no espelho.

-Ah, era você? No hospital. Há meses atrás?

-Sim. Esse é o problema. Ele se viu no espelho. A primeira vez foi em junho. Ele ficou apavorado por algumas semanas. Mas depois se acostumou. Daí, de repente ele começou falar de novo. Que o espelho entra no quarto dele. Ele ficou traumatizado.

No momento eu entendi o que Lucas ia me dizer. Ele não via ninguém igual a ele. Ele se via no espelho. E ficou com esse trauma. Provavelmente sonha com isso ou coisa do tipo.

-Muito obrigado por me dizer isso. Mas eu preciso saber só mais uma coisa.

-Fala.

-Você sabe quem visita aqui?

-Estou aqui todos os dias.

-Já viu essa menina por aqui? — mostrei para ele a foto de Julia no meu celular.

-Sim. Ela vem aqui todo dia. Porque ela é minha filha. Não quero nem saber o motivo de ter uma foto da minha filha no seu celular.

-Su-sua, filha?

Notas finais
Gostou?
Eu sei que não.
Como diria a Julia e a Mari.
2 Beijos. =]
sigam a escola e deixem review pra eu saber se estão lendo. Por favor.