The Assassin Mirror
6 A Crazy Kiss
Notas iniciais
Tem um puta surpresa o final.
No sia seguinte acordei ansioso para ir a escola. Por um tempo tive vontade de me matar mas daí pensei que não era pra tanto.
Eu cheguei bem cedo. A escola estava quase totalmente vazia.
Quando cheguei fui para a sala da diretora, eu precisava conversar com ela.
-Com licença, Dona Cláudia.
-Sim, Mikael — disse ela sem nem olhar para a porta.
-Eu queria falar com a senhora sobre uma coisa importante.
-Estou com tempo meu querido, sente-se. Pode falar parou de escrever.
Me sentei.
-É, eu não sei se eu tenho o direito, mas eu queria saber por que a Julia foi pra nossa sala. Me desculpa se estou me metendo...
-Não, não. De maneira nenhuma. Você tem todo o direito — ainda com a caneta com que escrevia na mão, a diretora se ajeitou em sua cadeira, um pouco desconfortável. — Não sei se você sabe mas a Julia tem alguns problemas sociais. Ela já repetiu muitos anos, ela é um pouco baixa e por isso é alvo de muita pressão.
-Eu não sabia disso.
-Ela sempre sofreu bullying na outra turma, mas sempre tentávamos evitar. Mas teve um momento que não teve como.
-Quando aconteceu aquilo com a Dona Carol?
-É. Todos na sala ficaram a culpando. Mas Julia se desesperou quando viu a professora naquele estado e tentou fugir e pedir ajuda, mas como todos já a pressionavam, não houve jeito de evitar que a culpassem.
-Entendo — entendo porra nenhuma, admiro demais a ingenuidade da Diretora Cláudia.
-É, a Dona Carolina tomava remédios, naquela noite aconteceu aquilo e a coitada da Julia presenciou.
-Claro. Entendi.
O sinal bateu.
-É, agora tenho que ir. Obrigado por me contar Dona Cláudia.
-De nada Mikael. Mas olha, só te contei porque confio em você como em nenhum outro aluno hem.
-Tudo bem, pode confiar.
-Tchau.
-Tchau.
Saí da diretoria de segui o caminho para minha sala. No caminho Julia me encontrou.
-Oi Mikael — disse ela meio sem graça.
-Oi Julia.
-É legal que nós estejamos na mesma sala agora não é?
-É. Muito legal — é uma caca, pensei.
-Sabe, obrigado por estarem me apoiando agora que estou na sala de vocês.
-Tá bom. De nada.
Julia deu um sorriso inocente, porém mais falso que a risada de fundo da Zorra Total. Encontrei Talita e Mariana subindo as escadas. As segui deixando Julia pra trás.
-Ei meninas.
-Oi Mika — disseram as duas.
-Depois preciso contar uma coisa pra vocês. No recreio.
-Ta bem.
Quatro aulas entediantes se passaram. Até que enfim o sinal tocou.
Terminei o exercício chato de literatura e saí com as garotas e com Rafael. Nos sentamos numa mesa do refeitório, era meio que um lugar cativo.
-Bom, meninas, temos que conversar com vocês.
-Que foi? — perguntou Mariana.
Contamos tudo o que tínhamos descoberto no dia anterior.
-Então Hm é Hawk Man? — perguntou Talita Não entendi. Porque alguém usaria o nome de um jogo pra assinar cartas.
-Não sei não — falei. — É isso que agente tentando descobrir.
-Ei, que tal agente mudar de assunto? — disse Mariana apontando alguém que vinha pra nossa mesa.
-Oi pessoal -disse ela.
-Oi Julia — dissemos juntos.
Ela estava com o fone bem alto, acho que estava escutando Up All Night do One Direction, outra Directioner no mundo. Oh Damn.
-Eu estava pensando, já que o trabalho de literatura é em grupo, agente podia fazer junto.
-Não sei, não — disse Talita.
-Nossa Lita — chamei a atenção dela.
-Não, não. Tudo bem disse Julia — Eu sei que não é fácil incluir uma pessoa assim. Mas tudo bem, eu faço sozinha.
Julia virou as costas e foi andando.
Sabendo de tudo o que estava se passando com a Julia, fiquei com pena. Mesmo ela podendo ser uma assassina psicopata, acho que devemos ajudá-la. Pelo menos para nos aproximarmos dela e descobrir o que ela realmente quer.
Me levantei.
Ah, qual é pessoal. Vamos lá. A garota quer fazer o trabalho com a gente. Pelo menos isso. — falei, desviando o olhar para eles e piscando disfarçadamente.
Rafael também se levantou.
-É meninas. Ela pode fazer o trabalho com a gente sim.
-Tudo bem aceitaram elas. — Não tem problema.
Julia sorriu.
-Obrigado meninas. Obrigado a você, Mikael.
-Ah, que nada. Estamos aí pra isso.
Julia virou as costas. Eu sentei e mudei totalmente a fisionomia.
-Mano, que garota falsa.
-Tá bom — disse Mariana — Não entendi. Porque que a gente vai fazer o trabalho com ela.
-A gente precisa se aproximar dela. Saber o que ela realmente quer.
-Tá. Mas e se isso for o que ela quer.
-Pra que ela iria querer isso? Ah, olha. Tenho uma ideia. E se agente sair hoje?
-Sair? — perguntou Talita.
-É.
-Com ela?
-Óbvio.
-Acho que ela não iria querer segurar vela — disse Rafael.
-Tem razão. Mas não custa tentar.
Rafael e eu nos entreolhamos e levantamos. Andamos até Julia.
-Oi de novo.
-Oi.
-Você gostaria de sair com a gente hoje?
-Sair?
-É.
-A gente quem?
-Eu, Talita, Rafael e Mariana.
-Ah, não sei.
-Olha, se for por causa de segurar vela a gente chama algum outro garoto da sala...
-Não, nada disso — ela me interrompeu — Nem ligo pra essas coisas de segurar vela. É que eu tenho um compromisso hoje a noite e...
-Ah tá tudo bem.
-Mas vão, mesmo assim.
-O.k.
-Aonde vocês vão?
-Não sei. Acho que no Bob's. A gente sempre vai no Bob's.
-Tá bem. Se eu mudar de ideia, ligo pra vocês,
-Tudo bem. Até mais.
-Tchau.
Algumas horas mais tarde eu comecei a me arrumar.
Pus Let's Go do Ne-Yo para tocar e fui tomar banho.
Quando eram 20:00 eu estava pronto. Liguei para Talita e confirmei a presença dela.
Iríamos nos encontrar na rua, em frente ao Bob's.
Quando cheguei só vi Mariana. Estava sentada num banco de madeira olhando para uma mata que ficava bem a distancia.
Cheguei e me sentei.
-Caçando vaga-lumes?
-Ela riu.
-Sabe, no Natal do ano passado fiz a mesma pergunta pro Léo, quando eu achava que ele era o culpado de tudo.
-Mas não era.
-Não, não era.
-É a mesma coisa com a Julia.
-O que?
-Você acha que a Julia é a grande criminosa por causa de evidencias bobas.
-É. Na verdade eu nunca pensei nisso.
Ficamos em silêncio. Eu pensei por um tempo. Mariana tinha razão. Eu tinha culpado Léo de ter matado Carla. E agora estou fazendo a mesma coisa com a Julia. Talvez eu estivesse me precipitando.
Eu não tinha reparado, mas Mariana começou a chorar.
Eu abaixei a cabeça e verifiquei pra ter certeza. Ela estava com as mãos no rosto.
Eu puxei um dos braços dela e ela olhou pra mim. Seus olhos azuis estavam encharcados, gotas caíam em suas bochechas e seus lábios estavam tremendo.
-O que foi Mari.
-Não é nada. Eu só estava lembrando como era a minha vida antes de tudo aquilo. A minha vida com minha irmã, minha amizade com o Hugo, minha...
-Sua o quê?
-Minha amizade com você, meu amor por você.
Naquele momento eu me abalei totalmente. Senti uma pontada na barriga e quase comecei a chorar também.
Eu a abracei. Eu me sentia culpado por tê-la abandonado tanto. Desde tudo o que aconteceu, eu nem falava com ela direito.
Eu me sentia bem enquanto a abraçava, até que uma coisa aconteceu. Ela olhou para mim e de súbito senti um impulso, e a beijei. Pareceu uma coisa automática, eu não pensei antes de fazer. Ela não pareceu assustada, só retribuiu.
Não achei que era muito certo mas continuei o beijo. Quando, enfim, separei meus lábios dos dela, a olhei nos olhos. Não haviam tantas lágrimas, e seu olhar azul impactante estava alegre. Até que de repente se tornou um olhar surpreso, assustado, olhando para trás de mim.
Quando olhei, Talita estava chorando e correndo pra longe de nós.
E ainda perto Rafael estava parado, cético, sem reações. Somente balançou a cabeça e começou a andar, também pra longe de nós.
Notas finais
Deem Reviews ai eeem.
Amém.
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