The Arrival - A Chegada
1 Capítulo I
Uma noite fria acabara de chegar. Uma noite demasiado escura, uma noite única, diferente de todas as outras. Uma tempestade acompanhou-a, o que é muito raro.
Numa rua longa e despercebida, existe uma casa com telhados curvos e algumas divisões circulares.
Nessa casa irregular decorria uma festa. Uma festa com muita comida e bebida, com o mais maravilhoso entretenimento, com uma mobília fascinante... era a festa da Sra. Crocklin.
Na festa.
— Espero que estejam a gostar da festa! – exclamou a Sra. Crocklin.
— Claro que sim! – exclamou o Travanr.
O que vocês não sabem é que o Tranvanr, na verdade, é um cavalheiro rinoceronte falante.
Pois esta festa é bem-vinda a todos os que são humanos e também a todos os que são aniplotissis (na forma mais comum, animais falantes).
— Acho que é muito simpática por ter nos convidado a nós, animais, e aos humanos! – declarou a Gata Felissen
— Sim! Uma junção agradável! –concordou contente o Lince Prrah.
— Muito obrigada! – agradeceu amavelmente a Sra. Crocklin
No canto estavam sentados num sofá dois adolescentes humanos. Um rapaz e uma rapariga, irmãos. O rapaz era ruivo e os seus olhos eram grandes e verdes. A rapariga tinha cabelos longos castanhos encaracolados e os seus olhos eram brilhantes como o seu rosto.
— Nem acredito que me levaste até aqui! – resmungou o rapaz.
— A mãe disse que tinhas de vir comigo, tu não podias ficar lá em casa sozinho!
— Em casa sozinho?! Eu tenho 15 anos, eu consigo perfeitamente ficar em casa sozinho!- exclamou o rapaz.
— Mas já sabes como é a mãe.
O rapaz suspirou.
De repente a Sra. Crocklin surgiu entre as pessoas.
— Estão a gostar da festa? – perguntou curiosa a Sra. Crocklin.
— Sim, está tudo perfeito, a comida, os convidados, o local... tudo! – respondeu a rapariga.
— Ainda bem... ah, e como se chamam? Esqueci-me dos nomes!
— Sou a Kate e ele é o Carl. – respondeu Kate.
— Oh... são namorados?
— Não, não... não, não. – negaram completamente os dois irmãos.
— Nós somos irmãos!!! – explicou o Carl.
— Perdão, perdão, a minha pergunta foi incrivelmente tonta! – perdoou a Sra. Crocklin muito envergonhada.
— Pois, eu sou um ano mais velha do que ele!
— Pois, pois, entendo. Então, perdão.
— Oh, não, não... não é preciso, está-nos sempre a acontecer... –afirmaram os dois irmãos.
— Muito bem! Continuem!
A Sra. Crocklin desapareceu e continuou a interrogar os convidados.
Os dois irmãos olharam um para o outro.
— Hiiiuuuuuw... – enojaram-se.
Noutro canto estava uma mesa cheia de comida e bebida para os convidados deliciarem-se.
— Estes batidos de cenoura são os melhores que já provei! – deliciou-se o Sr. Coelho Lontry – Pode-me dar a receita, Sra. Crocklin?
— Claro! Corte uma cenoura em rodelas e ponha na trituradora. Acrescente...
Mas um grito sufocante interrompeu a Sra. Crocklin, na verdade, interrompeu todos. Após este grito a luz foi abaixo. Todos estavam assustados, até os irmãos.
— O que é isto!? – perguntou aflito o Lince Prrah.
E a porta de entrada abriu-se dando a todos a resposta daquela confusão.
A porta abriu-se e o som descoordenado dela encravou o fôlego dos convidados. Duas silhuetas negras completavam a vista admirada de todos.
— Quem são vocês e o que querem? –interrogou irado o Lince Prrah.
Um relâmpago revelou num segundo e meio uma mulher e um homem, ambos de capa azul escura e longa.
Na escuridão uma das silhuetas negras agitou a mão delicadamente com um gesto esquisito e incomum. Após o gesto a luz voltou e finalmente revelou-se as verdadeiras identidades das silhuetas.
Um homem alto com cabelo comprido castanho. Os seus olhos eram castanhos-chocolate. Parecia educado, mas ao mesmo tempo, exigente e sério.
Uma mulher de estatura média. Cabelo loiro dourado pelos ombros, olhos azuis e alguma maquilhagem para completar o rosto sorridente dela. Ao contrário do Homem, a mulher parecia doce e calma.
Ambos tinham uma capa azul escura muito longa, até aos pés, de colarinho alto, com defeitos em dourado.
Todos os convidados estavam de boca aberta e os seus olhos estavam abertos de espanto.
— Foram vocês que cortaram a luz! – exclamou o Sr. Lontry.
— Não há tempo para acusações! – explicou rapidamente o Homem.
— O quê?! Ninguém me… — exclamou o Coelho.
Mas foi interrompido por uma fonte de poder vinda por um só dedo da mão direita da Mulher e esta lançou um olhar feroz para ele. O Coelho concordou com o olhar ilegível da mulher. Depois disto o Coelho calou-se estranhamente.
— Não responderam à minha pergunta! – lembrou o Lince Prrah.
— Nós somos Winniharrcs! – exclamou o Homem.
Os convidados não reagiram, pois estavam em dúvida muito grande do que eram Winniharrcs. O Homem suspirou.
— Feiticeiros! – explicou ele.
— Ahhhhhhhhhhhh! – entenderam os convidados.
— Eu sou o McLance e ela é a Stormstin. – cumprimentou o McLance.
— Nós fomos enviados do Concelho mágico, para vos dar uma missão, a maior missão da vossa vida! – explicou a Stormstin.
— Porquê nós, porquê agora? – perguntou a Kate.
— Bem, minha jovem, o Concelho sabia que todos vocês iam ser convidados para esta festa… — explicou o McLance.
— E se não pudéssemos ir? – perguntou o Carl
— Ah… nós sabíamos! – disse o McLance.
— E como souberam? – perguntou a Sra. Crocklin.
— Não temos tempo para perguntas! – afirmou a Stormstin
— Nunca têm tempo para nada. – murmurou Carl.
— É o seguinte: Há uma fonte de poder desconhecida muito forte e também muito malvada a atacar o nosso povo. Não sabemos de onde vem, ou como surgiu, mas é vossa missão é descobrir a fonte de poder e destruí-la. – explicou McLance
— Porque é que não dão essa missão aos vossos preciosinhos Winniharrcs? – perguntou muito revoltado o Carl.
— Eles infelizmente estão severamente feridos e não podem seguir com esta missão... – explicou a Stormstin.
— Coitados... – lamentou a Sra. Crocklin.
— Mas... o Concelho descobriu que alguns de vocês têm uma forte magia, uma fonte de poder sufecientemente forte para destruir o mal que se encontra no nosso mundo.
— Por isso... os escolhidos vão ser levados para o nosso mundo e juntos vamos derrotar o mal.
— Escolhidos, como assim?
Stormstin estalou os dedos, um som muito agudo e veloz, e do nada um papel – melhor, um pedaço de pergaminho – surgiu nas mãos dela.
— Os Escolhidos são:... – anunciou Stormstin.
Todos olharam uns para os outros muito ansiosos, envergonhados, tímidos e incrédulos.
— Lince Prrah!
Prrah correu junto aos dois feiticeiros enquanto os convidados lhe felicitavam.
— Sr. Coelho Lontry!
O Coelho Lontry sorriu e dirigiu-se junto aos três.
— Sra. Crocklin!
A Sra. Crocklin nem teve de se mover, pois já estava o sufecientemente próxima para se passar por escolhida.
— Sr. Rinoceronte Travanr!
O Travanr dirigiu-se lentamente para os cinco “guerreiros”.
— Sr. Nelson!
O Sr. Nelson era um atraente homem de 29 anos, muito convencido, mas muito inteligente. Dirigiu-se para os escolhidos.
— E por fim... os irmãos Kate e Carl Jonhson.
— Que fixe!!!!!!!!!! – gritaram os dois pulando muito felizes.
McLance e Stormstin olharam para eles muito confusos e desiludidos.
— Esperem... esperem... esperem, de acordo com o pergaminho vocês... têm 25 e 26 anos... a mim não me parece que tenham essa idade. – disse McLance.
— Sim, é razão, não temos... na verdade, somos dez anos mais novos – disseram eles muito tristes.
A Stormstin suspirou.
— Bom, também, a idade é só um número, vocês até podem ser novos, mas o que importa é o vosso poder, por isso... aqui estão os dois últimos escolhidos! – declarou a Stormstin.
Os convidados bateram palmas, não só pelos dois últimos, mas também pelos outros cinco escolhidos.
— Bom... já que estão todos os escolhidos aqui, é melhor nós irmos embora... – disse McLance.
— Vão embora, mas... e a missão? – perguntou desiludido o Carl.
— Oh! Vocês vêm conosco! Estavam a pensar que ficavam aqui, ãã? – explicou sorridente a Stormstin.
Os escolhidos riram-se.
— Levem os vossos casacos, guarda-chuvas, tudo! Infelizmente, a festa terminou. – lamentou McLance.
A Sra. Crocklin teve uma excelente ideia.
— Sr. McLance... Sr. McLance!
— Pode-me tratar só por McLance.
— Sim... McLance, e se eu levasse comida, porque, afinal de contas, vamos viajar! – sugeriu a Sra. Crocklin.
— Hmm... até é uma boa ideia!
— Ahhh! E não se esqueça dos batidos de cenoura, Sra. Crocklin! – lembrou muito faminto o Sr. Coelho Lontry.
— Claro que não! – disse a Sra. Crocklin.
Enquanto os escolhidos se preparavam, a tempestade ia desaparecendo lentamente, muito lentamente...
Quando todos acabaram de se preparar, o céu estava cheio de estrelas de tão limpo que estava.
— Vamos lá! Felizmente já não está a chover! – disse Stormstin.
Quando todos saíam, os escolhidos e os convidados, McLance olhou para a Gata Felissen estranhamente e sussurou ao seu ouvido umas palavras muito calmas e curtas. McLance se afastou e saiu de casa.
Os Escolhidos estavam lá fora à espera, junto dos feiticeiros.
— E agora?... – perguntou Kate ansiosa.
— E agora esperamos. – respondeu Stormstin.
Os escolhidos entederam e esperaram. Carl começou a assobiar muito alto e... que som perturbador para os outros...
Kate olhou furiosa para o Carl.
— O que foi? – perguntou Carl.
De repente as estrelas rebentaram de luz e nessa luz extremamente forte e... intensa para um único olho olhar... surgiu uma nave roxa e azul ciano escuro.
— Digam olá à Liv! – disse McLance.
— Oh, onde é que ela está? – perguntou o Rinoceronte Travanr.
— É a nave! – explicou a Stormstin.
— Wow! Vocês disseram que eram feiticeiros, não feiticeiros do futuro. – afirmou a Sra. Crocklin.
— Ahaha! – riu-se McLance – Isto é uma das mais recentes tecnologias do nosso mundo. Permite-nos viajar de mundo em mundo sem controlar a nave. É só escolher o planeta e a nave automaticamente vai para esse planeta!
— Ohhhhh! – admiraram-se.
McLance sorriu.
— Vá, toca a entrar!
Uma rampa saiu da nave como se estivesse a dizer “bem-vindos”.
— Os escolhidos primeiro! Cuidado! Sigam as setas do chão! Exatamente! – indicou o McLance.
No fim de todos os escolhidos entrarem, McLance e Stormstin entararam na nave e a rampa foi lentamente subindo.
A nave desapareceu numa fração de segundo do planeta.
Já no espaço, os escolhidos admiravam-se imenso pelo interior.
— O exterior da nave até pode ser um pouco lamechas... mas o interior!!! – exclamou Nelson.
— Esta nave está preparada para tudo! Tem cozinha, camas, sala de estar, oficina, posto médico... e também casa-de-banho... – disse McLance.
— Ohh... impressionante!... – exclamaram os escolhidos.
— Por isso... estejam à vontade! – disse Stormstin.
— Sim... ok... se precisarem de mim estou a jogar tablet na sala de estar. – avisou Carl.
— Quanto tempo a viagem vai demorar? – perguntou o Lince Prrah.
— Cerca de 15 horas, vão passar aqui a noite. Amanhã acordamos, preparamo-nos e saímos da nave, pois já devemos estar no nosso planeta. – respondeu McLance.
— Que bom! – exclamou o Sr. Coelho Lontry.
— Amanhã o que vamos fazer no planeta? – perguntou o Sr. Nelson.
— Amanhã vamos para os Pântanos de Lava à procura de algum sinal ou informação sobre o poder. Mas antes, vamos à Sede do Concelho Mágico apresentar-vos ao Ministro, à Ministra e a praticamente todo o povo.
— Todo o povo? – perguntou nervosa Kate.
— Não há problema! – disse o Lince Prrah confiante.
— Sim! Aquilo vai ser rápido. É só apresentar-vos e partimos para os Pântanos de Lava. – tranquilizou Stormstin.
— Ok! Obrigada! – agradeceu Kate.
Na sala de estar, o Carl divertia-se muito com o tablet. Estava a jogar um jogo de corridas. Mas na terceira ronda perdeu e ficou tão zangado que bateu na estante que estava por cima dele. E com este movimento brusco caíu um livro: “O diário de McLance Trons”.
— O diário do McLance! – murmurou Carl.
E o Carl abriu-o e foi desfolhando as folhas.
McLance viu-o e Carl escondeu o diário atrás das costas.
— Não é preciso esconderes o diário. – disse McLance sabendo que Carl tinha o diário.
— Sou curioso. – disse o Carl.
McLance sentou-se no sofá ao pé dele e juntos leram o diário. E houve uma página que chamou à atenção no livro.
Carl leu-a:
— Hoje vou voltar à escola de Winniharrcs com a minha irmã... Stormstin!
O Carl ficou paralisado com a frase.
— A tua Stormstin é tua irmã?!
— Sim! Nós formamos uma equipa porque os feiticeiros negros mataram a nossa família e queremos vingança.
— Lamento pela tua família.
— Obrigado.
Depois chegou a hora de jantar e o próprio controlo da nave fez a comida. Estava deliciosa. Os robôs cozinham melhor que os humanos.
Às 22h 15m foram-se todos deitar para o novo dia no planeta dos Winniharrcs começar!
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