Uma noite fria acabara de chegar. Uma noite demasiado escura, uma noite única, diferente de todas as outras. Uma tempestade acompanhou-a, o que é muito raro.

Numa rua longa e despercebida, existe uma casa com telhados curvos e algumas divisões circulares.

Nessa casa irregular decorria uma festa. Uma festa com muita comida e bebida, com o mais maravilhoso entretenimento, com uma mobília fascinante... era a festa da Sra. Crocklin.

Na festa.

— Espero que estejam a gostar da festa! – exclamou a Sra. Crocklin.

— Claro que sim! – exclamou o Travanr.

O que vocês não sabem é que o Tranvanr, na verdade, é um cavalheiro rinoceronte falante.

Pois esta festa é bem-vinda a todos os que são humanos e também a todos os que são aniplotissis (na forma mais comum, animais falantes).

— Acho que é muito simpática por ter nos convidado a nós, animais, e aos humanos! – declarou a Gata Felissen

— Sim! Uma junção agradável! –concordou contente o Lince Prrah.

— Muito obrigada! – agradeceu amavelmente a Sra. Crocklin

No canto estavam sentados num sofá dois adolescentes humanos. Um rapaz e uma rapariga, irmãos. O rapaz era ruivo e os seus olhos eram grandes e verdes. A rapariga tinha cabelos longos castanhos encaracolados e os seus olhos eram brilhantes como o seu rosto.

— Nem acredito que me levaste até aqui! – resmungou o rapaz.

— A mãe disse que tinhas de vir comigo, tu não podias ficar lá em casa sozinho!

— Em casa sozinho?! Eu tenho 15 anos, eu consigo perfeitamente ficar em casa sozinho!- exclamou o rapaz.

— Mas já sabes como é a mãe.

O rapaz suspirou.

De repente a Sra. Crocklin surgiu entre as pessoas.

— Estão a gostar da festa? – perguntou curiosa a Sra. Crocklin.

— Sim, está tudo perfeito, a comida, os convidados, o local... tudo! – respondeu a rapariga.

— Ainda bem... ah, e como se chamam? Esqueci-me dos nomes!

— Sou a Kate e ele é o Carl. – respondeu Kate.

— Oh... são namorados?

— Não, não... não, não. – negaram completamente os dois irmãos.

— Nós somos irmãos!!! – explicou o Carl.

— Perdão, perdão, a minha pergunta foi incrivelmente tonta! – perdoou a Sra. Crocklin muito envergonhada.

— Pois, eu sou um ano mais velha do que ele!

— Pois, pois, entendo. Então, perdão.

— Oh, não, não... não é preciso, está-nos sempre a acontecer... –afirmaram os dois irmãos.

— Muito bem! Continuem!

A Sra. Crocklin desapareceu e continuou a interrogar os convidados.

Os dois irmãos olharam um para o outro.

— Hiiiuuuuuw... – enojaram-se.

Noutro canto estava uma mesa cheia de comida e bebida para os convidados deliciarem-se.

— Estes batidos de cenoura são os melhores que já provei! – deliciou-se o Sr. Coelho Lontry – Pode-me dar a receita, Sra. Crocklin?

— Claro! Corte uma cenoura em rodelas e ponha na trituradora. Acrescente...

Mas um grito sufocante interrompeu a Sra. Crocklin, na verdade, interrompeu todos. Após este grito a luz foi abaixo. Todos estavam assustados, até os irmãos.

— O que é isto!? – perguntou aflito o Lince Prrah.

E a porta de entrada abriu-se dando a todos a resposta daquela confusão.

A porta abriu-se e o som descoordenado dela encravou o fôlego dos convidados. Duas silhuetas negras completavam a vista admirada de todos.

— Quem são vocês e o que querem? –interrogou irado o Lince Prrah.

Um relâmpago revelou num segundo e meio uma mulher e um homem, ambos de capa azul escura e longa.

Na escuridão uma das silhuetas negras agitou a mão delicadamente com um gesto esquisito e incomum. Após o gesto a luz voltou e finalmente revelou-se as verdadeiras identidades das silhuetas.

Um homem alto com cabelo comprido castanho. Os seus olhos eram castanhos-chocolate. Parecia educado, mas ao mesmo tempo, exigente e sério.

Uma mulher de estatura média. Cabelo loiro dourado pelos ombros, olhos azuis e alguma maquilhagem para completar o rosto sorridente dela. Ao contrário do Homem, a mulher parecia doce e calma.

Ambos tinham uma capa azul escura muito longa, até aos pés, de colarinho alto, com defeitos em dourado.

Todos os convidados estavam de boca aberta e os seus olhos estavam abertos de espanto.

— Foram vocês que cortaram a luz! – exclamou o Sr. Lontry.

— Não há tempo para acusações! – explicou rapidamente o Homem.

— O quê?! Ninguém me… — exclamou o Coelho.

Mas foi interrompido por uma fonte de poder vinda por um só dedo da mão direita da Mulher e esta lançou um olhar feroz para ele. O Coelho concordou com o olhar ilegível da mulher. Depois disto o Coelho calou-se estranhamente.

— Não responderam à minha pergunta! – lembrou o Lince Prrah.

— Nós somos Winniharrcs! – exclamou o Homem.

Os convidados não reagiram, pois estavam em dúvida muito grande do que eram Winniharrcs. O Homem suspirou.

— Feiticeiros! – explicou ele.

— Ahhhhhhhhhhhh! – entenderam os convidados.

— Eu sou o McLance e ela é a Stormstin. – cumprimentou o McLance.

— Nós fomos enviados do Concelho mágico, para vos dar uma missão, a maior missão da vossa vida! – explicou a Stormstin.

— Porquê nós, porquê agora? – perguntou a Kate.

— Bem, minha jovem, o Concelho sabia que todos vocês iam ser convidados para esta festa… — explicou o McLance.

— E se não pudéssemos ir? – perguntou o Carl

— Ah… nós sabíamos! – disse o McLance.

— E como souberam? – perguntou a Sra. Crocklin.

— Não temos tempo para perguntas! – afirmou a Stormstin

— Nunca têm tempo para nada. – murmurou Carl.

— É o seguinte: Há uma fonte de poder desconhecida muito forte e também muito malvada a atacar o nosso povo. Não sabemos de onde vem, ou como surgiu, mas é vossa missão é descobrir a fonte de poder e destruí-la. – explicou McLance

— Porque é que não dão essa missão aos vossos preciosinhos Winniharrcs? – perguntou muito revoltado o Carl.

— Eles infelizmente estão severamente feridos e não podem seguir com esta missão... – explicou a Stormstin.

— Coitados... – lamentou a Sra. Crocklin.

— Mas... o Concelho descobriu que alguns de vocês têm uma forte magia, uma fonte de poder sufecientemente forte para destruir o mal que se encontra no nosso mundo.

— Por isso... os escolhidos vão ser levados para o nosso mundo e juntos vamos derrotar o mal.

— Escolhidos, como assim?

Stormstin estalou os dedos, um som muito agudo e veloz, e do nada um papel – melhor, um pedaço de pergaminho – surgiu nas mãos dela.

— Os Escolhidos são:... – anunciou Stormstin.

Todos olharam uns para os outros muito ansiosos, envergonhados, tímidos e incrédulos.

— Lince Prrah!

Prrah correu junto aos dois feiticeiros enquanto os convidados lhe felicitavam.

— Sr. Coelho Lontry!

O Coelho Lontry sorriu e dirigiu-se junto aos três.

— Sra. Crocklin!

A Sra. Crocklin nem teve de se mover, pois já estava o sufecientemente próxima para se passar por escolhida.

— Sr. Rinoceronte Travanr!

O Travanr dirigiu-se lentamente para os cinco “guerreiros”.

— Sr. Nelson!

O Sr. Nelson era um atraente homem de 29 anos, muito convencido, mas muito inteligente. Dirigiu-se para os escolhidos.

— E por fim... os irmãos Kate e Carl Jonhson.

— Que fixe!!!!!!!!!! – gritaram os dois pulando muito felizes.

McLance e Stormstin olharam para eles muito confusos e desiludidos.

— Esperem... esperem... esperem, de acordo com o pergaminho vocês... têm 25 e 26 anos... a mim não me parece que tenham essa idade. – disse McLance.

— Sim, é razão, não temos... na verdade, somos dez anos mais novos – disseram eles muito tristes.

A Stormstin suspirou.

— Bom, também, a idade é só um número, vocês até podem ser novos, mas o que importa é o vosso poder, por isso... aqui estão os dois últimos escolhidos! – declarou a Stormstin.

Os convidados bateram palmas, não só pelos dois últimos, mas também pelos outros cinco escolhidos.

— Bom... já que estão todos os escolhidos aqui, é melhor nós irmos embora... – disse McLance.

— Vão embora, mas... e a missão? – perguntou desiludido o Carl.

— Oh! Vocês vêm conosco! Estavam a pensar que ficavam aqui, ãã? – explicou sorridente a Stormstin.

Os escolhidos riram-se.

— Levem os vossos casacos, guarda-chuvas, tudo! Infelizmente, a festa terminou. – lamentou McLance.

A Sra. Crocklin teve uma excelente ideia.

— Sr. McLance... Sr. McLance!

— Pode-me tratar só por McLance.

— Sim... McLance, e se eu levasse comida, porque, afinal de contas, vamos viajar! – sugeriu a Sra. Crocklin.

— Hmm... até é uma boa ideia!

— Ahhh! E não se esqueça dos batidos de cenoura, Sra. Crocklin! – lembrou muito faminto o Sr. Coelho Lontry.

— Claro que não! – disse a Sra. Crocklin.

Enquanto os escolhidos se preparavam, a tempestade ia desaparecendo lentamente, muito lentamente...

Quando todos acabaram de se preparar, o céu estava cheio de estrelas de tão limpo que estava.

— Vamos lá! Felizmente já não está a chover! – disse Stormstin.

Quando todos saíam, os escolhidos e os convidados, McLance olhou para a Gata Felissen estranhamente e sussurou ao seu ouvido umas palavras muito calmas e curtas. McLance se afastou e saiu de casa.

Os Escolhidos estavam lá fora à espera, junto dos feiticeiros.

— E agora?... – perguntou Kate ansiosa.

— E agora esperamos. – respondeu Stormstin.

Os escolhidos entederam e esperaram. Carl começou a assobiar muito alto e... que som perturbador para os outros...

Kate olhou furiosa para o Carl.

— O que foi? – perguntou Carl.

De repente as estrelas rebentaram de luz e nessa luz extremamente forte e... intensa para um único olho olhar... surgiu uma nave roxa e azul ciano escuro.

— Digam olá à Liv! – disse McLance.

— Oh, onde é que ela está? – perguntou o Rinoceronte Travanr.

— É a nave! – explicou a Stormstin.

— Wow! Vocês disseram que eram feiticeiros, não feiticeiros do futuro. – afirmou a Sra. Crocklin.

— Ahaha! – riu-se McLance – Isto é uma das mais recentes tecnologias do nosso mundo. Permite-nos viajar de mundo em mundo sem controlar a nave. É só escolher o planeta e a nave automaticamente vai para esse planeta!

— Ohhhhh! – admiraram-se.

McLance sorriu.

— Vá, toca a entrar!

Uma rampa saiu da nave como se estivesse a dizer “bem-vindos”.

— Os escolhidos primeiro! Cuidado! Sigam as setas do chão! Exatamente! – indicou o McLance.

No fim de todos os escolhidos entrarem, McLance e Stormstin entararam na nave e a rampa foi lentamente subindo.

A nave desapareceu numa fração de segundo do planeta.

Já no espaço, os escolhidos admiravam-se imenso pelo interior.

— O exterior da nave até pode ser um pouco lamechas... mas o interior!!! – exclamou Nelson.

— Esta nave está preparada para tudo! Tem cozinha, camas, sala de estar, oficina, posto médico... e também casa-de-banho... – disse McLance.

— Ohh... impressionante!... – exclamaram os escolhidos.

— Por isso... estejam à vontade! – disse Stormstin.

— Sim... ok... se precisarem de mim estou a jogar tablet na sala de estar. – avisou Carl.

— Quanto tempo a viagem vai demorar? – perguntou o Lince Prrah.

— Cerca de 15 horas, vão passar aqui a noite. Amanhã acordamos, preparamo-nos e saímos da nave, pois já devemos estar no nosso planeta. – respondeu McLance.

— Que bom! – exclamou o Sr. Coelho Lontry.

— Amanhã o que vamos fazer no planeta? – perguntou o Sr. Nelson.

— Amanhã vamos para os Pântanos de Lava à procura de algum sinal ou informação sobre o poder. Mas antes, vamos à Sede do Concelho Mágico apresentar-vos ao Ministro, à Ministra e a praticamente todo o povo.

— Todo o povo? – perguntou nervosa Kate.

— Não há problema! – disse o Lince Prrah confiante.

— Sim! Aquilo vai ser rápido. É só apresentar-vos e partimos para os Pântanos de Lava. – tranquilizou Stormstin.

— Ok! Obrigada! – agradeceu Kate.

Na sala de estar, o Carl divertia-se muito com o tablet. Estava a jogar um jogo de corridas. Mas na terceira ronda perdeu e ficou tão zangado que bateu na estante que estava por cima dele. E com este movimento brusco caíu um livro: “O diário de McLance Trons”.

— O diário do McLance! – murmurou Carl.

E o Carl abriu-o e foi desfolhando as folhas.

McLance viu-o e Carl escondeu o diário atrás das costas.

— Não é preciso esconderes o diário. – disse McLance sabendo que Carl tinha o diário.

— Sou curioso. – disse o Carl.

McLance sentou-se no sofá ao pé dele e juntos leram o diário. E houve uma página que chamou à atenção no livro.

Carl leu-a:

— Hoje vou voltar à escola de Winniharrcs com a minha irmã... Stormstin!

O Carl ficou paralisado com a frase.

— A tua Stormstin é tua irmã?!

— Sim! Nós formamos uma equipa porque os feiticeiros negros mataram a nossa família e queremos vingança.

— Lamento pela tua família.

— Obrigado.

Depois chegou a hora de jantar e o próprio controlo da nave fez a comida. Estava deliciosa. Os robôs cozinham melhor que os humanos.

Às 22h 15m foram-se todos deitar para o novo dia no planeta dos Winniharrcs começar!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.