The Apocalypse
4 Still Into You
Notas iniciais
4
Horas depois, quando já tinha anoitecido, recebemos uma notícia. Zack, o namorado de Beth, tinha morrido em uma busca.
— … e aí nós ouvimos um barulho. Bob tinha derrubado uma prateleira e ficou preso. Nós íamos ajudá – lo quando… — Glenn deu uma pausa respirando fundo – quando eles começaram a cair do teto. Nós matamos vários e depois Zack levantou a prateleira para soltar Bob. Mas um zumbi o mordeu.
— A Beth já sabe ? – perguntou Hershel, preocupado com sua dilha mais nova.
— Eu conto. – falou Daryl.
O refeitório, local onde tinhamos nos reunido para a notícia, ficou em silêncio. Logo as pessoas se dispersaram para ir dormir. Fui direto para minha cela, não sei se conseguiria consolar Beth.
Adormeci pensando no dia maluco que tinha tido.
(…)
Acordei mais cedo do que o normal nesse dia. Vesti uma calça jeans, um suéter azul escuro e minhas botas surradas. Decidi que iria dar uma volta pela prisão antes de tomar o café.
Sai do bloco C e andei até o primeiro portão que separava os blocos da outra parte da prisão. Abri – o tentando fazer o mínimo barulho possível e o fechei. Dei uma volta e parei no estábulo. O cavalo de Michonne estava lá e relinchou quando cheguei. Peguei uma escova que estava em um banquinho e começei a escová – lo. Uns minutos depois, ouvi alguém chegando. Era Michonne.
— Bom dia. Acordou cedo. – falou ela, colocando a sela e sua mochila no cavalo.
— Você vai para uma busca ? – perguntei.
— Vou. Você quer alguma coisa ?
— Na verdade, sim. Se você achar algum doce, traz para mim ?
— Claro. – ela deu uma pausa. – Eu tenho uma pergunta um pouco pessoal.
— Pode falar.
— Você e o Carl, vocês estão…? – ela perguntou, arqueando uma sombrancelha.
Demorei alguns segundos para entender e quando consegui, aposto que minha cara estava pegando fogo.
— N-não por que acha isso ?
— Por nada. O Carl anda meio estranho. Pensei que talvez fosse você.
Milhões de perguntas já iam começar a martelar minha cabeça quando, como se tivesse ouvido seu nome, Carl apareceu seguido de Rick. Ele olhou para mim e eu, que não consegui fazer o mesmo, olhei para o chão. Nós seguimos em direção á cerca.
— Toma cuidado por aí. – disse Rick.
— Sempre tomo. Algum pedido ? Livros ? Gibis ? M&M vencido ? – ela disse, fazendo a pergunta a Carl.
— Você é quem gosta de M&M vencido. Vai procura um pra você – rebateu Carl, em um tom brincalhão.
— Vou procurar com certeza – ela deu uma pausa. – Por que não usa mais chapéu ?
— Não é chapéu de fazenda. Volta logo ?
— Logo, sim. – disse Michonne.
Abrimos o portão para Michonne e ela foi para a busca.
Voltamos para a horta e ajudei Rick e Carl a recolher um pouco de minhocas para dar aos porcos. Eles encheram alguns baldes e foram até o chiqueiro.
Continuei cuidando da terra em silêncio quando ouvi um estrondo. Corri para o chiqueiro, onde estava Rick e Carl.
— Fiquem aqui. – disse Rick, indo em direção de onde tinha saído o barulho. Ouvi um ranger de portas abrindo e gritos de criança.
— Socorro, socorro ! Por favor, venham logo. – gritou Lizzie, com Mika em seu encalço.
— Que bloco ? – bradou Maggie, de uma das torres.
— Eu não sei ! – gritou Rick de volta. Ele se virou para mim e Carl. – Vão para a torre com a Maggie. Não discutam. Depressa !
Carl fechou o chiqueiro com um pedaço de madeira e corremos em direção á torre. Quando estávamos perto, ouvimos um assovio. Michonne estava voltando para a prisão.
Corremos para abrir os portões para ela. Ajudei Carl a abri – los, mas não conseguimos fechar a tempo. Alguns zumbis entraram no lado de dentro. Michonne saiu de cima do cavalo e tentou matá – los. Uma zumbi segurou seu pescoço e Michonne a empurrou, junto com outro que estava atrás da primeira.
Carl correu para pegar uma espingarda que estava em um canto e a mirou em um dos zumbis. Ouvi Maggie gritar algo e um segundo depois Michonne tropeçou em uma corda e caiu de costas no chão. Os zumbis tentaram pegá – la mas ela conseguiu empurrar um, que logo recebeu um tiro de Carl. Maggie finalmente chegou e abriu o portão para ajudar Michonne. Michonne conseguiu tirar o outro zumbi de cima de si, empurrando – o em direção a uma das armadilha. Ouvi um grito de dor e parecia que Michonne tinha se machucado. Maggie atirou no zumbi e ajudou a levar Michonne para a cerca.
Observamos os zumbis que os tiros tinham atraído. Os problemas ainda não tinham acabado
(…)
Estava tomando conta de Lizzie e Mika perto da cerca. Lizzie estava agachada na cerca e Mika olhava para o nada. As duas olhavam para o além e pareciam abatidas. Mais cedo, Patrick tinha morrido de uma gripe desconhecida e mordeu várias pessoas até que o bloco D virasse um caos. O pai de Lizzie e Mika tinha sido mordido também.
As duas, mesmo sofrendo, pareciam calmas. Eu, por outro lado, estava com raiva. Raiva pela morte de Patrick. Raiva por crianças terem que viver em um mundo como este.
Estava tão imersa em pensamentos que mal percebi quando Carol chegou.
— Vão enterrar seu pai. Vocês podem ir lá, levar flores. – ela deu uma pausa. – Lizzie, temos de conversar sobre o que aconteceu lá.
Lizzie levantou – se e andou até outra parte da cerca.
— Seu pai me pediu para proteger vocês como minhas filhas. E protegerei. – ela disse, seguindo Lizzie. – Está na hora de alguém te dizer a verdade. Querida, você é fraca. Ficou com medo. Tem que confiar em seus instintos e agir rápido toda vez. É a vida ou a morte.
— Ele morreu. – disse Lizzie, finalmente.
— Eu sei, eu sinto muito. – ela disse e a abraçou — Mas se você quiser viver vai ter que ser forte.
— Ele morreu. – repetiu ela. – Ele era especial e agora morreu. Por que mataram ele ? Por que mataram o Nick ?
— Você é muito burra. – falou Mika. Lizzie saiu correndo, se afastando de nós.
— Nick ? – perguntou – se Carol.
— Ela tá confusa, mas não é fraca. – falou Mika e seguiu a irmã.
Passou – se uns segundos de silêncio.
— Quem é Nick ? – perguntou Carol a mim.
— Ontem, as meninas me disseram que estavam dando nomes aos zumbis. Mika entende o que eles são, mas Lizzie não. Achei que não era nada, por isso não contei a ninguém.
— Ela vai ter que entender isso. – falou Carol, encerrando o assunto. Logo ela foi embora e eu fiquei lá, sozinha.
O vento soprava e fazia a grama se mexer e o cheiro das flores se espalhar. Decidi voltar para o bloco e ajudar em algo, mas Maggie gritando me distraiu.
— Rick ! Daryl ! – ela gritou a plenos pulmões. A primeira cerca estava tombando pelo barulho do tiroteio há pouco tempo. Os mortos vivos se apoiavam na cerca e enfiavam seus braços pela cerca para tentar entrar de qualquer forma. Atrás deles mais vinham, prontos para derrubar a cerca.
Corri em direção á cerca e peguei um pé de cabra que encontrei perto dela. Começei a matar os zumbis enquanto Maggie gritava algo para os outros. Continuei ajudando a matar os mortos.
— Vocês viram isto ? – gritou Sasha, tentando fazer sua voz se sobressair da dos mortos. Carcaças de ratos mortos estavam no canto da cerca. – Alguém tá alimentando essas coisas ?
— Cuidado ! – gritou Rick. A cerca estava começando a cair pelo peso dos zumbis. Continuamos matando – os até que a cerca começou a cair em cima de nós. Tive medo naquele instante e ignorei essa sensação. Seguramos a cerca enquanto todos gritavam ordens ao mesmo tempo. Aquilo estava um caos.
— Todo mundo pra trás ! Pra trás agora ! – gritou Daryl e me afastei da cerca, enquanto limpava meu corpo que estava com sangue e suor.
— Se continuar a ceder assim, os zumbis vão passar por cima. – falou Sasha. Não sabíamos o que fazer e parecia que não tínhamos escolha.
Rick passou a mão pela barba e olhou para o chão.
— Daryl, pega a picape. Eu sei o que fazer. – disse ele e os dois foram pegar o carro. Saímos da primeira cerca rapidamente.
Minha cabeça girava e o cheiro do suor e sangue misturados era horrível.
— Você está bem ? – perguntou Maggie.
— Nunca estive melhor. – falei, com um sorrisinho.
A picape saiu e vi que Rick estava na caçamba com alguns porcos. Naquele instante entendi o plano. Nós precisavamos nos livrar dos porcos porque talvez eles estivessem nos passando a doença e também precisavamos nos livrar dos mortos.
Os mortos começaram a ir em direção aos porcos e comê – los. Quando Rick terminou, ele estava cheio de sangue no rosto.
Essa era a realidade. Todos estavamos infectados. Não tinha como escapar. Não importava quantos remédios tomavam ou quão saudáveis eramos. Isso continuava dentro de nós.
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