The Another
1 Prólogo
Notas iniciais
Eles, ela e ele, sentaram-se de frente para a mais nova, tinham que conversar, mas aquele era um assunto bastante delicado.
¬ Já ouviu falar da Misaki? — indagou a mais velha. — A Misaki da classe 3 da oitava série.
¬ Há alguém com esse nome na classe 3? — estava confusa.
¬ Aconteceu há 28 anos. — explicou o mais velho. — Ela era popular desde a sexta série. Era inteligente, bonita, e tinha uma ótima personalidade. Por isso, era adorada pelos estudantes e professores.
¬ Faz sentido... — respondeu. — Há pelo menos uma pessoa assim em cada série de todas as escolas do mundo.
¬ Mas logo após ter começado a oitava série, Misaki morreu. — completou a maior.
Pareceu muito surpresa, um claro sinal de que desconhecia a história.
¬ O quê? Como?
¬ Em um acidente. — responderam juntos. — E depois disso, todos ficaram muito abalados. — continuou o maior. — Até que, repentinamente, uma pessoa disse aquilo. — hesitou por um momento.
¬ Aquilo? — era evidente sua curiosidade.
¬ Ela apontou para a mesa da Misaki e disse: “Misaki está bem ali. A Misaki não está morta”. — ditou a mais velha.
¬ Isso é...
¬ Bem, era só encenação. — continuou o mais velho, tentando aliviar o peso da frase anterior. — Mas daquele dia em diante, a classe 3 começou a agir como se a Misaki ainda estivesse viva.
Remexeu-se desconfortável.
Um assunto como aquele era deveras delicado, ainda mais em um pais onde a morte é sinônimo de medo irracional e racional.
¬ Isso é um pouco assustador. — comentou.
¬ Eles continuaram a encenação até a graduação. — o maior prosseguiu. — O diretor até mesmo providenciou um assento para a Misaki na cerimônia de graduação deles.
Deu um sorriso amarelo, uma forma de tentar se acalmar e ver o lado bom das coisas.
¬ Isso não é algo bom?
¬ Se tivesse terminado nisso. — comentou a maior.
Emudeceu por alguns instantes e a cor sumiu de seu rosto.
¬ Ainda teve mais?
O mais velho mordeu o lábio inferior com força, nunca foi algo fácil de se falar.
¬ O resto da história é... — não sabia como explicar.
Percebendo suas incertezas, a mais velha resumiu tudo, de forma solene, em uma única e pesadíssima frase:
¬ O Outro.
Notas finais
Bjs. L :3
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