The 70's
12 The Queen and The Ace
Um mês depois
Angel, despreparadamente, fazia chá para Miss Aubrey na cozinha da casa dela. Ela já tivera alta, mas continuava com a perda de memória. Sua coordenação continuava meio ruim, mas ela insistiu que tivesse alta, e seu "namorado", disse ela, a ajudaria a se manter viva.
- Hm... — Ele falava ao telefone — Roberto, Aubs está com febre e dor de cabeça desde ontem, o que posso fazer? — Ele aguardou instruções, na casa silenciosa. Ela estava dormindo — Uh, sei. Posso dar chá pra ela?
Mais 5 minutos de perguntas, Angel se mostrava bem cuidadoso. Roberto a marcou para uma consulta mais tarde porque, além dela ser sua "cunhada", era uma agente especial da DCI, tinha prioridade.
- Pronto, Aubs, seu chá. — Ele a acordou levemente, entregando uma xícara vermelha com um líquido meio verde.
- Obrigada, Angel. — Assoprou e começou a tomar calmamente.
- Você anda dormindo muito... É estranho. — Ele fez uma careta ao sentar do lado de Aubrey — Como consegue tomar isso? Tem um cheiro horrível.
Ela puxou a bochecha dele fracamente, olhando para a xícara.
- Estou acostumada. Eu acho.
- Hm. Eu não tomaria. — Outra careta.
- Cale a boca e deite, durma se possível. Passou a noite acordado me olhando, que eu sei. — Aubrey colocou a xícara no criado-mudo e enrolou seu cabelo, fazendo uma espécie de coque.
- Claro que sim, você estava quase colocando fogo na casa de tanta febre! Eu tenho que cuidar da senhorita, caso tenha esquecido. — Ele se acomodou na cama, fechando os olhos, testando-a.
Geralmente, (sempre) Aubrey não deixava Angel dormir na mesma cama, mas agora com a memória da ruiva perdida, Angel dormia em outro quarto, de livre e espontânea vontade. Fato que a amnésica Aubrey não entendia.
- Tá, tá. — Ela encerrou o assunto rapidamente. Sua cabeça dóia, e ela estava com frio.
Miss Aubrey terminou o chá, indo ao banheiro em seguida. Encheu a banheira de água fria e começou a se despir. Desde o começo da dor de cabeça, ela andou tendo flashs de algumas mémorias estranhas. Anos 70 e pistas de patinação. Não parecia fazer sentido, então não contou para ninguém.
- Ai, que droga... — Molhou-se de uma vez e ficou debaixo da água por um tempo.
Esperava que sua dor de cabeça melhorasse, mas nada aconteceu.
- Aubrey? — Ela escutou Angel bater na porta, depois de uma hora, e parecia preocupado.
- Estou bem, estou viva. — Ela revirou os olhos.
- Ah. Está tomando banho?
- Sim, mas não crie imagens nessa sua cabeça pervetida, Angel. Está anoitecendo, mas ainda é cedo para alguma coisa.
Ele sorriu contra a porta, mas ambos sabiam que ele não tinha tentado nada com a Aubrey sem memória. Não seria correto, embora ele a desejasse mais que todas as mulheres do mundo. Já Aubrey estranhou seu "namorado" não tentar nada do tipo com ela.
- Já estou saindo. — Avisou ela vestindo seu roupão. Assim que tocou a maçaneta, o banheiro ficou escuro e o quarto silencioso.
Fusíveis queimados.
Aubrey se irritou, e abriu a porta com força, caminhando a passos duros até a cama. Conhecendo Angel nessas semanas, ele certamente teria saído do quarto. Engano seu.
- Ai! — Ela esbarrou em Angel, em pé na frente da cama.
Ele a segurou antes que ela caísse e se desculpou na escuridão, saindo rapidamente.
- Não, espera, tá escuro, você pode cair naquela escada mortal. Fica aí no canto que eu me arrumo no closet. — Disse ela se afastando.
- Uh, si-sim, okay. — Ele andou devagar até a porta, de repente agitado. "Coisas acontecem no escuro, ha." Riu mentalmente.
Cinco minutos depois, Miss Aubrey saiu do Closet e sentou na cama, olhando a escuridão.
- Angel? Ainda está aqui? — Ela chamou para o nada.
- Hm... Sim, haha. — Ele riu na orelha dela, assustando-a.
- Seu... Seu idiota! Argh. — Ela o bateu, puxando-o para a cama — Está escuro e eu quase acerto você, seu idiota!
Ele continuava rindo, leve. Após um tempo, se recompôs e sentou ao lado dela.
- O que vamos fazer, Aubs? Sentar e esperar até de manhã, ou encarar a "grande e poderosa escada mortal"? — Angel sorriu e deixou seu rosto próximo ao dela, sem que ela percebesse.
- Ora, não brinque com isso, Angel. Eu... — Ela virou o rosto e então percebeu a aproximação dele — O que está fazendo?
- Nada. O que pensa que estou fazendo?
- Está tentando me irritar?
- Hm... Não, mas chega perto.
Ele riu, mas a conversa não passava de um sussurro.
- Você está perto demais. E quer me beijar.
- É isso aí. Boa tacada, olhos verdes.
- Mas não vai chegar mais perto, não é?
- Não posso. Bem que eu queria.
- O que te impede?
- Você.
O celular de Angel acendeu, avisando bateria baixa, mas foi suficiente para que eles pudessem se enxergar.
- Não seja por isso, olhos castanhos.
Ela pegou o rosto de Angel com as mãos e o beijou. Ele não esperava, mas rapidamente esqueceu o porque de evitar isso. O celular caiu, mas nenhum dos dois se deu ao trabalho de olhar.
Miss Aubrey subiu em Angel, sem parar de beijá-lo. Ele se encostou na cabeceira da cama, enquanto subia a blusa de renda azul que ela usava. Logo, a peça estava no chão, junto com a camisa verde escura de mangas que Angel usava.
Ela passou as mãos nos cabelos de Angel, puxando-os quando ele agarrou sua bunda. Aubrey voltou a beijá-lo até que Angel a virou, ficando por cima. Ela gemia com os beijos no pescoço descendo para os seios cobertos com o sutiã e com a mão de Angel em sua coxa.
No chão, a tela do celular brilhou de novo, com uma mensagem de Roberto.
"Onde está? A consulta foi cancelada pelo atraso de vocês, mas espero que essa dor de cabeça passe. Faça Miss Aubrey se distrair e se mexer, para abaixar essa febre. Amanhã eu marco um novo horário. Boa noite, Ang e Aubrey.
Roberto."
O que ele não sabia era que eles já estavam ocupados.
X.x.x
A ruiva estava dormindo, novamente. Angel colocou a mão no pescoço dela, ver se estava com febre, mas não estava. Suspirou e olhou para o teto. Sua sensação de culpa estava nas alturas, mas seu rosto estava corado. Não haveria homem mais satisfeito que Angel no momento.
- Hmmm... — Miss Aubrey se mexeu ao lado dele, espreguiçando-se — Bom dia, olhos castanhos...
Ela sorriu quando encontrou o olhar de Angel, e seu sorriso aumentou mais ainda quando percebeu a novidade.
- Por quê está sorrindo? Está criando planos para me expulsar ou chamar a polícia? Não devia ter ficado quando faltou energia... — Seu rosto era quase choroso.
Aubrey não tirou o sorriso do rosto e se aproximou de Angel, que apenas a observava.
- Você fala demais... — Ela subiu nele novamente, depositando um beijo na boca dele. Depois vários no rosto de Angel.
Ele a abraçou debaixo do lençol, agora sorrindo de volta.
- Agora entendo porque você não tentou nada antes... — Ele a interrompeu.
- Claro, eu poderia ficar viciado em você com esse corpo e aquelas manobras poderosas de ontem...
Ela riu, fazendo o contorno do rosto dele com as mãos.
- E aí não viveríamos mais, não é? — Ela riu de novo — Mas é sério, me deixe terminar.
- Sim, sim, termine, é que eu não quis ser rude ao não comentar os acontecimentos de ontem, sabe...
Dessa vez, ela bateu no ombro dele de leve, olhando-o com desaprovação.
- Você não tentou nada antes porque, quando eu recuperasse a memória, iria ficar brava com você por ter se aproveitado de mim se fingindo de meu namorado. Estou certa?
Ela levantou uma sobrancelha, desafiadora.
- Sim, fiquei preocupado com isso, e quando o Roberto falou que eu era seu namorado, não estava planejado, mas se eu contasse a verdade, você me expulsaria e não deixaria chegar perto de você nunca mais e... Espera aí, como sabe que eu não sou seu namorado de verdade? — Angel ficou confuso e nervoso, mas Aubrey continuava a sorrir.
- Eu lembrei de você. Lembrei de tudo. DCI, 70, Tan. — Ela mexeu o cabelo dele, bagunçando as mechas rebeldes.
Angel ficou surpreso, sem reação. Aubrey ficou confusa, achou que ele ficaria feliz, assim como ela.
- O que foi? Não está feliz? — Ela brincou, mas já estava ficando nervosa.
O motivo de nunca ter levado a sério as cantadas foi a possibilidade dele a usar. Angel sempre foi mulherengo, mas nunca foi daqueles que machucam o coração alheio. Ele apenas gostava de curtir, e só.
- Quero dizer, essa é a melhor notícia do ano, mas...
- Mas?
- Não vai mesmo me expulsar daqui?
- Não, por que faria isso? Você ainda é meu namorado.
Angel relaxou e tirou os cabelos do rosto de Miss Aubrey, maravilhado com os olhos verdes.
- É, ainda sou seu namorado.
Ele sorriu e Aubrey saiu de cima dele, rindo. Levantou, pegou o lençol que ambos estavam cobertos e se enrolou nele, deixando Angel com a boxer azul escura.
- O que está fazendo? Para onde vai? — Ele perguntou, curioso. Apoiou-se nos cotovelos e olhou para Aubrey.
- Vou fazer você se mexer, ainda estou de licença e você cuidando de mim. Então vamos encarar a "grande escada mortal"...
Ele sorriu, levantando em seguida. Ficou perto de Aubrey e a abraçou por trás, mordendo a orelha dela.
- Meu cabelo não está arruinado. — Comentou Miss Aubrey pegando uma mecha da franja para olhar.
- É, está bonito. Mas você está mais. — Terminou Angel.
Sorriram e desceram a escada para a cozinha.
A rainha e o ás finalmente se entenderam.
Notas finais
P.S.: Há várias controvérsias em relação aos olhos da Ruiva. Uns dizem que são Avelã, outros que são Azuis, e os do meu lado que dizem ser Verdes. Eu acho uma paaaaaalhaçada serem avelãs, porque ela é ruiva legítima, e iria magoar meu coraçãozinho frágil. Azuis não vou nem comentar. Sou do time dos verdes. *Estende bandeirinha verde* Go, Green!
Fale com o autor