The 39 Clues:A Volta.
18 Paralisia do sono, a porta proibida e o invasor
Pov Natalie:
16 de Junho, quarta feira. Acordo repentinamente de um pesadelo. Não consigo mexer nenhum único músculo do meu corpo a não ser meus olhos. Ah não...Aquela coisa de paralisia do sono estava acontecendo comigo...Tento fechar os olhos e voltar a dormir mas começo a ouvir barulhos. De repente sinto alguém fazer carinho no meu cabelo e se sentar ao meu lado na cama. Aí ouço a voz da minha mãe só que mais baixa, mais fraca e mais assuatadoras dizendo: —Abra os olhos minha pequena Lie. Minha mãe era a única pessoa que me chamava de Lie. Pega o final de Natalie e é mentira em inglês. As vezes ela me chamava de pequena Lie ou pequena Liar. Faz sentido levando em conta o meu clã mas eu não queria estar associada a esse apelido. Ou a algo que envolvesse a Isabel. Não mais. Infelizmente, são poucas as coisas no mundo das quais Isabel Kabra não está envolvida. Ela também chamava eu e o Ian de patinhos e fingia ser uma mãe amorosa. Mas isso era na frente de pessoas. Essa farsa, apesar de ser convincente não durava muito tempo. Mas eu tenho que admitir que minha mãe era uma mentirosa tão boa que merecia um Oscar. Vejo ali uma versão da minha mãe muito feia. Ela era muito magra e a pele era cinza. Os olhos eram tons marrons quase podres. O cabelo feio e embaraçado. A roupa larga nela e sapatos com um salto de no mínimo 15 centímetros. Um verdadeiro monstro. Minha mãe sempre foi obcecada pela aparência e pela perfeição. Tanto que isso até refletiu nos filhos dela. Era como se aquela fosse a versão da Isabel Kabra daqui alguns anos, de tantas plásticas que ela fez. Não que eu achasse que estava prevendo o futuro ou algo do tipo mas eu acho que isso pode acontecer. Temos inúmeros casos de pessoas que fizeram muitas plásticas e deu errado. Tá bom que minha mãe só fez com os melhores médicos mas todo mundo erra, e plásticas desgastam o corpo, principalmente quando se mexe muito no mesmo lugar, o que minha mãe sempre faz. Ou fazia. Não sou mais filha dela pra saber. —Abra a porta proibida...-Ela sussurra para mim.-Abra a porta proibida!!! ABRA A PORTA PROIBIDA!!!! Nesse momento solto um gritinho. Volto a me mexer e a mulher desaparece. Coloco minhas pantufas da Chanel e tento acender a luz do meu quarto. Algo deve ter dado mal no sistema elétrico pois a luz acabou. Acho que é compreensível o sistema não aguentar com tantos cômodos pra fornecer luz e tanta gente usando. Pego meu celular e ativo a lanterna. Com porta proibida será que ela estava falando do quarto da Isabel? Bom...O que mais poderia ser? Pego uma arma de dardos na gaveta e coloco o veneno número 7 no dardo com a ponta bem afiada. Um sonífero de média duração. Deve ser o suficiente. Troco de roupa mas continuo com as pantufas. Elas foram o último presente que ganhei da Isabel. Sabe quando você sabe que algo é inútil e quer se livrar disso mas simplismente não consegue por apego? Então...Era exatamente isso. Olho para a sola mais uma vez. Com a letra refinada e milimetricamente perfeita de Isabel estava escrito: "Para minha querida filhinha, que completa mais um ano de vida. Feliz aniversário. Não sou boa com palavras mas você sabe que te amo com todo o meu coração. Ass:Mamãe." Na época se eu soubesse que tudo aquilo, aquela festa, aqueles amigos pagos, aquele parabéns, aquele discurso meloso e tudo mais era falso eu teria queimado essas pantufas enquanto podia. Na verdade eu sabia que era falso. Mas era tão bom que eu não queria que acabasse. Eu queria muito viver naquela mentira. Queria muito que ela se tornasse verdade. Mas não aconteceu. Tive que me contentar só com aquela atuação. Eu era Lucian afinal, devia estar acostumada com isso. Enfim, tiro todos esses pensamentos da minha mente. Saio do meu quarto. Enquanto andava em direção o quarto da Isabel esbarro em alguém: —Natalie?-Pergunta a voz de Daniel, também com a lanterna do celular ligada e nitidamente incomodado com a arma de dardos que eu levava na mão. —Daniel. Oi. Pra onde você está indo? —Eu é que te pergunto isso. E porque precisa de uma arma de dardos? —Eu perguntei primeiro. —Ta bom Kabra me pegou. Estou indo pra cozinha. Lanchinhos da noite sao sempre os melhores. —Voce quer dizer lanchinho da madrugada né? São duas da manhã. —Você entendeu. E você? —Bom...Resumidamente...Tive paralisia do sono e o monstro que apareceu me mandou entrar no quarto principal da Isabel. E a arma é só prevenção... —Se eu fosse você não fazia isso... —Eu tenho que fazer. Sinto que tem mais coisa lá do que a Isabel já contou pra gente. Olha só...Se você vier comigo...Nao conto pra Amy ou pro Ian que você acordou no meio da noite pra invadir nossa geladeira. E nem todas as outras noites que eu já ouvi você indo na cozinha pra isso... —Voce sabe a quanto tempo eu faço isso? —Desde que chegou aqui. E também sei que as vezes o Atticus, o Jonah e o Hamilton vão junto. —Ta bom Kabra. Fechado. Sorrio para ele. Pelo menos ele não estava mais me chamando de Cobra. Quer dizer eu odeio meu sobrenome mas ele está progredindo.
Entramos no quarto da Isabel e fechamos a porta para não sermos ouvidos. E vemos alguém. A silhueta de um homem. Ele estava tentando pegar alguns papéis que estavam esparramados no chão. Ele nos vê. Eu vou em direção aos papéis. O homem me pega e me joga contra um vaso de vidro que estava no criado-mudo. Eu caio no chão. Dan pega minha arma de dardos e atira no cara que começa a ficar mais lento. Droga. Deveria ter pegado um sonífero com efeito imediato. Ele consegue sair dali, mas bem fraco e sem os papéis. Daniel, em vez de ir pegar os papéis, ele vem em minha direção. —Você está bem Natalie?? Ja mudou pra Natalie. Que avanço. —Estou. Ele olha para meu braço esquerdo que estava com um corte enorme e sangrando. —Não se preocupe. Cicatriza logo. E tem algo que cobre isso que se chama maquiagem. Acho que você nunca deve ter ouvido falar né? Nos dois rimos. Vamos olhar os papéis e estava tudo em um código meio louco. —Nao é nenhum código Lucian. Nem códigos de outros clãs que já conseguimos descobrir. —Tambem não é nenhum código Madrigal. —Ok...Vamos fazer o seguinte. Vamos guardar esses arquivos e mostrar pro resto da galera amanhã. Invento uma mentira e eles decodificar isso e vemos o que acontece. Mas...Por você ter me ajudado...Eu vou deixar você fazer seu lanche da madrugada. Mas só dessa vez...Nao se acostume. —Você não vem comigo? Você parece com fome... —Ta bom...Mas o que acontece na cozinha...Fica na cozinha. —Pode deixar. Eu guardo os arquivos no meu quarto, no meu cofre com mais algumas joias e dinheiro. Aí vamos pra cozinha e ficamos la comendo e conversando. Depois vamos dormir...Amanha seria um longo dia...
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