That's Dorcas Meadowes
3 Belive me, I can explain (final)
Notas iniciais
—Mas não é como se eu esperasse algo diferente. Era óbvio que ele não se interessa por mim desse jeito — murmura Doe entre lágrimas silenciosas.
— Ah, você deve ter entendido errado. Qualquer um adoraria sair com você -Marlene faz carinho nas madeixas da amiga, enrolando uns cachinhos entre os dedos- Quem resiste a esses olhos amendoados? Se eu não tivesse certeza da minha sexualidade eu me apaixonaria por você, sério.
— Lene, brincadeiras à parte...seja sincera, é claro que ele nunca sentiria algo além de uma afeição de amigo por mim -mesmo sem querer ela ri das palavras da loira.
— Ah é? E por que tem tanta certeza? -arqueia as sobrancelhas para ela, não acreditando que ela realmente tivesse bons argumentos.
— Porque não sou tão inteligente como a Lily, nem tão bonita como você, ou tão legal como a Alice e muito menos engraçada como a Mary -a menina se senta e começa a enumerar nos dedos, meio emburrada- Acho que nunca vi alguém mais sem graça.
— Ahn...Doe? -Marlene morde o lábio desviando o olhar para algo além da mais nova.
— Não! Me deixe terminar -a pequena prossegue secando umas lágrimas teimosas que ainda escorriam pela lateral de seu rosto- Eu sou a pessoa mais desastrada do universo! Minha vó fala que eu sou o desastre em pessoa, Marlene! E ela está certa, avós SEMPRE estão certas.
— Dorcas? -Marlene continua tentando fazer a menina parar de falar mas é em vão porque a morena estava tão empenhada em dizer tudo o que achava que a ignora.
— Remus nunca olharia para mim como Sirius olha para você porque...porque não sou Emeline Vance -sente o rosto esquentar pela raiva- Ela é tão bonita...eu não conseguiria ser sensual daquele jeito nem se minha vida dependesse disso. Já perdi a conta das vezes que vi garotos virando das cadeiras para vê-la passar, isso é concorrência desleal, sabia? -exclama exageradamente e fica de pé, apontando para o próprio joelho- Ta vendo isso? Eu tô usando um curativo da Branca de Neve! Marlene, da Branca de Neve! E o pior eu ainda nem contei, eu tô usando isso porque tropecei nos meus próprio cadarços essa manhã. Eu sou...
— Maravilhosa -uma voz firme vinda das escadas a interrompe.
— Não! Uma piada, eu sou uma piada -ela rebate se virando para ele, mas estava tão brava que não percebe de primeira. Mas depois de ver Marlene segurando a risada Dorcas arregala os olhos e se vira para Remus, agora sim notando sua presença- Ah Merlin...
— Eu tentei te avisar, mas você não calava a boca, Doe -a amiga se levanta rindo e vai até o rapaz- Essa é minha deixa, manda a ver Lupin — sobe as escadas correndo os deixando sozinhos.
— Vo-você está ai a muito tempo? -gagueja ainda o encarando, calculando mentalmente se o tempo que ela precisaria para correr pra fora do comunal era menor do que o dele descer daquele degrau- Porque se está, olha, a gente ignora tudo isso e você finge que nunca ouviu o que eu disse.
— Dorcas, eu falo sério, você é maravilhosa -diz o menino se sentando no sofá de frente a ela- Nunca ouvi tanta besteira como as que disse agora
— Ah Remus, por favor. Eu não preciso de um picolé -murmura e se afunda no sofá também, ainda que afastada dele.
— Doe, eu...-ele se interrompe e franze a testa, a olhando confuso- De um o que?
— Um picolé -Dorcas repete como se isso explicasse tudo, mas ao ver que a expressão confusa continuava no rosto dele ela suspira e volta a falar- Algo doce que se dá para alguém quando está com pena, mas que acaba rápido. Quero dizer que não precisa me dizer coisas bonitas só pelo que ouviu. Não preciso de um picolé.
— Isso não é um...picolé -ri brevemente da explicação dela e de si mesmo por estar usando a expressão- E não estou com pena, estou sendo sincero. Mas quero te explicar tudo, tudo mesmo. Você entendeu errado quando me ouviu dizer aquilo...
— Ah, por favor não se preocupe -ela dá de ombros, tentando controlar os cachos e coloca-los atrás da orelha só para se manter ocupada e não ter que olhar pra ele- Não tem que me explicar nada.
— Preciso sim, já adiei isso por bastante tempo -morde o interior das bochechas- Tem um motivo para eu passar noites sem dormir, tendo pesadelos. Ou noites com insônia, sem o motivo ser ansiedade. E também um motivo pra eu sumir certas noites do mês -faz uma pausa, tentando conseguir coragem- É que eu... eu tenho licantropia, Doe, eu... não disse nada antes por motivos óbvios -cobre o rosto com as mão- Mas é por isso que não tentaria nada, não quero que uma pessoa como você tenha que lidar com esse tipo problemas.
— Hum...certo -a menina diz simplesmente, sem saber ao certo o que dizer diante da situação. Porque ela não se importava, e foi ali que ela percebeu que gostava dele muito mais do que imaginava. Nem todas as desculpas que ele inventara nos últimos quatro anos, nem sua condição a incomodava, ela via mais do que isso, ela via muito além. E amava tudo o que via em Remus Lupin.
— Certo? -o loiro levanta o rosto a encarando exasperado- Dorcas, você ouviu o que eu disse?
— Eu gosto mesmo de Remus Lupin, do jeito que ele é -diz envergonhada, olhando para os próprios pés- E se ser um lobisomem faz você ser o que é, então...acho que tudo certo.
— Você não pode estar falando, Dorcas -ele murmurra e escorrega no sofá até estar sentado perto o suficiente para puxar o rosto dela delicadamente pelo queixo e juntar seus lábios.
— Saber disso não me faz ter medo de você. Só enche meu coração de carinho, você mesmo com suas dificuldades é a pessoa mais gentil que já conheci. -a menina diz baixinho contra os lábios dele, levando a mão para enlaçar na de Remus.
Ele só conseguia sorrir, se sentia plenamente contente como a tempos não se sentia. Remus não achava nada disso de si, não via orgulho em nada na licantropia mas Dorcas tinha um coração tão puro e falava tudo de um jeito tão doce que ele acreditou que ela realmente o via assim, então só fechou os olhos e a beijou.
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