Thanos: a Origem

2 Infância em Xandar


Notas iniciais
Demorei para postar, e provavelmente vou demorar novamente, mas, como eu já disse na cronologia principal, vou retomar a fic de vez em julho.

Thanos já contava agora 12 anos. Estava vivendo em uma pequena casa branca (o padrão naquele planeta) em Xandar, com seu pai e irmão. O relacionamento com o irmão era bom, mas Thanos sentia que tanto Eros quanto seu pai o culpavam pelo pedido de divórcio da mãe.

Naquele dia, haveria um desfile da Tropa Nova pelas ruas xandarinas. Como de costume, Thanos iria para lá com o pai e o irmão usando um capuz para esconder seu rosto. A maioria das manchas pretas já havia desaparecido, mais algumas poucas ainda eram visíveis no rosto de Thanos.

Amigos? Ele não tinha muitos. Quer dizer, ele não tinha nenhum. Eros já havia se enturmado com alguns garotos (tanto que recebera até um apelido, Starfox), mas Thanos, que era obrigado a ocultar o próprio rosto, não tivera essa oportunidade.

Como eu já disse, o relacionamento entre Thanos e Mentor estava péssimo. O pai o culpava pelo fim de seu casamento, pois, se não tivesse largado tudo em Titã para proteger Thanos, ainda estaria lá, ao lado de sua tão amada esposa. Era mais uma questão de achar alguém para culpar, evitando assim que sua consciência pesasse.

Mentor, Eros e Thanos saíram de casa cedo. Se encontraram com os amigos de Eros (Yondu, Rhomman Dey e Korath) na enorme passarela onde seria o desfile. Alguns soldados da Tropa Nova já estavam posicionados para começar o desfile. Eros, que já contava 16 anos, se afastou com seus amigos para longe do pai. Mentor, porém, obrigou-o a levar Thanos junto.

Assim, os cinco foram descendo a passarela, rumo a uma praça que ficava em baixo. Thanos sentara em um banco de vidro e ficara observando os outros praticarem algum esporte xandarino cujo nome desconhecia. Foi quando alguém sentou-se ao seu lado.

– Seu nome é Thanos, não é? Sou o Rhomman. Acho que deve me conhecer, sou amigo de seu irmão mais velho.

– Sim, conheço.

Rhomman não pareceu se assustar com a voz grossa de Thanos.

– Por que usa esse capuz?

Um frio percorreu a espinha de Thanos.

– Meu pai me obriga.

– Então tire. Deixe os outros verem como você é. Se não gostarem de você por causa de sua aparência, ignore-os. Sempre haverá alguém que verá como você é por dentro.

Relutante, Thanos colocou uma mão no capuz. Lentamente, foi tirando-o do rosto.

– Não é tão ruim. Síndrome do Desviante, não é mesmo?

– Como você sabe?

– Estudei ela na escola. Isso faz de você especial, Thanos. Apesar de sua aparência, seu poder é inimaginável. Realizará grandes feitos em vida, e deixará um grande legado após sua morte.

Por um momento, Thanos se sentiu normal. Mas então Korath e Yondu se aproximaram. Atrás deles, Eros estava nervoso.

– Você é muito feio, monstro – disse Yondu, com um sorriso maligno no rosto azul.

– O que são essas coisas pretas? – perguntou Korath, também com um sorriso maldoso.

– Deixem-no em paz –disse Rhomman.

– Ei, Starfox! Seu irmão é um monstro! – gritou Yondu.

Rhomman se levantou e empurrou Yondu.

– Já disse para o deixarem em paz!

Foi quando Eros se aproximou.

– Yondu, Korath. Parem, por favor.

– Não, Starfox. Nem você nem Rhomman manda em nós – disse Yondu.

Korath já havia se tocado de que aquilo não ia acabar bem e se afastou do grupo.

– Adeus, monstro! – ele gritou, correndo.

Eros se levantou, irritado, e foi atrás de Korath. Aproveitando a deixa, Yondu empurrou Thanos para fora do banco.

– Por favor, Yondu, pare – pediu Rhomman novamente.

Furioso, Thanos se levantou. gesticulou para que Rhomman corresse. Ele não o fez.

– Não vou deixar que faça nenhuma besteira, Thanos.

– Acha mesmo que ele pode me machucar? – perguntou Yondu, rindo. – Ele não teria coragem. É um covarde.

Thanos não hesitou. Levantou o braço e acertou um soco no rosto azul de Yondu. Ele caiu para trás, surpreso. Tentou se defender, mas Thanos já estava em cima dele. O Eterno socava Yondu com uma fúria descomunal. Seus olhos pareciam estar pretos, cegados pela raiva.

Ele virou Yondu de bruços e chutou-o. Continuou chutando, cada vez mais furioso. Acertou mais um soco no queixo de Yondu, e então o pegou pela perna. Thanos girou Yondu pela perna e o ergueu. Em seguida, acertou-o no chão com muita força.

– Thanos... o que você fez? – era Eros retornando. – Como você acha que papai vai reagir?

Rhomman estava sem palavras.

– Vocês... vocês são todos loucos. Vocês têm problemas! Vou chamar a Tropa!

– Rhomman, espere... – pediu Eros.

– Não é de você que eu vou prestar queixa, Starfox. É de seu irmão. Esse... esse Titã Louco!

Com essas palavras, Rhomman Dey subiu para a passarela. Eros continuou encarando o irmão, que estava ofegante. Quando Thanos viu a Tropa Nova se aproximando, junto com Rhomman, Korath e seu pai, caiu em si.

– O que eu fiz... – soldados o pegaram pelos braços – O que foi que eu fiz...

Mentor pegou Eros pela mão.

– Venha, filho. Vamos voltar para casa.

Thanos foi levado pela Tropa Nova até uma sala escura. Luzes se acenderam, mostrando um meio-círculo de pessoas com capa e capuz pretos. No centro deles estava um com capa preta e um capacete amarelo com o símbolo vermelho da Tropa Nova na testa.

Thanos – a voz de todos os sem capacete ecoou em uníssono. O de capacete amarelo permaneceu calado. – Filho de Mentor. Você foi acusado de violência em solo xandarino. Como responde às acusações?

– Sou culpado.

Você admite ter violentado e fraturado um cidadão de Xandar, sabendo que pegará pena de morte?

Sim. Eu bati em Yondu.

Agradecemos por sua sinceridade.

O único de capacete amarelo falou, com uma foz feminina que ecoava pelo salão.

Vejo em você um grande potencial. Por sua sinceridade e honestidade para conosco, sua pena não será de morte. Thanos, filho de Mentor, Eterno da Lua de Titã, você está exilado para todo o sempre de Xandar. Poderá deixar Xandar até esta noite por bem na espacionave de sua família. Se o dia de amanhã amanhecer e você permanecer aqui, será executado.

Thanos assentiu, pensando se a morte não seria uma opção melhor do que uma vida se sentindo culpado. Decidiu por viver, temendo o que estaria o aguardando após a morte. Assim, foi acompanhado por alguns soldados até o local onde a enorme nave de sua família estava estacionada: a enorme Santuário I.

Naquela noite, Mentor trancou a porta do quarto de Eros e se deitou em sua cama, olhando para o teto. Estava pensando sobre a mensagem que recebera da Tropa Nova. Thanos está sendo mandado embora na Santuário I, se lembrou. Havia algo de errado nisso. Por que mandariam Thanos para longe na nave da família se tinham milhares de naves da tropa disponíveis?

Foi quando viu aquela sombra com olhos projetada no teto. Era a sombra de um homem calvo, e nela eram visíveis dois olhos brancos e milhares de estrelas e gaáxias. Aquele era Kronos, seu pai.

–Que queres, pai?

Vim saber por que roubaste Santuário I de seu esconderijo. E levaste contigo a Joia da Realidade.

Foste tu quem deste para mim, não te recordas?

Ah, não. Não fui eu. Foi meu irmão.

– Uranus?

Sim. Ele queria que isso acontecesse. Que Thanos se tornasse violento.

– Gostaria muito de falar disso com ti. Me arrependi profundamente de ter escolhido Thanos naquele dia. Temo que teremos de... eliminá-lo.

Eu cuidarei disso. Acho que sei de alguém propício a ser... manipulado.

– Terá que ser um ser inferior.

Um terráqueo. Perdeu esposa e filha em um acidente de carro. É perfeito para se transformar em um guardião das galáxias. Será o Destruidor.

Quero que o chamemos de Drax.

– Drax? Por que Drax?

– Era o nome que minha bela mulher queria dar para Thanos.

A sombra de Kronos se desfez no teto. Mentor demorou muito para dormir depois disso.

Notas finais
Então está aí, Kronos pronto para criar Drax, o Destruidor, e Thanos já com Santuário I. Será que a Joia da Realidade está na nave?