Thanos: a Origem
8 Gamora, a Rainha de Sakaar
Notas iniciais
Quando Gamora acordou, estava em uma cama de casal confortabilíssima. Rolou para o lado, mergulhando com o rosto no travesseiro.
– Rainha Gamora? – disse uma voz robótica, sem sentimentos.
Ela se virou na direção da voz e deu de cara com um robô branco de cabeça comprida que pairava acima do chão.
– Prazer, sou Arch-E-5912, seu robô-assistente.
– O prazer é meu, eu... acho. Você disse Rainha Gamora?
– Sim! – respondeu uma voz feminina e agradável que se aproximava por trás. – O Imperador Angmo-Asan II pediu para que eu, Elloe Kaifi, cuidasse de você até o dia do casamento.
– Dia do... casamento? Meu casamento?
– Sim, com o Rei Verme... Com o Imperador Angmo.
– Rei Vermelho?
– Sim... digamos que ele é violento e controlador, e esse é o apelido de tirano dele. Não a culpo se não gostar dele, mas não diria isso para ele se fosse você. Tenho medo que ele acabe... te machucando.
– Caiera não veria problema nisso – disse um homem vermelho e calvo que estava diante da porta, parado e segurando uma lança.
– Como você é engraçado, Lavin. Bem, Rainha Gamora, vejo que já conheceu Arch, seu robô assistente. Sou Elloe Kaifi, sua acompanhante e a melhor amiga que encontrará por aqui, e o engraçadinho ali na porta é Lavin Skee, seu guarda-costas.
Lavin fez uma reverência para Gamora, sorriu para Elloe e voltou para sua posição. Gamora percebera que havia algo entre Lavin e Elloe, mas, antes que pudesse falar algo, seus pensamentos se voltaram para outra pessoa.
– Nebulosa! Onde ela está?
– Nebulosa? A garota azul que veio com você? Provavelmente nas minas. Arch, explique para ela tudo que aconteceu desde que ela chegou aqui enquanto verifico se estamos sós.
Elloe gesticulou para que Lavin a ajudasse e se levantou, indo para a porta da direita. Enquanto isso, Arch-E-5912 começou a falar.
– Senhorita, sua cápsula foi encontrada por Caiera, guarda-costas e assistente do Rei Vermelho. Ela levou você e sua irmã para a presença do rei, que mandou que levassem a senhorita para os aposentos da rainha e sua irmã, Nebulosa, para as minas. Isto – ele encostou em um disco de metal preso ao peito de Gamora, por cima do vestido amarelo – é um disco que pode rastreá-la e, se necessário, eletrocutá-la. Apenas nós (robôs-assistentes), Caiera e o Imperador Angmo-Asan II podemos desativar os discos.
– Normalmente – disse Elloe, se aproximando – os robôs-assistentes seguem todas as ordens do Rei Vermelho e de Caiera. Este Arch, porém, é diferente. Lavin, monitore a entrada principal. Arch ajuda nosso grupo de rebeldes, chamado Pacto de Guerra. Temos alguns amigos nas minas, Hiroim e Korg, que, creio eu, podem te ajudar a saber como está sua irmã.
– Quantos guerreiros vocês têm?
– No momento somos eu, Lavin, Arch, Hiroim, Korg e... você, eu acho.
– Só? Como seis guerreiros podem derrubar um Império?
– Na verdade – disse Lavin – você não é uma guerreira, mas sim uma rainha.
– Se eu tivesse com minha espada agora, você já estava sem um braço.
– Sabe lutar com lança ou machado? São as únicas armas que encontrará por aqui.
Gamora se calou.
– Caiera está vindo, todos em posição! – ele avisou.
Quem entrou pela porta foi uma mulher de pele cinza-clara, calva, com marcas pretas pelo corpo e uma armadura cinza que deixava metade dos seios à mostra.
– Rainha Gamora, venha comigo. Vou te mostrar o palácio.
Caiera obrigou Gamora a deixar o cômodo sem ao menos se despedir de Arch, Lavin e Elloe. Sabia que os veria novamente, mas queria poder ter dito algo ou perguntado mais alguma coisa.
– Este corredor aqui leva para o seu quarto. Aquela ali é a varanda com escadas que levam para o altar onde você e o imperador ficam durante os espetáculos de arena.
– Onde são as minas?
– As minas? Embaixo da terra, mas não posso te levar para lá.
– Gostaria de vê-las.
Bufando, Caiera pegou o machado.
– Escute-me bem, Rainha Mimada. As coisas por aqui não acontecem ao seu bel-prazer. Uma rainha em Sakaar nada mais é do que a amante oficial do imperador. Garanto para você que suas ordens e pedidos não têm valor diante de uma ordem do Imperador Angmo-Asan II.
– Caiera! – gritou uma voz masculina em tom repreensivo.
– Imperador!
Ela se ajoelhou na direção da voz, que vinha do corredor. Cercado por alguns robôs como Arch-E-5912 e pessoas vermelhas como Elloe Kaifi e Lavin Skee, um homem vermelho de armadura dourada e aparentemente calvo surgiu, imponente. Ele fazia Caiera parecer uma mera serva.
– Ajoelhe-se – ordenou Caiera, sussurrando.
– Ela não precisa – disse o imperador. – Caiera, sobre o que falavam?
– A rainha havia me pedido para ver as minas, mas disse que deveríamos seguir a ordem imposta pelo senhor.
– Bobagem. Se ela quer ver as minas, leve-a para ver as minas, ora. Não me arrume mais problemas desse tipo, Caiera! Até o espetáculo, minha rainha. – O Rei Vermelho beijou a mão de Gamora, deixando ela ver o rabo de cavalo preto que brotava da nuca dele.
– Até – ela disse, informal.
O Rei Vermelho sorriu e deixou o local com sua comitiva.
– Está bem, conseguiu a ordem do imperador. Fique feliz com isso, pois não é fácil. Eu mesma já... esquece. Venha, vamos para as minas.
Gamora seguiu Caiera para um elevador, que levou-as ao subterrâneo. Lá Caiera pegou uma plataforma cinza com campo de força, onde ficou com Gamora. A plataforma começou a voar, chegando até uma entrada circular de pedra. Quando entraram, Gamora se assustou. O lugar tinha um ar negativo e depressivo, deixando Gamora triste. Quando olhou para baixo, viu pessoas trabalhando. Perguntou-se sobre quem seriam Hiroim e Korg. E então a viu.
Nebulosa estava com uma picareta na mão, garimpando pedras como uma escrava. Gamora pensou em pedir para Caiera para descer até Nebulosa, mas não o fez para evitar discussões. De repente, algo atingiu a plataforma, que balançou. Gamora olhou para a borda e viu duas mãos laranjas de pedra se segurando.
– Korg – disse Caiera, irritada como sempre. – Até quando vai insistir com isso?
Então aquele homem de pedra era Korg.
– Até nos libertar! – Korg usou a borda de alavanca para pular para cima. Ele caiu no campo de força e escorregou de volta para a borda.
Desta vez, Korg não se segurou e caiu. Caiera, que ficara mais nervosa ainda, bateu com seu machado no chão, acionando os discos nos peitos de todos lá embaixo. Um por um, os escravos começaram a se contorcer, eletrocutados. Gamora sentiu lágrimas brotarem em seu rosto ao ver Nebulosa sendo eletrocutada. Ao ver Gamora chorando, Caiera sorriu.
– Você é fraca e tola. Se não consegue ver ninguém sendo eletrocutado, não tem capacidade de ser a Rainha de Sakaar.
– Não percebeu ainda, não é? Uma dessas escravas é minha irmã!
Apesar de ficar um pouco abalada, a voz de Caiera não mudou.
– Está na hora do espetáculo.
A plataforma voltou para a entrada e o campo de força foi desativado. Lá elas desceram da plataforma e subiram de elevador para o segundo andar, onde ficava o altar do imperador. Angmo-Asan II e sua comitiva já estavam a caminho. Caiera e Gamora se juntaram a eles, e Gamora percebeu que Arch-E-5912, Elloe Kaifi e Lavinn Skee estavam lá.
– Ficamos preocupados – disse Elloe ao ouvido de Gamora. – A propósito, sua irmã agora é membro do Pacto de Guerra.
Gamora se sentou num trono melhor do que o do Rei Vermelho, e Elloi no banquinho ao lado de Gamora. Caiera se aproximou da borda e tomou a palavra.
– Povo de Sakaar! Estamos aqui reunidos para mais um espetáculo de arena, este em homenagem à Rainha Gamora!
Como ninguém aplaudiu, Angmo bateu com seu bastão no chão e eletrocutou a plateia, que resolveu aplaudir.
– A luta de hoje é entre o campeão, Hiroim... e a novata, Nebulosa!
Um homem cinza sem um dos braços entrou pelo portão esquerdo. Ele era musculoso e usava apenas uma saia com uma alça que cruzava seu peito, onde o disco que eletrocutava estava preso. Ele usava uma maça, que levantou com seu único braço e bradou. Do outro lado entrou Nebulosa, usando um vestido cinza que deixava seus "implantes" cibernéticos aparecerem. Ela portava uma espada que, Gamora reconheceu, antes pertencia a Gamora.
Ao som da trombeta de uns dos homens vermelhos da comitiva, a batalha começou. Hiroim avançava com ferocidade, mas parecia atacar de forma branda. Percebendo isso, Angmo eletrocutou Hiroim.
– É agora – cochichou Elloe ao ouvido de Gamora.
– Povo de Sakaar! – Hiroim parecia ser experiente em discursos como aquele. – Por muito tempo aguentamos a tirania de do Imperador Pai, Angmo I. Quando ele faleceu, e nós tivemos um vislumbre de liberdade, Angmo-Asan II surgiu. E não se enganem pela aparência frágil. O Rei Vermelho é o maior tirano da história sombria de Sakaar. Obrigando-nos a usar estes discos para nos forçar a obedecê-lo, Angmo tenta garantir que não nos revoltemos. Mas ele não pode... – O choque que ele estava aturando até então ficou mais forte.
Vendo a dor de Hiroim, Nebulosa pegou na mão dele. A princípio doeu, mas ela aguentou.
– Ele não pode nos controlar! – ela completou.
O olhar de Nebulosa encontrou Gamora no altar. Por um momento, ela ficou assustada. Em seguida, decepcionada. E então... havia ódio no olhar de Nebulosa.
– Não ao Rei Vermelho! – gritou Korg, quebrando o portão leste.
Outros escravos quebraram o portão oeste. Em alguns minutos, todos os escravos estavam soltos, bradando em uníssono o grito de guerra de Korg. Gamora não aguentou o olhar de Nebulosa. Sem pensar duas vezes, se levantou de seu trono e pulou por cima da sacada. Caiera tentou segurá-la, mas não conseguiu.
Ela simplesmente caiu. Gamora cerrou os olhos, pensando que aquele era o fim. De repente, algo a pegou. abriu os olhos e não viu nada a segurando. Era como se estivesse flutuando. Então, uma biga voadora começou a se materializar embaixo dela... com dois dos Chitauris de Thanos no comando. Quando Gamora olhou em volta, viu várias outras bigas se materializando feito um enxame. Lá em cima surgiu uma maior, pilotada por Korath, o Perseguidor... com Thanos no outro assento.
O Rei Vermelho e sua comitiva foram embora, deixando Lavin, Elloe, Arch e Caiera para trás. Caiera pulou, cravando seu machado nas costa do Chitauri do banco de trás da biga onde Gamora estava. Gamora chutou o Chitauri piloto para fora e assumiu o comando. Ouviu Caiera pedindo para que avançasse, mas estava paralisada. Ao seu lado, o corpo morto de Elloe Kaifi caía.
Olhou para cima e viu Thanos, voltando a mão que jogara Elloe para a posição original. Com a outra mão estrangulava Lavin Skee. Havia um brilho roxo em seus olhos, que, Gamora percebeu, vinha da Joia da Realidade (que antes ficava guardada no Orbe) presa a um colar. Ele jogou o corpo morto de Lavin para longe e chamou por Gamora. Ela o ignorou.
Era como se o mundo houvesse parado. Gamora acabara de presenciar seu pai, em quem sempre acreditara, mostrando sua verdadeira natureza maléfica. As lembranças começaram a surgir: Thanos conversando com Ronan, Thanos ordenando que matassem Korath, Thanos as excluindo desuas viagens, Thanos as treinando arduamente... isso fez Gamora perceber a verdade: ela e Nebulosa não passavam de mais duas armas nas mãos do Titã Louco.
O olhar de Gamora se voltou para Nebulosa. Ela percebeu que Nebulosa também olhava para cima. Chorando, Gamora balançou a cabeça em negação. Em troca, nebulosa jogou a espada para cima. Primeiramente, Gamora pensou que a irmã estava ogando a arma para ajudar Gamora. Mas então percebeu o que realmente estava acontecendo. Nebulosa acabara de tentar matar Gamora.
Se permitindo chorar mais, Gamora pilotou a biga para que Caiera pudesse atacar os Chitauris, Tentou ignorar Thanos, que matava mais nativos Sakaarianos e até escravos, mas era quase impossível. Só tinha uma forma de ignorá-lo. Gamora desceu a biga até o chão e pulou fora, sem nem se despedir de Caiera. Sem parar, Gamora correu para dentro do portão leste.
E foi derrubada no chão por Nebulosa. A irmã azul parecia furiosa. Nebulosa socava o rosto de Gamora entre cada palavra que pronunciava.
– Como você pôde? Sempre pensei que a bondosa fosse você, mas parece que me enganei. Uma pessoa boa nunca fica parada enquanto vê os outros sendo torturados por um tirano ditador como o Rei Vermelho.
Antes que Nebulosa pudesse terminar a frase, um míssil a jogou para a parede. Enquanto as próteses cibernéticas de nebulosa se reparavam, Gamora olhou na direção de onde o míssil viera. Quem disparara fora o Rei Vermelho, em uma roupa preta e uma armadura enorme e dourada. Ele portava uma enorme espada prateada.
– Sua vez, Gamora! O que você prefere: incineração ou decapitação?
Ele ia atacar, mas algo invisível o acertou. Ele tentou lutar com a pessoa invisível, mas foi derrotado e ficou preso dentro da armadura. Gamora aproveitou a deixa para tentar fugir, e foi seguida por Nebulosa. Quando saiu, deu de cara com Thanos.
– Gamora, Nebulosa... Já para a nave!
Horas depois, em Luganenhum, Mantis apareceu.
– E então? – perguntou Major Vitória.
– Estava uma confusão tremenda. Thanos estava lá, mas não consegui matá-lo. tive que salvar uma mulher verde de um monstro dourado. Sorte que estava invisível.
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