Thanos: a Origem

3 De volta para Titã


Notas iniciais
Por que será que Thanos retornou para Titã? Coisa boa não é!

A enorme Santuário I agora voava pelo espaço sem destinoalgum. Pilotada pelo temível Thanos, agora com 17 anos, que odiava Xandar por motivos que ninguém sabia, a nave era símbolo do terror. Por onde Santuário I passasse, pessoas morriam na certa. Todas passavam pelo mesmo "ritual": primeiro avistavam a nave, depois um vulto e então eram cegados por um brilho roxo.

Como sempre, rumores surgiram a respeito de Thanos. "Criatura que escapou de uma das prisões da Tropa Nova", "Desertor da Tropa Nova" ou ainda "Monstro espacial criado para destruir o Universo" eram os mais comuns. Se eles prestassem mais atenção em tudo que ocorrera em Xandar anos atrás, saberiam quem ele era.

Outro alvo dos rumores era a "luz roxa da morte" que Thanos usava. A verdade, porém, também estava no passado. A Joia da Realidade. Um artefato cósmico capaz de alterar a realidade e realizar desejos, armazenado em um misterioso orbe prateado. Mais um estereótipo: todos acreditavam que o poder estava no orbe em si. Mas Thanos não os culpava por sua ignorância. Apenas por o rejeitarem.

Não se engane, Thanos queria a morte. Queria matar a todos que pudesse. Queria o caos no Universo que o rejeitou. Se ele não era digno de viver entre os outros, ninguém era. Tudo isso não era culpa apenas de Yondu e Korath, porém. Durante todos esses cinco anos, muitos outros expulsaram-no de seus planetas. Titã, Xandar, Sakaar, Hala, Skrullos... Só Thanos sabia como era viver entre outra espécie completamente diferente dele.

Com todas as rejeições, Thanos aprendeu uma grande verdade: todos os julgam por ser diferente. Fizera amigos que o abandonaram, fizera inimigos que queriam matá-lo. E matara muitos. Digamos que apenas um único ser em todo o Universo tinha compaixão por Thanos: a Morte. Dedicara sua vida inteira matando por uma entidade abstrata, sendo gentil com a única criatura que gostava dele.

Agora estava de volta à sua galáxia de origem. Via Láctea. E pensar que, dezessete anos atrás, nascera ali, na Lua de Titã, que girava ao redor de Saturno. Não tinha contato algum com Eros nem com Mentor desde que deixara Xandar.

O plano de Kronos e Mentor estava prestes a ser encerrado. Thanos estava de volta à Via Láctea, onde ficava o planeta Terra. A Terra era o lugar onde Arthur Douglas vivia. Quando ele se aproximasse de Thanos, Drax, o Destruidor, tomaria conta dele e mataria Thanos.

Doía, no mais profundo de Mentor, ter que criar uma criatura para matar o próprio filho. Mas fora obrigado a fazer isso. E a culpa era sua. Se não tivesse sido enganado por Uranus e deixado Titã, nada disso teria acontecido. Ainda estaria com sua esposa, a bela Sui-San, última remanescente dos Eternos da época em que Uranos mandava em Titã.

Agora com Eros na recém-construída Santuário II, se lembrou das palavras finais de Sui-San quando se despediu dele: "Olhe nesses olhos! Não vê a morte nos olhos dele? Se não matarmos isso agora, todos nós... Todos nós vamos morrer!". Ela implorara para que A'Lars (o verdadeiro nome de Mentor) deixasse de ser tão cego e simplesmente matasse aquela coisa. Sui-San estava certa.

A'Lars agora sabia o que deveria ter feito. Deveria ter matado Thanos quando estava ao seu alcance. Em vez disso, fora obrigado a procurar a ajuda de seu pai, que nem mais possuía um corpo físico. Só há uma maneira de impedir Thanos, pensou. Teremos que matar meu filho. Ironicamente, para impedir Thanos de matar, teriam que matar.

Desde que deixaram Xandar, Eros se distanciara e muito do pai. Mentor não conseguia explicar, apenas era obrigado a aceitar. Vira Eros desenhando uma roupa, o que foi um tanto preocupante. Mas as coisas pioraram.

– Pai, o que acha do codinome Raposa? – Eros perguntou para o pai.

– Raposa? Aquele animal terráqueo? Como sabe sobre a existência disso?

– Ei, calma! Achei em um livro!

– Um livro? Não minta para mim!

– Está bem, pai. Andei pesquisando sobre a Terra.

– Você descobriu sobre...

– Sobre Titanos? Sim.

Titanos. A cidade na qual os Eternos um dia viveram.

– Eros, a história não sabe nada sobre Titanos.

– Não tente me enganar, pai! Eu sei o que você e meu avô fizeram com Uranos!

– O que exatamente você pensa saber sobre Titanos?

– Kronos surgiu em Titanos e guerreou contra o irmão dele, Uranos. Titanos foi destruída nessa guerra. Kronos, que saiu vitorioso, levou os Eternos para a lua de Titã, em Saturno.

– Filho... Onde estão esses livros?

– No meu quarto...

Furioso, Mentor correu na direção do quarto do filho.

– Pai, espere!

Mas era tarde demais. Mentor já estava com os livros nas mãos, levando-os para a saída do lixo.

– Pai!

– Eros, você já é adulto. Tem vinte-e-dois anos terráqueos. Já está na hora de conhecer seu avô.

Ele apagou as luzes, deixando tudo escuro.

– Kronos, preciso falar com você!

Uma sombra se projetou na parede. Não tinha como explicar, a sombra simplesmente estava lá, em meio ao escuro. Quando olhavam para ela, viam as estrelas.

Eros, meu neto. Faz muito tempo que não te vejo. Entendo que esteja confrontando seu pai, mas a verdade não está nos livros. Eros, por muito tempo esta história permaneceu oculta. Mas a verdade é essa: o inimigo é Uranos. Ele foi combatido por muitos, mas apenas eu pude vencê-lo. Ele fazia algumas coisas em Titanos, experiências...

Eros ouviu atentamente enquanto Kronos começava a contar a verdadeira história.

A Terra, Thanos pensou. Pelo vidro agora via o planeta azul, terra natal dos humanos. Os seres humanos eram conhecidos por serem um povo fraco. Thanos sabia que ali conseguiria viver, mas não era o que queria. Via Láctea era interessante para Thanos por um único motivo: Titã. Thanos estava ali para fazer algo do que não se orgulhava: matar a própria mãe.

Arthur Douglas sentiu algo percorrer seu corpo. Sua visão foi escurecendo, até que tudo ficou preto. Suas memórias começaram a mudar.

– Thanos – disse uma voz na sua cabeça. – Foi Thanos. Ele as matou!

Thanos? Quem é Thanos?, ele se perguntou. Novas memórias surgiram na sua mente. Quando seus olhos tornaram a enxergar, estava no espaço. Sua pele estava verde e usava uma armadura roxa.

– Eu sou Drax, o Destruidor! Thanos, você matou minha filha e minha esposa. Agora sofrerá!

Com esse propósito, voou. Sentiu que nada conseguiria segurá-lo no lugar enquanto Thanos vivesse. Ele está em Titã, sentiu. Era como se uma força superior o guiasse para onde Thanos estava.

Thanos pousou em Titã, no mesmo lugar onde Santuário I permanecera por muito tempo. Aquela montanha era completamente segura. Deixou a nave com o orbe prateado no bolso. Mãe, estou indo atrás de você. Subiu até a única saída do local, que dava para o Templo de Kronos. Quando abriu a porta, estava dentro do templo.

Desceu a montanha com uma fúria inimaginável. Sentia que precisava matar Sui-San para poder viver em paz. Ela o trouxera para o inferno chamado vida, e se recusara a amá-lo e protegê-lo. Ela fora a primeira pessoa a rejeitá-lo. Thanos sabia que, se tivesse permanecido em Titã, teria sido entregue para a Igreja Universal da Verdade como todos os outros bebês com Síndrome do Desviante. Se ela não o tivesse rejeitado, Mentor teria mantido Thanos ali e ele teria sido entregue.

Isso, porém, não fez Thanos pensar duas vezes sobre sua tarefa ali em Titã. Ela era a mãe dele! Tinha o dever de amá-lo! Mentor pensara assim quando abandonara Titã. E se arrependera profundamente. Thanos, agora parado em frente à casa verde onde sua mãe vivia, não pôde deixar de sentir algo que desconhecia. Saudades.

– Sui-San! – ele chamou.

Ela, escutando aquela voz grossa, sentiu medo. Mas mesmo assim apareceu à porta.

– Quem me chama... Thanos? É você mesmo?

Thanos apertou o orbe em seu bolso.

– Sim, mãe. Sou eu.

–Thanos... Não quer te magoar, mas... Eu não sinto nada por você.

– Está enganada, mãe. Você sente algo por mim e sabe disso. Você sente medo! E com razão.

Sentindo ódio daquela mulher, Thanos pegou o orbe.

– Afaste-se de mim!

– Por que diz isso, mãe? Você não me ama? Sou seu filho!

– Fique longe de mim, monstro!

Sui-San correu para dentro da casa, seus cabelos pretos balançando no ar.

– Não fuja de mim!

Ela estava chorando. Thanos chutou a porta, arrancando-a das dobradiças. Correndo atrás dela, Thanos não pôde evitar um sorriso. Minha fama recusa apresentações, pensou. Agarrou-a pela perna, fazendo com que Sui-San caísse no chão. Ela engatinhou até a parede, onde se apoiou de costas. O medo era visível nos olhos dela.

– Você devia ter me amado! Em vez disso, me rejeitou como todos os outros!

– Você não é meu filho! Eu nunca amaria um monstro como você!

O orbe já estava apontado para ela. Thanos estava quase abrindo, quando sentiu uma dor imensa. Olhou para baixo e viu uma mão de luva roxa. Quando se virou para trás, viu o dono da mão. Era um homem verde de armadura roxa.

– Eu sou Drax, o Destruidor! Você matou minha filha e minha esposa, Thanos. Agora é a hora da minha vingança!

Foi quando Sui-San gritou que Thanos se deu conta de que a mão de Drax estava atravessando seu peito. Tudo começou a escurecer. Então é assim, pensou. Assim que é morrer.

Notas finais
Recentemente, andei pesquisando mais sobre a origem de Thanos (agradecimentos à Marvel Comics Database da Wikia) e descobri o nome da mãe dele, coisa que eu já poderia ter feito desde o começo. Enfim, agora essa história não será mais só sobre Thanos. Será também sobre Eros/Starfox, A'Lars/Mentor e Kronos, que precisam extinguir a ameaça chamada Uranos.