Thanos: a Origem
11 A Rebeldia de Gamora
Notas iniciais
Após contar para Rocky, Drax e Groot a sua história, Gamora acabou por convencê-los a não matá-la. Em seguida, convenceu-os a irem com ela para o palácio de Shi'ar. No caminho, conversaram sobre algumas coisas. Drax contou sobre como fora simplesmente preso por portar dois sais, ou seja, armas cortantes. Ele estranhamente não se lembrava de nada antes de ser preso, apenas que sua filha e sua esposa haviam sido mortas por Thanos. Isso fez com que Gamora simpatizasse com ele.
Então foi a vez de Rocky. Ele não entrou em detalhes, mas Gamora percebeu que ele era um ladrão. Rocky também contou como Groot o impediu em uma de suas "tarefas", como teve vontade de matá-lo, e, por fim, como se tornaram amigos. Ele era bem "esquentadinho", e explicou que Groot passara a segui-lo até que não teve outra opção se não aceitá-lo.
– O que pretende encontrar com os Shi'ar? – perguntou Drax.
– A rainha deles é famosa por conceder segundas chances para aqueles que conseguem chegar até ela. Parece que os guardas dela são muito poderosos.
– Eu e Groot já estamos acostumados a driblar qualquer guarda, não é, grandão?
– Eu sou Groot!
Eles chegaram a uma torre de pedra, que deveria servir para vigilância. talvez dali conseguissem localizar o palácio. Subiram até o topo, e não havia ninguém lá.
– Estranho – disse Gamora.
Sem estranhar nada, Drax avançou. Se aproximou do vidro e olhou em volta, procurando por sinal de vida. Até que ouviu vozes. Rocky ia se preparar para atacar, mas Gamora tapou a boca dele e o puxou para baixo de uma mesa. Não foi difícil, já que ele era bem menor que ela. Drax e Groot também arrumaram esconderijos, e os quatro passaram a escutar as vozes. Gamora cedeu e soltou Rocky, que a princípio parecia querer brigar, mas gelou ao ouvir as vozes se aproximando. Quando voltou para o esconderijo, porém, acabou por esbarrar em um dos pés da mesa.
– Há alguém aí? – perguntou uma voz.
Quando o dono da voz subiu, não fez barulho algum. Era como se estivesse... voando.
– Se houver alguém aqui, que se revele! Sou o Comandante da Guarda Imperial de Shi'ar, e estou a serviço da rainha!
Este é Kallark, pensou Gamora. Ela havia lido sobre os Shi'ar antes de fugir. Mouli Senah Kallark Bel Farsi, mais conhecido como Gladiador, era o líder da Guarda Imperial de Shi'ar, o braço direito da rainha. Se alguém podia levá-los à rainha, esse alguém era ele.
– Meu nome é Gamora – disse ela, se entregando. Rocky olhou para ela como quem pergunta: "O que raios você está fazendo?".
Gamora saiu de debaixo da mesa.
– Que faz aqui, Gamora?
– Vim pedir uma coisa para a rainha. É de importância universal.
– Lamento, senhorita Gamora, mas a rainha não está mais recebendo visitas.
Kallark era igual à descrição dos livros, com seu topete e suas roupas vermelhas, com um triângulo amarelo e uma capa azul.
– Por que não?
– Porque ela faleceu. E porque nosso Império não se localiza mais aqui.
– Para onde foram agora?
– Não tenho permissão da princesa para falar sobre isso. Pessoas como você causaram isto. Senhorita Gamora, serei obrigado a levá-la se não se retirar agora.
– Tente – disse Drax, surgindo atrás de Kallark.
– Se machucá-la, explodo você! – gritou Rocky, saindo de debaixo da mesa.
– Eu sou Groot!
– Quatro? Já derrotei grupos maiores sozinho.
O Gladiador soprou na direção de Rocky, congelando-o. Em seguida, soltou laser pelos olhos e cortou fora uma das pernas de Groot. Kallark socou Drax, jogando-o contra a parede, e se virou para Gamora.
– Deixe o planeta, Gamora. O que é tão importante assim para que arrisque sua vida e a de seus amigos?
– Thanos.
A menção ao nome do pai de Gamora fez Kallark gelar.
– O que tem ele...?
– Pensei que poderiam nos ajudar a derrotá-lo.
– Senhorita Gamora, os Shi'ar não se envolvem nessas questões.
– Não? Pois deveriam. Eu acho muito egoísta que vocês, seres tão poderosos, se neguem a ajudar os outros. Sabe quantas pessoas morrerão se Thanos conseguir o que quer?
– Seres vivos se reproduzem.
– Você está disposto a arriscar a vida de pelo menos um terço da população do Universo apenas para seguir princípios idiotas e egoístas?
– Eu não quero fazer isso, senhorita, mas tenho que fazê-lo. Se eu deixar a Guarda Imperial, ele destruirá os planetas do nosso Império.
– Ele?
– Galactus, o Devorador de Mundos. Eu era um dos arautos dele, senhorita. Me tornei um para proteger meu planeta natal. Mas, quando tive que preparar o Império Shi'ar para ser devorado, me envolvi com os Shi'ar de forma que não pude vê-los morrer. Gamora, usei minhas forças em um nível que nunca me imaginei usando para proteger estes planetas. Mas Shi'ar, o planeta em que o Império surgiu, não é mais capaz de abrigar o Império. Eu estoou aqui sozinho por um motivo. Entregar Shi'ar para Galactus.
– Isso... isso é horrível.
– Mas necessário. Não posso deixar que Galactus vá para Candilar.
– Então o Império está em Candilar.
– Está. Agora vá, leve seus amigos e...
De repente, Groot golpeou as costas de Kallark. A perna dele já estava de volta.
– Eu sou Groot!
Por um momento, Kallark pareceu sentir dor. Mas então simplesmente desviou de outro golpe.
– Gamora, eu vou ajudá-los a escaparem do planeta. Só me prometa que não vai se precipitar contra Thanos. As histórias do que ele fez se espalham rápido.
Após descongelarem Rocky, que protestou e tentou atacar o Gladiador, Kallark levou o inconsciente Drax de volta para a nave de Rocky. Groot e Rocky os seguiram, Rocky, é claro, de má vontade. Chegaram à nave e Kallark perguntou se Gamora sabia para onde iria.
– Detesto ter que me arriscar assim. Mas tenho que ir para Titã.
– Você tem que ir. Nós não – disse Rocky.
– Iremos contigo – confirmou Drax.
– Eu não.
– Sim, vai sim.
– Não.
Drax deu um peteleco na cabeça de Rocky, que caiu para trás.
– Está bem, eu vou.
– Adeus, Kallark – disse Gamora.
– Adeus, Gamora.
Um grande rugido se fez ouvir.
– Rápido, Gamora. Vá!
Gamora fechou a porta, enquanto Kallark levantou a nave e a arremessou no espaço. Enquanto Rocky definia o destino, Gamora observou um enorme ser de roupas rosas surgir e o planeta explodir, enquanto um ser riscava o espaço para longe do planeta. Adeus, Kallark, pensou. É uma pena que eu não possa seguir seu pedido. Não posso ficar sem agir contra Thanos.
Enquanto todas as naves da Tropa Nova rumavam para Titã, uma das naves tomava uma direção diferente. Dentro dela, um dos ladrões da equipe de Yondu Udonta descansava com as pernas cruzadas esticadas em cima do painel de comando. Seu nome era Peter Quill, apesar de ser mais conhecido como "Senhor das Estrelas".
Peter Quill.
De onde viera essa voz? Ele pulou na cadeira, sentando-se da forma correta.
– Tem alguém aí?
Nada. Se levantou, preparado para lutar.
Não tenha medo de mim, Senhor das Estrelas.
– Entregue-se!
Por que tanto medo?
– Cadê você?
Aqui.
Um cachorro surgiu na frente de Peter. Ele usava uma roupa de astronauta.
– É você? Um cachorro?
Meu nome é Cosmo.
– Oi, garoto! Vem cá!
O cão rosnou.
– Ei, calma!
Se me chamar de garoto de novo...
– Espere? Essa voz é sua?
É.
– Como você faz isso?
Isso o quê?
– Falar. Sem movimentar os lábios. Além disso, você é um cachorro. E cães não falam.
Por que não?
– Porque... porque é assim que tem que ser, oras!
Se não tem argumentos, não discuta.
Estou levando lição de moral de um cão, pensou.
Eu posso te ouvir.
– Como?! Eu nem falei nada!
Eu leio pensamentos.
– O que quer comigo, afinal?
Você precisa ir para Titã.
– Para onde a Tropa Nova vai? Sem chance!
É seu destino.
– Não.
Bufando, Cosmo virou de barriga e começou a mexer as patinhas.
Ainda vai negar?
– Isso não vale. Não tem como dizer não para alguém tão bonitinho.
Obrigado pelo elogio.
– Uma condição.
Qual?
– Posso fazer carinho na sua barriguinha?
Está bem.
Depois de fazer carinho em Cosmo, Peter voltou para o painel. Foi quando viu que, enquanto fazia carinho em Cosmo, a nave já estava indo na direção de Titã.
– Ei, isso não vale!
Íamos nos distanciar muito da nossa rota.
–Aqui é o Centurião Nova para a nave 25-B. Está na escuta?
– Err... Sim, Centurião.
– Preciso de você para interceptar uma nave inimiga.
– Positivo, senhor.
– Certo, siga o grupo que está mudando de destino.
Precisamos acelerar.
– Como assim?
Pisa fundo.
– Hã?
Velocidade da luz.
– Ah, está bem.
Assim que chegar na nave, seja o mais cuidadoso possível. Não podemos nos arriscar a danificar o casco da nave.
Peter ativou a velocidade da luz, ignorando pedidos do Centurião Nova para que reduzissem a velocidade. Chegou na enorme nave inimiga antes das outras naves.
–E agora?
Está vendo aquela ruptura no casco?
–Sim.
Ótimo. Vamos ter que pular da nave e entrar por ela.
– Espere, como?
Assim, olha.
Cosmo usou seus poderes da mente e abriu a saída da nave. Forçando Peter a segui-lo, pulou no espaço e meio que nadou na direção da ruptura.
– Vance, Adam, encontrei a fonte do problema.
Mantis estava procurando pela fonte da falha nos campos gravitacionais de Luganenhum pelo computador, enquanto Charlie-27, Angela e Quasar partiram à procura de algo que pudesse ser um problema.
– Diga, Mantis – pediu Adam Warlock.
– Há uma ruptura no casco.
– Podemos reparar? – perguntou o Major Vitória.
– Sim, mas atrasaria nossa viagem e seríamos alcançados pela tropa Nova. Só que há mais um problema.
– Qual?
– Tem dois invasores entrando por ela.
– Eu vou atrás deles – disse Adam.
Antes que ele partisse, porém, Mantis notou algo estranho.
– Adam, espere. Um dos invasores está emitindo algum tipo de energia que está reparando a ruptura no casco. E pronto. Não há mais problema algum. Retomando funcionamento dos campos gravitacionais em 3, 2, 1. – Os dois, Vance e Adam, voltaram para o chão. – Eles estão vindo para cá.
De repente, a porta abriu. Por ela entrou um homem com uma máscara cinza com dois círculos vermelhos para os olhos e um cão astronauta.
– Sou Senhor das Estrelas e este é meu parceiro fofo, Cosmo. Acho que já repararam que não há mais nenhum problema na sua nave.
Já disse para não me chamar de fofo na frente dos outros.
– Não, não disse.
Agora disse.
– Reparamos, sim – respondeu Mantis, interrompendo a discussão besta dos dois.
– E somos gratos por isso – agradeceu Major Vitória. – Mas queremos saber: que quereis vós?
– Abrigo. E carona para Titã.
– Então sejam bem-vindos. Sou Adam Warlock e estes são Vance Astrovik, o Major Vitória, e Mandy Celestine, a Mantis. Temos mais três membros da nossa equipe. Somos os Guardiões da Galáxia.
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