Thanks, Daryl Dixon

1 What the hell do you want now, woman?


Daryl estava sentado em um tronco de árvore caído longe da casa dos Greene. Ele entalhava habilmente algumas flechas na madeira que tinha em mãos. O caipira levantou os olhos para o céu por apenas um instante, percebendo que ele já adquirira um tom alaranjado devido ao sol que se punha.

O vento úmido da Geórgia soprava por todos os cantos, reverberava o frio que estava começando a fazer. Daryl sequer se importou com isso, continuou o que estava fazendo, tentando esquecer a dor que lhe atingia o braço por ter se machucado enquanto procurava por Sophia.

Daryl pode ouvir passos se aproximando, vindo do lado da casa e constatou que não era um errante. E por algum motivo, ele reconhecia aqueles passos, seria capaz de identificar quem era em qualquer lugar. Sentia-se estúpido por isso.

Carol se aproximou lentamente de onde Daryl estava e sentou-se na outra extremidade do tronco caído. Ela ficou em silêncio e ele não fez menção alguma de falar. Daryl não queria conversar.

– Daryl – Carol chamou-o depois de um longo tempo de silêncio desconfortável. Mas o caipira não respondeu, ele continuou entalhando mais uma flecha. – Eu só queria te agradecer. – Daryl continuou em silêncio, ignorando-a. – Você ouviu?

– Sim. – Daryl grunhiu impaciente. – Assim como ouvi das outras cinquenta vezes.

– Você salvou minha filha, eu te devo muito mais que simples agradecimentos. – Carol falou usando um tom de desculpas. – Você foi o único a não desistir de Sophia, assim como eu, é claro. Eu te agradeço porque sem ela eu não suportaria viver nesse mundo. Eu não conseguiria continuar aqui. Não sem ela. Não sem minha garotinha.

– Você não me deve nada! – Daryl continuava a encarar a flecha já completamente moldada em suas mãos calejadas. — Eu sei como é estar perdido por aí, a sós, sem ninguém para te guiar de volta para casa. Por isso eu não desisti.

Carol assentiu para si mesma já que o caipira não ousava olhar para ela. O silêncio voltou a se estabelecer entre os dois, dessa vez se estendendo ainda mais.

Daryl não tinha mais nada a fazer, havia terminado de entalhar várias flechas. Seu corpo cansado implorava por um pouco de descanso, mas ele não iria se levantar. Não iria embora dali antes de Carol.

A mulher fitava as próprias mãos; os pensamentos confusos dentro de si a deixavam nervosa. Ela seria eternamente grata a Daryl por ele ter trazido Sophia de volta e não entendia o porquê do caipira recusar-se a participar do momento de alegria do grupo ao perceber que a garota estava bem, agora novamente ao lado da mãe.

A escuridão já começava a tomar conta do local, e o frio aumentava constantemente. Daryl sentiu os braços desprotegidos de roupas se arrepiarem – assim como o resto do corpo – quando uma rajada de vento cruzou o espaço em que ele e Carol estavam. Ele percebeu também que ela tremia.

– É melhor você ir para dentro. – Daryl disse finalmente olhando para Carol. – Está ficando frio.

Ela deu de ombros e continuou ali. Os minutos passavam lentamente e durante todo o tempo, nenhum dos dois dizia uma palavra sequer.

Daryl agora sentia o frio tomar-lhe o corpo, mas não fazia nada para mudar isso. Por algum motivo – agora maior do que antes – não queria afastar-se dali; queria muito menos deixar Carol sozinha. Os pensamentos do caipira vagavam por todos os momentos que ele havia passado desde o começo da praga.

Carol forçava-se a aguentar o frio, mas estava sendo difícil. Ela queria continuar ali ao lado de Daryl, como se com aquele gesto, de alguma maneira, ela pudesse mostrar que ele não estava sozinho. Ela estava com ele. Sempre estaria.

Daryl rendeu-se primeiro. Ele levantou-se e começou a andar em direção ao pequeno acampamento que o grupo de Rick montara á alguns metros da casa de Hershel. Carol o seguiu.

– Mas que droga! – Daryl parou de andar bruscamente, virando-se para Carol. – O que diabos você quer agora, mulher?

Carol mordeu o lábio inferior; ela não sabia porque estava seguindo-o, tentou se convencer que a necessidade que estava sentindo de ficar perto dele não era nada mais que gratidão. Aquilo não a convenceu.

– Nada. – Ela corou. – Eu só estou indo para minha barraca. – Mentiu.

Daryl bufou e virou-se para continuar seu caminho. Ele ouvia os passos suaves de Carol atrás de si e tentou não pensar na proximidade da mulher.

– Imaginei que com a volta de Sophia você não sairia do lado dela. – Daryl disse sem controlar-se.

– Hershel examinou-a a pouco e disse que ela precisava descansar. Ela está dormindo e Beth e Maggie estão com ela. – Carol sussurrou para o caipira. – E eu precisava falar com você.

– Já falou. – Daryl parou em frente a sua barraca, que era mais afastada das outras. – Tchau. – Curto e grosso, como sempre.

– Daryl. – Ela segurou o braço do caipira, impedindo-o de entrar na barraca quando ele fez menção a isso. – Tem mais uma coisa. – Daryl suspirou e virou-se novamente para encarar aqueles lindos olhos azuis que Carol possuía. – Bem, é que... – Carol não tinha o que falar, mas não podia deixar o caipira afastar-se dela. – Hum...

– Vamos logo, mulher. – Daryl, como sempre, disse impaciente. – Não tenho a noite toda para esperar.

Carol não pensou muito, apenas agiu. Ela deu um passo á frente e inclinou-se para colar seus lábios rapidamente nos do caipira. O beijo durou apenas alguns poucos segundos e quando ela separou-se dele, Daryl não teve reação alguma.

Os dois se fitaram por um tempo, o frio não importava mais. Os pensamentos de Daryl estavam entorpecidos pela sensação de ter provado os lábios de Carol, mesmo que tão rapidamente.

A mulher ainda não sabia de onde havia tirado a coragem para fazer aquilo. Nunca havia se imaginado em uma situação como aquela. Não com o caipira.

– O que foi isso? – Daryl perguntou atônito.

Ela deu de ombros enquanto recuava alguns passos, ainda de frente para ele, em direção a casa.

– Obrigada, Daryl Dixon. – Ela sorriu timidamente antes de se virar.

Quando Carol já estava dentro da casa, longe dos olhos do caipira, ele sorriu.

Agora sim Daryl estava gostando dos agradecimentos de Carol.

Notas finais
Comentem e me deixem saber o que acharam *u*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!