Thalico - Serial Killer
24 What's Wrong?
Notas iniciais
— Tsc, tsc, Valdez e McLean — ouviram a voz tão conhecida começar a cantarolar — à beira de um barquinho, se pegando. Há! Estavam com saudades, amores? Eu estava louca para vê-los novamente. Meus bebês estão bem? Nico não deixaria que machucassem vocês, é claro mas Jason é tão sonso e egoísta!
— Teu cu! — a voz do loiro se fez presente em algum lugar entre as caixas — sou um amorzinho. O mais 100% paz e amor.
— Ata — a morena riu.
Piper se virou completamente e Leo seguiu o ato da garota, ambos encararam assustados a garota rindo sozinha, sentada em cima das caixas, segurando uma arma apontada para o chão.
— Thalia — Piper murmurou dando um passo à frente sentindo os olhos marejarem — o que? Como?
Os cabelos negros jogados no rosto de forma rebelde, aqueles olhos transbordando uma loucura ácida e nada saudável, os dedos finos envolvendo uma Taurus 809 de 9mm, o calibre era restrito, então não fazia sentido Thalia portar uma arma daquelas se não tivesse nada a temer. A mais nova hesitou prendendo as lágrimas com medo da reação da Grace.
— Droga, McLean — a morena revirou os olhos — por que diabos ainda está parada aí e não veio me abraçar? Não seja má com a Lia.
Antes que Leo conseguisse impedir Piper correu para os braços da morena que atirou a arma para longe acolhendo a mais nova em seus braços. Piper chorava desesperadamente nos braços da Grace não sabendo o que pensar ou o que dizer. Merda, Thalia era a porra de uma assassina e nem isso a fazia ter raiva da morena.
— Estou aqui, querida — Thalia dava beijinhos na cabeça da garota que começou a bater em qualquer parte do corpo que aparecesse em frente aos punhos desta — acalme-se Pipes, estou aqui agora.
— Eu sei, nunca mais desapareça dessa forma, Lia. Você não faz ideia do quanto eu fiquei preocupada com você — ela chorou mais se agarrando a Grace que logo sentiu ser abraçada por um par mais forte de braços.
— Senti sua falta, Valdez — ela piscou o olho raspando as unhas na jaqueta do garoto.
— Ainda te acho a maior filha da puta, Grace — ele afirmou deitando a cabeça no ombro da mais velha — eu te amo pinheiro, mas você vai ter que me explicar muita coisa.
— Eu vou — ela prometeu abraçando os dois com mais força — eu vou explicar tudo, meus amores, só não prometo que irão entender.
Por um momento permaneceram daquela forma, apenas escutando os soluços baixinhos da McLean. Até que fez-se um estrondo no meio das caixas e a voz de Jason gritar lá do meio fazendo com que os três se encarassem e se desgrudassem antes de começar a rir do desastre do loiro.
— Grace! O di Ângelo e o Chris foram buscar o Jackson, precisamos de mais alguém? — uma voz feminina gritou antes de aparecer — McLean, Valdez, que bom que chegaram.
A figura loira sorriu com aquele rostinho diabólico prestes a arrancar o pescoço de alguém com os dentes. Ela estava bem diferente apesar de terem-na visto a pouco mais de dois dias. Tinha um rastro de sangue saindo do lábio mas parecia pouco se importar. A língua serpenteou venenosa pelos lábios limpando o líquido ferrosso ao mesmo tempo que o olhar malicioso encarava os recém chegados.
— Travis buscou a Katie? — Thalia perguntou se virando para a garota.
— Katie? — Piper arregalou os olhos dando um passo para trás — nossa Katie?
— Quem mais seria? — a loira perguntou.
— Quem mais está nisso? — Leo perguntou.
Leo sentia tudo em sua cabeça se misturando. Não sabia mais quem eram aquelas pessoas. Não conseguia visualizar Thalia Grace apontando uma arma para a cabeça de alguém. Se assustou, quando por trás de si, outras duas figuras loiras se debruçaram sobre as caixas coloridas. O garoto balançou a cabeça e a garota riu.
— Porra, não sabe ficar um minuto caladinha, Clarisse? — o loiro perguntou.
— Enfia no orifício, Grace — a outra retrucou.
— Só se for no seu — ele revidou.
— Deixa o Chris saber disso — Silena comentou aparecendo no meio dos loiros
— Vocês são pessoas horríveis afinal — Annabeth riu pulando as caixas e parando ao lado de Thalia fazendo com que o mais novos arregalassem os olhos. Ela estava ali o tempo todo? E o sequestro? O que estava acontecendo, afinal? — desculpe-me pela preocupação, eu não queria que vocês descobrissem dessa forma.
What is this that stands before me?
Figure in black which points at me
Turn around quick, and start to run
Find out I'm the chosen one
Oh no!
— Serial Killers? — o garoto perguntou colocando as mãos na frente de rosto — todos vocês já mataram?
— Não — Annabeth afirmou.
Um silêncio constrangedor pairou no ar daquele galpão, ouvia-se apenas o som das unhas de Silena baterem contra o copo de uísque fazendo um estalinho irritante. Percy Jackson estava de olhos arregalados tentando entender o que diabos Thalia Grace acabara de lhe falar. Aquelas pessoas, amigos de muitos anos, haviam se tornado estranhamente, mesmo que com o tempo, assassinos em série. Era um pesadelo, como poderiam pessoas boas, formadas e com bons antecedentes terem se tornado psicopatas loucos por sangue? Era como uma grande piada de mal gosto.
Percy queria que todos parassem com aquele teatrinho e voltassem para casa, ele não estaria mais feliz, afinal Annabeth estava segura, teria tempo de perguntar o que houve quando estivessem no conforto de sua cama e Thalia e Nico voltaram também e estavam aparentemente muito bem, obrigado. Quando eles parariam de lhe encarar tão sérios para voltarem para casa? Ainda tinha que avisar aos pais da esposa que ela estava salva e saudável.
— Então? — Piper murmurou depois de um tempo.
Como se tivesse levado um tapa na cara Percy ofegou. Olhou cada rosto ali presente, quando passou o olhar por Silena percebeu que ela notava a confusão em seus olhos, pois soltou uma risadinha antes de bebericar sua bebida. Percy notou em seu olhar um resquicio de pena misturado a um grande "se fodeu, otário". A raiva subiu pelos olhos do moreno.
Aquilo era sério.
Aquelas palavras não eram brincadeira.
Olhou para aMcLean que mantinha aquele olhar de "o que você prentende fazer agora?". Aquele olhar o fez tremer de raiva. Como ela sequer cogitava aquela hipótese? E por quê?
— Não! Você está maluca Piper? — Percy gritou fazendo a garota se encolher — todos vocês são malucos! Vou denunciar todos pra polícia imediatamente!
O que aqueles loucos estavam pensando? Que ele se juntaria a eles e mataria pessoas? Ora mais essa! O Jackson tirou o celular do bolso e começou a desbloquear a tela quando seu telefone foi brutalmente tirado de suas mãos.
— Para de show, Jackson — o moreno revirou os olhos negros jogando o aparelho pro outro lado da sala onde Charles capturou o eletrônico no ar — sim, somos seriais killers, matamos vagabundos por aí, sentimos prazer nisso e a puta que pariu. Você liga pra polícia e então? Eles chegam e matamos todos, com balas na cabeça, e na melhor da suas hipóteses caso consigam nos pegar, Annabeth está aí, sua esposinha é tão vadia quanto nós, machuca tanto quanto nós. Quer ela atrás das grades é? Seu fetiche é uma saleta íntima peixinho?
— Ah seu filho da... — Percy partiu pra cima de Nico que revirou os olhos e torceu o braço do garoto e puxando-o em seguida fazendo que ele ficasse contra seu peito.
— Percy, eu não tenho muita paciência — ele disse baixo no ouvido do garoto — pra eu meter uma bala na tua cabeça é um segundo e sem hesitação. Lembra também da sua loirinha ali. Ela tá na minha mão garoto. Mas sabe o que eu vou fazer antes se você continuar assim mordidinho? Vou te prender e te obrigar a ver eu metendo nela, depois matando ela, bebendo aquele sangue quentinho, ah Jackson, depois eu vou cortar sua garganta, e jogar os dois pros cachorros. É isso que você quer?
— Maldito — ele murmurou entridentes.
— Estamos te convidando pra entrar, viver como nós — Nico continuou ignorando o mais velho — mas só porque temos consideração por você. Se alguém sabe quem está aqui e não faz parte, neném, ha, essa pessoa está a sete palmos, queimando no inferno.
— Vocês são todos malu....
— Percy, por favor — Annabeth se ajoelhou a sua frente — eu imploro, continue aqui. Querendo ou não somos os seus e iremos te proteger. Você estará a salvo.
— Me proteger enquanto machucam inocentes! — o moreno exclamou — como vou confiar em alguém que mata a sangue frio, Annabeth? Até hoje de manhã eu acreditava que todos aqui eram pessoas que levantavam da cama, trabalhavam, mantinham relacionamentos amorosos e fraternais e no fim do dia se deitavam pensando no que fariam na manhã seguinte. Nunca imaginaria que nesse meio tempo eles viravam sádicos, psicopatas, loucos! Que assassinam gente inocente e...
O barulho de vidro se quebrando contra a parede próxima a cabeça de Percy fez com que o moreno cala-se a boca e encarasse a morena de boca aberta. Ela tinha mesmo tentado atirar um copo contra sua cabeça? Silena o tinha atacado com um copo de uísque? Estava tudo errado ali!
— Eles não eram inocentes! — Silena se levantou irritada aproximando-se do moreno com o indicador direito apontado pro nariz do garoto — pare de dizer que são inocentes! Porque nem todos são! Acha que é só nós? Existem pessoas que matam por aí, fazem coisas bem piores! Colocam as mãos nojentas em garotas mesmo que elas implorem para que não, eles não escutam quando você chora para que não rasguem sua roupa. Eles não tem o direito de reclamar quando você chuta a rola deles e encontram uma barra de ferro solta. Não podem reclamar quando você vira aquela merda na cara deles pra derrubar e mete a ponta mais irregular no pescoço desses filhos da mãe.
— O que? — Percy viu Silena perigosamente próxima. Aqueles olhos raivosos. O moreno logo soube: aquela história, era a dela — Sil...
— Doze vezes gatinho — ela riu na cara dele — quanto mais eu metia, mais eu molhava, é tão prazeroso, eu descobri um bom hobby enquanto fiz minha própria justiça.
— Quando eu cheguei Silena estava rindo encima do cadáver — Charles disse ao longe — ajudei ela a se livrar do corpo e fomos pra casa. Ninguém até hoje sabe onde aquele filho da puta está.
— Ele parece inocente pra você Jackson? — a garota questionou — claro, eu seria estuprada e quando desse parte, a polícia ia liberar ele em 1 ou 2 anos pra ele fazer de novo!
— Não... — Percy murmurou desconcertado — ele não estava certo, mas você matou uma pessoa!
— Antes ele do que eu! — ela gritou apontando o dedo na cara dele — você não sabe o que é ter medo de andar na rua e ser tocada por um estranho! Todas as meninas aqui sabem, pode perguntar uma a uma! Diga Piper! Conte do Dylan!
— Sil...
— Diga o porque começou a lutar Clarisse! — Silena sorriu em escárnio — pergunte os traumas dos meninos. Nós matamos pessoas más, enquanto eles traumatizam inocentes e corrompem pessoas boas. Não é certo, mas tem coisas bem piores do que jogar ratos no esgoto. Obviamente "inocentes", como você diz, já passaram no nosso caminho, mas negócios são negócios.
— Eu...
— Não fale, Percy — Thalia sussurrou no ouvido do moreno — no fim você tem apenas duas opções: matar ou morrer.
Um frio percorreu a espinha do garoto, ele olhou para Valdez e McLean abraçados no canto da sala. Pareciam não ver problemas em estarem rodeados de psicopatas. Leo mordia distraidamente o pescoço da garota enquanto a mesma balançava-se de um pé para o outro. A cabeça do Jackson martelava, e ele ouvia mais passos se aproximarem fazendo com que o medo em si apenas aumentasse.
— Demoramos? — a voz feminina soou no galpão.
— Kit-Kat — Jackson sussurrou sem nem mesmo precisar olhar naquela direção para saber a quem aquela voz pertencia.
— Cabeça-de-algas! — a garota exclamou animada — Nico porque está segurando ele?
— Ele tentou nos ameaçar — Clarisse acusou e Katie riu alto.
— Amorzinho, você sabe muito bem que não tem crédito pra isso — ela disse quando Nico soltou o moreno.
— O que ela quis dizer? — Annabeth perguntou levantando a cabeça para encarar o marido que olhava incrédulo para a Gardner. Ela não ousaria falar daquilo.
Os cabelos flamejantes como o sol soltos na pele morena, vestido rodado como o de uma boneca, olhinhos verdes e inocentes. Katie Gardiner sempre pareceu uma criança, preciosa demais para aquele mundo cruel. Era assim que Percy a via. Até aquele momento. A garota sorriu maliciosa. Ah, ela falaria.
— Vocês se lembram meninos? — a ruiva perguntou quase que inocentemente aos garotos atrás dela que riram concordando — Percynho é gente como a gente. Curte uma morte. Assassino. Qual o nome daquele loirinho mesmo?
— Vitor? — Connor sugeriu.
— Otello? Ottelian? — Travis tentou.
— Não, não! — Katie estalou os dedos forçando a mente a voltar alguns anos — Octio?
— Octavian — um murmúrio foi ouvido.
— Como disse querido? — a ruiva debochou se aproximando do moreno — Octavian? É isso mesmo. Ele era uma gracinha! Nerdinho, rebelde sem causa, foi arrumar briga justo com o bêbado Jackson.
Os dois garotos riam escandalosamente apoiados na garota. Percy odiava aquela história, odiava aquele passado, diferente dos outros ali ele não tinha prazer nenhum no que tinha feito, não se sentia orgulhoso por matar Octavian. Na verdade ele sofria internamente por isso. Mesmo depois de tanto tempo.
— Será que ele ainda sente o vidro da garrafa nas tripas? — Connor questionou.
— Não, ele tá mortinho, doidão — Travis gargalhou junto ao irmão.
Percy parou de prestar atenção no deboche daqueles três e se viu perdido nos pensamentos daquela trágica noite. A noite que conheceu Octavian, da turma de pedagogia. Como se arrependia daquele dia.
— Jackson? — um garoto magrelo parou em frente ao mais velho.
— Sou eu — o moreno sorriu de canto bebericando um drink colorido.
— Meu nome é Octavian Febo.
O loiro estendeu a mão que foi completamente ignorada quando Jackson pôs a própria bebida na mão do mais novo e pediu uma garrafa de cerveja preta para si.
— O que faz num lugar como esse garoto? — Percy perguntou indicando a boate cheia de pessoas se esfregando umas nas outras dançando e se beijando em todos os lugares — desculpe, mas você não tem cara de quem curte essas coisas.
— Não gosto — o loiro deu de ombros bebericando a bebida doce — vim pra encontrar uma amiga, mas ela sumiu. Não conheço ninguém, mas já vi você na faculdade. Desculpe se incomodo, mas não queria ficar sozinho.
Era uma verdadeira criança, os olhinhos pidões imploravam para que o mais velho o deixasse ficar em sua companhia. Os cabelos longos, loiros e desgrenhados ajudavam na aparência desleixada de universitário sem tempo para lugares como aquele. Mesmo que fosse estranho o moreno notou um ursinho de pelúcia, não muito grande, preso ao cinto do rapaz, mas resolveu ignorar. Cada maluco com suas manias.
— Oh, então venha comigo esperar meus amigos — Percy sorriu de lado, finalmente — você vai adorar os Stoll e Katie Gardner, mas cuidado ela namora o Travis e ele é ciumento, garanhão.
— Tudo bem — o garoto sorriu constrangido.
Horas mais tarde Percy Jackson já não sabia nem mais seu nome. Havia dançado o máximo que as pernas permitiam, se esfregado em dezenas de pessoas, bebido várias garrafas de bebidas sempre diferentes das anteriores e rindo com os amigos. Octavian se via incluído nas brincadeiras de Connor Stoll quando sentiu uma mão feminina envolver seu pulso. Katie gritou alguma coisa que não foi ouvida pela música, mas logo o loiro foi arrastado assim como os outros pela ruiva.
Passaram por uma escada estreita e empurraram uma porta de metal. Logo os cinco se viram sozinhos no telhado da boate, rindo como condenados, sem nem mesmo imaginar a tragédia que aconteceria em minutos. Travis acendeu um cigarro e se sentou no chão sujo batendo nas próprias pernas para que a namorada se sentasse nas mesmas. Connor olhou para a cidade e começou a rir atraindo a atenção de todos.
Logo todos estavam gargalhando, gargalhando alto, mas o primeiro garoto risonho começou a chorar desesperadamente entre os risos doloridos, o que preocupou Percy no mesmo instante.
— Ei, cara! Tudo bem? — o moreno questionou colocando a mão esquerda sobre o ombro do garoto.
— As coisas só estão muito confusas — ele disse limpando as lágrimas — não se preocupe. Esse garoto, Octavian, já vi ele com a Annie, eles são amigos.
Percy balançou a cabeça em concordância. Descobrira esse fato na pista de dança e não havia gostado nem um pouquinho daquilo. Pendeu o pescoço para o lado sorrindo de forma assustadora para Octavian que se encontrava ao outro lado de Connor. O loiro que sequer prestava atenção a sua volta, tão bêbado que nem sabia mais o motivo pelo qual estava ali, as pequenas mãos se moviam pelo brinquedo de pelúcia de forma abruta como se quisesse arrancar alguma parte deste, sem motivos aparentes.
— Bonito — ele murmurou observando as luzes de New York.
— Quantos anos você tem Octavian? — Connor se debruçou na amurada ao lado do loiro — o que faz da vida? Vamos, você parece saber tudo sobre nós, mas nós não sabemos nada sobre você.
— Tenho 17 — ele disse e os outros se assustaram, ele era realmente muito novo levando em conta que a mais nova deles, Katie, tinha 19 — estou no terceiro período de pedagogia.
— Você tinha 15 anos quando entrou na faculdade? — Travis perguntou surpreso fazendo as contas nos dedos.
— 16 — o garoto respondeu dando de ombros.
Os irmãos e a garota pareciam estar realmente interessados no loiro, enquanto Percy se mantinha calado perdido nos pensamentos do que o garoto havia dito, seguido de uma piscadinha é um sorriso malicioso na pista.
" — Annie sempre espetacular em tudo, certo Jackson?
O que ele queria dizer? Desde quando conhecia Annabeth Chase?"
"- Esse garoto, Octavian, já vi ele com a Annie, eles são amigos."
Percy se sentiu desconfortável por um momento. Octavian parecia saber tudo da vida do moreno como se fosse um stalker, sabia o nome de todos os amigos do garoto, toda vez que a namorada era citada, ele a elogiava e realçava uma qualidade da loira, Percy sequer sabia que a garota era alérgica a camarão! Ele até mesmo conhecia Sally e Poseidon. Citou o quanto a mãe do moreno era bonita e o quanto o pai era promissor.
— Sempre morou em Nova York? — Percy se viu perguntando.
— Nasci aqui, mas quando tinha uns 9 anos fui pra Califórnia e voltei pra entrar na universidade.
— Estranho, você me é familiar — Jackson disse é o loiro riu.
— É claro que sou! — ele afirmou e logo se pôs em frente ao Jackson — estudamos no mesmo lugar Perseu, já nos esbarramos muitas vezes. Sou bastante amigo da sua namorada também.
— Como conheceu Annabeth? — ele perguntou.
— Aula de desenho — Octavian disse dando de ombros.
— Annabeth nunca fez aula de desenho! — Percy afirmou como se tivesse pegado o garoto no flagra.
— Fez sim — o loiro franziu as sobrancelhas — inclusive ainda faz, toda quinta as 19hrs, já tem quase 1 ano de curso, Annie nunca faltou, nunca deu falta dela?
Percy de repente se sentiu um péssimo namorado, estava descobrindo que um estranho conhecia mais Annabeth do que ele. Se pôs a pensar e realmente não se lembrava de ver a loira as quintas a noite ou de ter uma mensagem respondida antes das 10 neste mesmo dia. Sentiu uma raiva imensurável em si. Quando viu o mais novo arrancar sem querer a cabeça da pelúcia, fazendo um bico e uma exclamação, Percy não aguentou. Agarrou a gola da camisa do garoto e o prensou na parede. Os outros três apenas observavam a cena murmurando baixinho entre si.
— Como sabe tanto sobre ela? — Percy perguntou.
— Somos amigos — o loiro disse ofegando. Aquilo havia o surpreendido. Por que Percy estava tão irritado afinal? Annie tinha tantos amigos na aula de desenho. Qual era o problema se ele era um destes?
— Como nunca ouvi falar de você? — o moreno indagou.
— Não é normal uma garota falar do amante pro namorado — Octavian provocou achando que aquilo o faria soltar a camisa, poderia levar um soco na cara, mas logo se desculparia com o Jackson pela brincadeira — vamos me solta cara. É brincadeira, pare de me olhar assim. Não faço ideia do porque ela falaria de mim pra você, não sou uma pessoa muito interessante.
Mas Percy tinha parado no amante. Seria possível? Annabeth o trairia? Sentiu-se ainda mais raivoso soltou o loiro e voltou para sua garrafa de vodka. Ouviu o riso dos demais e aquilo fora o estopim, ainda mais quando Octavian se abaixou ao seu lado pedindo desculpas pela brincadeira. Quebrou a parte de baixo da garrafa e a restante virou no abdômen magro do loiro.
Katie arregalou os olhos, Travis apertou a namorada contra o peito e Connor se colocou perto do irmão e cunhada em posição de defesa.
— Desgraçado! — Jackson gritou vendo o olhar horrorizado do loiro se tornar dolorido — nunca mais você vai encostar na minha mulher! Nunca mais!
— Era brincadeira — o loiro murmurou quando sentiu a garrafa sair e entrar de novo em si o fazendo gritar — Jackson, para!
— Percy... — ouviu Connor dizer mas este levantou a garrafa pro garoto que apenas recuou.
— Socor... — o garoto foi calado por mais uma dor aguda no abdômen pela terceira vez a garrafa havia entrado em si dessa vez ela foi girada fazendo o garoto gritar mais uma vez.
A última coisa que Percy ouviu de Octavian foi um pedido para que parasse. Mas ele não parou. E ali naquele terraço sujo de uma boate, Octavian Febo estava morto com uma garrafa em suas entranhas. Um assassinato. Por Percy Jackson, o garoto de lágrimas vermelhas escorrendo pelos olhos.
— Aish, bons tempos — Katie riu escandalosamente tirando Percy de seus pensamentos.
— Péssimos tempos — o garoto murmurou.
A garganta do moreno secou enquanto via os "killers" abrindo sorrisos maliciosos. Buscou o olhar da esposa abaixo de si e a encontrou sentada sobre os próprios pés e unhas passando pelo tecido da calça, ela mantinha um olhar confuso, a cabeça pendida para a direita e um biquinho nos lábios. Seria adorável se não estivessem onde estavam.
— Octavian? — ela perguntou baixinho — da aula de desenho? Foi você? Você quem sumiu com ele?
Percy sentiu todos aqueles olhares julgadores sobre si e um frio percorreu sua espinha ao olhar para os olhinhos confusos de Annabeth. Por um momento havia se esquecido que Octavian fora amigo dela, passaram no mínimo um ano desenhando juntos. Ela deveria ter reparado que ele não ia mais as aulas ou não mais respondia alguma mensagem.
— Eu matei ele, Annie — ele disse se abaixando na altura da loira — eu sinto muito por isso, de verdade. Eu fiz coisas da qual não me orgulho. Sei que não tem como pagar uma vida e que fui covarde de não me entregar mas...
— Está tudo bem — ela o cortou pegando as mãos do marido — já passou.
— Não, não passou — ele afundou o rosto nas madeixas loiras escutando os murmúrios da sala antes das lágrimas começaram a cair — acha isso certo, Annie? Matar alguém? Luke, Will, Drew, Octavian, pessoas que conhecemos e...
— Não foram eles — Annabeth afirmou com convicção — os assassinatos em série não tem nada a ver com Drew, Luke e Will. Nada.
— Cansei — Nico apontou a arma pra cabeça do moreno — qual vai ser, Jackson?
— Ele vai entrar e ficar caladinho — Katie respondeu no lugar do garoto — caso contrário eu mesma ligo pra polícia dizendo onde aquele loiro azedo 'tá enterrado. Vai tentar a sorte peixinho?
Percy olhou e para todos aqueles rostos tentando entender em que momento deixara de conhecer aquelas pessoas. Silena, Jason, Clarisse, Thalia, Leo, Piper, Chris, Charles, até mesmo Nico que não era lá a melhor das influências.
— Eu não tenho escolha? — ele perguntou para Annabeth que negou com a cabeça — eu... Eu... O que eu faço agora?
Era difícil acreditar, mas ele realmente havia se rendido. Leo respirou fundo apertando Piper em seus braços, estavam, definitivamente, nessa, juntos. Mesmo que nunca tivesse passado pela cabeça do moreno fazer parte de alguma coisa como aquela.
— Temos um servicinho pra você — Thalia se pronunciou sem tirar aquela expressão de deboche — o nome dele é Operacão Nêmesis. Alvo? Ethan Nakamura.
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