Thalico - Serial Killer
15 The Drug In Me Is You
Notas iniciais
– Thalia está em casa? – a voz masculina perguntou do lado de fora.
– Fudeu – sussurrei arregalando os olhos reconhecendo “a voz”.
Nico levantou correndo, me deu um beijo e pegando as roupas jogadas saiu para o corredor rapidamente, me abençoei eternamente por não arrumar meu apartamento a tempo suficiente pra um de meus roupões estar jogado em uma das cadeiras de jantar. Dei uma leve arrumada no cabelo e comecei a bolar uma mentira na cabeça.
– Thalia! – chamou de novo dando mais uma batida na porta.
– Estou indo – falei alto indo abrir a porta.
Abri a porta e lá estava ele. Flores na mão direita, sorriso fofo, olhos azuis brilhantes, ninguém mais ninguém menos que meu pai com roupas de trabalho.
– Thalia querida – ele disse entrando.
– Oi – falei forçando um sorriso.
– Eu dei uma passadinha na empresa, mas como já estava quase no meu horário de almoço – automaticamente olhei para o meu relógio. 11:45 – decidi voltar, e na porta eu vi que haviam montado uma floricultura defronte e decidi comprar flores pra minha querida filhas.
– Oh obrigada – falei enquanto ele me entregava o buque de rosas vermelhas.
– Querida desculpe-me atrapalhar seu sono – ele se desculpou.
Era uma boa desculpa eu estava apenas de roupão, com os cabelos bagunçadas, descalça e provavelmente suada, o que poderia se passar aos olhos de meu pai por um pesadelo que ele teria atrapalhado, ótimo!
– Não tem importância – sorri com a brilhante ideia formada.
– Que bom, eu me preocupei – ele disse, me senti um pouco mal em mentir pra ele.
– Será que se importa se eu me trocar? – perguntei indicando o roupão.
– Não, não – ele disse se sentando.
– Fique à vontade – sorri e me virei para o corredor tirando ele.
Fui direto pro meu quarto, Nico estava lá colocando a sua última peça de roupa, peguei as roupas intimas e as coloquei.
– Vou tentar sair de fininho – Nico disse.
– Acha que consegue? – perguntei colocando o short.
– Eu sempre consigo – ele afirmou e eu assenti colocando a regata.
– Vou tentar distrai-lo e você sai – falei.
– Tudo bem – ele confirmou.
– Você fica no corredor enquanto eu levo ele pra cozinha, qualquer erro eu e você corremos como nunca corremos na vida – contei meu plano genial passando a escova nos meus cabelos.
– Está bem – ele concordou me roubando um selinho.
Eu sorri pra ele, calcei meus tênis, prendi o cabelo em um rabo alto e voltei para a sala, meu pai já havia se levantado e estava observando as fotos que estavam em frente à TV. Quando escutou meus passos se virou com um sorriso terno.
– Vocês dois mudaram tanto – ele disse e eu vi uma foto minha e de Jason.
– Crescemos – o corrigi.
– E muito – ele disse.
– Venha vou fazer um café pra nós dois – falei e nós seguimos para a cozinha.
– Ah, eu me lembro de quando vocês eram pequenos... – meu pai começou a contar histórias e mais histórias. Quando terminei o café peguei uma xicara para o meu pai e uma para mim, nos servi e fiquei na bancada esperando Nico passar.
Como a sorte nunca está ao meu favor no exato momento em que Nico tentava passar despercebido Zeus olhou para trás e arregalou os olhos. Nico olhou para mim e eu olhei para Nico o pensamentos de nós dois eram os mesmos: Corre!
E foi isso que fizemos, ambos corremos como nunca, em certo momento Nico agarrou minha mão e tomamos a escada correndo.
– Se morrermos lembre-se: Minha droga é você Nico disse e eu assenti.
Correr já não bastava, quando chegamos lá em baixo, percebi que não estava com chave de nenhum carro, ele também não, então voltamos a correr, até encontrarmos um beco com duas portas e entraram na da direita a batendo logo em seguida.
– Hylla eu já disse pra você não bater a porra dessa porta – gritou uma garota aparecendo e olhando para eles – você não são a Hylla.
– Quem é Hylla? – Nico perguntou.
– Você invadiram minha casa! – a morena gritou.
– Estamos fugindo do meu pai – a corrigi.
– Seu pai é da polícia? – a garota perguntou, não deveria ter mais que 16 anos.
– Não – respondi.
– FBI? – ela tentou.
– Não – respondi.
– CIA? – ela tentou novamente.
– Não! Ele é empresário e digamos que fiz a beldade de chamar esse aqui de broxante na frente dele, e logo depois ele aparecer na minha casa – falei.
– Se deu mal – a garota disse e me olhou maliciosa – ele é mesmo broxante? Porque não parece.
– Eu não sou “broxante” – Nico alegou
– Não – respondi ignorando Nico.
– Quantos “gominhos” – ela perguntou.
– Quatro em uma máquina 3000 volts de lavar roupa – falei e ela sorriu maliciosa enquanto Nico fazia cara de loading.
– Mas ai, deixo vocês ficarem, mas lá em cima – a garota indicou já andando na frente – alias meu nome é Reyna
– Thalia e Nico – respondi puxando um Nico com um loading estampado na testa.
– Desde quando eu tenho uma máquina de lavar? – ele perguntou para si mesmo.
Ninguém respondeu, apenas seguimos Reyna que subia as escadas que vi darem no saguão de um hotel.
– Mora aqui – perguntei.
– Quarto andar, lá em baixo é um esconderijo meu e de Hylla, nossa mãe é a dona daqui – ela respondeu.
– Hylla é....? – perguntei.
– Minha irmã – ela respondeu
– Ainda não entendi o negócio de lavar roupa – Nico falou repentinamente.
– Ah, já chega – falei e levantei a camisa dele – é disso que estávamos falando inteligência! Entendeu?
– Pervertidas! – ele exclamou e nos duas rimos olhando uma pra outra.
– Gostoso! – eu respondi.
– Vela! – Reyna exclamou e nós três rimos.
– Atá, até parece – disse uma garota ruiva passando indo para a recepção – cala essa sua boca suja pra falar do meu pai... ELE É MEU PAI SIM DESGRAÇADO, EU NÃO MANDEI VOCÊ E A VADIA QUE UM DIA EU CHAMEI DE MÃE ME MANDAREM PRA AMÉRICA! ... EU TINHA SEIS ANOS!
– Ela parece estressada – comentei e os outros dois assentiram.
– Até parece! ... Escuta aqui você, eu estou aqui a doze anos, tenho uma vida calma e relaxante por aqui. Emprego amigos. Eu NÃO vou voltar pra Europa... – a ruiva estava realmente estressada gritava para o pobre celular – VOCÊ NÃO É MEU PAI! EU NÃO VOU TE OBEDECER! ... Foda-se o seu dinheiro confio em meu talento pra sobreviver... Está vendo!? Nem sabe o que eu faço da vida! Quer saber? Tchau, não me ligue nunca mais, e tenha um péssimo dia!
A ruiva atirou o celular no chão com uma raiva incrível que ele se espatifou em vários pedaços, ela não pareceu se importar porque virou para a recepcionista com um sorriso amigável.
– Um quarto – ela pediu e a mulher começou a digitar.
– Bipolar – Reyna comentou ao meu lado.
– Nome? – a recepcionista perguntou.
– Ártemis di Lunna – ela respondeu e só me sobrou um pensamento: Fudeu.
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