Thalico: Inseparable
11 This is war
Notas iniciais
Eu estava encostada em uma parede que tinha atrás da minha casa, já tinha injetado uma mistura de drogas nas minhas veias, os meus fones de ouvido estavam no máximo, minha maquiagem estava borrada e lágrimas escorriam dos meus olhos.
Me sentia observada por alguém, olhei para um lado, não vi ninguém, olhei para o outro lado e lá se encontrava Nico Di Angelo. Ele me observava com pena, um sentimento que eu não gostaria que ninguém sentisse de mim. Tirei os fones de ouvido.
– Vá embora – falei. Eu estava fraca, meus ossos já estavam visíveis, debaixo dos meus olhos vermelhos se notava profundas olheiras que ficavam ainda mais destacadas na minha pele que estava mais pálida do que de costume.
– Thalia — Nico chamou — Me deixa te ajudar — ele se aproximou e esticou o braço para me ajudar a levantar.
– Não toque em mim — eu disse com a voz rouca e tossi várias vezes — Eu não preciso da sua ajuda.
– Thalia, por favor, acredite em mim, eu nunca menti para você, eu nunca vendi drogas. Eu te amo, Thalia!
– Me ama? Não acha um pouco tarde de mais para me dizer isso? Eu tô na merda por sua culpa, eu não tenho mais ninguém! Você me abandonou! — eu gritei chorando.
– Você me ama, Thalia? — Nico me perguntou se abaixando ao meu lado.
– Eu sempre te amei, Nico. Mesmo quando você me abandonou, mesmo quando parou de falar comigo, eu nunca deixei de te amar. — Falei e limpei minhas lágrimas.
– Então cuida de você, vai para a clínica, se trata, sai dessa, eu vou te ajudar, eu vou estar com você.
– Não, aquele lugar é horrível. Eu vou parar. — Eu disse apavorada pensando na ideia de ir para aquele lugar.
– Você vai por bem, ou por mal? — ele me perguntou e eu já sabia o que estava para acontecer. Me levantei e saí correndo.
De repente, meu irmão e Percy seguraram meus braços, eu me debatia e gritava. Alguns homens de branco apareceram no portão, acompanhados pelo meu pai. Consegui me soltar de Jason e Percy e corri na direção oposta, mas Nico já me esperava. Ele me apertou contra seu corpo e então eu senti algo picando meu braço. Nico me soltou e eu caí no chão, essa coisa fez meus ossos virarem gelatina. Dois homens me ergueram e me colocaram em uma maca. Um cinto prendia meus pulsos, cintura e tornozelos.
– Desgraçado — Sussurrei para Nico e tudo ficou escuro.
Acordei com um pulo. Estava toda suada e com muito calor, apesar do frio que fazia em Nova York. Esse sonho foi muito realista, as sensações, o vento, o cheiro de drogas, a dor e Nico. Nico, ele realmente me amava? Claro que não. Ele passou a me ignorar depois da nossa briga, obviamente, eu não era tão importante para ele como ele era para mim.
Uma sensação estranha tomou conta de mim, algo como falta de ar, uma vontade de gritar, eu comecei a tremer, a ficar inquieta. Era o vício. Eu precisava me acalmar, então optei pela maconha. Peguei um maço, acendi e assim que aquela fumaça entrou pelas minhas narinas, tudo ficou calmo. Não irei mentir. Muitos dizem que a droga é horrível, mas se torna horrível por ser maravilhosa, ela te dá sensações incríveis e prazerosas. O problema é que ela toma conta do seu corpo, se torna quase impossível viver sem ela. A droga passa a ser sua melhor amiga. E você recorre a ela sempre que algo não está bom.
Minha última semana de férias se passou assim, sonhos, drogas, bebidas, brigas, e todos os dias que eu acordava, me lamentava por não ter morrido durante o sono.
P.O.V. Nico
Era o primeiro dia de aula, e estava igualmente desanimado como nos outros dias do ano.
Cheguei 5 minutos atrasado e todos já haviam entrado, e tive que enfrentar o constrangimento de entrar na sala e ser olhado como se fosse uma arvore de natal com pisca-pisca. A primeira coisa que me chamou atenção foi o quanto Thalia estava diferente. Não nos falávamos haviam meses, eu tentara pedir explicações milhões de vezes, mas ela se recusava a olhar pra mim, e isso estava me matando. Mas, a ver daquele jeito acabou de vez comigo. Estava pálida, com muita olheira, a maquiagem preta nos olhos que ela gostava tanto que estivesse perfeita, estava toda borrada, os olhos estavam tristes e muito vermelhos. Os ossos do seu rosto estavam muito marcados e o cabelo parecia não ser lavado há dias. O primeiro pensamento que me veio à mente foi que as drogas estavam na vida dela de novo, mas Thalia sofrera muito com elas, e não achei que ela seria tão idiota de cometer o mesmo erro.
Tentei não olhar muito, mas acabava olhando, e era notável que ela fazia o mesmo. E assim ficamos até o sinal do recreio bater. Thalia saiu na frente, andando muito rápido por sinal, pensei em segui-la, mas Annabeth e Percy vieram falar comigo.
– E aí, cara? — Percy me cumprimentou.
– Oi, Nico. — Disse Annabeth.
– Oi. Ahn... Vocês perceberam que a Thalia está muito magra, e, sei lá, acabada?
– Era exatamente o que eu ia falar. — disse Annabeth saindo da sala. — Ela não me liga mais, e não atende minhas ligações. Eu fui na casa dela e não ninguém saiu. Enfim, eu não sei o que está acontecendo. Depois que Thalia te disse aquelas coisas, que você é um drogado e tal, ela mudou totalmente.
– Eu sei. — eu disse ajeitando o cabelo. — E eu ainda não sei de onde ela tirou isso. Imagino que tenha sido o Luke, mas ele sumiu.
– Pois é, muito estranho. — Percy disse e pegou a mão de Annabeth. — Annie, eu preciso ir na diretoria pegar um documento, vem comigo?
– Claro. Já voltamos, Nico.
– O.K.
Eu não estava com fome e precisava ficar sozinho, então fui dar umas voltas pela escola. Estava realmente muito preocupado com Thalia. Por mais que eu pensasse que ela não seria idiota o suficiente pra se envolver com drogas de novo, era só essa a explicação que eu encontrava, e se estivesse certo, eu não poderia deixa-la assim.
Estava passando pelo campo de futebol e vi Thalia embaixo de uma árvore com um cigarro entre os dedos. Cheguei mais perto sem que fosse visto e pude sentir o cheiro. Era maconha. Eu nunca me sentira tão mal em estar certo. Ela tinha se deixado levar de novo, mas pela sua aparência, não era só a maconha que estava de volta na sua vida.
Aquilo foi o suficiente para me distrair o resto da aula, só conseguia pensar em como ela devia estar mal e me sentia culpado, mesmo não sendo tudo aquilo que ela dissera que eu sou.
O sinal da saída bateu e eu iria segui-la e descobrir o que mais Thalia andava fazendo. Esperei ela sair da sala e sai logo atrás. E os efeitos da droga facilitaram para que não fosse visto.
A segui por dois quarteirões até que ela entrou num beco e eu espiei de trás de uma lata de lixo enquanto Thalia tirava uma seringa da mochila e injetava no seu braço. Eu senti aquela agulhada em mim, eu sabia que era uma droga forte. Ela se encostou na parede e em alguns minutos estava louca. Passava a mão pelo corpo, se descabelava, vez ou outra batia a cabeça na parede e cambaleava para o outro lado do beco. Se eu tivesse uma bíblia e um crucifixo, faria qualquer um acreditar que estava a exorcizando, era perturbador.
Percebi que as pessoas passavam na rua e olhavam como se minha vizinha obesa mórbida de 83 anos estivesse fazendo twerk ali, e achei que devia fazer algo.
Tentei me aproximar, mas Thalia estava violenta e não consegui fazer nada, até que ela desmaiou. Coloquei a minha mochila e a dela nas minhas costas e a peguei no colo. Era uma menina incrivelmente leve.
E então o momento constrangedor que tivera ao chegar atrasado tinha sido superado, agora eu carregava uma obesa de 83 anos pelas ruas de Nova York.
A levei para minha casa, coloquei ela na minha cama e deitei do seu lado. O que tinha acontecido? Aquela não era a Thalia, não era aquela menina que tinha feito eu me sentir como nunca tinha sentido, a única que me fez sentir atraído. Eu tinha admitido essa atração e agora não daria certo porque ela estava se matando. Eu não podia deixa-la continuar, eu precisava dela viva, precisava dela bem, eu só... precisava dela. E com certeza ela precisava de mim.
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