Thalico: Inseparable
14 Just Give Me A Reason
Notas iniciais
Fui embora do aeroporto com as emoções a flor da pele. Meu rosto queimava de raiva de mim mesma por não ter chegado a tempo, minhas mãos suavam, e eu não conseguia controlar minhas lágrimas. Como se não bastasse as olheiras causadas pelas drogas, agora eu tinha um contribuinte extra pra me desprover de beleza.
Aquela culpa toda estava me fazendo muito mal. Ou era só abstinência. E é claro, que a única coisa que me acalmaria no momento era a maconha, ou cocaína, LSD, todas juntas. Isso me causaria uma overdose. Os problemas se esgotariam. Tão simples. Mas eu não podia. Jason precisava de mim, e eu havia prometido a mim mesma que não faria isso. Não era uma opção.
Estava indo pra casa quando meu telefone tocou. Eu dirigia por uma estrada bem calma e não vi necessidade de estacionar para atender.
– Josh. – Atendi.
– Grace.
– O que foi? – disse sem paciência.
– Acabei de receber um pacote que acho que você adoraria saber o que tem dentro. Por que não passa aqui? – ele disse com uma voz um tanto quanto persuasiva.
– Josh, eu tô...
– Tô te esperando. – ele me interrompeu e desligou logo em seguida. Conclui que se fosse pra casa, me trancaria no quarto e choraria até o outro o dia, então, decidi passar no apartamento do Josh, talvez fosse melhor ter uma companhia agora. Uma companhia que me cedesse o que eu precisava.
Cheguei lá em 15 minutos. Subi até o apartamento dele e bati na porta.
– Thalia! – Josh disse abrindo os braços.
– Então, o que você tem aí? – abaixei os braços dele e entrei no apartamento. Corri os olhos por todo o lugar procurando alguma coisa que não estava lá antes. Não vi nada.
– Sobre isso... – ele bateu a porta e pegou dois copos de whisky. Peguei um deles e dei um gole. – Era mentira. Só queria que você viesse aqui.
– Desconfiei. – disse me sentando no sofá. Josh se sentou ao meu lado.
– Cigarro? – ele me estendeu o maço e eu peguei um. – Por acaso você andou chorando?
– Não te interessa. – respondi com frieza. Peguei o isqueiro da mão dele e acendi o cigarro. Toda aquela fumaça que no momento nos rodeava me acalmava.
– Desembucha logo, Grace. – ele disse com autoridade e depois assoprou a fumaça no meu rosto.
– Jason foi pra Inglaterra. Só isso.
– Ah. – ele disse fingindo estar com pena. – Coitadinha. Vai ficar sozinha. – revirei os olhos e ele riu.
– Estou ótima assim.
– Ficaria melhor comigo. – ele passou os braços por cima do meu ombro. – Olha pra mim. Todo mundo fica melhor comigo.
Nós nos encaramos por alguns segundos e ele fez o que eu temia. Me beijou. Um beijo calmo e demorado. O beijo dele tinha gosto de drogas e álcool. E ele devia pensar o mesmo de mim. Desencostamos nossos lábios lentamente e nos encaramos por mais alguns segundos, até que me senti corar.
– Sim. – eu disse.
– Sim o que?
– Seria melhor ter você comigo.
– Não fala desse jeito, me dá nojo. – ele disse sorrindo. – É o seguinte, você tá proibida de beijar outros caras por um período indeterminado, se é que me entende.
– Entendi. – joguei meu cigarro pela janela que ficava atrás do sofá. – Você também.
Fiquei ali desperdiçando tempo até que escurecesse. Cheguei em casa muito melhor do que estava quando sai do aeroporto, ficar com o Josh me fazia bem. Ou as drogas do Josh me faziam bem? Repeti essa pergunta para mim mesma milhões de vezes. Da última vez que namorei alguém eu me ferrei, Luke não me trouxe nada de bom, pelo contrário, me causou muito sofrimento. E tudo por causa das malditas drogas. E eu estava fazendo a mesma coisa. Mesmo tendo isso em mente, eu continuava achando que isso era o certo pra mim, estava crente de que realmente gostava de Josh, e que ele gostava de mim.
Meu celular despertou, e, com muita preguiça, me arrumei pra escola. Era difícil até mesmo respirar de manhã. E como tinha dormido apenas duas horas nessa noite, meu nível de preguiça estava além dos limites, o que, me causou lerdeza extrema, e consequentemente, eu me atrasei para a aula. Cheguei às pressas dois minutos antes de começar a segunda aula. Entrei desesperada na sala e fui em direção ao lugar que costumava me sentar. E lá estava ele, me deparei com Nico sentado bem ao lado. Provavelmente ele imaginara que eu faltaria. Tentei parecer não estar incomodada com aquilo e sentei no meu lugar, ignorando-o.
– Bom dia. – o professor entrou na sala. – A prova de hoje foi cancelada. – ele disse sem dar nenhuma justificativa, como se pudesse cancelar a prova quando bem entendesse (e acho que podia). Eu havia me matado pra chegar a tempo pra essa prova, e ela foi cancelada. Ótimo.
Dormi durante todas as aulas antes do intervalo, e acordei com a movimentação dos alunos e o sinal. Esperei todos irem para a cantina e fui para o campo de futebol. Sentei na arquibancada e acendi um cigarro, e outro, e outro. Passei os vinte minutos do intervalo me “contaminando”. Dizia isso as vezes.
Quando voltei para sala, Di Angelo estava sentado três carteiras a minha frente. Impressionava-me o quanto ele tentava se afastar. Era como se eu fosse um vírus mortal e ele precisasse se proteger para salvar sua vida, e talvez eu realmente fosse. Um vírus prendado, que, por alguma razão desconhecida, prestou atenção no resto da aula e estaria preparado para uma prova.
O sinal bateu e todos saíram sem calma.
Estava chegando no portão quando avistei Josh do outro lado da rua. Atravessei e fui até ele. Nos beijamos, e confesso que não esperava. Ainda não havia me acostumado totalmente com a ideia de estarmos namorando. Não era um namoro comum, e Nico parecia ter percebido. Graças a Deus, Josh não notou que Nico olhava fixamente para nós e mordia os lábios. Ele fazia isso quando estava com raiva, era... Por que eu sabia disso?
Entrei no carro sem tirar os olhos de Nico, que fazia o mesmo. Ele parecia extremamente inconformado com o que vira. E, se o conhecia bem, contaria para Percy e Annabeth, e eles tentariam se intrometer. Era só questão de tempo para que eles, mais precisamente, Annie, me enchesse de pergunta.
Sentia falta das perguntas de Annebeth, mas não podia culpa-la. Eu a desprezei todas as vezes que ela tentou se aproximar. Eu estava colhendo o que plantara. Queria tornar meu terreno estéril, só assim pararia de plantar desgraças.
P.O.V. Nico
Eu podia ver cada dia mais como Thalia estava se acabando. Era tão notável e perturbador, por isso tentava me manter longe dela. Eu ainda a odiava, e ela merecia meu ódio, ou o que eu acreditava ser ódio. Mas a ver entrando no carro daquele cara. Ah... aquilo foi de mais para mim. Eu já ouvira falar dele, era um traficante grande e ia causar mais tragédias à Thalia, acabaria de vez com a vida dela, e eu com certeza me sentiria culpado por não ter sido a salvação dela. E por que eu faria isso se a odeio tanto? Eu não sei. Tudo que eu queria eram explicações de mim mesmo por sentir o que sentia.
Durante tanto tempo a vendo se destruir, eu me sentia cada vez mais com a obrigação de agir, mas um lado orgulhoso e forte de mim nunca permitiu que eu fizesse algo realmente relevante para ajuda-la e agora ela estava prestes a entregar sua vida a um cafajeste mais uma vez. E eu não podia assistir essa desgraça sentado, ignorando o fato de que eu poderia estar vivendo um vida boa com ela naquele momento.
A quem eu estava enganando? A única coisa que eu fiz nos últimos meses foi falar o quanto eu a odiava enquanto pensava em um final feliz, onde eu seria um herói e curaria todas as feridas dela. Que tipo de ódio era esse? Eram milhões de perguntas martelando na minha cabeça, e as vezes chegava a pensar que a resposta era a mesma para todas elas.
P.O.V. Thalia
Eu e Josh almoçamos em uma lanchonete a duas quadras da escola e depois fomos para o seu apartamento, onde passamos a tarde fazendo coisas inúteis que contribuíam para a nossa morte precoce.
Quando voltei para casa decidi abrir meu Facebook, que não entrava há dois dias, e provavelmente não teria nada de diferente lá. A página abriu e a primeira coisa que eu notei foi uma mensagem de Jason.
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