Thalico: Inseparable
6 I Knew You Were Trouble
Notas iniciais
Nico me encarava com uma expressão indescritível. Mesmo ele estando bem distante de mim, consegui perceber seu maxilar travado, ou seja, ele estava com ódio, ciúme, ou outra coisa parecida. Luke me olhava com uma expressão maliciosa.
Apenas o ignorei e observei uma garota morena chegar em Nico.
Ele a abraçou e ela sussurrou algo em seu ouvido, ele sorriu para ela. Naquela hora fiquei muito mal, quero dizer, nós tínhamos saído ontem, ele foi tão legal, não imaginei que ele fosse um canalha. Quando Nico me olhou novamente, não pensei em nada, apenas agarrei Luke e o beijei, pois é Nico, eu tamém sei brincar com os sentimentos das pessoas.
Quando me dei conta do que estava fazendo, me separei de Luke. Olhei para o outro lado do parque e percebi que Nico não estava mais lá. Jason voltou, com dois sorvetes — ainda bem que ele se lembrou de mim — e com uma máscara ridícula do Homem de Ferro.
–O que ele está fazendo aqui, Thalia?- Jason olhou Luke com ódio.
–Ele... Ele apareceu aqui e...- não consegui dizer nada, só estava pensando em Nico.
–Você está bem? Quer ir para casa? -Jason me perguntou e eu assenti. Luke veio atrás de nós.
–Você fica Luke, aliás, se afaste de mim. A ordem judicial diz que você deve manter 200m de distancia de mim
–Parece que não pensou nisso quando me beijou.- ele disse e sorriu. Idiota
–Você beijou ele?- Jason gritou- Quer passar por tudo aquilo de novo, Thalia? Eu não quero você com ele! E Luke, se você não voltar para Minessota no próximo voo, eu vou chamar a polícia.
Jason me puxou pelo braço até o carro. Eu não queria mais ver o Nico na minha frente. Se ele tinha uma ficante, por que me chamou para sair? Aposto que ele deve ser aqueles caras que se acham fodões, mas eu não iria ser qualquer uma para ele. Aliás, eu não iria ser ninguém para ele. Estava tão perdida nesses pensamentos que nem percebi que já estava em casa.
Percebi a falta que faz um amigo. Nenhum dos meus amigos de Minessota estavam online. Estava cogitando a possibilidade de dormir, ou ir para o trabalho do meu pai e esperar ele terminar tudo e me levar no shopping para eu poder fazer outra tatuagem.
Pode parecer estranho, mas eu sempre ia fazer tatuagens com o meu pai e meu irmão, eu já tinha quatro. A primeira era o nome do meu pai, a segundo o nome do meu irmão, ambas ficavam na minha nuca, e ficavam escondidas atrás do cabelo, a terceira era uma clave de sol que ficava atrás da minha orelha direita, ela representava a minha paixão pela música, e a quarta era a maior que eu tinha, era um dente de leão que começava na minha cintura esquerda e suas pétalas iam subindo até meu ombro direito. Ela ocupava as minhas costas inteiras, praticamente, mas representava algo que eu sempre prezei, a liberdade.
Eu resolvi dormir mesmo, já que não tinha nenhuma ideia de tatuagem nesse momento.
Assim que fechei os olhos, Jason me chama. Hoje o universo está conspirando contra mim, só pode. Jason me entregou o telefone. Era Annabeth.
–Oi, Thalia- Annabeth disse
–Oi.
–Sabe aqueles verbos irregulares que é para a gente decorar?
–Aram- disse, na verdade nem sabia o que ela estava falando
– Por que? -É que é para amanhã, e eu queria saber se você poderia passar em casa depois para me ajudar a decorar.- Ela disse, ela parecia ofegante.
–Olha, Annie, na verdade eu estou meio mal, realmente...
–O que você tem? Precisa de alguma coisa? Me espera ai na sua casa, assim que eu sair do treino eu passo aí.
–Mas... — ela desligou.
Eu estava parecendo uma mendiga, meus cabelos estavam presos num rabo de cavalo mal feito, eu também estava usando um moletom enorme e chinelo, se saísse na rua iria ganhar moedinhas.
Assim que Annabeth chegou em casa, me senti na obrigação de oferecer água para ela. Ela tinha acabado de sair do treino de basquete. Não sei se mencionei aqui, mas Annabeth é capitã do time de basquete feminino da escola. E o Percy é capitão do masculino, no começo eles eram rivais — apesar de competirem pela mesma escola — mas um dia começaram a namorar. Lindo, não?
–Então, me conta tudo. Poxa! Achei que eramos amigas, quando você iria me ligar?- Annabeth disse depois que bebeu água.
–Pois é, então, eu te falei que fui expulsa por culpa do meu namorado não é?- ela assentiu- Mas, não foi bem isso. Bem, há três anos, eu comecei a namorar o Luke. Ele era muito amável, mas ás vezes ele sumia de noite e só voltava de manhã, com os olhos vermelhos e cabelos bagunçados. Isso durou uns 4 meses. Um dia eu segui Luke e acabei descobrindo que ele se encontrava com amigos para fumar maconha. O que mais me surpreendeu foi que esses amigos eram as pessoas com quem andávamos na escola. Com o tempo eu também comecei a usar drogas, beber e uma vez eu engravidei de Luke. Mas como eu bebia muito e me drogava também, eu acabei perdendo o bebê. O meu pai descobriu tudo isso e me internou por 6 meses, mas eu continuava tendo aulas particulares na clínica. Depois disso eu apenas acompanhava Luke, mas não usava a droga. Uma vez Luke e eu brigamos feio, eu estava bêbada eu... Eu atirei uma faca nele, o que causou uma cicatriz enorme. Ele não me bateu nem nada, mas eu teria que fazer favores sujos para ele. Um desses favores era entregar droga na escola. Eu fiz tudo isso quando já tinha fechado a escola, mas as camêras gravaram tudo. Então eu fui para o reformatório, fiquei 2 dias lá mas meu agente de condicional consegui me tirar dessa. Por fim eu me transferi pra cá. Realmente a minha vida em Minessota está totalmente acabada e todos de lá me conhecem como uma delinquente.
–Nossa, e eu achava que a minha vida era uma bosta- Annabeth comentou.
–Sim, mas o pior é que o Luke está aqui na cidade e hoje ele me beijou na frente do Nico. Mas não me arrependo, o Nico tem outra mesmo.
–Como assim tem outra? Eu não sabia! Acho que nem Percy sabia.- ela disse- Mas como ela é?
–Não, sei não prestei atenção nela. Mas ela era morena, muito bonita com a pele cor de chocolate.
–Olha, Thalia, não faz nenhuma besteira, eu vou ligar para ele agora!
–Eu meio que já fiz...
–O que você fez, garota?- Annabeth arregalou os olhos.
–Eu beijei o Luke, na frente dele, em minha defesa, eu estava abalada.
–Thalia Grace! Eu não acredito!- ela disse ligando para Nico — Olha, você vai... Alô?- Nico atendeu o telefone.- Ah, oi Bianca, o Nico ta aí?... Quero... Nico, você foi ao parque hoje?... E quem estava lá?... É, eu 'to sabendo disso... Nico, ela achou que ela fosse peguete sua!... Não fui culpa dela!... Ta a segunda vez foi mas ela não sabia... To na casa da Thalia... Okay, vem pra cá, vocês precisam conversar... Tá, tchau, beijo.
–E então?- perguntei
–Ele esta vindo aqui, eu vou indo. Olha, conversa sem gritar e conta essa história para ele, ele vai te entender. E... coloca uma roupa mais... vestível.
–Eu não vou trocar de roupa só porque o Nico vem aqui. Eu to na minha casa.
–É. Perdi as contas de quantas vezes Percy já me viu toda suada e parecendo um tribufu, mas nunca liguei também.
Ela foi embora correndo. O que aquela menina tinha na cabeça?
Sentei no sofá e esperei Nico, é incrível como minha vida mudou á partir do momento em que dei ''Oi'' para Nico Di Angelo.
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