Thalico: Inseparable
16 Boulevard Of Broken Dreams
Notas iniciais
P.O.V Thalia
Nos separamos suados. Nossas respirações estavam pesadas e desreguladas, meu cabelo provavelmente estava um ninho e havia chupões por todo meu corpo.
Devo dizer que foi mágico, prazeroso, enfim. Josh me levou ás alturas e eu estava precisando daquilo.
–Você é demais!- Josh disse ainda ofegante.
–Você não é tão ruim assim.- falei brincando.
–Não me provoque, Grace.- ele alertou.- Que horas são?
–Não sei. Você não devolveu meu celular.
Ele puxou sua calça, que estava no chão, com o pé e tirou meu celular do bolso. Apertou o botão para acender a tela e fez uma expressão de decepção.
–Eles nunca aprendem.- Josh lamentou.
–O que foi?
–Tem um pivete nos devendo grana.- ele disse abrindo uma gaveta e retirando de lá um calibre 38 prata com o cabo de madeira, ou algum tipo de material parecido, e me olhou com um olhar assassino. Um frio percorreu pela minha espinha.
–O que vai fazer?- perguntei desesperada me sentando na cama, deixando totalmente de lado o fato de eu estar nua.
–Calma, querida, ela está descarregada.- ele disse apontando para a parede e apertando o gatilho diversas vezes.- Talvez queira vestir alguma coisa.
Vesti a blusa que estava antes e voltei a olhar séria para ele.
–Josh, por favor, não faça nenhuma besteira.
–Relaxa, Grace. Só vou dar um sustinho no garoto, para ele aprender a ficar esperto. Ele vai tirar dinheiro da bunda se for preciso.- ele colocou uma roupa, me beijou e saiu.
Senti que tinha algo errado. Bom, é claro que tinha algo errado. Meu namorado havia saído para ameaçar um garoto inocente, ou nem tão inocente assim, mas mesmo assim, deitei-me e dormi, ignorando todos esses fatos.
1 MÊS E MEIO DEPOIS.
–Menina! Você vai comer tudo isso?- Gratel disse ao meu ver fazendo uma montanha de suas deliciosas panquecas, juntamente com suco de laranja e bacon.
–Estou morrendo de fome.- me defendi com a boca cheia.
–Sei...- ele disse meio desconfiada.- Hoje vou limpar seu quarto, se importa?
–Claro que não.- falei dando um sorriso simpático.
Estava deixando meu quarto trancado desde Gratel começou a trabalhar aqui. Disse que era porque gostava de privacidade, o que era verdade, mas ela pareceu ficar ofendida, então, com um estilete, fiz um fundo falso na minha gaveta de calcinhas e sutiãs para guardar meus ''calmantes'', deixando assim, a porta aberta para ela entrar lá sempre que fosse preciso.
Ouvi uma buzina. Josh tinha chegado.
–To indo para escola, tchau, Gratel, até mais tarde.
–Tchau!
Ele estava com as duas janelas erguidas, as janelas eram escuras e blindadas, ou seja, não dava para ver nada. Abri a porta e ele estava olhando para frente, com óculos escuros cobrindo suas olheiras e olhos vermelhos, e um cigarro entre os dentes. Tão sexy quanto Augustus Waters.
–Bom dia, Grace.- ele disse com a voz rouca que me deixava louca.
–Cooper.
–Não acredito que tenho que te levar para escola.- ele resmungou batendo os dedos no volante.
–Só enquanto meu carro está no conserto. Mas, se você se importa tanto, tenho certeza que Michael ficaria feliz em me dar carona.- falei me referindo ao garoto que tinha uma pequena paixão platônica por mim.
Ele riu soltando a fumaça que estava em sua boca.
–Nem brinque com isso.
Ficamos o caminho todo em silêncio. Chegando na escola, ficamos parados no estacionamento nos beijando enquanto esperava o primeiro sinal tocar, quando ele tocou Josh chupou meu pescoço para marcar território, com certeza ficaria roxo, mas eu não liguei. Abri a porta do carro para sair, mas ele me puxou novamente para um novo beijo. Quando finalmente me soltei e sai do carro, Nico di Angelo nos encarava com uma expressão raivosa, mostrei-lhe o dedo do meio, dei um sorriso falso e me dirigi até o prédio sem me importar com sua reação.
(...)
Saí da escola e passei na farmácia. Estava me sentindo um pouco enjoada nos últimos dias e já que a minha menstruação havia atrasado, resolvi fazer um teste de gravidez.
–O que é isso?- Josh perguntou.
–Teste de gravidez.- ele me olhou espantado.- Não me olhe desse jeito, não fiz isso com o dedo.
–Você disse que tomava anti-concepcional!
–Eu tomo!
–Então como você está grávida?- ele disse deitando a cabeça no volante e acionado a buzina sem querer.
–Eu não sei se eu estou grávida. Eu estou enjoada e minha menstruação está atrasada, mas isso pode ser efeito das drogas, sei lá. Espera eu fazer o teste.
Ele dirigiu o mais rápido possível até minha casa. Chegando lá, subi direto para o banheiro e Josh ficou me esperando no corredor. Fiz xixi onde indicava as instruções e sai do banheiro. Só me restava esperar.
–Me dê isso.- Josh o tomou das minhãs mãos.- Por que está molhado?
–Eu mijei aí.
–Que nojo.
Fomos para o meu quarto e um risco apareceu na telinha que tinha lá.
–Josh! Josh! Tem um risco só. O que significa?- perguntei nervosa. Não poderia estar grávida, eu não seria uma boa mãe, essa criança seria mais azarada que eu.
–Negativo.- ele disse e eu soltei um suspiro de alívio.- Sexo de comemoração?
–Claro que não!- ri e deu um tapa no seu braço. Finalmente, alguma coisa tinha conspirado ao meu favor.
Fiquei muito aliviada com o teste de gravidez. Porém, minha menstruação continuou atrasada, os enjoos só aumentaram, junto com minha barriga. Continuei suportando aquilo por mais uma semana, duas, três, e mantendo os mesmos hábitos de sempre. Josh não precisava saber que eu ainda estava mal. Ninguém precisava, eu tinha de ser discreta.
Acordei com um pulo. Olhei a hora e estava atrasada pra escola. Já havia faltado por três dias, não podia faltar de novo. Estava com uma cólica horrível, mesmo assim, me arrumei desesperadamente para chegar pelo menos na segunda aula.
Consegui chegar exatamente na troca de aulas. A cólica só havia piorado e minha respiração estava ofegante por causa da minha corrida contra o tempo. Passei os primeiros minutos de aula tentando não morrer de dor.
Minha respiração havia voltado ao normal e a cólica deu uma trégua. Mas é claro que minha felicidade durou pouco. Senti meu estômago revirar e me veio uma vontade de fazer cocô. Eu odiava usar o banheiro da escola, mas eu não tinha escolha.
– Preciso ir ao banheiro. – gritei para o professor enquanto me levantava e saia apressada da sala.
Quando cheguei ao banheiro minhas dores aumentaram. Era como se alguém estivesse enfiando milhões de agulhas na minha barriga. O suor começou a escorrer pelos lados do meu rosto, e em instantes eu estava encharcada.
Me desmanchei em lágrimas e gemidos de dor. Fiz o máximo de força que pude, me sentia extremamente desconfortável com aquilo, até que finalmente alguma coisa saiu, mas minha sensação não foi de alívio. Me levantei, e, por impulso, olhei para o vaso. Notei que não era o que deveria ser.
– Isso é...? Não! – eu disse e instantaneamente comecei a me debulhar em lágrimas. Meu corpo todo tremia e suava.
Minha visão ficou turva e cai no chão logo depois de abrir a porta do banheiro. Me arrastei de volta para beira do vaso sanitário e olhei com mais atenção. Me sentia tomada por culpa, por ódio de mim mesma. Era impossível me controlar diante daquela imagem, a única reação que consegui ter foi de horror. Meus berros tomaram conta do banheiro e eu não me preocupava com mais nada, não lembrava de mais nada.
P.O.V. NICO
O professor havia me pedido que buscasse um livro no segundo bloco, e aproveitei da situação para passear pela escola. Passei pelas salas das crianças, onde uma menina comia cola e a outra cortava os próprios cabelos com uma tesoura sem pontas, e passei pela sala dos professores, onde a professora de português chorava enquanto observava uma foto de um cara supostamente dos anos 80.
Quando passei pelos banheiros femininos ouvi alguns berros, choros. Prestei atenção e percebi que era uma voz parecida com a de Thalia. Esperei alguns segundos e o escândalo só piorou, e eu decidi que devia ver o que era. Abri a porta devagar e coloquei minha cabeça pelo vão.
No primeiro banheiro estava Thalia aos prantos. Aquilo fez meu coração doer, mas estava convencido de que deveria superar qualquer sentimento bom que tivesse por ela, e então saí do banheiro. Quando fechei a porta, ela implorou:
– Me ajuda! Nico, socorro! – ela soluçava sem controle, e eu sentia a dor em sua voz. Fiquei tomado por compaixão e voltei para lá.
– Thalia, o que aconteceu? – perguntei levantando-a.
– Eu matei ele! Eu matei! – ela disse apontando para o vaso. Thalia se debruçou no meu peito e gritou mais uma vez. Fiquei confuso por um instante, e então olhei para o vaso e meu corpo todo se arrepiou.
A garota havia sofrido um aborto espontâneo. Ela se sentia tão destruída que superara seu orgulho para me implorar ajuda. E eu fiz o mesmo. Não a deixaria ali desamparada.
– Thalia, olha pra mim! – segurei o rosto dela com as duas mãos. – A culpa não é sua, entendeu?
– Eu não posso deixa-lo aí! – Thalia se jogou em direção ao vaso e eu a segurei. O desespero dela era grande de mais para que ela tomasse alguma atitude.
– Okay, okay. – cocei a cabeça tentando pensar em algo. – Fica aqui. Eu... eu pego ele.
Tirei minha camiseta, peguei o feto do jeito mais delicado que pude e enrolei com cuidado. Thalia correu até e o pegou nos braços, se debulhando em lágrimas mais uma vez. Eu a abracei e ficamos em silêncio.
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