Text girl
2 Exemplary Girl
Notas iniciais
Bom dia, elite entediada do FHS. Sentiram minha falta? Claro que sim. A cidade pode até fingir moralidade, mas respira escândalo como se fosse oxigênio. E adivinhem quem voltou para o centro do palco? Isabella Higginbotham, a filha perfeita do prefeito e da diretora, está oficialmente de volta ao seu trono… embora certas coroas escorreguem com facilidade quando o passado começa a cochichar.
E falando em cochichos… Londres é uma cidade grande demais para guardar segredos pequenos. Pubs, identidades falsas e encontros que parecem literatura clichê e barata, ou seriam clássicos trágicos?
Ah, e não pensem que eu não vi os olhares na primeira aula de literatura. Machado de Assis sempre disse que o amor repelido se multiplica… mas e quando ele é proibido?
Enquanto isso, nossa rainha loira finge que não se importa com certos sorrisos provocadores no corredor. ODIO é o slogan favorito, mas queridos repitam comigo: existe uma linha tênue entre o odio e o... O problema é que o corpo nem sempre assina o mesmo discurso mentiroso que a boca.
E a linda e doce Noivinha juvenil ? O anel continua brilhando com aquela quantidade absurda de diamantes. Mas alianças podem ser apenas correntes disfarçadas de promessas vazias. Diferentes dos olhos de um certo garoto solitário que brilham mais que aquele anel quando veem uma pequena fadinha...
Aproveitem o primeiro dia de aula, meus queridos. Vocês estudam literatura, mas eu escrevo o enredo e tenho histórias que podem destruir reputações até o fim do ano.
Beijinhos,
XOXO — TEXT GIRL
Forks amanheceu com o céu cinza carregado de promessas que ninguém ousava nomear, e a limusine preta estacionando diante da Forks High School foi o suficiente para transformar o retorno às aulas em espetáculo. Isabella Higginbotham desceu do carro com a postura treinada de quem nasceu sob holofotes, mas os dedos apertavam a alça da bolsa com força demais para alguém completamente seguro. Os olhares vieram em ondas: curiosidade, inveja, julgamento, admiração. A filha do prefeito estava de volta, e isso significava que o equilíbrio delicado da elite adolescente acabava de ser abalado. Rosalie Hale observava do alto da escadaria, perfeita como sempre, o cabelo loiro caindo como ouro polido sobre os ombros, o braço entrelaçado ao de Emmett McCarty, mas seus olhos não estavam nele. Estavam nela. Em Isabella.
— Pensei que tivesse se apaixonado por Londres e esquecido da gente — Rosalie disse quando Isabella se aproximou, sorrindo com doçura calculada, enquanto os olhos avaliavam cada detalhe do uniforme impecável da morena. — Ou será que Forks ficou pequena demais para você?
— Forks nunca é pequena demais — Isabella respondeu com suavidade ensaiada, sustentando o olhar da amiga por tempo suficiente para que o silêncio se tornasse desconfortável. — Só precisava… respirar outros ares.
Emmett, que até então fingia interesse na própria mochila, interveio com um sorriso largo demais para ser discreto.
— A cidade ficou sem graça sem você, Bells — disse ele, a voz grave carregada de uma nostalgia que ultrapassava a amizade. — Alguns de nós sentimos sua falta de verdade.
Rosalie apertou o braço do namorado com delicadeza excessiva, como quem marca território sem precisar declarar guerra.
— Emmett sente falta até do intervalo quando acaba — ela provocou, virando-se para Isabella com um brilho perigoso no olhar. — Não leve para o lado pessoal.
Do outro lado do pátio, Mike Newton encostado em seu carro observava a cena com um meio sorriso insolente. Quando Rosalie desviou os olhos por um segundo e encontrou os dele, algo elétrico atravessou o espaço entre os dois , uma faísca rápida, suja, imprudente. Ele ergueu uma sobrancelha em desafio silencioso. Ela revirou os olhos.
— Continua me olhando desse jeito para vê se eu não esmago você ,Newton... — Rosalie murmurou ao passar por ele no corredor, diminuindo o passo sem perceber.
— Você odeia falar isso — Mike respondeu, aproximando-se o suficiente para que o perfume dele a envolvesse. — Ou odeia o fato de gostar tanto de mim?
Ela riu, fria, mas o riso saiu curto demais.
— Você se subestima muito, Mike Newton. Eu odeio você, nunca esqueça disso.
— Repete mais uma vez, na verdade repete um milhão de vezes — ele sussurrou, inclinando-se levemente. — Quem sabe você não comece a acreditar.
E então o sinal tocou, quebrando a tensão como um estalo.
Na sala de literatura, o burburinho cessou quando o novo professor entrou. Edward Cullen parecia jovem demais para carregar a seriedade que vestia nos ombros como um sobretudo invisível. Os olhos verdes percorreram a sala com firmeza calculada, mas vacilaram por uma fração de segundo ao encontrar Isabella sentada na primeira fileira. O ar mudou. Não era imaginação coletiva, era percepção crua.
— Bom dia — ele disse, apoiando o livro sobre a mesa com precisão. — Sou Edward Cullen, professor substituto de literatura, vou ficar no lugar da senhora Dargos. E antes que alguém pergunte, sim, eu sou novo demais para isso. Tentem sobreviver.
Algumas risadas nervosas ecoaram. Alice Brandon, sentada ao lado de Isabella, inclinou-se discretamente.
— Se literatura for assim todo dia, eu começo a gostar de clássicos — murmurou, sorrindo.— Um gostoso...
Enquanto as apresentações aconteciam, Jasper Whitlock observava tudo com silêncio estratégico, os dedos tamborilando na mesa ao lado de Irina Denali, que exibia o anel no dedo como se fosse troféu. Quando chegou a vez de Isabella, o mundo pareceu inclinar levemente.
— Sou Isabella Higginbotham — ela disse com firmeza controlada. —E eu pretendo cursar Literatura em Yale.
Edward sustentou o olhar por tempo demais para ser casual.
— Um clássico nunca decepciona — ele comentou mudando de assunto, neutro demais na superfície.
Mas a neutralidade era teatro enquanto levantava o exemplar antigo de DOM CASMURRO.
A aula transcorreu com debates sobre, ciúme e narradores não confiáveis. Edward provocava, instigava, fazia perguntas que iam além do livro. Isabella respondia com inteligência afiada, como se cada argumento fosse uma disputa silenciosa entre eles. O resto da sala percebia, talvez não o passado, mas a tensão.
Quando o sinal tocou, ela foi a última a sair. Ele chamou:
— Senhorita Higginbotham, um momento.
O silêncio da sala vazia pesava como segredo antigo.
— Espero que dessa vez esteja usando sua verdadeira identidade — ele disse baixo, os olhos firmes, mas feridos.
— Espero que dessa vez esteja dizendo a verdade sobre quem é — ela retrucou, erguendo o queixo.
O espaço entre os dois parecia menor do que deveria.
— Você desapareceu — ele disse, a voz quebrando quase imperceptivelmente. — Sem explicação.
— Algumas verdades são grandes demais para caber em uma despedida — Isabella respondeu, os olhos brilhando, mas firmes.
A proximidade era imprudente. O silêncio, escandaloso. O desejo, inegável.
A porta abriu de repente. Rosalie surgiu, os olhos avaliando cada centímetro da distância entre eles.
— Interrompo alguma coisa? — perguntou, doce demais para ser verdade.
— A senhorita Higginbotham estava me atualizando sobre o conteúdo anterior — Edward respondeu com compostura impecável.
Rosalie sorriu devagar argilosamente.
— Claro que estava.
Horas depois, no refeitório, todos os celulares vibraram ao mesmo tempo.
“Alguns clássicos nunca saem de moda. Mas cuidado, professor bonitão… certas histórias não terminam bem quando misturam juventude e luto. E uma dica para nossa garota exemplar: Londres pode estar longe, mas fantasmas tem passaporte e podem viajar pelo mundo.
Quanto à nossa rainha loira… negar desejo não o torna inexistente. Pergunte ao galã que usa incharpe.
XOXO — TEXT GIRL”
O silêncio que se espalhou não era surpresa. Era antecipação.
Porque em Forks, o ano letivo não começava com matérias novas. Começava com guerra e fofocas quentes.
E alguém, atrás de uma tela iluminada, sorria enquanto escrevia o próximo capítulo...
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