Capítulo cinco

– Fique quietinha – a voz era rouca e sussurrada, quase assustadora.

Sendo a garota obediente que era, ficar quieta foi à única coisa que Hinata não fez. O que saiu de sua boca não foi um grito e sim um berro tão alto que, mesmo que o cara estivesse tapando sua boca, seus ouvidos doeram.

Mergulhada no próprio desespero, a morena mordeu a mão do homem e ele gemeu de dor, afastando-a de sua boca. Nesse momento de distração, ela o empurrou com todas as suas forças e tentou sair correndo. Apenas tentou. Ele foi ainda mais rápido. Jogou-a novamente contra as prateleiras e a encurralou com o próprio corpo de uma forma que ela jamais conseguiria se mover.

Hina, sem opções, fez o que qualquer pessoa em sua situação faria. Jogou seu joelho contra as partes baixas do criminoso, que gritou de dor. Estava prestes a correr novamente comemorando sua vitória, mas ele a fez pagar muito caro.

O murro foi certeiro em seu nariz. Tão forte que a fez bater com a cabeça na prateleira; a pancada foi intensa ao ponto de deixar sua visão turva e, com o impacto, foi atirada para frente, caindo com tudo em cima dos joelhos. O sangue praticamente jorrava por suas narinas e a dor era tão intensa que mal conseguia respirar.

– Sua vadia! – Ele gritou, puxando-a pelo cabelo. Lágrimas escaparam pelos olhos perolados. – Você vai pagar caro por isso! – e deu-lhe um pontapé na barriga.

Dor, dor e dor. Era só nisso que pensava. Queria morrer. Iria morrer, aliás. Tinha certeza absoluta disso.

Ele começou a se aproximar e ela, no desespero, agarrou uma garrafa de vidro que estava próxima e jogou no homem. Ele se desviou com uma facilidade impressionante e, antes que a morena começasse a se arrastar para trás e gritar, ele lhe deu outro murro ainda mais forte que o anterior em sua bochecha. O sangue encheu sua boca e escorreu pelo canto dos lábios carnudos da garota.

Tudo em sua volta girava e por mais que tentasse não conseguia conter a tontura. Enquanto a Hyuuga tentava enxergar alguma coisa, o agressor se aproximou e em questão de segundos já estava em cima dela, pressionando o corpo pequeno contra o chão.

– Já que não vou poder me divertir com sua amiguinha loira – a morena arregalou os olhos. Ino? – vou ter que me satisfazer com você.

– Sai de cima de mim! – gritou sabendo que aquelas palavras não significavam nada para ele. A morena esperneou e tentou o empurrar, sem sucesso. Facilmente o criminoso agarrou seus pulsos e pressionou as pernas nas dela.

– Acho que não. Você não vai a lugar algum enquanto não terminarmos de conversar. – Abriu um sorriso cínico. Conversar. Ele frisou essa palavra de uma forma tão pervertida que despertou nojo em Hinata. – Olhe pra mim enquanto eu estiver falando com você, porra!

Mas ela não o fez.

Foi ai que o inesperado aconteceu. Com uma das mãos livre, retirou do bolso algo que Hinata não pôde ver, mas quando sentiu o aço frio sendo pressionado em seu maxilar soube muito bem do que se tratava. Suas pequenas mãos soaram, o coração acelerou no peito e a respiração ficou desregulada. Engoliu o seco e não pôde conter as lágrimas.

– Agora, anjinho, faça um movimento brusco e eu acabo com sua raça em questão de segundos. – os olhos eram malignos. Com uma mão ele segurou de modo firme os delicados braços da garota acima da cabeça. – É só eu apertar o gatilho para acabar com você. – aproximou os lábios do ouvido dela e sussurrou: — Ou você fica quieta, ou morre. – antes que a morena pudesse fazer ou dizer algo, ele lhe beijou agressivamente e a mão que estava acima de sua cabeça desceu até a coxa esquerda, apertando-a.

A língua dele invadiu sua boca e, por mais que a vontade dela fosse de arrancá-la com os dentes, o medo de receber um tiro era ainda maior. Estava apavorada e mais do que isso, estava com nojo. Nojo das mãos ásperas daquele vagabundo passeando por seu corpo como se fosse um objeto qualquer. Jamais havia deixado com que alguém lhe tocasse daquela forma. Guardou-se a vida inteira para um rapaz que amasse de verdade. Só de pensar que todos os seus esforços seriam perdidos assim, fazia com que mais lágrimas escapassem.

Fechou os olhos e desejou com todas as suas forças que o mundo acabasse ali. Desejou que nada daquilo fosse real.

X

Neji Hyuuga sempre foi considerado como o gênio da família. Suas notas eram as melhores – ainda mais que as de sua prima, e era bom em qualquer tipo de esporte. Era bom no futebol, no xadrez, mas sua verdadeira paixão são as artes marciais. Seu pai, quando ainda era vivo, tinha uma escola de artes marciais e treinou Neji até que ele atingisse a faixa preta em praticamente qualquer tipo de luta.

O moreno havia passado por diversas situações perigosas, mas sempre se livrava de todas graças ao treinamento severo de Hizashi. Brigas na escola, brigas na rua, assaltos, mas nunca, nunca mesmo, havia estado na situação em que se encontrava. Enfrentar duas pessoas era uma coisa, mas enfrentar seis caras imensos, armados e, a julgar pelo físico, bem treinados era algo totalmente diferente.

Estava agachado atrás do bar com Tenten enlaçada em seu corpo, tremendo levemente. Vez ou outra ela esticava a cabeça para ver o que estava acontecendo, mas logo retornava a uma posição segura. Os tiros já haviam cessado, ainda tinha jovens jogados ao chão, outros escondidos, mas a maioria havia fugido no momento em que o tiroteio havia iniciado.

– Estranho. – Tenten falou baixo, erguendo a cabeça, olhando por cima do balcão, analisando os bandidos. – Parece que eles estão procurando alguém.

– Procurando por alguém? – Neji também ergueu sua cabeça. – Mas o que eles iriam querer com um adolescente? Não tem nem cabimento.

A Mitsashi pensou no argumento de Neji, mas percebeu que era meio vago. Aquilo estava muito estranho. Olhou ao redor até que seus olhos se fixaram em Ino, que estava praticamente jogada sobre a mesma mesa em que haviam largado-a antes do incidente. Seu sangue gelou.

Que tipo de amiga era para esquecer-se de Ino assim, ainda mais na situação em que a loura se encontrava? Sentiu-se péssima e um arrepio percorreu seu corpo ao pensar que a Namikaze poderia ter levado um tiro, tudo por sua culpa. Seus olhos lacrimejaram e encolheu o corpo, parando de olhar além do balcão. Sentiu-se culpada e deprimida por um momento. Tinham que dar um jeito de tirar Ino daquele local tão aberto e perigoso, ainda mais com aqueles bandidos andando de um lado a outro.

O Hyuuga, notando a tristeza da ‘amiga’, abriu a boca para falar algo, mas seus olhos acabaram se fixando em outro lugar.

– Ai. Que droga. – Praguejou e, sem retirar os olhos, cutucou Tenten.

– Eu sou uma péssima amiga, Neji. — desabafou — Como eu pude esquecer ela? Ela poderia ter morrido por minha falta de atenção. – choramingou, esfregando os olhos.

Neji continuou cutucando-a como se não tivesse escutado uma palavra sequer. E realmente, ele não havia escutado nada.

– Ten, pelo amor. Você estava certa. Olha aquilo.– o corpo de Neji estava tenso e Tenten, alarmada, ajoelhou-se e ergueu a cabeça para enxergar melhor.

E lá estava um homem imenso carregando Ino no colo. A única coisa que o casal conseguiu identificar no homem foi o cabelo grisalho preso em um rabo de cavalo. O rosto estava tapado por uma mascara. Outro homem estava por perto segurando uma foto que Tenten, por mais longe que estivesse, conseguiu enxergar. Era uma foto de Ino sorrindo e fazendo sinal de ‘paz e amor’ com os dedos. A mesma foto que a loura usava no perfil do Facebook.

Sentiu dor de cabeça. Céus, o que uma gangue de bandidos queria com Ino?

– A gente precisa fazer alguma coisa. – Tenten falou enquanto massageava as têmporas.

– Ten, apenas raciocine. Tem seis homens espalhados nesse local imenso, todos armados. O que você quer que façamos? Não tem o que fazer!

Ele tinha razão.

– Mas você precisa entender, Neji – ela explodiu, a voz saindo raivosa e impaciente –, que eu não vou deixar levarem minha amiga assim, sem mais nem menos. Com ou sem você, eu vou atrás dela e, se você me impedir, eu juro que te darei uma surra. Agora, se virá comigo ou não, o problema é completamente seu.

A Mitsashi respirou fundo, fechou os olhos e pensou no quanto se arrependeria mais tarde de ter falado isso. Mas por mais que tenha sido cruel, Tenten não era o tipo de pessoa falsa. Ela havia dito a verdade, talvez revelando um pouco seu lado barraqueiro, mas naquele momento nada disso era importante. Só queria salvar sua amiga, e qualquer pessoa em uma situação delicada daquela ficaria nervosa.

Neji respirou fundo e contou até três. Ele não parecia muito convencido, mas vendo a determinação da morena, abriu um sorriso de canto e apenas disse:

– Certo. Vamos atrás dela.

Tenten sorriu de volta.

– Vamos.

E saíram de trás do balcão.

X

Hinata passou a se conformar com seu destino a partir do momento em que o homem começou a subir seu vestido lentamente. Por mais que fosse um momento trágico e traumatizante, pensou em seus momentos felizes apenas para não vomitar na cara daquele homem asqueroso. Vomitar na cara dele era tudo o que queria, mas também queria viver por mais tempo e, tendo em vista que ele estava com uma arma em sua cara, não era uma opção.

Foi ai que o som de algo esmagando ecoou pelo armazém.

A Hyuuga travou quando o seu agressor caiu duro em cima de si, totalmente desacordado. Ainda sem se recuperar do choque, o empurrou e o corpo caiu ao seu lado de forma desajeitada. Olhou para frente e por mais que não estivesse enxergando nada, o cheiro de colônia masculina foi o suficiente para saber quem era seu herói.

Escutou o som de um pedaço de pau bater no chão e passos se aproximando. Naruto caiu de joelhos ao seu lado e, hesitando, tocou suas mãos trêmulas no rosto da Hyuuga. Bastou um toque para que Hinata disparasse a chorar. Ela se sentou e ele a envolveu com os braços, logo depois puxou o pequeno corpo para seu colo com o maior cuidado possível.

– Shhh, vai ficar tudo bem. – beijou-a na testa. – Eu estou aqui com você. Eu estou aqui. – repetiu bem baixinho e a morena lhe abraçou ainda mais forte, enterrando o próprio rosto na camiseta do louro.

– Ele tentou... – a voz saiu chorosa, mas não conseguiu terminar a frase. Só de pensar no que havia acontecido há pouco tempo sentiu seu corpo estremecer. – Ele...

– Não. Não diga nada. – interrompeu-a, a voz raivosa. – Eu teria matado ele. Eu iria matar ele, Hina. Só não matei por quê... Eu nem sei por que. Talvez eu devesse ter batido mais forte. – trincou os dentes, olhando para o corpo desacordado. O louro segurou o rosto delicado da amiga com as duas mãos e o examinou. – Ele te espancou. – concluiu, exasperado. Limpou com o indicador o sangue seco na boca da amiga.

Hinata apenas afirmou com a cabeça, sentindo-a latejar.

– Eu não enxergo nada de um lado. – informou-o – E com o que você bateu nele?

– Seus olhos estão muito inchados, por isso não está conseguindo enxergar, ainda mais que tem pouca luz aqui. – abraçou-a novamente, enterrando seu nariz na curva do pescoço da Hyuuga. – E respondendo sua pergunta: com um taco de beisebol.

– Onde você encontrou um? – perguntou sem muito ânimo. Não se importava com a merda do taco de beisebol. Só queria ir para casa para tomar um banho. Sentia-se suja e usada. Porém, por mais que quisesse fujir dali não conseguia retirar da cabeça o que o criminoso havia dito sobre Ino.

– Sem perguntas desnecessárias. Você precisa sair daqui agora e –

– Naruto, – o interrompeu – você sabe que eu não vou sair daqui enquanto todos nós – eu, você, Neji, Tenten e Ino – estivermos a salvo. Daqui eu não saio nem arrastada, apesar de tudo. — murmurou.

Naruto passou a mão nos fios loiros, impaciente. Detestava que lhe desobedecessem, ainda mais em momentos perigosos. Olhou de relance para a amiga e, vendo a determinação nos olhos perolados, deu-se por vencido. Soltou um suspiro, jogando a cabeça para trás.

– Certo. Vamos procurá-los, mas você fique bem atrás de mim. Não ouse passar em minha frente.– advertiu-a.

A morena estava meio relutante em aceitar a proposta, mas acabou cedendo. Murmurou um ‘certo’ baixinho e emburrado, e os dois se levantaram e caminharam para fora do armazém. Na boate estava o maior caos. Os bandidos pareciam ter sumido de vista, as sirenes da polícia brilhavam do lado de fora e paramédicos carregava o segurança que foi ferido em uma maca, em direção à ambulância.

Um policial conversava com Shikamaru, que parecia totalmente abalado. Ao ver a cena, Hinata sentiu pena. Provavelmente o Nara levaria uma bela de uma multa, não por fazer uma festa, mas sim por fazer uma festa open bar para jovens com menos de 17 anos. Todos considerados menores em Tóquio.

Sua atenção se voltou para uma pequena aglomeração de gente em um canto, perto do bar. Todos pareciam bastante chocados e, por mais que tivesse que procurar por seus amigos, a curiosidade falou mais alto e Hinata puxou Naruto até a aglomeração.

Foi um sacrifício para atravessar por toda aquela gente, mas ao chegar ao meio da roda, tanto Hinata quanto o Uzumaki ficaram petrificados no lugar.

Tenten estava totalmente ferida, um dos olhos roxos e com cortes por todo seu corpo, parecendo que havia saído de uma guerra. Ela gritava e soluçava em cima de um corpo e, por mais estranho que fosse, Sasuke estava ali do lado tentando acalmá-la, acariciando-lhe as costas. Sakura estava atrás dele em estado de choque. Parecia apavorada.

Por um segundo, tanto Naruto quanto a morena ficaram sem entender, até a Mitsashi se erguer de cima do jovem. Quando a Hyuuga viu a quem pertencia o corpo, soltou um grito de horror.

Os paramédicos empurraram Hinata para o lado bruscamente e correram em direção a Neji. O primo estava estirado no chão, desacordado e envolto em uma imensa poça de sangue. Logo depois de chegarem perto de seu primo, um dos paramédicos segurou Tenten pelos braços e a levou para longe. A amiga gritava e esperneava, recusando-se a ficar longe do Hyuuga. O corpo de Hinata começou a tremer, tremer e tremer.

Aquilo tinha que ser um pesadelo.

Os médicos colocaram Neji na maca e saíram empurrando quem estivesse na frente. Foi retirada de seu transe quando o Uzumaki segurou sua mão esquerda, chamando-lhe a atenção. Ele olhou bem no fundo dos olhos perolados e, por mais que não tivesse escutado nada, a morena conseguiu ler os lábios do amigo.

Eu sinto muito, ele disse; os olhos azuis estavam cheios de lágrimas.

Essa foi a ultima visão que Hinata teve antes de ser sugada para a escuridão.

Continua[...]

Notas finais
Olá, queridos leitores. Me perdoem pela demora! Férias, viagens e a falta de inspiração não colaborou em nada comigo hehehe. Peço desculpas. Vocês sabem que eu sou suuuuper enrolada, mas não se preocupem, não irei abandonar vocês . Gente, essa foi a primeira vez que escrevi algo assim, por isso talvez não tenha ficado láaaaa essas coisas. Um quase estupro, uma ceninha de suspense, sei lá, mas enfim, espero que tenham gostado! Deixem comentários, opiniões a respeito, críticas construtivas. Podem falar, meu povo! Beijos para vocês e muito obrigada por terem lido até aqui. Até o próximo!