Capitulo um

Deitada em sua cama e olhando entediada para o teto, Hinata tirou a conclusão de que sua vida era literalmente impecável. Estava prestes a completar 17 anos, morava em um apartamento grande no centro de Tóquio, sua média escolar estava entre as maiores do Colégio Watakino e possuía uma família bastante unida – claro que tinha umas briguinhas aqui e outras acolá, mas nada de tão extravagante.

Seu destino pós-Ensino Médio já estava decidido: entraria na Universidade de Tóquio e, obviamente, cursaria arquitetura dando continuidade aos negócios do pai. E depois da faculdade tinha a intenção de se mudar para uma casa confortável em algum bairro calmo na tentativa de se livrar de todo o caos urbano. Era apenas colocar o plano em prática. Sua vida era, definitivamente, impecável. Quase perfeita. Quase. Mas claro, sempre tinha algo – ou nesse caso, alguém – para atrapalhar sua vida organizada e planejada.

Lembrava-se muito bem de como tudo havia ocorrido. No dia 11 de junho de 2010, Hinata Hyuuga se apaixonou. Fora tudo muito lindo, seu mundo ficou colorido e todo aquele bla bla bla sentimental que ela lia nos livros de romance realmente aconteceu. Toda vez que chegava perto dele se sentia uma retardada: suas pernas tremiam, o rosto corava e ela suava feito um porco indo para o abate.

Se apaixonar não era algo fácil, ainda mais quando a pessoa pelo qual se estava apaixonada era ninguém mais, ninguém menos que Naruto Uzumaki. Quando se viu perdidamente apaixonada pelo melhor amigo, Hinata tirou a conclusão que ou ela tinha algum distúrbio mental ou era a pessoa mais masoquista do mundo.

Por mais que Naruto Uzumaki fosse seu melhor amigo, ninguém podia negar: ele era um idiota. Um baita de um idiota. Ele era, sem duvidas nenhuma, o cara mais idiota do planeta. Quem sabe o mais idiota do universo, das galáxias. Era impulsivo, nervoso, mandão e possessivo.

E, apesar de quase ninguém ver as qualidades do Uzumaki, a morena as conhecia bem – e muito bem. Mesmo sendo teimoso como uma mula, Naruto tinha um bom coração. Era corajoso, nunca desistia de seus sonhos, e mesmo que não parecesse nenhum pouco, ele se preocupava mais com o bem estar dos outros do que com o próprio. Ela não enxergava apenas o garoto popular que ficava com todas as garotas bonitas por diversão. Ela enxergava um rapaz corajoso e humano. O verdadeiro Naruto.

E, claro, o verdadeiro Naruto também era o cara mais lerdo que ela já conheceu em toda a sua existência.

Poxa vida! Estava na cara. Todo mundo sabia. Até mesmo Konan – a possível pessoa mais distante da Hyuuga – sabia que ela era perdidamente apaixonada pelo melhor amigo. Hinata só faltava escrever em sua própria testa “Estou perdidamente e loucamente apaixonada por você, seu babaca”.

Em uma noite de sábado, há exatos seis anos atrás, ela decidiu contar tudo o que sentia.

E se arrependeu amargamente. Como sempre.

Seria uma cena fofa se não tivesse sido tão trágico – ou se ele ao menos não tivesse a interrompido bem no momento em que ela faria sua declaração de amor.

Ela se lembrava muito bem de como tudo aconteceu (até porque era algo impossível de se esquecer). Suzuki, sua mãe, insistiu durante quase um mês para fazer uma festinha básica de aniversário para a tão amada filha. “Não é todo dia que uma jovem faz doze anos”, ela disse enquanto dava uma piscadela para Hina. Tudo o que Hinata pôde fazer foi dar de ombros e aceitar logo a proposta da mãe antes que ela lhe perturbasse pelo resto do ano.

E assim foi feito. A festa estava bem decorada com balões por toda a casa. Alguns móveis foram retirados da sala dando lugar a uma pista de dança, e bem no canto, havia uma mesa com bolo e outras guloseimas.

Os convidados foram poucos – basicamente as pessoas mais próximas de si. Hinata, diferente das outras garotas, era tímida, recatada e de poucos amigos. As pessoas até estranhavam a amizade entre ela e o jovem Uzumaki, já que eles eram tão diferentes um do outro.

Ela pensou que talvez esse fosse o motivo de serem tão próximos um do outro.

Hinata decidiu se vestir diferente naquela noite, afinal, como sua mãe mesmo disse, não é todo dia que uma jovem faz doze anos e também se confessa para seu amor de infância. Ela trocou as vestes largas e confortáveis por um vestidinho preto básico que modelava sua cintura e seios. Colocou um salto dourado que estava há anos guardado no fundo de seu armário e sua própria mãe resolveu maquiá-la para aquela ocasião especial. Lamentou não poder mudar o cabelo, afinal, era muito curto.

Enfiou um brinco de pérolas na orelha e, quando o primeiro convidado chegou, Hinata se sentiu ansiosa. Infelizmente, não era ele. Era Kiba, seu companheiro de classe. Logo depois chegou Ino Uzumaki, Sakura Haruno e Tenten Mitsashi, suas três – e únicas – amigas. Logo veio Gaara, Shino, Shikamaru, Temari...

E nada de Naruto Uzumaki chegar.

Era quase nove da noite quando Hinata estava prestes a dar um surto psicótico. Tudo bem que a festa estava legal, todo mundo se divertindo, comendo e a elogiando. As garotas dançavam e gargalhavam alto enquanto os meninos estavam sentados no sofá, conversando sobre sei-lá-oque.

E então, a campainha soou e seu pai correu para atender a porta. E lá estava ele. O coração da morena doeu só de vê-lo ali, parado em sua porta, desajeitado e com um presente em suas mãos. O senhor Hyuuga o chamou para se juntas aos amigos na sala e desapareceu logo em seguida.

Hinata ficou sem fôlego. Ele estava lindo. Usava uma camisa laranja (não podia faltar o laranja), calça jeans preta e um all star da mesma cor. Ela notou que Naruto tentou com todas as suas forças manter o cabelo no arrumado, mas claro, sem sucesso.

O loiro atravessou a sala tão rápido que Hinata quase caiu pra trás, surpresa ao receber um abraço apertado juntamente de um ‘Parabéns’ e um ‘Você está linda neste vestido’ que fez com que o coração da morena se derretesse. Ele entregou a pequena caixinha para Hinata, enquanto coçava a nuca um tanto desconcertado com a situação.

- Eu confesso que comprei durante o caminho. – riu nervoso. Sua voz estava um pouco mais alta, graças a musica que ecoava pela casa. – Mas achei que combinava bastante com os seus olhos.

A morena quase caiu para trás ao abrir a caixinha. Um colar fino e delicado. Era de coração, adornado com pequenas perolas.

Ela iria chorar.

- Hina?

Segurou o choro e abriu o maior sorriso que conseguiu. As bochechas estavam coradas e o coração acelerado.

- Eu amei. Sério, de verdade. – ela olhou novamente para o pequeno colar em suas mãos. – É lindo. – Naruto sorriu completamente satisfeito ao ver que ela estava sendo sincera. A morena colocou o colar na caixinha novamente e a fechou, logo em seguida sua expressão de alegria se transformou para seriedade. – Preciso conversar com você.

Na visão da Hyuuga, ele pareceu um tanto incomodado. Naruto olhou para um lado, depois para o outro. Logo depois olhou em direção às garotas que dançavam e riam, conversando banalidades. Ele parecia ansioso e agitado. Aquilo fez com que o coração da pobre garota palpitasse rápido.

- Eu também preciso conversar com você. Mas não nessa barulheira toda. – fez uma careta. – A sós.

Hinata quase caiu para trás. Será que... que tinha a mínima possibilidade de ele de fato gostar dela? Sentiu as bochechas corarem e um pequeno rajar de esperança brotou em seu coração.

Ela assentiu em resposta e o levou até o jardim, longe de tudo e de todos. A noite estava maravilhosa, a temperatura amena e a lua brilhava no céu estrelado. A garota, enquanto andava ao lado do amado, tirou a conclusão de que aquele era o clima e o local perfeito para uma confissão. Era agora ou nunca.

- Eu preciso contar uma coisa. – disseram ao mesmo tempo.

Eles se olharam durante um pequeno período de tempo que, para Hinata, parecia uma eternidade. E então, para amenizar toda a tensão, gargalharam.

- Certo. Você primeiro. – a voz da morena saiu rápida, quase desesperada. Estava com medo.

- Hn, certo. – desviou o olhar do dela e o levou até o céu estrelado. Ele hesitou um pouco antes de falar – Eu estou apaixonado.

- O que?!

Hinata pensou que, se não tivesse o mínimo de autocontrole, teria tido um infarto e logo em seguida, morte súbita. Aquilo era tudo o que ela queria ouvir. Tudo. Queria gritar, chorar e sair dançando por toda a casa para que todos vissem sua alegria.

- É isso mesmo. Eu confesso que tem certo tempo. Se não me engano faz uns dois, três meses. – riu, voltando seu olhar para a amiga que o olhava embasbacada. – Eu sei. Você deve estar pensando “Céus! Naruto Uzumaki, apaixonado? Impossível!”. Mas bem, não pude me controlar. Sakura é uma garota bastante bonita, sabe. E os conhecemos desde crianças. Bem, como você é minha melhor amiga, me senti na obrigação de te falar sobre meus sentimentos. – Ele respirou fundo e olhou no fundo dos olhos perolados. – Eu estou perdidamente apaixonado pela Sakura-chan.

Hinata desejou ardentemente que o mundo acabasse naquele instante. Que explodisse. Ou que caísse um avião bem na cabeça de Naruto – era uma boa opção, se parar para pensar.

Logo após a festa desastrosa (não que a festa tivesse sido ruim, mas seu humor estava péssimo, tanto que não aproveitou nada), se trancou no quarto e chorou a noite intera. E chorou no outro dia. E na outra semana.

O tempo foi passando e as coisas entre ela e o Uzumaki não ia nada bem. Eles começaram – pela primeira vez na vida – a se desentender. As investidas de Naruto para com Sakura de nada adiantavam e ele descontava tudo na pobre Hinata. Só que a pobre garota estava muito triste e deprimida para ficar escutando as lamentações do loiro.

E começaram a brigar. A brigar feio.

Logo ele arranjou novos amigos e simplesmente começou a se afastar. No ano seguinte ele se mudou para a Califórnia, EUA por causa dos negócios da família.

Nunca mais se viram. Mantinham contato apenas por mensagens e mesmo assim eram raras as vezes em que se falavam.

Era inegável: sentia falta dele. Não havia como não sentir falta, afinal, eles se conheciam desde... sei lá, sempre.

Foi tirada de seus devaneios melancólicos ao escutar batidas insistentes na porta. Depois de gritar um Entre a porta foi levemente aberta revelando pela frestinha metade da face de Neji, seu primo. O rosto masculino carregava uma expressão sonolenta e era bem evidente em seus olhos que estava sendo obrigado a ir ali a seu quarto (ele nunca fazia isso, ao menos que Hiashi – o patriarca Hyuuga – o obrigasse).

- O café da manhã está pronto. – a voz grossa saiu rouca e arrastada. Antes mesmo que Hinata abrisse a boca para falar algo ou ao menos expressar um Bom dia, ele fechou a porta e saiu andando pelo corredor. A morena bufou de raiva e, num impulso, se levantou da cama.

Feito um zumbi, caminhou em direção ao banheiro tropeçando em seus próprios pés, enquanto tentava enxergar algo no escuro de seu quarto. Chegando ao espaçoso banheiro começou a árdua rotina de se arrumar – o que inclui passar horas desembaraçando o cabelo com uma escova de dente enfiada na boca.

Depois de um longo banho vestiu-se com roupas leves, enfiou o celular no bolso e caminhou até a cozinha.

Lá, seu pai estava sentado à mesa bebericando uma xícara de café e lendo um jornal com uma concentração que chegava a ser assustadora. Neji estava ao lado de Hiashi e, enquanto mastigava um biscoito, olhava para o além com uma expressão tão entediada que Hinata chegou a sentir sono.

A primogênita Hyuuga retirou uma maçã da fruteira e a abocanhou. Pegou o celular do bolso do short e deu uma olhadinha em sua caixa de mensagens. Vazia. Completamente vazia. Nem uma mensagenzinha de Ino chamando-a para tomar um sorvete. Suspirou pesado sem se importar em deixar transparecer todo o tédio que estava sentindo naquele momento. Seria um longo domingo.

Não tardou muito para que sua mãe aparecesse na cozinha. Os fios tingidos de loiro estavam presos em bobs gigantes, usava um hobbie por cima da camisola de seda e pantufas cor de rosa. Havia olheiras em volta dos grandes olhos verdes e Hinata concluiu que a noite de seus pais fora bem agitada; só de pensar sentiu um calafrio percorrer sua coluna. Eca.

Suzuki entrou no recinto e antes mesmo de cumprimentar os familiares soltou um gemido desgostoso. Ela olhava para a direção da filha mais velha completamente horrorizada. Hinata ficou tentando imaginar o que havia feito, até olhar para trás de si.

A pia estava completamente lotada. Era literalmente um entulho de pratos, talheres, panelas e restos de comida. Parecia que se chegasse muito perto aquilo a puxaria para um mundo completamente diferente. Pensou que poderia até mesmo ser um atalho para Nárnia. A julgar pelo olhar de Suzuki, Hinata teve a certeza de que sobraria para ela; gemeu e lançou um olhar de súplica para a mãe.

- Sem reclamar. Quero essa louça limpa para antes do almoço. – e se juntou aos rapazes na mesa, começando a tagarelar sobre coisas completamente inúteis. Neji continuou olhando para a parede e Hiashi apenas fingiu prestar atenção. – Ah, a lista de compras está em cima da mesa da sala de jantar. – voltou seu olhar para a filha mais velha – Hoje é dia de você ir ao mercado.

- Na verdade hoje é o dia de Hanabi ir ao mercado. – Poxa, não bastava ter que lavar a louça?

Suzuki deu de ombros e apenas disse: — Ela não está passando bem, coitadinha. Então hoje quem cumprirá as obrigações dela será você.

A morena ficou enfurecida.

- Não pode ser Neji?

A mãe olhou-a de esguelha. – Neji cumpriu as obrigações dele ontem. Então hoje será você e ponto final.

Neji reprimiu uma risada enquanto lançava uma olhadela malévola para a prima, que estava vermelha de raiva. Hinata até pensou em rebater, mas Suzuki a olhou de uma forma tão assustadora que ela acabou deixando quieto. Apenas jogou o resto de maçã no lixo, se virou e fingindo ser uma garota muito obediente, começou a lavar a louça sem reclamar.

Ah, sua irmãzinha pagaria caro, pensou enquanto ensaboava um prato. Ela sempre dava um jeito de se livrar das obrigações diárias; praticamente toda semana ficava doente e justamente nos dias de limpar a casa. Muita coincidência, não?

Depois que todos terminaram de tomar o café e saíram, Hinata conseguiu terminar de lavar a louça. Ufa. Varreu a cozinha, secou a louça e guardou as coisas em seu devido lugar – tudo para que sua mãe não lhe desse um sermão de duas horas dizendo que a filha de fulana faz tudo bem melhor e aquele blablabla que todas as mães fazem.

Agora era apenas fazer as compras. Olhou para si mesma e percebeu que definitivamente não dava para sair daquele jeito; provavelmente seria expulsa do supermercado. Então, com passos lentos, voltou ao seu quarto e trocou de roupa.

Por causa do leve frio que fazia lá fora, colocou uma calça moletom, tênis, uma blusa qualquer e um casaco velho da Hollister que ganhou de seu falecido tio – pai de Neji – no natal passado. A única coisa que pôde fazer com o cabelo foi prendê-lo em um rabo de cavalo deixando solto apenas a franjinha.

Deu uma voltinha em frente ao espelho, pegou a lista de compras e saiu do apartamento. Caminhando pela calçada, Hinata começou a pensar que era realmente muito bom morar no centro da cidade. Tudo bem que sentia falta da vida tranquila dos bairros afastados, mas ficar perto de tudo era realmente muito bom. Por exemplo, ela poderia ir a pé para o shopping a hora que quisesse ou então ir a uma boate.

Bem, tudo tinha seus prós e contras. Ao mesmo tempo em que era bom, também era ruim morar em meio a tanto movimento. O centro de Tóquio era um caos. Definitivamente um caos. Multidões de pessoas andando de um lado para outro, buzinas de carros a todo o momento e acidentes. Sem contar nos xingamentos no transito.

Passou sua infância inteira morando em um bairro bastante tranquilo. Lá conheceu todos os seus atuais amigos – inclusive Naruto, ele morava três quadras a cima de sua casa. Seus pais decidiram se mudar para o centro quando ela saiu do Fundamental para o Ensino Medio. Colocaram-na no colégio Watakino – um dos melhores da região – e graças a isso tiveram que largar de mão de uma vida calma, tudo para facilitar a ida e volta da garota.

Hinata já estava ofegante quando chegou à porta do supermercado. Limpou o suor que escorria por sua testa com o antebraço e pegou uma cesta. Enquanto olhava para a lista (que mais se parecia com um pergaminho) ia pegando os mantimentos e socando na cestinha de compras.

Estava andando lentamente pelo corredor de molhos enquanto conferia tudo o que havia pegado. Macarrão, confere. Sabonete, confere. Peito de peru, confere. Molho de tomate, confere. Cereal, confere. Achocolatado, confere. Cebolinha, confe...

Foi tirada de sua concentração ao trombar em algo que mais se parecia um poste – porém, estando em um supermercado, deduziu ser uma pessoa. Por ser possivelmente a garota mais desastrada do mundo – e especialista em tombos (deveria receber um diploma por isso), Hinata caiu. De bunda no chão. Ela teria rido da situação se não tivesse doído tanto.

Obviamente, as compras foram junto com ela e se espalharam pelo corredor. Pôde ver – ou melhor, escutar – algumas pessoas segurarem a risada, mas não se importou. Sua bunda doía. Doía muito. Parecia que tinha levado mil agulhadas naquela região tão delicada.

Como se não bastasse tudo aquilo, estava zonza e sua cabeça latejava. Tentou se levantar sem sucesso. E então do nada surgiu uma mão estendida bem na frente de seu rosto. Era uma mão bonita, delicada e as unhas estavam pintadas de vermelho. Uma mulher. Trombou em uma mulher. Ao pegar na mão da tal mulher, logo fora puxada e em questão de segundos já estava em pé.

- Ai minha querida, mil desculpas. Eu não vi você, estava tão concen... – Aquela voz. – Não. Pera. Hinata? Hinata Hyuuga? – Hinata ergueu os olhos e quase caiu pra trás (novamente) – Hina? Eu não acredito!

Naquele momento ela só queria fugir. Fugir pra qualquer lugar. Ou quem sabe enfiar a cabeça em um buraco. Poderia ser em uma caixa de cereais também, não tinha problema. Só queria se esconder. Ou acordar. É, acordar. Aquilo só poderia ser um pesadelo.

Quando Hinata olhou nos olhos azuis daquela ruiva tão bela, quase deu um surto psicótico. A mulher estava prestes a começar a chorar no meio do supermercado e, conhecendo bem sua personalidade impulsiva, sabia que se por acaso ela disparasse a chorar seria o maior escândalo. Mas a morena definitivamente não sabia o que fazer – estava tão abalada quanto à ruiva.

E então, o inesperado. Um abraço forte. Iria morrer, concluiu; morrer com falta de ar.

- É bom rever você também, tia Kushina. – sua voz saiu com dificuldade. Kushina, percebendo isso, livrou a pobre garota de seu abraço mortal e abriu um sorriso enorme.

- Como você está linda. Eu senti tanta saudade de você, minha flor. Ai, quando eu falar para o Minato é bem provável que ele surte. – É. Realmente era bem provável; um bando de doidos. – Ai meu Deus, suas compras! – a ruiva agachou juntamente de Hinata e ambas começaram a pegar os mantimentos que estavam espalhados pelo chão.

Enquanto batiam papo e colocavam tudo na cestinha, uma voz as chamou atenção.

- Mãe... O que você está fazendo ai no chão?

Ai. Meu. Deus.

Hinata congelou e ergueu seus olhos perolados. Aquilo não era um humano, era um deus grego. Uma miragem. Um sonho. Loiro e apesar de que naquele ângulo ser bem difícil definir a altura a Hyuuga tinha certeza de que ele passava dos 1,83. A pele estava bronzeada, os cabelos continuavam bagunçados e nem se fala no corpo. Aquilo sim era corpo. Não excessivamente malhado, mas era definido. Apesar de a roupa ser discreta, não deixava de marcar seus músculos. Só de olhar Hinata começou a sentir um calor insuportável.

Os olhos azuis continuavam os mesmos, só que mais intensos.

Sabia que um dia reencontraria Naruto, mas nunca esperou que fosse justamente ali, naquela posição constrangedora e ainda por cima em um supermercado.

Quando se deu conta, ele tinha seus olhos azuis sobre si. A morena sentiu o estomago dar um giro de 360° e suas mãos começaram a suar. Fez uma prece mentalmente, pedindo com todas as suas forças para que ele não a reconhecesse.

Mas claro, Kushina teve que abrir a boca.

- Seu moleque mal educado, – esbravejou enquanto se levantava, levando a pobre garota junto consigo. – eu só estava ajudando Hinata a pegar as compras dela. Agora será que pode nos ajudar aqui? – Naruto encarou a morena, embasbacado.

- Hinata?

Continua [...]

Notas finais
Oi oi pessoal, tudo bem com vocês?
Bem, espero que tenham gostado deste primeiro capítulo. Semana que vem postarei o próximo capítulo, ele já está prontinho só pra deixar avisado, então desta vez não irei enrolar :3
Eu particulamente gostei bastante de escrever esse capítulo, me diverti enquanto o fazia *u*
Fiquem a vontade para comentar, deixar sua opinião. Críticas construtivas são muito bem vindas :))
Enfim, até a próxima meus amados.
Beijos da tia Bruna *o*