Capítulo nove

O quarto de Neji não era exatamente o que Tenten esperava. Ela imaginava algo organizado, simples e convencional, mas a verdade seja dita: não tinha nada de convencional ali. Por mais que Neji estivesse com seus vinte e poucos anos e já cursando a faculdade – não agora, obviamente, por conta das recentes cirurgias e por ter que repousar – o quarto dele parecia um tanto... peculiar, levando em consideração a personalidade fechada do gênio dos Hyuugas.

Era uma mistura de nerd com geek, as paredes claras cheias de pôsteres de séries como Breaking Bad, Stranger Things e os filmes também não ficaram de fora. Uma cama de casal estava ao centro ocupando boa parte do ambiente, em um canto tinha um guarda-roupas na cor branca, uma televisão colada na parede bem em cima da escrivaninha e uma imensa prateleira ao lado da porta lotada pelos mais diversos livros, em sua maioria de Engenharia.

Em frente à cama, tinha um pufe. Nele, Neji estava sentado com um console nas mãos e concentrado na partida de Resident Evil. O som dos gritos de zumbis e tiros eram altos e Tenten acabou por arquear as sobrancelhas, um tanto perplexa com a descoberta de que o gênio Hyuuga era nada mais nada menos que um geek viciado em séries e videogame.

O moreno não parecia ter notado que alguém tinha entrado em seu cantinho altamente particular, afinal, estava imerso naquela partida. Vestia apenas uma bermuda bege, os cabelos lisos escorriam pelas costas e os bíceps, tríceps e outros ‘bípides’ estavam à mostra, o que deixou Tenten um tanto desconcertada, posto que ainda não passava de uma adolescente cheia de hormônios no quarto do garoto pelo qual, possivelmente, tinha sentimentos, apesar de terem se beijado apenas uma vez.

Era uma situação embaraçosa e ela não soube exatamente como agir naquele momento. Não queria interromper Neji, porém não estava disposta a deixar o assunto que tinha a tratar com ele para outro dia. Até por que, bem, ela já estava ali, certo?

Ia abrir a boca para chama-lo, mas o rapaz acabou notando a presença dela antes. Pausou o jogo e a encarou, um pouco surpreso por vê-la ali.

— Tenten... – disse o nome dela como um cumprimento. Discretamente, Tenten desceu o olhar até a região do ombro dele, que estava completamente lotada por diversos curativos. Apesar disso ela ainda podia ver um pouco da cicatriz das cirurgias. – Você me pegou de surpresa. Entre.

— Me desculpe vir aqui sem avisar, mas eu não tive alternativas. – Entrou, já começando a se explicar. Neji se levantou do pufe, ficando em frente à garota. – Não tinha o seu número e confesso que não fiquei muito disposta a falar sobre isso com a Hinata.

— Continue...

Ela olhou para os próprios pés, o ouvido zumbindo de tanto nervoso. As mãos suavam e sentiu o coração acelerar no peito, como se ele quisesse pular para fora de seu corpo.

— Eu sei que talvez você não me perdoe, na verdade eu até entendo. Você tem ótimos motivos para me odiar depois do que eu fiz... – sentiu os olhos se enxerem de lágrimas, mas se segurou. Não choraria ali, não naquele momento. Parecia que as palavras estavam entaladas em sua garganta. Esperou meses para ter aquela conversa e agora só queria fugir. Sentia-se uma verdadeira covarde. – Eu não devia ter te pressionado a ir comigo encarar aqueles caras. Eu fui uma irresponsável, me deixei levar pela raiva e pelo medo de ver eles levarem minha amiga e acabei envolvendo você nisso. Você tentou me proteger e quase morreu por minha causa. Você sofreu e ficou praticamente um mês naquele hospital em coma por conta da minha irresponsabilidade. – Ela levantou o rosto para encará-lo, as mãos tremiam e os olhos encontravam-se vermelhos devido ao choro contido. Neji parecia sério e escutava tudo com atenção, os braços cruzados sobre o peitoral definido. – Nada que eu fizer pode reparar isso, nada pode consertar o que eu fiz. Me perdoe, Neji, por tudo.

Ela esperou uma resposta, mas essa não veio. Se virou para ir embora, até por que já tinha feito o que queria e não esperava que ele dissesse qualquer coisa. Queria apenas falar para ele um pouco do que sentia. No entanto, a voz do Hyuuga a fez parar onde estava.

— Ten, realmente foi uma irresponsabilidade sua tentar encarar aqueles homens. Desde que recebi alta passei horas e horas aqui no meu quarto refletindo sobre minhas opiniões a respeito do que aconteceu e, com toda sinceridade, — olhou para cima, pensativo – no início eu te culpei. Mas depois pensei mais sobre o assunto e percebi que você não foi a única irresponsável, eu também sou culpado nessa história. Eu sabia dos riscos, até porque era eu e você contra vários homens armados. Você não me obrigou a nada. Não me forçou a ir. Apenas disse que iria salvar sua amiga independente de eu te acompanhar ou não. Ir com você foi uma escolha que eu fiz. Ir até lá foi uma escolha nossa. Pensando nisso eu percebi que somos parecidos em certos aspectos. – Tenten virou-se para ele, o coração batendo a mil e a dor da angústia tomando todo seu ser – Somos teimosos e gostamos de bancar os heróis. De qualquer forma, não aguentaríamos apenas observar Ino ser raptada sem mais nem menos. – A Mitsashi parecia prestes a desabar ali, na frente dele. Olhando para os olhos castanhos, Neji percebeu o quão sobrecarregada a jovem estava. Ela tinha carregado nas costas por praticamente um mês o peso da culpa de quase ter o matado, pensou no quão difícil deveria ter sido para ela carregar todo o sentimento do arrependimento sozinha sem se abrir com ninguém. Soltou um suspiro e suavizou o olhar, os olhos de pérola brilhando em ternura. – Não se culpe e nem se sobrecarregue. Você não precisa carregar esse fardo sozinha. Eu estou com você.

Aquelas palavras desestruturaram a morena e, ao ser envolvida pelo abraço caloroso de Neji, ela entendeu que ele realmente estaria com ela. Ela compreendeu que ele se importava e gostava dela. Por isso mesmo que não hesitou em desabar nos braços do jovem, deixando as lágrimas que segurou por tanto tempo escorrerem e molharem o peitoral masculino.

»♥«

Vários são os meios utilizados para camuflar certas coisas da vida. Em sua maioria, esses meios são simples e certeiros. Por exemplo, algumas pessoas usam maquiagem para se apresentarem mais bonitas ou atraentes, outras abusam da bajulação para se mostrarem simpáticas; há aqueles também que sorriem quando na verdade querem chorar. E, claro, todos os meios usados para esconder o verdadeiro eu ou estado de espirito não passa de uma máscara. Em um mundo de máscaras, as vezes o mais simples se torna confuso e o desonesto se torna honesto.

Qualquer um que visse Sakura Haruno pensaria que a garota não tinha do que reclamar, tudo por conta do fato de que, mesmo sendo tão jovem, ela era parte de uma família muito rica e, mais do que isso, dona de uma beleza inigualável. E é exatamente aí que se encontra a raiz do problema: as pessoas enxergam apenas aquilo que querem ver, julgam sem conhecer e não percebem que as vezes a felicidade estampada no rosto de alguém pode não passar de uma simples e fútil máscara.

Sakura passava seus dias assim, vivendo de máscaras. Sorria para disfarçar o semblante entristecido, mantinha-se forte mesmo querendo chorar, demonstrava enquanto, na verdade, sentia o peito mais vazio que o próprio vácuo; ficava em silêncio quando seu maior desejo era gritar para tudo e todos que nada estava bem.

Porque a vida é assim: as aparências enganam e a realidade nem sempre é bonita.

Naquela manhã de verão, encarando o próprio reflexo no espelho, a garota de cabelos róseos tirou a conclusão de que o universo só poderia estar de brincadeira com sua cara, já que ele insistia em tramar contra sua vida sempre que possível. Mesmo com seus esforços com a maquiagem, sua aparência parecia um pouco mais abatida que o habitual, a pele em um tom quase cadavérico e os olhos rodeados por uma fina camada de olheira, que apenas evidenciava sua noite mal dormida por conta do ‘pequeno acidente’ na noite anterior.

As safiras esverdeadas se fixaram no reflexo do próprio pescoço, que tinha um hematoma escuro na lateral. Levou a mão até a região sensibilizada e, ao tocar, reprimiu um gemido de dor. Internamente, torceu para que aquela coisa melhorasse o mais rápido possível, afinal, não queria ficar dando explicações mentirosas para seus colegas.

— Filha, já são sete de manhã. – A voz de sua mãe, Mebuki, ecoou atrás da porta, despertando a jovem dos próprios devaneios.

— Agorinha eu desço. – Avisou, voltando a olhar-se no espelho.

Após analisar com cuidado o machucado no pescoço, caminhou em direção ao closet, de onde tirou suas vestes: um sapato branco, um par de meias ¾ e aquela coisa horrorosa que as pessoas insistiam em nomear de uniforme. Nunca entendeu o porquê de ficar tão feia naqueles trajes, mas não adiantava reclamar. Apenas se vestiu, penteou os fios róseos e se sentou na beirada da cama king size, pensando em como tamparia o hematoma.

Sua primeira escolha foi passar base, porém logo descartou a opção já que o machucado era escuro demais para conseguir esconder apenas com maquiagem. Foi então que surgiu uma ideia. Rapidamente retirou do armário um cachecol azul marinho, da mesma cor que a saia do uniforme. Aquilo serviria por um tempo, mesmo que estivesse fazendo quase vinte e sete graus lá fora. Melhor que nada, disse no silencio de seus pensamentos antes de sair do quarto com a mochila nas costas.

Caminhou até a cozinha e, ao chegar lá, encontrou Mebuki já sentada e lendo uma revista qualquer enquanto bebericava uma xícara de café fervente. A mesa se encontrava cheia dos mais diversos tipos de comidas e bebidas o que, na opinião da jovem Haruno, era um exagero. Porém resolveu ocultar aqueles pensamentos para si mesma, sentando-se a mesa na cadeira oposta e se servindo com uma xícara de café, sem se dar ao trabalho de dar ao menos um bom dia educado.

Mebuki olhou para a filha por cima da revista, incrédula.

— É assim mesmo que vai agir, Sakura? – A voz da mulher ecoou pelo cômodo, fazendo a rosada olhá-la com descaso, totalmente desinteressada. – Vai mesmo me ignorar?

Sakura pensou que o silêncio seria a melhor resposta para aquela pergunta tão babaca. Com isso em mente, esticou o braço, pegou um brioche de canela e o enfiou na boca. Mebuki, cansada do comportamento nada educado da filha, depositou a xícara e a revista sobre a mesa para logo em seguida apoiar o rosto nas mãos.

— Será que você não pode ao menos tentar entender que estou fazendo isso por você, filha? – Falou calmamente, tentando deixar bem claro que queria a paz entre elas.

Mas isso não ocorreria tão cedo, e concluiu isso quando a jovem a sua frente lhe lançou um olhar feroz, o cenho franzido de tanta irritação.

— Não, mãe. – Manifestou-se pela primeira vez. – Eu simplesmente não consigo entender. E vamos ser sinceras, a senhora está fazendo isso por você e não por mim. Não quer denunciar aquele canalha por conta das aparências, com medo do que as pessoas irão pensar.

— Não fale assim dele, Sakura. Ele é seu pai.

A risada de Sakura ecoou pelo ambiente, sarcástica e escandalosa, como se tivesse escutado a piada do ano.

— Pai? É isso mesmo, dona Mebuki? Eu devo estar louca, só pode; completamente insana. Ouvindo vozes, talvez. Por favor, me diga que estou errada e escutando coisas.

A senhora Haruno arregalou os olhos, perplexa e horrorizada com as palavras da filha. Aquela garota realmente deveria estar louca ao falar daquela forma com a mãe, céus!

— Sakura, que modos são esses?

— Modos? É com isso que você se preocupa? – Colocou a xícara sobre a mesa e olhou no fundo dos olhos esverdeados da Haruno mais velha. – E, só para constar, ele não é meu pai. Um pai não faz o que ele fez. E, se você quer saber, Mebuki, – Sakura sempre chamava a mãe pelo nome quando estava irritada; só que naquele momento não estava apenas irritada, sentia o ódio tomar conta de seu ser. – ele também não é um marido. Um marido não bate na própria esposa e um pai não agride a própria filha. Eu podia ter morrido ontem quando ele jogou aquela merda de garrafa de vidro na minha cara. E o que você fez, em? – Mebuki abaixou o próprio olhar, encolhendo os ombros. – Nada. Isso mesmo, nada.

Àquela altura do campeonato, Sakura já se encontrava em pé, tentando conter o restinho de paciência e dignidade que ainda sobrara. Queria chorar ali mesmo, mas não daria esse gostinho à mãe, não queria se mostrar como uma tola fraca e inútil. Ergueu a cabeça e deu meia volta, ajeitando a mochila nas costas e ignorando as súplicas da mãe para que ficasse. Manteve-se forte por fora, mas por dentro não passava de um verdadeiro caco.

Foi um verdadeiro alívio quando atravessou o portão da mansão. Dispensou o chofer naquela manhã, precisava caminhar um pouco para refrescar as ideias mesmo que chegasse atrasada. Na verdade, estava pouco se lixando para o colégio. Só queria ficar o máximo de tempo longe de casa. Geralmente as pessoas gostam de ficar no conforto do lar, mas Sakura sequer se lembrava do que era ter um lar.

No trajeto casa-colégio, a garota pôde fazer algo que não estava muito habituada por conta da correria do dia a dia: observar. Reparou nos olhares vazios e perdidos de algumas pessoas que andavam pelas calçadas movimentadas, se emocionou com um casal de velhinhos de mãos dadas e admirou o céu azulado e límpido. Percebeu que algumas cerejeiras já tinham desabrochado antes da época e as poucas árvores que tinham ali no centro da cidade eram belas e encantadoras.

Estava tão perdida na observação que levou um susto quando notou que tinha alguém caminhando ao seu lado. Se virou abruptamente e colocou a mão na altura do coração, apavorada.

— Céus! Está querendo me matar, Naruto?! – O loiro soltou aquela gargalhada familiar, achando hilário a atitude dramática da amiga. Sakura bufou e rolou os olhos, mas não pôde deixar de sorrir. – Da próxima vez eu te quebro em dois, palhaço.

— Ai, credo, Sakura-chan. Que mau humor. – Fez um biquinho emburrado. – Eu ia falar com você, só que você estava tão entretida com sabe-se lá o que que acabei ficando quieto.

Os dois continuaram andando lado a lado, desviando hora ou outra de algum indivíduo que insistia em atravessar entre os dois.

— Mas o que você está fazendo aqui? Você tem até motorista particular, então por que está andando a pé? – Iniciou um assunto melhor que o seu quase infarto. Há tempos não conversava com o loiro e só agora percebeu a falta que ele fizera.

— Agora estou morando aqui no centro por conta do colégio e meus pais se recusam a me levar de carro. É preciso poupar gasolina, de acordo com a Senhora Minha Mãe. – Ele parecia bem chateado com aquela situação. – E você?

— Eu precisava respirar um pouco, apenas.

Naruto não era exatamente a pessoa mais perceptiva do mundo – não passava de um tremendo lerdo, entretanto não pode deixar de reparar no semblante triste de Sakura. Se lembrava muito bem que a Haruno era uma garota tão energética quanto ele, extrovertida e divertida (esse foi um dos motivos que o levou a se apaixonar). Só que agora, por algum motivo que ele não sabia, a rosada parecia um tanto reclusa... Não, essa definitivamente não era a palavra certa. ‘Solitária’ se enquadraria melhor na situação.

— Você está bem? – Interrogou automaticamente por puro instinto e preocupação. A jovem o olhou subitamente, como se ele tivesse acabado de questionar se ela tinha cometido algum assassinato a sangue frio.

— Estou ótima, obrigada por perguntar. – Abaixou o olhar, encarando os próprios pés na tentativa de se livrar do olhar examinador de Naruto. Só que, obviamente, não conseguiu. Ele continuou fitando-a com dúvida e cautela. – Juro que estou bem, não precisa preocupar.

— Acho que nem preciso dizer que não acredito em nada do que você acabou de me dizer, certo? – O silêncio dela fez com que ele soltasse um suspiro. – Bem, não vou te forçar a me dizer nada. Quando se sentir confortável ou quiser desabafar não hesite em falar comigo.

Ela sentiu-se tocada pelas palavras do amigo e agradeceu em silêncio com um sorriso pequeno e discreto, quase que imperceptível – mas é claro que o loiro conseguiu enxerga-lo ali, naquele rosto tão angelical. Há tempos Sakura não recebia palavras de conforto e saber que tinha alguém ali por ela deixou-a imensamente feliz. Tudo bem que ela e Naruto já não eram tão próximos agora quanto na infância, mas esperava que essa situação mudasse. Ao menos ele continuava a mesma pessoa calorosa de anos atrás, sempre muito compreensivo e cordial.

Os dois continuaram caminhando lado a lado em um silêncio bom e familiar. Quando chegaram ao Watakino, andaram pelos corredores conversando sobre banalidades e Sakura se despediu do amigo dizendo que tinha que pegar alguns livros no armário escolar e deu meia volta.

Ao finalmente encontrar seu armário, retirou de lá três livros dos primeiros horários – História, Filosofia (eca! Odiava o Gai) e Matemática. Fechou o armário, se virou para ir até a sala de aula, porém acabou trombando com uma coisa tão dura quanto uma parede. Foi nesse momento que agradeceu aos pais por terem a colocado em aulas de balé na infância, por que se não tivesse adquirido um equilíbrio tão bom quanto o que tinha agora teria caído com tudo no chão.

— Olhe por onde anda. – A voz rouca e gélida fez com que o coração dela falhasse uma batida. Sakura levantou o olhar e apreciou o rosto do garoto que, ao ver que era com ela que estava falando, fez uma careta um tanto esquisita. Ah, Sasuke Uchiha. – Oh, Sakura. Não vi que era você.

A Haruno, apesar de ter se rendido aos encantos de Sasuke Uchiha, não era tão trouxa quanto as outras garotas do Watakino que já tinham se jogado nos braços dele. Desde o início ela sabia em que estava se metendo e, por mais que odiasse admitir, sabia que esse relacionamento não daria em nada. Porém, não conseguia controlar o que sentia. Ao se apaixonar pelo moreno, ela descobriu da pior maneira que sentimentos são seres livres, indomáveis. Assim como os sonhos, não dá para controlar ou escolher. Sakura jamais poderia desfazer seus sentimentos pelo rapaz.

Só que, querendo ou não, Sasuke foi sua salvação em meio a todo o caos de seu dia a dia. Para ela, ele era a luz no final daquele túnel escuro que chamava de vida.

Por mais que fosse um cafajeste, o moreno jamais a tratou mal. Pelo contrário, sempre foi cordial e carinhoso com sua pessoa. Ao vê-la o rosto ficava iluminado, feliz e toda vez que a beijava era cheio de ternura e carinho – safadezas também, mas isso não vem ao caso. Porém, naquele instante, ele não parecia tão entusiasmado ao vê-la como de costume. Parecia desesperado, como se estivesse vendo uma assombração ao invés de uma garota comum. Ela sentiu que ele quisesse sumir de suas vistas o mais rápido possível.

Diante daquele olhar desesperado, a Haruno sentiu-se desapontada, um tanto entristecida. Se despediu rapidamente de seu amado com o intuito de sair daquela situação constrangedora e voltou com passos rápidos para a sala de aula, reprimindo o sentimento da decepção.

Ela não soube por que, mas ao relembrar daquele estranho encontro com Sasuke teve a impressão de que algo não estava certo. Ele não parecia nada confortável em vê-la e isso fez com que Sakura sentisse, pela primeira vez, um pressentimento ruim. O pressentimento de que sua vida já conturbada só pioraria.

Torceu mentalmente que fosse realmente uma intuição, e não um aviso do destino.

Notas finais
GENTE, OLHA EU AQUI. Acharam que eu ia demorar, né? HAHAHAHA, trollei vocês. Pela primeira vez postei um capítulo rápido, acho que demorou pouco mais de uma semana. Aplausos pra mim. Nem acredito que finalmente escrevi sobre a Sakura. Eu queria mostrar UM POUCO sobre essa personagem. Isso mesmo que vocês leram. UM POUCO. Ainda tem muito sobre a Sakura a ser revelado e isso só com o desenvolver da história. A gente vê ela como uma vilã no início, mas temos que analisar a história pelos pontos de vista dos personagens, por isso quis mostrar um pouquinho da vida perturbada dela. Espero que tenham gostado, eu até escreveria mais só que o capítulo ficou gigante, com quase quatro mil palavras, por isso vou deixar o resto para os próximos capítulos. Quero pedir perdão pelos erros gramaticais. Deixe seu comentário e faça uma escritora feliz! Obrigada a todos por lerem até aqui, beijos e tchau tchau :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.