Teu Lugar
3 Capítulo 3
Capítulo três
– Ainda estou tentando entender o porquê de uma festa de boas vindas. – Hinata murmurou, o rosto enfiado no travesseiro e o corpo estirado na cama.
– Para dar as boas vindas, retardada. – Ino rolou os grandes olhos azuis enquanto se encurvava para terminar de pintar a unha do dedão de seu pé esquerdo. – Prontinho. – olhou com orgulho para o pé, completamente satisfeita.
Hinata olhou para a amiga e ficou imaginando como que a loira conseguia ser tão bonita. Por mais que a Namikaze estivesse com a cara lambuzada de uma coisa esverdeada, os fios presos em vários bobs e vestida em um roupão ridiculamente rosa, estava mais bonita do que a Hyuuga estaria se estivesse toda produzida e arrumada. Por um momento quis se jogar pela janela de seu quarto.
Foi retirada de seus pensamentos depressivos quando a porta do banheiro foi aberta de forma brusca. Uma quantidade de vapor imensa saiu dali e, em meio a toda aquela fumaça, Tenten apareceu. Estava com o corpo enrolado em uma toalha, os cabelos molhados e soltos deixando com que gotículas se espalhassem pelo chão. Hinata voltou sua atenção para a loira, que digitava no celular de uma forma assustadoramente rápida.
– Outra coisa que estou tentando entender é o que diabos vocês estão fazendo aqui na minha casa. – se jogou na cama novamente. – E pelo amor de Deus, Ten, se minha mãe ver essa poça de água ela me faz limpar com a língua.
Tenten deu de ombros caminhando até o guarda roupa sem se importar com o fato de que estava molhando todo o quarto da amiga. Hinata bufou e Ino segurou uma risadinha baixa, sem parar de digitar. A loira então travou o celular e o jogou na cama.
– Animadas para a festa? — era notável a alegria exagerada na voz da loira. Tenten apenas respondeu com um ‘Uhum’ enquanto fuçava no armário e Hinata murmurou ‘não quero ir’ enquanto colocava o travesseiro em cima da cabeça. – Ah, não. – se jogou em cima da Hyuuga tentando a todo custo retirar o travesseiro dela. – Hina, fofinha, pelo amor de Deus, já está passando da hora de você sair de dentro dessa bolha que é a sua vida. Uma festa em meio de semana não vai te matar. E tipo, essa vai ser A festa.
– Não sou obrigada. – a voz saiu abafada pelo travesseiro. Ino fez mais força e, finalmente, retirou o travesseiro felpudo de Hina.
– Com certeza você é obrigada.
– Eu não vou a lugar algum.
– Querida, entenda, você precisa urgentemente de sair. E beijar na boca. Céus, quanto tempo faz Ten?
Tenten voltou sua atenção para as amigas. Dessa vez vestia uma camisola, os cabelos úmidos estavam presos em um coque mal feito e segurava o secador de Hinata nas mãos. Olhou para cima, pensando em uma resposta para Ino.
– A última vez, se eu não me engano, foi no seu aniversário. Com aquele tal de Sasori.
Ino gargalhou e Hinata bufou, cruzando os braços.
– Como eu poderia esquecer? – disse em meio às gargalhadas. – Sem querer ofender, mas aquele foi o beijo mais feio que já vi. Parecia que ele tava querendo retirar alguma coisa da sua garganta.
– Quase engasguei. – Hinata ressaltou soltando um suspiro baixo. – Pelo ou menos ele era gato.
– É, pelo ou menos isso. Por que se não fosse, pode ter certeza de que zoaríamos você pelo resto da sua vidinha. Agora levanta e vai tomar um banho. Naruto iria detestar que você faltasse.
– Ele que se dane.
Tenten voltou para o banheiro e fechou a porta. Não tardou muito para que o barulho abafado do secador ligado ecoasse por todo o quarto. Hinata pensou que a Namikaze iria desistir de lhe encher o saco, mas percebeu que estava enganada ao sentir a amiga lhe puxar bruscamente de uma forma que a fez ficar sentada. Sentiu-se tonta por alguns segundos.
– Eu e todos os cidadãos de Tóquio sabemos que a última coisa que você quer é que o meu priminho se dane. Agora para de me encher o saco e vai logo pra porcaria do banheiro tomar um banho. Hoje é a chance que você tem de desencalhar, não desperdice isso. Saia um pouco da rotina.
– Gosto da minha rotina, aliás, gosto muito se você quer saber.
– Claro que gosta. Ficar enfurnada em um quarto, rodeada por gatos e jogando The Sims parece ser algo extremamente excitante. – Ah, sarcástica demais. Como Hinata detestava quando ela tinha razão. Queria socar o narizinho perfeito de Ino.
– Achei completamente desnecessário fazerem uma festa de boas vindas. Naruto chegou faz praticamente duas semanas, não precisa de uma festa. E, tocando no assunto, que tipo de pessoa faz festa de boas vindas? – rolou os olhos.
– Pessoas como Shikamaru fazem festas de boas vindas. Ainda acho que o fato de Naruto ter voltado é só uma desculpinha pra ele pegar a boate do pai e fazer uma festa arromba. Tudo bem que ele é um mongol preguiçoso, mas não da pra negar que as festas dele são as melhores.
Hinata deu de ombros e ficou olhando para a parede de seu quarto com a mente completamente em branco. Foi um daqueles típicos momentos em que olhava para algum local tentando pensar em alguma coisa, sem saber em quê exatamente. Ela parava de escutar, de ver e de prestar atenção nas coisas. Era um momento estranho e familiar ao mesmo tempo.
É. Ela realmente deveria ter algum tipo de retardo mental.
– Alô, alô. Terra chamando Hinata Hyuuga. – Ino balançava a mão na frente do rosto delicado da morena. – Pelo amor de Deus, Hina, você ao menos escutou alguma coisa do que eu disse?
– Claro. – mentiu. – E concordo com tudo.
O barulho do secador cessou e não demorou muito para que a Mitsashi reaparecesse no quarto, dessa vez com os cabelos incrivelmente lisos e soltos, caindo como uma cascata até a altura dos ombros.
Ino assobiou.
– Curti muito, se quer saber. – soou sincera – O primo gostoso da Hina vai pirar quando te ver assim. Aliás, ele vai enfartar quando você estiver vestida naquele vestido deslumbrante.
– Ino! – as duas gritaram em unissom.
– Ué. E eu to mentindo? Hina, fofa, aceite o fato de seu primo Neji ser gostoso e Pucca, você não pode negar que ele não parou de encarar esse par de coxas que Deus lhe deu desde que chegamos aqui.
Há essa altura Tenten já estava mais vermelha do que um pimentão. Hinata estava de queixo caído e tentava com todas as suas forças retrucar as palavras da amiga, obviamente sem qualquer sucesso.
– O que foi gente? Eu só disse verdades. – deu de ombros
– Depois dessa — Hinata se levantou da cama. – vou até tomar banho.– e caminhou em direção ao banheiro, deixando para trás suas duas amigas loucas gargalhando.
✖
O som estava alto o bastante para que fizesse o chão tremer. Era um local bastante espaçoso, isso, é claro, se não estivesse tão cheio. Sakura pensou por um momento que só faltava sair gente pela janela. Estava lotado de adolescentes entre os dezesseis e dezessete anos, todos muito bem vestidos e bonitos dançando alegremente ao som de SexyBack. Alguns se beijavam loucamente na parte mais escura do ambiente e faziam sabe-se-lá-o-que. Não estava muito disposta a pensar no assunto.
Era tudo iluminado com luzes fluorescentes, um globo enorme no meio do salão e vários outros tipos de iluminação do qual não sabia o nome. Exatamente no fundo da boate se localizava o palco do DJ e ao lado esquerdo, o bar. E era exatamente ali em que se encontrava sentada em um dos bancos, bebendo uma caipirinha e apoiada no balcão.
Não sabia exatamente o que estava fazendo ali. Não que não gostasse de festas, pra falar a verdade gostava muito, só que naquele dia, em especial, não estava muito no clima. A verdade seja dita: estava ali só para fugir de casa.
As coisas que vinham acontecendo estavam desgastando-a não só fisicamente, mas também psicologicamente. Os pais estavam se divorciando e, por não terem se preparado financeiramente, ainda tinham que viver sob o mesmo teto. Resultado: brigas e gritarias constantes do qual tinha que conviver todos os dias. Estava começando a ficar difícil de aturar, tanto que topou dormir na casa de Karin tudo para fugir da casa em que havia nascido, crescido e que hoje sequer podia chamar de lar.
Bebeu mais um gole de sua caipirinha. Não era muito de beber, mas precisava de algo para relaxar ou então teria que fazer tratamento com algum psiquiatra, quem sabe poderia até parar em algum manicômio. Com as coisas que vinham acontecendo não duvidava de mais nada.
Virou-se para encarar a multidão enquanto ajeitava um fio rosado que desprendeu de seu penteado. Em meio a tantos corpos dançantes, ela pôde identificar uma cabeleira loira e bagunçada. Naruto cumprimentava alguns conhecidos – e desconhecidos – com abraços calorosos e amigáveis. Notou que o jeitão dele havia mudado bastante desde que chegara da Califórnia. Estava mais extrovertido e, com toda certeza, galanteador.
Naruto pegou de surpresa o olhar da amiga. Deu uma aceno seguido de uma piscadinha para ela, que retribuiu o gesto. Não tivera muito tempo para falar com o loiro. Desde que ele chegara ao Watakino tiveram algumas conversas – isso tudo, obviamente, longe de Ino, Hinata e Tenten. Tinha consciência que ele não sabia da briga, mas percebeu que Naruto já havia sacado, uma vez que elas sequer se olhavam mais. Apenas Hinata que, vez ou outra, abria um sorriso compreensivo e ela agradecia aos céus pela morena ser uma pessoa tão amável. Era uma pena não conversarem muito; trocavam mensagens de texto, mas não era mais a mesma coisa.
Não gostava muito de pensar no assunto, ainda estava abalada com o trágico fim da amizade. Pior ainda era pensar que tudo aquilo era sua culpa. Se não tivesse sido tão babaca, talvez as coisas estivessem diferentes agora. Talvez.
Pensou na falta que sentia das antigas amigas, em tudo o que estava acontecendo em casa e em como aquele vestido era desconfortável. Pinicava, era curto demais, colado demais e preto. Detestava preto, por mais que aquele vestido fosse maravilhoso. Conteve a vontade de chorar tentando se convencer de que era tudo um efeito colateral do álcool.
Virou-se novamente de frente para o balcão e tomou o resto da caipirinha de uma só vez. Fez um gesto para o barman, que rapidamente retirou o copo vazio dali e começou a preparar outra. Suspirou baixo. Provavelmente ficaria bêbada, mas não se importava. Esquecer da vida, mesmo que por uma noite, talvez fizesse bem a ela.
Olhou para o canto e encontrou Konan engalfinhada com Nagato – um garoto ruivo e estranhamente exótico – em um pufe enorme num canto perto do bar. Rolou os olhos. Por mais que todos metessem pau e falassem mal de Karin – e com razão – não achava justo fazerem o mesmo com Konan. Tá que as duas eram super amigas, mas diferente da ruiva, Konan era uma pessoa extremamente agradável. Um tanto revoltada com a vida, mas agradável.
Escutou um pigarro e tirou sua atenção da amiga para o barman, que estava praticamente enfiando o copo de caipirinha em sua cara. Agradeceu alto o suficiente para que ele pudesse escutar e pegou a caipirinha, constrangida por sua falta de atenção. Tomou um gole e...
Quase gritou ao sentir um beijo em seu pescoço nu. Braços grandes e fortes rodearam sua cintura e Sakura sentiu-se sendo apertada contra algo tão duro quanto uma parede. A respiração quente em sua nuca fez com que todos os pelos de seu corpo se arrepiassem.
– Que surpresa te encontrar aqui, Saky. — Mesmo que Sakura passasse cinquenta anos sem escutar essa voz, ainda a reconheceria. Reconheceria independente de qualquer coisa. Sentiu os músculos de seu corpo relaxar ao perceber que não se tratava de um tarado. Talvez fosse sim um tarado, mas no bom sentido (se é que isso existe). Virou-se lentamente e seus olhos se encontraram com duas pedras ônix. O olhar dele era tão profundo e instigante quanto o de uma águia.
Eles estavam próximos o suficiente para que pudessem escutar a voz um do outro sem precisar gritar.
– Você sabia que eu estaria aqui. – ela respondeu com o mesmo tom de desafio. Os braços dele rodearam sua cintura. O banco era alto o suficiente para que ele não precisasse se encurvar tanto.
– Estava te esperando.
– Mentiroso. Você estava com outra garota.
Ele não respondeu e ela não achou que responderia. Sasuke Uchiha era o cara mais cafajeste do Colégio Watakino. A Haruno tinha todos os motivos para não se apaixonar por ele, mas não era como se pudesse controlar os próprios sentimentos. Simplesmente havia acontecido. Simplesmente não pôde se controlar quando ele a beijou pela primeira vez – e também nas outras vezes. Sasuke era um imã que lhe atraía onde quer que fosse.
Os lábios dele encontraram sua bochecha direita, os corpos colados e os corações disparados. Sakura enterrou o nariz no pescoço do Uchiha, aspirando o cheiro de cigarro, café e colônia importada. A boca de Sasuke deslizou até o pescoço dela e ali mordiscou levemente, fazendo uma onda de arrepios percorrerem pelo corpo da pequena garota.
– Você está linda. Fica muito bem de preto, inclusive. – ele estava sendo sincero, e Sakura sentiu uma onda de alegria tomar conta de si. Talvez preto não fosse uma cor ao todo ruim. – Sabe, o camarote lá em cima é bem confortável. – deslizou os lábios para o canto da boca da garota. — É um local bem privado, devo ressaltar.
Sakura por um momento ficou animada, até se lembrar que Karin havia pedido para que ela a esperasse ali. Sentiu uma pontada de decepção. Colocou dois dedos em duas presilhas da calça jeans do garoto e o puxou para mais perto.
– Não dá. Karin me pediu para esperá-la aqui.
Ele sorriu malicioso.
– Mas isso não te impede de dançar um pouquinho comigo. A pista é aqui do lado do bar. – puxou-a, fazendo com que ela caísse em cima de seu peitoral. Ele a impediu de sair de perto segurando possessivamente em sua cintura fina. Através da blusa social negra, Sakura podia sentir o calor emanar do corpo dele. – Vamos? – segurou-a pelo pulso e a puxou para o meio da pista de dança.
✖
Se Tenten pudesse algum dia evitar alguma invenção feita pela humanidade, com toda certeza seria o salto alto. Era desconfortável e apertado. Por ela teria ido de, sei lá, sapatilha, porém Ino encheu tanto o seu saco que não pôde evitar calçar os saltos. Mas, com toda sinceridade, preferia ter que calçar um guaxinim a usar aquela coisa.
O pior de usar saltos era usar eles e ter que andar no meio do asfalto. Atravessar a rua com aquilo era o mesmo de ter que fazer uma viagem à Nárnia. Como se não bastasse, sentia-se deslocada ali com aquele vestido super curto, vermelho e colado; o fato da mãe de Hinata ter praticamente obrigado Neji a acompanhá-las não ajudou em nada na situação.
– É muito perigoso vocês, garotas tão lindas, saírem andando assim durante a noite. Os tempos são outros. – a mãe de Hinata disse com a mais absoluta convicção.
Tenten estava praticamente implorando para que Suzuki deixasse o sobrinho quietinho jogando vídeo game ou fazendo o que sabe lá o que naquela droga de quarto, mas não, a Hyuuga mais velha sequer fez questão de colaborar. Foi então que praticamente arrastou o pobre do Neji para fora de casa e ordenou que ele as acompanhasse durante a noite. Por mais que Tenten tentasse ao máximo concluir que era tudo coisa da sua cabeça, não havia como negar que Neji sequer protestou contra a tia.
O trajeto, é claro, foi o pior possível. A Mitsashi foi praticamente jogada ao banco da frente ao lado de Neji. Isso sem falar nas indiretas lançadas pelas duas amigas no banco traseiro — não podemos nos esquecer também dos torpedos indecentes que Ino fizera questão de lhe enviar. Foi um sufoco.
Conhecia o Hyuuga apenas pelo o que Hinata já havia dito. Sabia que passou a morar com os tios após a morte dos pais no ano anterior. Também sabia que ele estava no segundo ano de engenharia mecânica e que era ótimo em artes marciais – algo que tinham em comum, inclusive. E, de acordo com Hinata, ele era insuportável, sarcástico e fazia questão de fazê-la se ferrar, ainda mais se tratando das tarefas diárias de limpeza da casa. Porém, tudo o que Tenten conseguia enxergar era um cara maduro, responsável demais para a própria idade e, não podemos nos esquecer, bonito o suficiente para que arrancasse alguns suspiros alheios.
A Mitsashi se agarrou com todas as forças em suas amigas, tentando ao máximo não tropeçar no maldito salto e cair de cara no asfalto. Ainda conseguia sentir o olhar do Hyuuga em suas costas, o que era totalmente desconcertante e que não a ajudava a se concentrar nos próprios passos.
– Droga Pucca, você tá puxando meu cabelo. – Ino se controlou para não empurrar a amiga.
– Você sabe que eu detesto salto. – rosnou, prestes a pular no pescoço da loira.
– E por que está usando um? – Hinata perguntou ofegante, Tenten estava apoiando todo o peso na pobrezinha.
– Por que essa loira aguada me obrigou a isso. – olhou de forma acusadora para a Namikaze.
– Loira aguada é a sua avó.
– Olha aqui, sua...
– Será que dá pra vocês pararem com isso? – Hinata praticamente gritou. Deu graças aos céus quando chegaram à calçada. Neji, que se localizava logo atrás delas, estava prestes a cair na gargalhada. – Neji, pelo amor de Deus, será que dá pra ajudar essa criatura?
Antes que Ten pudesse protestar, Neji já estava ao lado ao seu lado. Envolveu a fina cintura dela com um dos braços e a trouxe para perto de forma com que ela pudesse apoiar o próprio peso nele. A Mitsashi ficava minúscula perto daquele homem, mesmo que estivesse usando aquele maldito salto. Ela sentiu o corpo dele enrijecer ao seu toque, mas fingiu não notar. Estava tão envergonhada que era bem provável que enfiasse a própria cara em algum bueiro próximo.
Hinata e Ino foram à frente dos dois, rindo de algo que ela não soube identificar. Mas era quase certeza de que estavam rindo dela. Argh, iria matá-las.
A caminhada até a boate foi silenciosa, mas não de uma forma desconfortável. Os corpos se roçavam de maneira delicada, a colônia importada dele preenchendo o ar, trocas acidentais de olhares e o calor compartilhado. Foi um silêncio familiar e acolhedor. Um silêncio bom.
Quando chegaram a porta da boate tinha um pequeno grupo de garotas ao lado de fora, conversando entre si. Ino e Hinata já conversavam com o segurança da entrada, conferindo os nomes na lista. Obviamente o de Neji não estava lá, então para confirmar a entrada dele com Shikamaru o segurança sumiu por cerca de meia hora. Ao voltar, permitiu a entrada dos quatro.
Ao entrar, o frio do lado de fora foi substituído por um calor abafado, cheiro de bebida e de tabaco. Luzes piscavam e iluminavam o ambiente. A música era extremamente alta, fazendo o ouvido da Mitsashi zumbir. Neji resolveu soltá-la e Tenten se agarrou ao braço de Hina, que não protestou, apenas ajudou a amiga a caminhar por toda aquela multidão.
Conseguiu conhecer vários rostos, até por que a maioria dos presentes ali eram os estudantes do colégio. Acenou para uma ou duas pessoas, acompanhando Ino até uma mesa vazia que estava em um canto perto do bar.
Ver os bancos altos e redondos da mesa foi como estar no paraíso. Praticamente se jogou em um deles e sentiu os dedos de seus pés relaxarem significativamente. Iria colocar fogo naquele salto quando voltasse para casa, ah se iria.
Olhou para Hina e percebeu que ela estava impecável vestindo um vestido de couro completamente colado ao corpo, o que ressaltava suas curvas exorbitantes. Os cabelos soltos caindo feito uma cascata por suas costas. Usava um salto alto – não tão alto quanto o de Ino – de camurça e a maquiagem lhe dava um ar selvagem.
– E agora? – Hinata gritou por cima da música. – O que vamos fazer?
Ino rolou os olhos. De todas, ela era a mais deslumbrante – como sempre. Vestia um vestido azul marinho e saltos altíssimos. O cabelo estava solto, ondulado e a maquiagem só ressaltava ainda mais sua beleza.
– O que todos fazem em uma festa, fofinha. – gritou de volta. – Ficar bêbadas e dançar.
– Eu não vou ficar bêbada.
– Isso é o que você pensa. – Ino olhou-a de uma forma malévola. Aproximou-se de Neji e Tenten o suficiente para que eles pudessem escutá-la sem que gritasse. – Neji, fofinho, será que dá pra pegar uma Margarita para nós? Pega uma pra você também, você parece estar precisando relaxar um pouco. – deu uma piscadela para o Hyuuga, que apenas rolou os olhos e saiu da vista das garotas. – Hina, vamos para perto da pista. – e puxou Hinata antes que ela pudesse protestar.
Tenten se apoiou na mesa enquanto observava as amigas se remexerem no ritmo contagiante da música. Começou a olhar para a multidão de gente que dançava. Conseguiu reconhecer Naruto ali no meio e, bem ao lado dele, Gaara. Kiba estava sussurrando no ouvido de uma garota loira do outro lado e avistou Konan beijando Nagato, ambos sentados em um pufe. Não muito distante, ela viu...
Ai. Meu. Deus.
Sasuke estava encurvado abraçando Sakura, que estava sentada em um dos bancos do bar. Ele acariciava as costas dela e mordiscava o pescoço da rosada, que se encolhia a cada toque do moreno. Tenten sentiu a boca ficar seca. Os dois estavam caminhando em direção a pista de dança. Tinha que dar um jeito de tirar Ino dali antes que ela visse aquela cena.
Levantou-se de forma brusca, se aproximou das amigas e então percebeu que era tarde demais. Ela não conseguia enxergar direito por causa das luzes que piscavam sem parar e muito menos escutar, mas percebeu que não dançavam mais. Hinata acariciava o braço de Ino, como se tentasse consolá-la. Mesmo que o salto a atrapalhasse, a Mitsashi as alcançou rapidamente. Segurou no braço da loira e a virou bruscamente. Pela expressão da Namikaze, notou que ela estava fazendo de tudo para segurar o choro.
Ino sorriu. Um sorriso triste que fez com que o coração de Tenten doesse. Ino poderia dizer que não gostava de Sasuke, que não ligava, mas era evidente que os sentimentos dela por ele não haviam mudado muita coisa.
E então, lágrimas preencheram os olhos azuis e escorreram, borrando um pouco da maquiagem.
Ino abriu a boca para falar algo, mas nada saiu. Então, livrou-se dos braços da amiga de forma delicada e saiu praticamente correndo pela pista de dança, empurrando quem visse pela frente.
Hinata olhou para Tenten, desesperada.
– Precisamos fazer alguma coisa. – gritou por cima da musica.
– Vamos atrás dela. – gritou de volta, arrancando os saltos e jogando-os para longe. Puxou Hinata pelo braço e ambas avançaram para a pista de dança, mergulhando em meio à multidão.
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