Teste sua coragem
12 Capítulo 12- Adam
Uma semana se passou naquela academia, mas para Adam parecia uma eternidade. Sabia que “Cassandra”, nunca mais iria chamar por Cassie, é tão doce, já ela não é nada doce, descobriu Adam, que Cassandra estava escondendo algo dele, ela apenas dizia que não era nada, ou que não estava na hora. Como assim não estava na hora? Que hora seria a certa, a que eu morrer? Pensava ele. Ela não era nada doce pelo fato de ser uma arma em pessoa, a garota era boa em absolutamente tudo, artes marciais, estratégias, caçada, armas... Cassandra era muito boa em armas, nunca errava o local a ser atirado. Ele tentou ser gentil, amigável, começar do zero, mas Cassandra não estava começando do zero, escondendo coisas dele, isso o aborrecia.
Esta treinando sozinho no seu tempo livre, ou seja, a hora que devia estar dormindo, mas sua insônia falava mais alto que o sono. Pegou o arco, algumas flechas e começou atirar em direção aos alvos. Adam não errava uma, sempre acertava no local onde mirava. Resolveu tentar algo um pouco mais... desafiador. Colocou uma veda nos olhos e tentou atirar os alvos sem ao menos estar olhando para eles. Errou nas duas primeiras tentativas, mas a partir da terceira não errava uma. Ele percebeu que se visualizar o alvo em sua mente e mirasse exatamente onde queria acertar naquele alvo de sua cabeça, consequentemente acertava o verdadeiro alvo.
De repente Jack aparece, gritando que acertou sua perna. Adam tirou a venda imediatamente, mas percebeu que era só mais uma das brincadeiras de Jack.
–O que esta fazendo aqui?- perguntou Adam pegando mais uma flecha.
–O que você esta fazendo aqui? Essa é a pergunta que se deveria fazer- disse Jack pegando um arco e algumas flechas- São 4 da manha, vão acordar daqui uma hora, não deveria estar dormindo?
–Sim, mas estou sem sono.
–Hum... E por quê?
–Eu vou saber?- perguntou Adam acertando o alvo em que Jack estava mirando.
–Espertinho, hein? Bom, eu acho que sei o motivo de sua insônia.
–Então me diga, porque eu não sei.
–Cassie.
Adam olhou para Jack que estava sorrindo mirando no alvo do amigo, porem errou feio o alvo acertando a parede atrás.
–Eu odeio arco e flecha- disse ele.
–Por quê acha que a Cassandra é o motivo da minha insônia?
–Bom, eu sei que vocês não estão indo muito bem...
–Ela não me conta tudo, esta escondendo coisas de mim. Mas não acho que esse é o verdadeiro motivo da insônia.
–Então qual mais seria?
–Eu... Eu não sei- respondeu Adam.
O que era uma mentira, porque ele sabia exatamente o que causava sua insônia, e essa coisa tinha um nome muito adorável. Sophie. Fazia uma semana que não a via, isso lhe causara um sentimento de... saudades. É... Adam estava com saudades de Sophie, mas isso não podia acontecer, ele devia aceitar o fato de que nunca mais iria vê-la, porém estava muito difícil de aceitar.
–E você e a Kida? Como vão?- perguntou Adam tentando fugir do assunto.
–Aquela garota me surpreende a cada instante- disse Jack após um suspiro- Ela perguntou quando quer começar as aulas com ela.
–Ae, as aulas, podemos começar amanha, quero muito aprender aquela maneira de lutar.
–Para que exatamente?- perguntou Jack acertando bem no coração de se alvo- Até que fim, acertei!
–Para... Para conhecimento. Oras, para que mais seria?
–Para a guerra, para matar os apreensores.
–Eu tenho armas para isso.
–Ei, espere- disse Jack colocando a mão em cima do arco de Adam, fazendo ele encara-lo- Não é digno matar alguém com uma arma, sabia?
–Não é digno eles nos matarem com suas armas.
–Sabe porque eles nos matam? Para se protegerem, eles não são agressivos, tem medo de agressividade.
–Então porque eu iria lutar contra eles? Tem medo de agressividade.
Jack sorriu, como se Adam tivesse descoberto um grande quebra cabeça com varias peças perdidas.
–Não luta- disse ele pegando seu arco novamente e errando novamente o alvo.
Adam refletiu suas palavras por um momento, porém não entendeu nada, o garoto não era muito... inteligente.
–Como assim? Do que esta falando?
–Adam, você sabe por quê essa guerra esta se formando?
–Porque o presidente quer os conhecimento deles.
–Você acha que é exatamente esse motivo?
–Qual mais seria?
–Ah, eu não sei... Mas pensa bem, você acha que o presidente estaria sacrificando seu povo, na guerra, que sabe, de acordo com a maldição- Jack fez uma careta- não podemos tocar em um apreensor. Então você acha mesmo que o presidente esta sacrificando todos há essa maldição por apenas conhecimento?
–Talvez não, mas qual seria o verdadeiro motivo então?
–Essa é uma boa pergunta, ela vai entrar no diário de Kida, ela anota todas as perguntas inteligente, boas, incompreensíveis, para que ela fique pensando e pensando até descobrir a resposta para tantas perguntas boas... Perguntas fundamentais.
Adam não estava entendendo muito bem, estava tudo confuso, mas percebeu que Jack também estava lhe escondendo algo...
–Bom, acho que vou tirar mais uma soneca, mais tarde conversamos... Pensa em tudo o que conversamos aqui, pode ser importante- disse Jack saindo da sala.
–Espere, me conte qual você acha que o verdadeiro motivo?- perguntou Adam antes que Jack fosse embora.
–Fazendo a pergunta errada de novo. A pergunta que se deveria fazer é: Essa guerra realmente existirá ou é apenas uma fachada para a verdadeira que esta por vir?... Pena nisso Adam, faz bem para a mente.
E então saiu da sala.
Adam pensou, pensou e pensou, mas não conseguiu entender. Andava de uma lado para o outro sem parar, olhou no relógio, era 4:30, tinha mais meia hora, antes que todos acordassem e ele não estava com sono, então resolveu ir para um lugar onde não visitara há uma semana, na esperança de vê-la, sentada, observando as estrelas, esperando por ele.
O garoto deixou a sala e foi para os corredores que sabiam exatamente onde davam. Abriu a porta lentamente, na esperança de fazer uma surpresa. Mas então recuou.
–O que estou pensando? Ela não vai estar lá, é loucura, só vou encontrar um lugar totalmente vazio- disse a si próprio- Mas seria um bom lugar para pensar...
Então resolveu entrar.
Entrou de vagar e seu coração acelerou muito mais rápido que o normal. Ela estava lá, sentada, observando as estrelas, virada de lado para ele, esperando por ele... Ele correu para atrás da lixeira, fazendo um grande barulho.
–Olá... Tem alguém ai?- perguntou Sophie.
Aquela voz, suave e macia, inundou sua cabeça. Fazia tempo que Adam não escutava sua voz.
–Adam... Esta ai?- disse ela se aproximando mais da barreira em que separava os dois.
“O que estou fazendo aqui?- pensou ele”
Saiu de trás da lixeira, e observou Sophie. Estava linda como sempre, seus olhos estavam azuis escuros, usava um pijama curto o que excitava um pouco Adam, e seus cabelos estavam soltos, fazendo ondas. Ela sorriu assim que o viu.
–Oi- disse Adam sorrindo.
–Oi- ela sorriu mais ainda.
–Ahm... Não esta brava comigo?- perguntou Adam já esperando dela sair de lá mais brava ainda.
–Sim, ainda estou um pouco brava com você, Senhor Rei- ela deu uma risadinha fazendo Adam dar também- Mas precisava vê-lo novamente.
Adam ficou feliz com isso, resolveu sentar assim como ela.
–Bom, estou aqui. Esta feliz em me ver, Senhoria Sky?
–Talvez...
–Também precisava vê-la, e também estou feliz em vê-la.
–Que bom.
–Como vai a academia desse lado?- perguntou Adam tentando arranjar assunto, por ele ficariam assim, se encarando e sorrindo até precisarem sair de lá, mas ela começou a ficar vermelha, ele entendeu que estava envergonhada, então resolveu falar.
–Estão indo bem, acho que não vou precisar lutar, falam que sou muito inteligente, o que eu descordo...
–Fico feliz que não vai precisar lutar, não suportaria ver você machucada, ou pior, sofrendo.
–Sabe, eu era uma garota muito frágil, Adam, mas aqui eu aprendi a me defender, aprendi a lutar, aprendi até segurar uma arma.
Adam se assustou, como aquela garota tão frágil, doce, podia fazer coisas assim? Foi então que percebeu, era que nem a Cassandra...
–Ahm... Fico muito feliz com isso, também- disse Adam forçando um sorriso.
–Sua cara não diz o mesmo. Esta com medo de lutar contra mim e me ferir? E de perde de mim?- perguntou Sophie.
–Que? Não, é claro que não, eu não iria perde de você.
–Aé? Tem certeza disso, senhor Rei?- disse Sophie rindo.
–Claro- Adam riu também, percebendo que estavam entrando em uma brincadeira.
–Mas você não ira me dar uma chance porque sou uma garota, não é?- ela disse logo após fez uma cara desafiadora, com seus grandes olhos azuis, como se ela tivesse desafiando Adam para uma luta, onde iria provar que estava certa.
–Isso é golpe baixo sabia?
–Sim, eu jogo sujo, depois que vim para cá eu aprendi a jogar sujo.
–Eles ensinam isso para você?
–Não, eu mesma aprendi jogar sujo, sabe, acho que sou inteligente- disse ela e depois caiu na gargalhada- Eu não sou assim, não sei jogar sujo, só estava te testando, sei jogar muito limpo, eu até limpo a sujeira que deixei.
–Você é uma boa manipuladora, sabia? Estava acreditando em você.
–Serio? Funcionou! Eles me ensinam isso aqui, e estava praticando.
–Parece uma profissional.
–Mas e ai? Como vai as coisas desse lado?
–Vão... Estranhas, pessoas estão escondendo coisas de mim, e isso em aborrece.
–Há mim também, me aborrece muito.
–Mas tirando isso vão bem, sou bom no arco e flecha.
–Aé? O quanto bom?
–Vamos dizer que... Muito bom.
–Hum... Interessante, você não erra uma?
–Nenhuma.
–Sabe que esta se gabando agora, né?
–Sei, e gostei disso.
–É um grande erro aqui na Apreensão.
–Se gabar?
–Pior, se achar melhor que o outros.
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