Teste sua coragem
1 Capítulo 1- Sophie
Sophie aguardava pelo por do sol assim como fazia todos os dias, uma das coisas que mais amava nesse mundo era ver o por do sol. As cores alaranjadas, avermelhadas eram suas preferidas. Mesmo que esse acontecimento não seja um dos mais natural daquele lugar, pois a camada de oxônio já estourou faz tempo, mesmo assim ela adora ver o sol indo para o outro lado do planeta que ela nunca visitara. Assim que o sol finalmente sumiu ela resolveu voltar para dentro, pois tinha medo do escuro. Desceu do telhado pela escadinha lateral de sua grande casa, e caiu exatamente onde planejava, na sacada de seu quarto. Assim como sua casa seu quarto era gigante, uma cama de casal bem no centro, um closet na lateral, um painel cheio das fotos de paisagem que tirou de quando fazia curso de fotografia.
-O jantar esta pronto- avisa Anne, sua mãe.
Sophie da um sorriso para o nada adora a hora do jantar, come até as tantas, porém nunca engorda sempre esta na academia para queimar oque não é necessário. Desce as escadas cobertas de carpete vermelho e tropeça no final com o carrinho de seu irmãozinho. Sophie teve medo de cair e quebrar o queixo, como aconteceu com um menino da quarta serie, e da um grito. Seu pai aparece imediatamente assustado, com medo do que quer que tenha acontecido com sua filha.
-O que aconteceu, esta tudo bem?-diz Roni seu pai.
- Quase cai, tropecei no carrinho, tive medo de quebrar o queixo- disse Sophia abraçando-o.
-Jonny, você assustou sua irmã com esse carrinho.
-Desculpa, papai. Desculpa Sophie- disse Jonny que estava descendo as escadas de cabeça baixa pegando o carrinho.
Sophie ficou com pena do irmão, pela bronca do pai, ele é só um garotinho, e tem tanto medo de tantas coisas, ela não quer que ele sente medo de sua própria irmã.
-Esta tudo bem, já passou, eu não me machuquei- disse Sophie tentando acalmar o irmão.
-Vem, vamos comer-disse Roni.
Foram para a sala de jantar onde todos já estavam na mesa. Sophie tinha três irmãos e uma irmã, com ela eles eram em cinco. Sophie era a terceira mais velha, os dois primeiros eram gêmeos de 17 anos, Josh e Francis, porém os dois só estavam de passagem, pois suas esposas Jenny e Mary estavam visitando seus pais. Em terceiro vem Sophie com 16 anos. Em quarto vem Emily com 8 anos e por ultimo, Jonny com apenas 5 aninhos. Anne, sua mãe, estava de frente com Roni, seu pai. Todos estavam contentes em estarem ali, era como uma reunião de família, que quase nunca acontecia. Geralmente Josh e Francis nunca estavam em casa, estavam sempre com suas esposas, cuidando delas, protegendo-as. Como casaram cedo, ano passado, tinham que ser responsáveis e protetores, como um grande homem da Apreensão.
-Quanto tempo que não nos reunimos em família, não é?- diz Anne.
Anne era linda, na visão de Sophie. Seus cabelos pretos curtos eram brilhantes, assim como seus olhos castanho claro.
-É sim, muito tempo- confirma Emily.
-Como vocês estão?- pergunta Anne ao Josh e ao Francis.
-Jenny esta esperando um bebê- diz Josh- Estamos muito felizes.
-Mais que noticia ótima- diz Anne com um grande sorriso de satisfação- Quanto antes melhor, não é?- Anne da uma risadinha medonho ao final de sua frase.
Sophie ficou surpresa com a noticia, Josh era apenas um ano mais velho que ela, e se casou ano passado, como eles vão ter um filho assim tão cedo? Era de natureza para qualquer pessoa da Apreensão ter muito filhos, mas não precisava começar tão cedo assim.
-Parabéns, Josh- disse Sophie com pouca animação.
Sophie não queria que com ela fosse muito cedo, queria ter um tempo para conhecer direito seu futuro marido, porém isso não vai acontecer, sua mãe nunca deixaria.
-E você, Francis?- pergunta Anne.
-Estamos tentando- disse com animação.
Sophie não gostava dessa animação, ela vira na aula de ciências como se fazia um bebê e não é nada animado, parecia muito desconfortável, pensava.
-Que bom, é assim mesmo- disse Anne ainda com um sorriso que se desmanchou quando olhou Roni do outro lado da mesa.
-Porque esta tão quieto, Roni? Esta tudo bem?- continuou.
Roni parou de olhar para a comida e levantou a cabeça olhando para todos que olhavam preocupantes com o pai.
-Sim, esta... esta tudo bem- disse Roni e abaixou novamente a cabeça para a comida.
Roni era bem diferente de Anne, era alto, mais rígido, com cabelos loiros e olhos azuis.
Sophie percebeu que não tinha nada bem, conhecia seu pai, e sabia quando estava mentindo, porém ficou quieta, não podia perguntar, pois seria pura curiosidade, o que nunca deve acontecer com um apreensor. Curiosidade era perigoso, com curiosidade há medo, e é algo que um apreensor já tem de sobra, não precisam de mais.
-Aconteceu alguma coisa?- pergunta Emily.
Emily era muito parecida com Sophie, falavam que ela era a mini Sophie. Seus cabelos castanho claro eram longos, mais longos que de Sophie, e eram lisos, muito lisos, ao contrario de Sophie, que tinha cabelos ondulados com cachos grossos, porém essa era a única diferencia entre elas. Seus olhos azuis escuro brilhavam com a luz do lustre da sala de jantar, assim como os de Sophie.
Emily foi totalmente curiosa, isso não podia acontecer. Francis que sentava ao seu lado lhe deu um peteleco, era um aviso. Sophie olhou para o pai já esperando a bronca que daria em Emily, porém ele apenas levantou a cabeça com um olhar triste.
-Está acontecendo algumas coisas na sede, mas não quero preocupa-los- disse Roni.
-Fala papai, a gente aguenta- disse Jonny.
-Não!-disse Roni nervoso, mas então olhou a cara de assustado de Jonny e se acalmou- Ainda não, não é a hora.
Dali em diante, todos permaneceram em silencio. Após o jantar Roni pediu que Francis, Josh e Sophie ficassem para conversa, Anne não gostou dela não estar inclusa, porém deixou-os conversar em paz.
-Vocês são meus filhos mais corajosos- começou ele.
Sophie ficou surpresa, não era corajosa, com certeza não, era muito medrosa, também era característica da Apreensão, da sua espécie, porém seu pai tinha razão, entre Emily e Jonny, com certeza era a mais corajosa. Jonny tinha medo até de borboleta, que são adoráveis na opinião de Sophie. E Emily tinha medo de gatos, que são fofos, pensava Sophie .
-O que aconteceu, pai?- perguntou Francis.
-Estou contando para vocês, porque Josh e Francis já são adultos, e você, minha querida Sophie, vai ser uma adulta daqui alguns meses, por isso confio em vocês um grande segredo.
-Esta acontecendo conflitos entre os apreensores e os prontidões- continuou- Conflitos graves, guerras.
O coração de Sophie endureceu assim que ouviu aquele nome. A Prontidão é o oposto da Apreensão. Os apreensores tem medo de tudo, já os prontidões são muito corajosos, não tem medo de praticamente nada. Assim como seus pais dizem eles são esnobes, se acham superiores. Sophie os odeia, mesmo não ter chegado nem perto de um, por causa da maldição, se um apreensor e um prontidão se tocarem, os dois morrem em menos de um dia. O tatatata avó de Sophie morreu pelo fato de apenas encostar o dedo em uma prontidão, bom pelo menos era isso que todos diziam...
-Por quê?- perguntou Josh um pouco confuso- Nos odiamos, mas se nos tocarmos morremos, por que estão fazendo isso?
-Há uma rivalidade entre nós, antigamente, éramos amigos, ajudávamos uns aos outros. Nós com nossa inteligência e eles com sua coragem, até que ocorreu a maldição, ninguém sabe quem coloco a maldição e o porque, mas com a maldição os apreensores tiveram que se separar dos prontidões, fazendo assim que a inteligência ficasse apenas para nós, e a coragem apenas para eles. E agora eles estão “precisando” de nossa inteligência, eles não tem medo de lutar, como são bu... como não são muito inteligentes, começaram á atacar nosso exercito de robôs.
Aquilo não era nada bom, pensou Sophie. Ela sabia que se continuassem assim, a Apreensão com certeza perderia, eles não são corajosos o suficiente para lutarem, por isso construíram um exercito de robôs, para lutarem por eles, porém os robôs não durariam muito.
-E por que esta contando isso para nós?- perguntou Sophie.
-Para que se preparam para o que der e vier, para que não tenham medo, para que se protegem- respondeu Roni.
Por um momento a sala ficou silenciosa.
-Sophie, pai tem razão, você vai para a academia em alguns dias, tem que estar preparada, nossa academia fica ao lado da deles, ele esta pedindo para que não tenha medo- disse Francis.
-Não ter medo? Como você me pede para no ter medo, o medo é nossa característica, vocês sempre falam isso, se não tenho medo, serei uma corajosa, serei uma... Prontidão.
-Nós não temos medo de tudo, Sophie, você tem que perde seu medo dos prontidões, eu sei que é o nosso maior medo, mas tem que vence-lo para que vá bem no acampamento, para que seja alguém na vida- disse Josh.
-Então quer dizer que agora não sou ninguém nada vida?!- disse Sophie ficando irritada.
-Sophie, querida, olha- disse Roni tentando acalma-la- Seus irmãos tem razão, você tem que perde o medo dos prontidões, para ser uma mulher incrível, com vários filhos. Terá que ser corajosa pelo menos até que essa guerra acabe.
-E como você acha que vai acabar, pai?! Eles são mais preparados que nós, são muito mais corajosos do que nós, só vai acabar quando perdemos! E se perdemos não terei uma vida tranquila, não serei uma mulher incrível, virarei uma escrava deles!- disse Sophie mais irritada que antes.
Eles ficaram em silencio pensando nas palavras de Sophie. Ela tinha razão, eles sabiam disso, ela sabia que estava certa. Mas para que ela seguisse seu caminho era preciso perder o medo dos prontidões, que era um medo que não queria perde. Sophie já quis perde vários medos, ser mais independente, porém não podia.
-Sophie, eu sei que tem razão, mas terá que fazer esse sacrifício, até as coisas melhorarem, irá para o acampamento, aprendera tudo o que precisa e vai se torna uma mulher incrível.
-Pai, não sou corajosa o suficiente para perde esse medo, sou fraca- disse Sophie.
Francis a abraça forte.
-Sophie, você pode ser muito medrosa, mas eu sei que é muito corajosa também- disse Francis, tentado conforta-la em seus braços musculosos enquanto lagrimas do rosto de Sophie escorrem.
-Você tem que ser forte, Sophie- disse Josh colocando a mão em seu ombro.
-Eu não consigo... Não sou forte, nunca serei- disse Sophie em meio aos soluços.
-Você já tentou?- perguntou Roni com um sorriso encorajador.
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