Teste sua coragem
6 Capítulo 6- Adam
–A primeira coisa que vamos fazer, é uma “apresentação” para nos conhecermos melhor, na verdade para nós, os veteranos, conhecermos melhor vocês, os iniciados.
Adam já não foi com a cara de Henry assim que o viu. O garoto era mais alto e forte que ele, possuía varias tatuagens sem sentido. Seu cabelo rapado rente a nuca não aprecia direito. Seus olhos negros eram profundos, assustavam Adam. Ele acabara de entrar na academia e já sentia saudades de casa. Sempre odiou aquele lugar, e odiava ainda mais agora. Todos eram rígidos com todos. Adam encontrou Nathan conversando com Scarlet, eles pareciam felizes. Cassandra não aparecera, o garoto pensou que ela desistiu, porém, só estava no banheiro retocando a maquiagem. Adam não se aproximava dela, ele queria o máximo da distancia entre eles, porém ela o surpreendeu beijando sua bochecha.
–Sempre quis fazer isso- sussurrou ela.
A garota parecia nervosa, não parecia nada com a Cassandra que conhecera, estava mais natural.
–O que aconteceu com você? Cadê a Cassandra que me irritava e me xingava?- perguntou surpreso.
–Aquela Cassandra não existe mais, quero começar do zero, podemos tentar?
–Eu...
–Pelo menos tentar, se não der certo... Aquela Cassandra volta, ok?
Adam ficou com um pouco confuso, não queria começar de novo, queria é acabar logo com isso.
–Ok- disse confuso.
Ela sorrio e segurou sua mão. A mão da garota era macia e quente, o que, esquisitamente agradava um pouco Adam.
–Vamos chamar um de cada vez para fazer a apresentação em uma sala com os veteranos observando-os. Vamos dividir vocês em 2 grupos, os das meninas, e os dos meninos, no começo trabalharam separados, mas depois vão trabalhar juntos. Garotos comigo- disse Henry, um dos veteranos chefes guiando os garotos para uma sala clara ao lado direito do pátio onde se encontravam.
Cassandra beijou seu rosto de novo e disse.
–Nos vemos mais tarde.
E então soltou sua mão e foi onde as garotas se encaminhavam. E assim Adam foi para a sala clara, fora o ultimo a entrar então ficou para trás do grupo.
–Vamos chamá-los em ordem de chamada.
Adam suspirou, era o primeiro da chamada.
–Adam Heisenberg- gritou Henry para o grupo dos garotos.
Um caminho se abriu para Adam passar. Todos os olhos o acompanharam até uma porta onde Henry o esperava. Os olhares o incomodavam, porém não ligou. Henry esticou a mão para cumprimentar Adam, mas o garoto apenas olhou para seus olhos negros e entrou na sala. Tinha algo errado com aquele cara, Adam não gostava de estar na presença dele. Henry fechou a porta atrás de si. A sala era escura, fria e vazia.
–Cadê os outros veteranos? Não vão assistir?- perguntou Adam.
–Estão observando-o, não gostam de estar aqui, é muito... pesado para eles, então me mandam para cá- Henry acenou para uma câmera no canto da sala.
–E o que exatamente eles estão observando?
–Oras, você é claro.
–Mas por quê?
–Garoto, não escutou nada o que eu acabei de dizer lá fora?- o garoto segura o braço de Henry com força- Eles estarão observando sua apresentação.
–Minha apresentação? Como assim?
–Desculpe-me, disse errado. Sua não, a de seus medos- disse Henry com um sorriso macabro espantado em seu rosto.
Henry empurrou Adam para o centro da sala escura. Meus medos? Como assim? Se perguntou. Tudo estava escuro, até que uma luz se acendeu em cima de sua cabeça. Adam ficou um pouco tonto com a luminosidade, mas então na escuridão algo se mexeu, era muito rápido, Adam não conseguiu identificar o que era, e então se moveu novamente atrás de si. Pensou que era Henry, mas a coisa começou a se aproximar de Adam, não tinha a forma de uma pessoa e sim de uma... uma aranha! O coração de Adam começou a acelerar e ficar pesado. A aranha se aproximou de Adam, até que ela ficou ao seu lado.
Não era uma aranha qualquer, era gigante, batia no umbigo de Adam. Do outro lado outra se aproximou, era um pouco maior que a outra. Uma de cada lado de Adam. Elas começaram a se aproximar, o garoto não sabia o que fazer, se ficava parado, ou se corria até a porta, ou se...
As aranhas começaram a se aproximar mais, até que a menor atacou, ela derrubou Adam, que caiu no chão frio. Começou a enrolá-lo em sua teia gigante. Adam bateu na aranha, mas ela continuou. A teia enrolou seus pés, estava chegando no seu joelho. Ele precisava afazer algo, se não estaria pronto para ser devorado por uma aranha gigante. Ele começou a se debater, procurou algo no chão, achou uma faca. Rasgou uma de suas patas, fazendo-a recuar. A outra se atirou em para cima mas ele fincou a faca em sua cabeça, ela ia atacá-lo de novo e então desapareceu.
O garoto ficou paralisado, o medo invadiu seu corpo. Eles estavam querendo que ele enfrentasse seus medos, era isso que se chamava de apresentação, mas que loucura, pensou. Der repente algo amarrou suas mãos e pés. Ele caiu de joelhos no chão. Sua mãe apareceu em seu campo de visão. Ela estava com a aparência casada, usava roupas rasgadas e sujas, e estava toda machucada, roxa, cheia de feridas.
–Mãe! O que esta fazendo aqui? O que aconteceu?- perguntou Adam tentando se livrar das amarras que o apertou mais ainda.
Ao lado de Beatriz, Glenda, Katy, Margo e Jason, apareceram, no mesmo estado de sua mãe. Apareceram 5 homens de preto, com chicotes. Adam não conseguia ver seus rostos. Eles começaram a chicotar seus familiares.
–Não! Parem! Parem!- gritou Adam se debatendo.
Suas irmãs começaram a gritar, e chorar, sua mãe estava firme, corajosa, porém lagrimas escorriam de seus olhos.
–Parem agora! Chega! Eu vou matar vocês- gritou novamente Adam.
Os homens de preto pararam por um segundo, olharam para Adam, riram de seu desespero e continuavam a machucar as pessoas que mais amava. Começaram a socar o pequeno Jason. Adam segurava as lagrimas, o garoto não ia chorar na frente dos veteranos. Ele avistou a câmera no canto da sala. Ele olhou fixamente para ela, virou de costas, e mostro-lhe o dedo do meio á eles.
–Covardes! Vocês gostam de ver pessoas sofrerem? E se fosse com vocês?- gritou.
Seus familiares desapareceram, Adam se viu sozinho de novo na sala escura. Por alguns segundos o garoto pensou que acabou toda essa história de apresentar o medo, e todo o sofrimento, até que no meio da escuridão um chama aparece. Ele se vê em uma caixa pouco maior que ele, e o fogo invadindo-a. Ele começa a se debate, não tem medo de se queimar, mas sim de se asfixiar com a fumaça invadindo seus pulmões, o deixando sem ar. Com a chama a sala toda se iluminou, ele estava numa espécie de caixa de vidro dentro da sala escura, ao lado da porta ele avista Henry encostado na parede de braços cruzados, não da para ver seu rosto inteiro, mas o que o fogo ilumina seu rosto, ele esta sorrindo, um sorriso macabro.
–Me tira daqui!- grita Adam batendo no vidro que não esta derretendo por alguma razão...
–Mas assim eu vou estragar a apresentação- disse ele.
Adam ficou com raiva. Henry podia tira-lo dali, porém não queria.
–Idiota! Imbecil! Me tira daqui!
–Que maus modos, sua mãe não lhe ensinou educação não?- disse ele com um sorriso na cara.
Adam queria xingá-lo mais, porém a fumaça não deixou, ela se envolveu em sua cabeça. Entrando no seu pulmão, deixando-o sem ar. Adam não conseguia respirar. As chamas começaram a queimar seus pés. Ele começou a bater no vidro, socou, chutou, mais nada aconteceu. Até que ficou totalmente sem ar e tudo se dissolveu em fumaça e ficou tudo preto novamente.
Adam caiu de joelhos o começou a respirar com dificuldade. Três de seus medos já foram, só falta o pior medo de sua vida. Adam não queria enfrentá-lo, com certeza não, só enfrentara aquele medo uma única vez na vida, e foi nessa vez que ele se tornou o seu pior medo. Não iria passar por aquilo de novo, tinha que sair de lá.
Se levantou e procurou uma parede, provavelmente não teria muito tempo até seu medo chegar, como os outros. Tinha que ser rápido. Seus dedos tocaram em algo frito e solido, ele começou a tatear a parede até acha a porta, que estava vigiada pelo Henry.
–Saia da minha frente!- gritou Adam para Henry.
–Nananinanão novato. Você ainda não terminou sua apresentação, e eu quero ver todo o show- ele sorrio, o mesmo sorriso macabro.
–Saia, se não...
–Se não o que? Vai me bater?
Adam não controlou a raiva e socou sua barriga, fazendo ele se dobrar para frente. Adam conhece esse ataque, já fizera varias e varias vezes nas tarefas. Assim que se dobrou, socou seu rosto, ele se curvou mais ainda, e então Adam atingiu seu ombro com o cotovelo fazendo o cair no chão. Adam abre a porta rapidamente. A claridade perfura seus olhos, distraindo, até que Henry segura seu pé.
–Onde pensa que vai? Volte e termine a apresentação!- gritou Henry.
Adam olhou para ele e pisou com o pé livre sua mão.
–Você não manda em mim!-debate Adam e sai correndo.
O garoto não se importa com os gritos os chamando para voltar, ou com os olhos apavorados do grupo de garotos. Ele saiu da sala clara e foi até o portão por onde entrou, porém estava fechado.
–Tenho que sair daqui- disse a si mesmo.
–Peguem ele!- grita Henry para os guardas.
Adam começa a correr sem destino, entra em corredores escuros. Um deles tinha uma porta, entrou nela rapidamente. Encostou na porta e ouviu passos.
–Ele não esta aqui, vamos voltar.
Ele suspira, conseguiu despistá-los. Olhou para onde estava, estava fora da academia. Era como um local onde o zelador colocava o lixou, o local era pequeno, uma caçamba cheia de lixou ocupava quase o local todo. Á sua direita, tinha como se fosse um espelho, tinha uma caçamba praticamente igual a que estava a sua esquerda, e uma porta de metal como a que estava atrás de si, porém não via seu próprio reflexo.
–Não é um espelho, é a academia da Apreensão- disse a si mesmo.
Tinha o campo de força que nem na fronteira separando os dois ambientes parecidos. Adam riu, ele conseguiu achar um local tranqüilo, porém ainda não saiu da academia. A raiva inundou seu corpo. Ele chutou uma lata de cerveja que estava no chão em direção ao campo de força. Foi então que á viu. A mesma garota que viu a dois dias atrás. A mesma garota que ele nunca mais poderia ver. A mesma garota que nem poderia pensar em estar com ela.
Sophie estava de costas para a porta, respirava ofegante, e estava com os olhos fechados.
–Sophie?- chamou Adam.
A garota abriu os olhos azuis escuros em um pulo arregalando- os, procurando quem a chamara, até que seus olhos encontraram com os de Adam. Ela relaxou mas ainda estava assustada. Se aproximou do campo de força.
–Adam- disse ela soltando uma boa quantidade de ar.
–Esta tudo bem?- perguntou.
–Não, e com você?- disse ela ainda com olhos arregalados.
–Não.
Os dois se encararam e caíram na risada abafada.
–Porque você não esta bem?- pergunta ela.
Adam excitou, iria falar para ela sobre a porcaria da apresentação? Sobre seus medos? Sim, iria sim, já contara sobre as aranhas, o que tinha a perder?
Ele se sentou, a história era longa, Sophie também se sentou.
–Esse lugar é horrível, eles...
–Concordo com você, não pensei que seria tão difícil assim- disse ela por cima dele.
Adam a observou, ela estava assustada, com medo.
–Eles te machucaram? Você esta bem?
–Primeiro, vamos falar do seu problema, depois pensamos em mim- disse ela com um sorriso que não era muito encorajador.
–Eles... Eles queriam que eu fizesse uma apresentação.
–Uma apresentação? Como assim? Queriam que você cantasse ou dançasse?
Ela ri, fazendo Adam rir também.
–Quem me dera se fosse isso. Eles queriam que eu apresentasse meus medos para eles.
Seu rosto ficou sobriu.
–Que, mas que coisa absurda, medo é algo que você não pode expor para pessoas que nem conhece.
–Eu sei, isso não se faz, mas me fizeram fazer, fui o primeiro. Primeiro vieram as aranhas.
O garoto estremeceu, assim como a garota em sua frente, ela ficava incomodada quando ele ficava incomodado.
–Ai depois veio... Eles machucaram minha família, as pessoas que amo.
Ela ficou um pouco confusa.
–Esse é seu medo? Tem medo de que as pessoas machucam quem ama?
Adam balança a cabeça afirmativamente. Sophie se aproxima do campo de força para sussurrar algo á Adam.
–Também tenho medo disso.
Adam sorrio, ele ficou feliz de estarem compartilhando os medos, era como se um peso de seu peito desaparecesse.
–Ai depois veio o fogo- continuou o garoto.
–Fogo. Seu terceiro medo, tem medo de se queimar?- perguntou ela.
–Não, tenho medo de me sufocar.
Um silencio cresceu entre eles.
–E... E seu quarto medo?- perguntou Sophie com cuidado.
–Não enfrentei, sai antes dele acontecer, e fui correndo, e achei esse lugar- disse ele com um sorriso- Nos encontramos de novo.
–É...
A garota sorrio, mas então seu sorriso de desmanchou.
–E não devíamos estar aqui, eu... eu não posso mais te ver, Adam.
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