O sol ofuscou a vista de João quando abriu os olhos, se perguntando onde diabos estava. Olhou em volta e percebeu-se no meio de uma rua asfaltada, contudo não uma rua comum de cidade, mas uma rodovia daquelas que cruzam lugares inabitados e raramente passa algum veículo. Quando ainda tentava entender o que acontecera, avistou uma moto se aproximando em alta velocidade. Ela freou bruscamente em frente ao garoto e o motociclista retirou o capacete, revelando seus longos cabelos encaracolados cor de caramelo.

–-- Angélica?!

–-- Olá! --- Ela abriu um sorriso simpático. --- É melhor me chamar de 204, meu nome é comum entre os anjos, sou a Angélica 204. Ah é mesmo, me esqueci de falar: sou um anjo. Você passou no teste!

–-- An? Eu estou um pouco confuso...

–-- Seu teste não era convencer o cara a não se matar, eu queria testar o seu altruísmo. Sobe logo na moto que eu não sou uma desocupada para perder tempo aqui.

–-- Ok... --- João colocou o capacete que Angélica 204 oferecera. --- Mas o que aconteceu com o cara do sonho?

–-- Ele decidiu não se matar, mas tentará algo um pouco diferente: contratar os serviços de um travesti, porém ele não imagina que eles sejam tão bons de briga. Não vai conseguir capturar o traveco, levará uma surra e será denunciado para policia, que posteriormente descobrirá os seus crimes. E por ironia do destino, na cadeia ele encontrará seu grande amor que lhe será fiel. É tão bom quando as coisas terminam bem!

–-- Diz isso porque não é você que está morta.

João subiu na moto, Angélica colocou seu capacete e arrancou para logo seguir em alta velocidade pela rodovia.

–-- Cuidado com os postes. --- Alertou João.

–-- Não precisa se preocupar com isso, não tem postes no céu.

Então a moto levantou voo até desaparecer entre as nuvens.

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