Teste

1 Capítulo 1


Tokubetsuna kankei: Kekkon.

~*~

–E então? Estou esperando uma resposta! — O dono da voz retumbante repetiu impaciente. — Quais são as suas intenções para com o meu filho?

A situação até seria cômica se Lucy não estivesse tão assustada. Afinal, não era todo o dia que um enorme e ameaçador dragão vermelho -mais conhecido como Igneel- aparecia em sua frente. Não era para ele estar desaparecido? Seu er... Namorado (?) passara metade da vida atrás dessa lagartixa gigante todo desesperado e agora ele aparecia –do nada- com uma pergunta um tanto constrangedora.

Maldita hora em que decidira ir a uma missão sozinha (sem Natsu saber é claro) para poder pagar as despesas, estas que tinham dobrado desde que o rosado passara a ir a sua casa com uma freqüência absurda.

Sim, ele estava -praticamente- morando lá.

E não, Happy não se mudara com ele, alegando não querer ouvir os constantes gemidos de Lucy e não querer ser incinerado por um Dragon Slayer super excitado.

Mas esse não era o problema agora.

–E-etto... — A loira que possuía uma gota enorme na cabeça lutava para achar palavras. O que iria dizer? O dragão a sua frente a olhava acusatoriamente, como se ela tivesse corrompido toda a pureza e inocência de seu precioso filhinho. — Casamento...?

Ela já havia lido isso em algum lugar, talvez funcionasse. Igneel deixou suas presas á mostra, enquanto a moça se preparava para a morte.

–ACHO BOM MESMO!!! -Rugiu, lançando assim, uma rajada de ar que a fez cair. — Estarei esperando por notícias do casamento mocinha. -Estreitou os olhos dragônicos¹ ameaçadoramente. — E QUE SEJA LOGO!

–A-AYE, SYR! -Pulou se pondo de pé e se pôs a correr desesperadamente, sumindo no horizonte com a risada malignamente sinistra do escamoso ecoando em seus ouvidos.

~*~

–... Fui até a estação mais próxima, peguei o trem errado... E aqui estou. -Desabafou com Levy, que por uma incrível coincidência, estava na mesma cidade e na mesma lanchonete em que a loira resolvera parar para tomar algo, já que estava incrivelmente perdida, horripilantemente descabelada e... Precisando de um banho urgente.

–Ah... -Piscou.

– Vou ter que pedir o Natsu em casamento agora?! -Ela estava pirando. Agarrou os fios loiros e os puxou desesperada, enquanto olhava para todos os cantos esperando por alguma intervenção divina que a ajudasse. Nada. –Só pode ser brincadeira... –Choramingou. –Sou muito nova pra casar...

–Mas Lu-chan... -Chamou sua atenção, tentando disfarçar um sorriso. — Tecnicamente você já vai viver ao lado do Natsu para sempre. O que tem demais casar agora?

... Viver ao lado do Natsu para sempre...

... Para sempre...

... Sempre...

Aquelas palavras ficaram ecoando em sua mente e de repente imagens começaram a invadir sua mente sem permissão.

Eles parados em frente á uma casa, abraçados e com enormes sorrisos estampados em suas faces. Natsu destruindo seus móveis, Happy afiando as unhas no sofá, ela em prantos enquanto a casa inteira pegava fogo.

Natsu a pegando no colo como uma princesa com a intenção de passar pela porta e finalmente terem uma incrível e exaustiva noite de amor. Ele passando pela porta nada cuidadosamente, ela batendo a cabeça em algum lugar, uma noite frustrada e um gato voador aparecendo do nada para piorar as coisas.

Ela sendo rodada no ar por um Natsu mais do que feliz após a notícia de que eles teriam seu primeiro filho. Ele saindo correndo pela porta, louco para contar vantagem, enquanto ela ficava sozinha, abandonada e com graves distúrbios emocionais e claro, um Happy mais do que feliz em dizer que ela ficaria ainda mais gorda.

E finalmente a pior cena.

Ela rodeada por trinta crianças que eram absurdamente parecidas com Happy's, que choravam, esperneavam, brigavam, entalavam suas cabeças em grades estreitas, enfiavam a cabeça no vaso sanitário, saíam correndo desesperados e pelados evitando o banho, pediam por comida e fediam por causa das fraldas cheias. E ela lá, toda descabelada pedindo por socorro, ao passo em que Natsu estava na guilda bagunçando e bebendo com Gray e Gajeel (Que deixaram tanto Levy, quanto Juvia na mesma situação que a loira).

–KYAAAAAAAAH! NEM PENSAR!!! – Pulou da cadeira se pondo a correr, derrubando um ou dois garçons e uma pobre senhora que teve a infelicidade de passar por ali naquela hora, deixando Levy para trás com uma enorme gota na cabeça.

Aquilo tudo já estava se tornando repetitivo, mas dessa vez ela não pegaria o trem errado. Ela pegaria o primeiro que aparecesse e que fosse o mais longe de Magnólia.

Sim!

De maneira nenhuma ela se casaria.

Não haveria casamento sem uma noiva não é?

~*~

–Então...

Incrivelmente –ou nem tanto- lá estava ela. Terrivelmente amarrada, amordaçada e frustrada (Detalhe, em sua própria casa!). Ao mesmo tempo em que ameaçava uma Levy nervosa pelo olhar, lançava olhares assustados para o Dragon Slayer hiperativo que agora estava sério demais.

Ah! Sim... Não podemos esquecer Happy, que tinha um enorme sorriso cretino no rosto e sussurrava coisas como “Te pegamos aye!” ou “Você é muito lerda Lucy, deve ser toda essa gordura aye!”

–Você tem algo a me dizer Lucy? – O Dragneel agachou, se sentando sobre os calcanhares e encarou a loira semicerrando os olhos.

–Hum... Humumuuum... Huuum... –Ora! Ele não esperava que ela dissesse alguma coisa coerente estando firmemente amordaçada, não é? Bom, ele é o Natsu afinal...

–Are...? – Até mesmo de longe podiam ver o grande ponto de interrogação em cima de sua cabeça. Deixou a cabeça pender para o lado. – Oe Lucy... –Se fez de magoado. – Se você não queria casar comigo era só dizer...

Como ele ficou sabendo disso?

“Levy...” Fuzilou-a. Mas a raiva se esvaiu quando olhou para o parceiro que tinha a franja caída sobre os olhos.

–Huumm... Humumuuummm... – Tentou se livrar da mordaça em desespero.

–Eh~Natsu! Não acho que seja esse o problema. –Gota. A baixinha foi ao socorro de Lucy, mesmo sabendo que enfrentaria a ira dela depois. (Mais tarde ela seria encontrada no quarto do Gajeel, perfeitamente amarrada e amordaçada para a alegria do mesmo.)

–AH! – Respirou fundo quando se viu livre daquele pedaço de pano sujo. Por acaso aquilo não era uma meia... Ou era? De qualquer maneira... – Errado! Digo, não é que eu não queira me casar com você Natsu, é que... –Ok! Respira. Por que diabos ela não queria se casar com ele mesmo? Oh! É mesmo... Os trinta filhos e tudo mais...

–É que...? – Que voz melancólica é essa?!! Ele estava triste? Não, não, não... Ela deixaria o arrependimento pra mais tarde.

–É que... Bo-bom... Eu queria que você me pedisse sabe? –Ótima jogada! Se por um acaso do destino não pudesse mais trabalhar como maga, poderia tentar a carreira de atriz.

Sua face ficou vermelha e ela piscou envergonhada ajudando na mentira, ao mesmo tempo em que ele levantava a cabeça.

–YOSHI! –Sorriu misterioso e a pegou no colo, surpreendendo-a. Levou-a até a janela. -E então?

Lucy deixou de prestar atenção no adorável beicinho infantil que ele fez ao terminar a pergunta e olhou para fora.

“Ah, Natsu...!” Tochas enormes estavam posicionadas flutuando sobre o rio, sobre elas letras flamejantes –que antes estavam embaralhadas- começaram a formar uma pequena e significativa frase.

Lucy, casa comigo?

Esse era um daqueles momentos sabe? Aquele em que lágrimas surgiriam em seus olhos, ela o beijaria apaixonadamente e depois gritaria “SIM! SIM! SIM!” aos quatro ventos.

E foi isso mesmo que aconteceu.

Porém...

–Eu sabia, ela acreditou de novo na história “Estou triste e magoado” do Natsu. Mas eu esperava mais aye! – O Exceed disse alto o suficiente para a loira ouvir. – EH!??

–Você não deveria dizer essas coisas em voz alta... – Suspirou Levy, assistindo de camarote o gato azul e o Dragon Slayer apanharem ferozmente.

Aquele era apenas mais um dia normal como todos os outros, mas naquela noite Natsu descobriu o termo “Dormir o sofá”.

Mas tanto faz mesmo...

Já que eles se casariam depois de amanhã.

E não.

Ele não contara isso pra Lucy ainda.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.