Oh, meu Deus, eu aqui de novo, os pensamentos estridentes não me deixam dormir, minha consciência age com condescendência, não aguenta a tentação de passar madrugadas em claro em busca de amores, no vácuo da minha mente ela se entristece quando percebe o vazio preenchido pela perversão. Concupiscência.
Minha alma sem resignação me atormenta, não aguenta me ver chorar, a torrente que desce dos meus olhos é da cor dessa tempestade. Minha situação é inescrutável do mesmo modo que a natureza de Deus, o espírito pobre dos mundanos não encontrará asseio nessas vielas que guardam escuridão, lembre-se, na penumbra é onde as trevas agem, o breu os nutre.
Por que tanta relutância? Você não percebe? Você é escrutinado o dia inteiro, já sentiu a sensação de estar sendo observado por alguém? Eles ficam acima da sua cama, cada ação tem uma reação, pensamentos intrusivos ainda pertencem a você.
Não se pode rebobinar, não há modo, os demônios que sobrevoam os cadáveres sobrevoam você também, malditos fantasmas do passado ... Estou sendo pragmático, não há mais simplicidade do que te dizer, não importa o mal que vier fazer, já cave duas covas antes, a terra morta será igualitária ao seu pedaço de trapo, jazerá por anos em posição vertical.
Quando faz algum favor a alguém, não espere nada em troca, não é barganha e sim mutualismo, você nutre o seu anjo, alimenta o seu cordeiro, o lobo ainda está ai, tentando dessecar seu pescoço a cada virada abrupta que a vida dá, nessa montanha russa, as paredes são repletas de ouvidos. Sabe qual é o grande empecilho, o infortúnio da raça humana? Agora as paredes tem ouvidos e os ouvidos têm paredes.
Sempre fui ensimesmado, perdido no elo do meu ego, quando abri os olhos, percebi a situação terrena, sabe o que diferencia a Terra do inferno? É a cor do terno. Não seja obstinado, ouça-me, eu tento te alertar, a morte caminha ao seu lado, e não há como prever em qual esquina irá te beijar. O malogro não é objeção, a dor é remédio, é o revés e a cura.

FIM
28/04/14

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