Tessons D'une Ville
4 Plaisir - capítulo 3
Would you cry, if you saw me cryin'?
— Hero, Enrique Iglesias
Apesar de o sentimento ter sido liberado, apesar de terem admitido suas verdadeiras identidades um para o outro, Olivia ainda receava trabalhar com ele.
– Acho que não. — ela disse, enfim. Elliot olhou para ela, com um olhar confuso, curioso para saber do que ela estaria falando.
– O quê? — ele perguntou, passando o braço pela cintura dela, abraçando-a.
Olivia deitou sua cabeça no peito dele, fechando os olhos levemente. Seu corpo pesava, suas pernas tremiam. Por um momento, ela soube que se ele não a estivesse segurando, ela já estaria caída ao chão.
– Não acho que nós daríamos certo trabalhando juntos. — ela suspirou, arrependendo-se depois.
– Por quê? — ele indagou — Prometo me comportar em ação.
Olivia riu e negou com a cabeça, pois ela sabia que não se tratava somente disto. Tratava-se de coisas maiores. Tratava-se de seus próprios defeitos.
– Não tem a ver com isto, El. — ela suspirou — Tem a ver somente comigo. Com os meus próprios demônios.
Elliot negou, parando de andar automaticamente. Acariciou os cabelos dela, que moldavam perfeitamente o rosto sereno. Quem poderia imaginar que ela seria assim, tão diferente?
– Não estou entendendo. — ele murmurou.
Ela suspirou alto, revirando os olhos. Queria que fosse simples, queria ter uma vida normal. Queria simplesmente amá-lo.
– Eu não sou uma garota comum, El. — ela disse, parando de caminhar e o encarando.
– E eu não sou um homem comum, Liv. Ambos temos muitos segredos e defeitos. Mas nós podemos trabalhar juntos, eu tenho certeza disso.
Ela sorriu fracamente. Sabia que nada o convenceria do contrário, sabia que ele insistiria até ela ceder. Por isso assentiu levemente e continuou caminhando, agora um pouco mais a frente dele. Elliot alcançou-a e segurou sua mão.
– Ei, não precisa correr. Eu não vou mais tocar no assunto por hoje, ok?
Ela o encarou e sorriu.
– Okay.
**
Quando chegaram ao apartamento de Olivia, já estava quase amanhecendo e alguns raios de sol já penetravam a janela. Elliot observou a casa da morena. Não havia nada de sobrenatural ou sobre-humano, nada que indicasse que ali morava um heroína.
Ele sabia que no final das contas ela também era frágil, apesar de mentir para todos, se fazendo de forte. Ela tinha sentimentos, ela também precisava de amor. E ele estava mais do que disposto a ser o cara de que ela precisava. Olivia foi até a cozinha pegar um copo d’água e Elliot resolveu segui-la. Ele parou, com os braços cruzados sobre a cintura, a observando.
– Você deveria parar de empinar a bunda desse jeito, não faz bem à saúde. – ele disse enquanto observava ela agachada tentando pegar o pano de prato que tinha acabado de cair no chão.
Ela se virou em um pulo, e pode notar a malicia nos olhos dele. Aquilo a fez sentir um arrepio na espinha e um calor perpassou por todo seu corpo. Ela sorriu.
– Não faz bem à saúde? Quer dizer que eu posso morrer por “empinar a bunda” pra pegar um misero pano de prato?
Ele caminhou em sua direção e segurou-a pela cintura.
– Não é a sua saúde que fica prejudicada, é a minha.
Elliot a beija com todo o desejo que foi reprimido desde o dia em que eles se conheceram. Ele a tira do chão, enquanto Olivia afunda seus dedos na nuca do herói. O herói por quem está completamente apaixonada. Stabler a coloca no chão sem largá-la completamente, e entre amassos, chegam no sofá.
Os dois estão freneticamente se beijando. Elliot por cima de Olivia, os corações pulsando fortemente, o calor aumentando cada vez mais... Ele desce os beijos até o pescoço dela, enquanto ela tenta desabotoar a camisa dele. As mãos dele passeiam pelas curvas da morena, logo ele tira o casaquinho preto que ela usava, e sorri vendo ela sorrir contra seus lábios.
O momento que estava esperando finalmente havia chegado. E ali estavam os dois, se agarrando no sofá do apartamento dela, finalmente consumando todo o amor que sentiam. Elliot ia começar a desabotoar a camisa de seda azul marinho que ela usava, mas Olivia o afastou.
– Aqui não... No quarto. – ela conseguiu murmurar quando ele a pegou no colo, fazendo o que Olivia pedira.
Elliot a colocou delicadamente sobre a cama, logo se deitando por cima dela. Pode ouvir Benson suspirar quando ela a beijou no pescoço. Sua Liv, a heroína B, a mulher mais linda do mundo. Ela finalmente era dele, finalmente estavam juntos e nada, nada, iria mudar isso.
**
Elliot acordou e observou Olivia abraçada a ele com tanta ternura e carinho. Observou sua respiração lenta e ritmada, típica de quem está dormindo profundamente. Acariciou o cabelo dela, e sentiu quando Benson o abraçou ainda mais forte, colocando sua perna por cima dele.
– Liv? – ele sussurrou em seu ouvido.
– Humm... – Olivia murmurou antes de abrir completamente os olhos.
– Você é ainda mais linda quando acaba de acordar, sabia?
Olivia escondeu o rosto no vão do pescoço dele.
– Para! Para de me olhar assim! Eu devo estar um horror!
Elliot levantou o rosto dela e plantou um selinho ali.
– Você está maravilhosa.
– Sei, sei... Que horas são? – ela indaga enquanto esfrega os olhos. Olivia sobe em cima dele para tentar olhar o relógio.
– Ei! Você não pode me provocar assim, mocinha! – Elliot segura a cintura dela com firmeza e se coloca por cima dela. Olivia ri e tenta sair dali.
– El, El! Deixa eu fazer o nosso café, sai daí! – ela continua rindo.
– Café!? São 3 horas da tarde!
– Sério? – agora Olivia consegue finalmente se desvencilhar dele.
Logo ela puxa o lençol pra cobrir sua nudez e Elliot alcança a cueca que se encontra na beirada da cama. Vestindo-a.
– Me deixa só colocar uma roupa e a gente já vai comer. – ela fala, caminhando em direção ao banheiro.
Mas ele a puxa, segurando-a pela cintura e o lençol dela quase cai. Benson sorri. Elliot a beija com paixão e logo depois ela entra no banheiro, deixando-o sozinho. Imaginando o quanto é sortudo por tê-la em sua vida, o quanto ele a ama... E o quanto ele nunca se sentiu tão feliz em toda sua vida.
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