Notas iniciais
Novo capítulo fresquinho pra vocês ^-^

Alguns dias haviam se passado. Ana e Thomas não conseguiam dormir sem pensar um no outro. Durante quase todos esses dias, sonhavam um com o outro, porém, temiam muito que o amor que sentiam não fosse retribuído.

– Será que ele sente o mesmo por mim? – perguntava Ana todas as noites, antes de pregar no sono. Thomas também sentia o mesmo.

– Não aguento mais viver dessa forma. Preciso falar com a Ana. Amanhã mesmo na faculdade eu falarei com ela. – decidia-se o rapaz.

...

Após dormirem, parecia que o dia havia amanhecido em apenas alguns segundos. Ana e Thomas se preparavam para ir à escola naquela ensolarada segunda-feira. Estavam prontos para dizer o que sentiam um pelo outro.

Os dois estavam desesperados para que as aulas do dia acabassem logo, o que parecia que demorava séculos.

– Que saco. Essa aula não acaba! Não aguento esperar mais. – resmungava Thomas, olhando para o relógio que se situava acima da lousa.

...

O grande momento finalmente havia chegado. Ana havia saído de sua sala de aula, despedindo-se das amigas. Caminhava em direção ao belo pátio, que estava praticamente vazio naquele momento. Estava distraída, até sentir passos de alguém que vinha correndo em sua direção. Assustada, virou para trás. Era ele.

– Ana, preciso muito falar com você.

Os dois pombinhos caminharam até um dos bancos do jardim, bem próximos ao grande e exuberante chafariz que realçava a beleza do local.

– Eu sei... Nós nos conhecemos há pouco tempo. Não faz nem um mês. Mas acontece que o que eu venho sentindo por você cresce a cada dia. Já não dá mais para esconder. Ana... Eu te amo.

Um pouco distante do banco, atrás de uma pilastra, Thaís observava o casal e escutava tudo o que Thomas dizia.

– Eu sabia! Eu sabia! Eu não estava ficando louca! Ele realmente tá apaixonado por essa vira-lata dos infernos! Desgraça! – resmungava sussurrando para si mesma.

– É isso Ana. Já não consigo mais esconder o que sinto.

– Thomas...

– O quê?

– Eu também sinto uma coisa forte por você desde aquele dia e também não conseguia parar de esquecer. Thomas, eu também te amo.

Ana se aproximou de Thomas e o beijou. Os dois se beijaram apaixonadamente.

Thaís continuava observando, e arregalou os olhos e ficou boquiaberta ao observar o beijo apaixonado do casal. Empalideceu e, consequentemente, desmaiou.

...

Mais tarde, ainda pálida, conseguiu chegar em casa. Clarice desta vez não os esperava no sofá da sala. Estava descansando em seu quarto, à espera dos filhos e da afilhada. Assustou-se ao escutar o ranger das portas e se deparar com Thaís naquele estado.

– O que houve, menina? Está pálida! – perguntava Clarice, levantando-se da cama, espantada ao ver a afilhada.

– Madrinha, a situação é séria! É sobre o Thomas e aquela Ana.

E contou à Clarice tudo que havia visto naquele dia. As declarações, o beijo, tudo.

– Nós precisamos tomar uma rápida providência em relação à isso. Essa menina pode ser uma golpista que só está interessada no dinheiro do meu filho. Nada mais. – afirmava Clarice. O ódio percorria pelos seus olhos. – Não conheço esta jovem e já a odeio.

As duas são interrompidas por batidas na porta.

– Pode entrar.

– Interrompo?

– Claro que não, querido. Eu já estava de saída. – respondia Thaís, esboçando um sorriso ao amado, retirando-se do quarto, deixando mãe e filho a sós. Thomas fechava a porta e corria em direção à cama da mãe.

– Mãe, preciso te contar uma coisa que vem acontecendo desde o início da semana.

Clarice, fingindo não saber de nada, esboçou um sorriso ao ver os olhos alegres do filho, porém, na verdade sentia ódio da jovem.

– O que houve?

– Estou apaixonado por uma garota lá na faculdade. Foi à primeira vista... – respondia o filho, sonhando acordado com Ana.

– Sério? Me fala como ela é. – Excelente atriz, Clarice conseguia forjar empolgação e surpresa diante da notícia.

– Ah, ela é linda. Por dentro e por fora. Eu com certeza amo a Ana.

– Ana, que belo nome. Quando vamos conhecê-la?

– Em breve. Agora ela deve estar falando de mim à mãe dela. Ela é perfeita, porém, há um único problema. E acho que a senhora não vai gostar nada de saber.

– E que problema é esse, Thomas? – o tom da voz da mãe do rapaz alterava, demonstrando uma curiosidade meio fria.

– Não sei quanto a vocês, mas isso não é exatamente um problema para mim. De qualquer jeito... A Ana é pobre, mãe.

...

– Então esse rapaz é rico, minha filha? – perguntava Olívia, com um desapontamento no tom.

– Sim, mamãe. E antes de me fazer taaantas perguntas, saiba que não é no dinheiro dele que estou interessada. Eu realmente amo o Thomas mais do que qualquer outro garoto que já gostei.

– E acha que eu não te conheço, minha filha? Conheço seu coraçãozinho. Toma cuidado. Ele pode estar somente se aproveitando da sua inocência.

– Eu sei, mamãe. Eu sei. Fica calma que eu sei me cuidar.

– Humpft.

...

– Então ele te contou tudo? E a senhora? O que fez? – perguntava Thaís, aflita.

– Fingi não saber de nada. É claro. Precisamos bolar algo depressa – respondia Clarice. Thaís suspirou, acalmando-se. Permaneceram alguns minutos em silêncio, até Thaís interrompê-lo.

– TIVE UMA IDEIA! – gritava, empolgada. – Pelo que eu sei sobre essa Ana, a mãe dela é muito pobre e trabalha de faxineira para conseguir pagar os estudos de Psicologia da filha única. Precisamos fazer algo com a velhota.

– Essa mulher provavelmente é uma grande trabalhadora e está desgastada devido ao grande e cansativo trabalho. Se dermos um belo susto nela e a Ana flagrar o Thomas aos beijos com outra garota, ela sumirá de vez. Não é só separá-los. Temos que tirar a Ana da faculdade também.

– Bela ideia, madrinha! Eu devia ter pensado nisso antes!

...

Thomas estava deitado, como sempre, dessa vez folheando um dos seus livros de direito, porém, sua cabeça não estava ali, estava pensando em Ana, como sempre.

– Quer saber? Vou sair com a Ana. Não vou ficar aqui em casa esperando o tempo passar.

Caminhou até a cômoda e pegou o celular. Discou rapidamente uma sequência de números e ligou para a jovem, que atendeu rapidamente ao ver de quem se tratava.

– Oi Thomas, tudo bem?

– Tudo sim, meu amor. Eu queria saber se você tava afim de sair ainda hoje comigo.

– Ai... Não sei. Já tá de noite. – respondia Ana, um pouco triste.

– Mas tá cedo... Eu te busco e te levo depois. – insistia Thomas.

– Tá bom.

– Às sete eu passo aí então. Beijo.

Desligou rapidamente o celular e pegou as primeiras roupas que encontrou no armário. Desceu a escadaria de modo que ninguém reparou e correu em direção ao seu carro.

...

O carro parou em frente à casa de Ana. A jovem sorriu ao ver quem saía do veículo, acenando para esta, que correu, adentrando o mesmo, sentando-se no banco do carona.

...

Thaís desce as escadas e caminha pela sala e pelo corredor.

– Cadê ele? Acabei de sair do quarto dele e também não está lá. Não pode ter saído. Ele nunca sai de noite.

Irada, subiu novamente as escadas, um passo mais forte do que o outro. Foi interrompida por Martha, a governanta da mansão, que a chamou.

– Dona Thaís? O que a senhorita deseja? Talvez eu possa te ajudar

Thaís, mais irritada ainda, respondia.

– Duvido que você seja capaz de me ajudar, mas vou te dizer. Viu o Thomas por aí?

– Me desculpe desapontá-la, senhorita. Mas não o vi.

– VIU? COMO EU HAVIA DITO, NEM PRA ISSO SERVE. É UMA INÚTIL MESMO. – berrou, batendo com os pés mais forte ainda na escada.

– Inferno!

...

Martha voltava para a cozinha, debulhando-se em lágrimas. Uma jovem caminhou em sua direção, preocupada.

– O que aconteceu, Dona Martha? – perguntava Rosa, a cozinheira profissional da casa, abraçando-a.

– Foi ela, Rosa. A Thaís me humilhando como sempre! – Martha abraçou a jovem, chorando mais ainda.

– Awn, Dona Martha. A senhora sabia que isso mais cedo ou mais tarde iria acontecer...

– Aquilo foi o pior erro da minha vida. Eu nunca vou me perdoar pelo que eu fiz no passado!


Notas finais
O que acharam? Comentem, por favor. E mais uma vez, obrigado pela leitura! O próximo será postado em breve.